Notícias/Março

31/03/2005

Reforma Sindical

Representantes da Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social), do Sindireceita (Sindicato dos Técnicos da Receita Federal) e da CSPB (Confederação dos Servidores Públicos do Brasil) estiveram hoje, 30/03, na Comissão de Trabalho da Câmara para debater a PEC nº 369/05, que trata da reforma sindical. A tônica do debate, mais uma vez, foi a unanimidade na assertiva de que a matéria é impertinente e não ajuda a resolver as mazelas do movimento sindical. Esta foi a segunda audiência pública realizada pela comissão e haverá outras com representantes das centrais, das confederações de trabalhadores e do patronato.

No debate, vai se configurando uma unidade dos setores que foram excluídos das discussões no Fórum Nacional do Trabalho (FNT); notadamente, os servidores públicos e as confederações nacionais de trabalhadores, que apresentaram, como contraponto à PEC da reforma o PL nº 4554/04, assinada por mais de 200 deputados.

Direitos dos servidores

O presidente do Sindireceita, Paulo de Oliveira, em sua exposição elencou vários aspectos negativos no texto da PEC em relação aos servidores públicos. Ele chamou a atenção para o fato da proposta governo flexibilizar os direitos trabalhistas e dar início ao processo de "precarização das relações de trabalho". Segundo Oliveira, a negociação coletiva no serviço público deve ser esclarecida, pois trata-se de uma "discussão necessária" para a categoria dos servidores.

Oliveira fez questão de ressaltar que a questão da negociação coletiva dos servidores deve ficar bem clara porque o salário do servidor é definido por meio de medidas infranconstitucionais, enviadas pelo Executivo para definição no Legislativo. O direito de greve foi outra matéria da reforma que Oliveira questionou. "Os servidores não foram contemplados com o direito de greve", lembrou.

A estrutura sindical e a representação do sindicato foram outros dois temas abordados pelo dirigente. Ele defendeu a unicidade sindical e se contrapôs a dualidade de representação na base do sindicato. Quanto a representatividade das entidades sindicais, Oliveira criticou a exclusividade da representação sindical, pois "pode-se com isso criar feudos no movimento sindical".

Por fim, o presidente do Sindireceita enfatizou que "o trabalhador é quem deve dizer se quer fazer parte de uma central sindical". O dirigente fez este questionamento pelo fato de que o texto da reforma inverte a estrutura da organização sindical e coloca a central sindical como entidade estruturante no movimento dos trabalhadores. Hoje, o elemento central do movimento sindical é o sindicato. "Não aceitamos o fortalecimento das centrais em detrimento do enfraquecimento dos sindicatos", questionou. Ele disse ainda, que "não deve haver controle do Ministério do Trabalho e Emprego para a criação de sindicatos".

Controle e enredamento

O representante da Anfip, Marcelo Oliveira, disse que a proposta do governo de reforma sindical quer "controlar e enredar as associações, porque retira do artigo 8º da Constituição a palavra associação profissional". Marcelo, em sua fala, lembrou a longa folha de serviços prestados pela Anfip à sociedade brasileira junto ao Parlamento. Ele destacou também que a entidade completa 55 anos de fundação em 22 de abril próximo, mostrando o absurdo que é a PEC ao excluir as associações como legítimas representantes de categorias como os previdenciários e os bancários do Banco do Brasil.

O dirigente da Anfip questionou ainda os critérios para a composição da Mesa Nacional de Negociação no Serviço Público. A Anfip não faz parte da Mesa porque é uma associação e não um sindicato. "O Sindireceita e o Sinait, por exemplo, não compõem a Mesa Nacional de Negociação porque não são filiados a nenhuma central sindical", lembrou.

A Mesa Nacional de Negociação Permanente foi instalada em 16 de junho de 2003 pelo então ministro do Planejamento, Guido Mantega. O fórum reúne entidades sindicais dos servidores públicos federais e o governo para encontrar soluções para as reivindicações dos servidores.

Reforma do FMI

"De onde vem e a quem serve a reforma sindical?" Com esta interrogação o presidente da CSPB, João Domingos iniciou sua exposição na audiência pública sobre a PEC nº 369. E continuou: trata-se de "cumprimento de compromissos do governo brasileiro com o FMI (Fundo Monetário Internacional). As premissas dessa reforma, segundo João Domingos, são a flexibilização da legislação trabalhista e o enfraquecimento das organizações sindicais", enfatizou.

João Domingos disse que a reforma sindical "é uma reforma imprestável"; ela é "cupulista", porque "inverte a matriz da organização sindical". Domingos explicou que "é o sindicato quem define as prioridades e interesses da categoria e a reforma quer inverter a pirâmide do movimento sindical ao colocar as centrais para substituir o papel do sindicato na base".

Ele disse também que a reforma "é imprestável, porque é um enorme retrocesso" para o movimento sindical. Domingos não vacilou em afirmar que o FNT produziu a "farsa do consenso" e acrescentou que "a base da CUT [Central Única dos Trabalhadores] não concorda com a reforma". "A proposta é um retrocesso em 60 anos", finalizou.

Debate parlamentar

Após as exposições dos dirigentes sindicais, os parlamentares debateram a reforma. O presidente da Comissão de Trabalho, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), informou que está fazendo gestões junto ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP/PE), para que o presidente e o relator da reforma na comissão especial, que vai debater o mérito da proposta, sejam membros titulares da Comissão de Trabalho.

O deputado Alceu Collares (PDT/RS), enfatizou que "não convém perder tempo estudando uma matéria que não presta". Collares questionou o fato de que a proposta não tratou do direito de greve dos servidores. O "trabalhador que não tem o direito de fazer greve é um trabalhador sem alma", enfatizou.

O representante do PCdoB na comissão, deputado Daniel Almeida (BA), adiantou que seu partido é contra a proposta de reforma sindical. O deputado comunista chamou a atenção para uma contradição exposta na reforma: "tem Estado demais na estrutura sindical e Estado de menos na proteção ao trabalhador".

Almeida destacou também que a proposta "começa mal, porque divide o movimento sindical". Já o deputado Tarcísio Zimmermann (PT/RS), destacou que o "tema é complexo, pois estamos lidando com uma estrutura com mais de 60 anos". Ele disse ainda que a proposta tem "paternidade compartilhada" já que nasceu a partir de um debate realizado pelos representantes dos trabalhadores e dos patrões, sob a mediação do governo no FNT.

Zimmermann afirmou também que "não há na proposta qualquer iniciativa de flexibilização de direitos". Ainda, segundo Zimmermann, na proposta "não há prevalência do negociado sobre o legislado". Ele disse que a proposta tem avanços e os elencou: garantia da organização sindical no local de trabalho, fim do imposto sindical e proteção contra as ações anti-sindicais.

O representante tucano no debate, deputado Walter Barelli (SP), disse que "a reforma é imprescindível, porque os sindicatos não são representativos". Depois de fazer alguns questionamentos sobre o tema, pediu que os expositores explicassem como são realizadas as eleições em seus sindicatos, qual o índice de sindicalização em suas categorias e qual o nível de democracia nas entidades que representam. O deputado disse que fez as perguntas como forma de homenagear os representantes das entidades que ali debatiam a reforma sindical.

Agência DIAP


31/03/2005

PT desestabiliza a base

Bancada petista não aceita derrubar a MP 232 até que seja garantida a correção na tabela do IR

Como diria Aparício Torelly, o Barão de Itararé, “é de onde menos se espera que não vem nada mesmo”. O maior problema do governo Lula para votar a Medida Provisória 232, seja para aprová-la, seja para rejeitá-la, em bloco ou separadamente, não está nas dificuldades criadas pelo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), nem nos votos contrários do PSDB e do PFL. Está na bancada do PT: o partido do presidente Lula entrou em pânico ao ver uma de suas velhas bandeiras, a redução do Imposto de Renda da classe média, nas mãos do PSDB e do PFL.

“O desconforto na bancada é muito grande. Não dá para votar contra uma proposta que sempre foi nossa, por causa de uma medida provisória que o partido não discutiu e foi baixada na calada do Ano Velho”, explica o deputado Chico Alencar (PT-RJ). A esquerda petista se recusa a votar com o governo enquanto outro projeto não for apresentado pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

Na reunião da bancada com o novo líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), na segunda-feira à noite, a possibilidade de desmembramento da MP foi levantada pelo deputado Miro Teixeira (RJ), mas foi desconsiderada. Parlamentar experiente e regimentalista, Miro advertiu que o PSDB e o PFL poderiam agir como o PT tantas vezes fizera em situações semelhantes, quando ainda era oposição: propor o desmembramento da matéria para aprovar apenas aquilo que agradava mais à opinião pública.

Foi o que aconteceu, para desespero dos petistas, nas duas sessões da Câmara, obrigando o governo a obstruir a votação. Ontem, o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), ao encaminhar a votação, tripudiou. Leu uma nota da bancada petista, de 1º de novembro de 2001, sobre a correção da tabela do IR. “O Partido dos Trabalhadores (...) alerta que qualquer tentativa de utilizar prazos regimentais e outros expedientes para procrastinar esses anseios da população brasileira ficará visível à opinião pública”, dizia o documento, assinado pelo então líder do PT, deputado Walter Pinheiro (BA), um dos expoentes da esquerda do partido.

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que não sai do microfone de apartes desde quando a matéria entrou em votação, exaltado com a leitura da nota, espinafrou o PSDB, que acusou de fazer um único reajuste da tabela do IR em oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso. Mas, ao concluir o encaminhamento da votação, Luiz Sérgio confirmou a desconfiança da bancada petista em relação ao projeto a ser apresentado pelo Ministério da Fazenda. “Os partidos que compõem a base do governo, de forma correta, responsável, querem algumas garantias que todos nós do PT também queremos: a de que nenhum trabalhador terá prejuízo, e de que pontos que vinham sendo negociados com a sociedade e com o Parlamento sejam garantidos no projeto de lei”, afirmou.

Esse é o problema do governo. O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e Arlindo Chinaglia até conseguiram convencer os líderes da base aliada a votar em bloco pela rejeição. PT, PC do B, PSB, PL, PTB, PMDB e até o PP vêm atuando juntos desde terça-feira. Mas optaram pela obstrução, durante reunião na madrugada de ontem, porque a bancada do PT não aceita votar a rejeição da MP 232 enquanto a Fazenda não apresentar um novo projeto de lei para negociação e, com isso, desestabilizou a base aliada em plenário.

À tarde, bem que os líderes da base aliada tentaram chegar a um acordo com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, mas não houve entendimento entre a base política e a equipe econômica do governo Lula. “Nós avançamos muito na rearticulação da base, mas votar essa matéria é muito difícil. A Medida Provisória 232 já está derrotada na sociedade”, explica o líder do PSB, Renato Casagrande (ES).

Goldman elogia atuação de Severino

O líder do PSDB na Câmara, deputado Alberto Goldman (SP), elogiou ontem, a atuação do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), na direção da Casa e durante o processo que provocou o recuo do governo na aprovação integral da MP 232. Apesar de ter se envolvido recentemente em um bate-boca com o próprio Severino no plenário da Câmara, Goldman minimizou o fato e classificou o presidente como “grande comandante” de um processo que, na sua avaliação, está trazendo de volta a autonomia do Legislativo.

“Ele é o grande responsável por ter forçado a votação da (MP) 232 e derrotá-la. É um grande comandante e todo comandante tem disso. Ao lado das suas impropriedades, das atitudes que todos nós podemos criticar, ele está conseguindo fazer uma coisa que há muito tempo não tinha: esse poder, de repente, começou a ter autonomia e independência”, enfatizou Goldman.

Segundo ele, o governo e o PT passam por um período crítico no Congresso e, por isso, não devem ter sucesso em futuras votações no Legislativo. “O governo entrou num processo de degringolagem, de desarticulação e de descrédito. Ninguém acredita mais no governo. Ninguém acredita mais no PT, um partido que quis ser hegemônico no país, tomar conta do país sem respeitar o próprio processo democrático de composição política”, argumentou.

Correio WEB


31/03/2005

Congresso define itens da reforma partidária

Fidelidade e federação dos partidos podem entrar em vigor no ano que vem

Na quinta rodada de negociação da reforma política, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e os presidentes dos quatro maiores partidos do Congresso, PMDB, PFL, PT e PSDB, optaram em votar apenas três medidas com vigência prevista nas eleições do ano que vem. São elas: fidelidade partidária pelo prazo de três anos; mudança nos regimentos das duas Casas para evitar o troca-troca dos partidos e a adoção da federação dos partidos – mecanismo que abranda a cláusula de barreira, ao permitir que partidos já formados cumpram unidos em blocos a exigência de ter 5% dos votos válidos nacionais em nove Estados.

A tramitação da reforma se arrasta há mais de 10 anos. O empenho dos parlamentares com o seu encaminhamento é esporádico, normalmente no início de novas legislaturas. Mas termina sem resultados concretos. Mesmo agora, os pequenos partidos já manifestaram a disposição de não apoiar mudanças que possam prejudicá-los no futuro.

De acordo com o presidente nacional do PT, José Genoino, no encontro foi acertado que as questões mais polêmicas também serão votadas este ano. Só que a vigência fica adiada para as eleições municipais de 2008. É o caso da criação da lista de candidatos, o fim das coligações nas eleições proporcionais e o financiamento público das campanhas eleitorais.

Prazo

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), lembrou que a reforma tem de entrar na pauta ainda este mês. "Caso contrário, há o risco de não conseguirmos aprová-las antes de outubro, prazo final de votação das medidas que entrarão em vigor nas eleições do ano", alegou.

Os presidentes dos partidos não conseguiram chegar a um acordo sobre a verticalização das coligações, imposta aos partidos pelo Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2002. É assim chamada a exigência de os partidos manterem a coligação nas disputas federais e municipais. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), disse que pessoalmente apóia a verticalização, mas entende que a sua exigência seria adequada em um País "com 7 ou 8 partidos e não aqui, quando estão em atividade 27 deles". Mesmo no PT e PSDB, tidos como favoráveis à verticalização, a matéria não é consensual.

No encontro de Renan Calheiros para tratar da reforma com dirigentes de pequenos partidos, no início de março, o presidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), rejeitou a idéia de criar listas de candidatos. Segundo ele, a inovação "é uma bobagem".

Jornal de Brasília


31/03/2005

Governadores pedem revisão da Previdência

Emenda aprovada pela Câmara cria um rombo na contabilidade dos estados

BRASÍLIA - Os governos estaduais tentam recuperar, no Senado, o prejuízo que tiveram na Câmara com as modificações aprovadas no texto da chamada emenda paralela da Previdência. O principal pleito é a derrubada da inclusão de delegados de polícia, auditores tributários estaduais, advogados e defensores públicos no subteto salarial do Judiciário.

Em um primeiro esforço pela modificação da proposta, o governador do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB) e outros três governadores foram ontem ao gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Entregaram documento firmado por 11 governadores pedindo a revisão da emenda aprovada pela Câmara há duas semanas. Assinam a carta os governadores de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Tocantins, São Paulo e Santa Catarina.

Eles alegam que não poderão cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal se a legislação for mantida com as alterações realizadas no plenário da Câmara. Ao incluir novas categorias no subteto de 90,25% dos proventos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, de R$ 21,5 mil, o texto cria um rombo na contabilidade dos Estados, explica Alcântara, porta-voz dos governadores. O curioso é que sua principal reclamação diz respeito a emenda proposta por parlamentar de seu partido. Agora, os governadores tentam correr atrás da derrota ocasionada pela pobreza da articulação dos estados na Casa Baixa do Parlamento.

- Se esta modificação vigorar, só no meu estado serão umas 107 pessoas que vão se enquadrar no novo subteto. Parece pouco, mas isso representará um desembolso de R$ 7 milhões a mais por ano em despesas de custeio - exemplificou o governador cearense. Para ele, a medida pode inutilizar um longo tempo de esforço das administrações estaduais em regularizar suas contas e adaptar os governos à reforma realizada na Previdência, e as conseqüências se estenderão por toda a economia do país.

Na próxima semana será a vez dos secretários de Administração dos estados baterem na porta de Calheiros para reiterar a reivindicação dos governadores. Reunidos no Conselho Nacinal de Dirigentes de Regimes Próprios de Previdência Social (Conaprev), eles estendem as críticas a outros pontos da emenda, como a retroatividade de sua vigência ao início do ano fiscal. O conselho ainda está calculando o impacto total das medidas inseridas na proposta, na economia dos estados.

Lúcio Alcântara se disse satisfeito com a resposta do presidente do Senado, assegurando que a Casa manterá a atenção ao equilíbrio fiscal dos estados e do país.

- Não dá mais para ficar pendurando fatura de forma perdulária e irresponsável. É importante que se coloque um freio nessa escalada de gastos sem qualidade, e o Senado saberá fazer sua parte no plenário - disse Renan Calheiros, após o encontro com os governadores.

Segundo o presidente do PT, José Genoíno, a bancada da legenda no Senado deverá votar pela derrubada das alterações à PEC paralela feitas na Câmara. O que, em teoria, já garante 13 votos à reivindicação dos governos estaduais.

- Para o PT, esse subteto é inaceitável. Além do prejuízo para as contas públicas, ele representa um privilégio inaceitável, considerando que a base da maioria dos aposentados é constituída de baixos proventos. O partido, dentro do Senado, tem uma posição clara e vai votar pela retirada desse subteto no plenário - afirmou o presidente da legenda.

Mas a questão está longe de um consenso na Casa, mesmo dentro da base aliada do governo. O líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), prefere discutir o assunto após sua chegada na pauta do Senado. O senador do PMDB, Hélio Costa (MG), já defendeu em plenário o novo texto da PEC, e pediu apoio aos outros senadores para a medida. Ele argumenta que o aumento salarial só ocorreria se os governadores encaminhassem aos legislativos estaduais propostas para elevar os ganhos das categorias citadas na emenda.

Jornal do Brasil


31/03/2005

Fórum ajuda a elevar recursos em R$ 1 bilhão

A articulação do Fórum Industrial-Parlamentar Sul ajudou a elevar em 146,5% o total de recursos destinados no Orçamento da União para a melhoria da infra-estrutura de transportes na região. Após o acréscimo das emendas do Executivo e dos parlamentares e também dos recursos da Agenda Portos, o total previsto para ser investido este ano passou dos R$ 416,1 milhões propostos inicialmente pelo governo federal para R$ 1,02 bilhão. O número foi divulgado ontem em Brasília, na primeira reunião de trabalho do Fórum este ano, que teve a presença do recém-empossado ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e de deputados e senadores do Sul.
A suplementação de recursos previstos no Orçamento da União para a Região Sul em 2005 reduziu de forma tímida as necessidades de investimentos federais em infra-estrutura nos três estados. O acréscimo de R$ 679,2 milhões no investimento contempla apenas 11,76% dos R$ 9,3 bilhões apontados pelo Fórum Industrial Parlamentar Sul como necessários para obras estratégicas na região. Ficam faltando ainda R$ 8,21 bilhões.
No encontro, na sede da CNI, representantes das Federações das Indústrias e parlamentares avaliaram as conquistas da articulação no ano passado, traçaram estratégias para este ano e discutiram a proposta da reforma sindical. Os objetivos principais para 2005 quanto à infra-estrutura são, primeiro, fazer com que os recursos destinados sejam, de fato, aplicados. E, segundo, que o Orçamento de 2006 contemple mais verba para a região, diminuindo um pouco mais as distorções nos repasses da União.
Para o diretor do Ciergs e coordenador do grupo temático de transportes da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Ricardo Portela Nunes, essa nova etapa do Fórum vai começar mais cedo este ano, o que dará a possibilidade de avançar mais.
O presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), José Fernando Xavier Faraco, disse que o resultado é animador. “Vimos que a articulação valeu a pena. Já avançamos bastante. E cada vez mais nossos parlamentares e mesmo o governo percebem que, dada a dimensão que o Fórum tomou, é impossível ficar de fora”, disse. “Esse é um processo de convívio e temos aprendido muito com isso”, declarou o primeiro vice-presidente da Federação do Paraná (FIEP), Arthur Peralta Neto.
Outro fato comemorado no encontro foi que o Sul conseguiu passar do último lugar para o penúltimo em investimentos pagos pela União de 1999 a 2004. Apesar disso, o valor previsto para 2005 ainda representa pouco em relação às reivindicações. A região se ressente da perda de competitividade que os gargalos logísticos vêm trazendo à sua indústria exportadora, que gera o maior superávit na balança comercial brasileira entre todas as regiões do País.
A busca de novos recursos em 2005 seguirá um rito semelhante à estratégia usada no ano passado: incluir os valores já na proposta do executivo. Só que esse ano, como a articulação já está acontecendo no começo do ano, as chances de sucesso aumentam.
Há ainda um outro fator favorável. O ministro Paulo Bernardo, cuja pasta estipula a parcela do orçamento que caberá a cada ministério, estava, até assumir o cargo, do outro lado do balcão. Deputado federal pelo PT do Paraná, Bernardo participou, inclusive, de algumas reuniões do Fórum Industrial Parlamentar Sul no ano passado e conhece de perto não só as reivindicações como também os gargalos dos estados.

Jornal do Comércio


31/03/2005

Governo adia de novo votação da MP 232

BRASÍLIA - O governo conseguiu adiar ontem, pelo segundo dia seguido, a votação da Medida Provisória 232, que corrige em 10% a tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas e aumenta impostos de prestadores de serviço e setores como agricultura e transportes. Com a MP do Imposto em vigor, o aumento da base de cálculo para recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de 32% para 40% para os prestadores de serviço, começará a ser cobrado amanhã. A correção da tabela do IR está em vigor desde janeiro.

Sem votos para rejeitar o pedido de retirada da MP 232 da pauta de votação, o governo decidiu ganhar tempo e obstruir novamente a sessão, como fizera terça-feira, até que seja feito um acordo em torno de um projeto de lei para substituir a medida provisória. Este, com a correção da tabela do IR retroativa a 1º de abril e com o aumento da cobrança de impostos de empresas que empregam pouca mão-de-obra.

Em reunião ontem entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ficou acertada a obstrução. Técnicos jurídicos do Planalto e da Câmara foram acionados para assessorar o projeto de lei que será entregue a Chinaglia, encarregado de apresentá-lo aos outros aliados. Com isso o Planalto espera dar aos governistas argumentos técnicos e políticos para que não sejam vistos por suas bases como aqueles que rejeitaram a correção em 10% da tabela do IR.

Os primeiros resultados foram tidos como positivos. Tanto que ontem foi mais fácil derrubar a sessão para votar a MP do que terça-feira. Nesta, mesmo às 23h10, 212 deputados deram quórum; ontem, 185 lutavam para não adiar a votação. Esses 27 votos de diferença foram festejados pelo governo.

Projeto - O projeto de lei que vai substituir a MP 232 começou a ser negociado ontem pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, e pelo secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, com os líderes aliados.

"Ainda não temos uma proposta fechada, mas o pedido da base é para que não haja aumento de tributos", disse o líder do PSB, Renato Casagrande (ES). "O compromisso do governo é apresentar um projeto que será negociado com a base, garantirá o reajuste da tabela do IR retroativo a abril e, ao mesmo tempo, buscará compensações financeiras", resumiu Chinaglia.

Uma nova reunião dos líderes aliados com a área econômica está marcada para hoje, na Receita. A idéia é apresentar o projeto na semana que vem. Daqui até lá, o governo vai continuar obstruindo as sessões para votar a MP. Os deputados de oposição e de parte da base aliada não querem rejeitar totalmente a MP e aprovar apenas a parte da correção do IR.

"Não podemos votar com irresponsabilidade fiscal", observou o vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), ao argumentar que não há recursos para arcar com a perda de arrecadação decorrente da correção da tabela. "A MP nasceu para corrigir a tabela do IR e o ideal seria que isso fosse aprovado e os demais artigos rejeitados", disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) é outro que defende aprovar apenas a correção da tabela do IR. "Vamos criar uma comissão para buscar as fontes de receita para compensar a perda de arrecadação", afirmou.

Tribuna da Imprensa


31/03/2005

PFL irá atacar Lula em programa de TV

O PFL exibirá na noite de hoje, em horário nobre, na TV, um filme de 20 minutos no qual tentará desqualificar a intervenção federal em hospitais do Rio e mostrar que a motivação do governo foi política. Para o PFL, a intervenção foi decidida porque as pesquisas mostram o crescimento do nome do prefeito Cesar Maia, filiado ao partido, como candidato à Presidência da República.

Para não ter problemas com a Justiça Eleitoral, o PFL não irá apresentar Maia como candidato, e sim "pré-candidato".

Zero Hora


28/03/2005

Ministério Público e Justiça se aproximam do controle

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou proposição com os critérios para escolha dos membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público – órgãos de fiscalização do Judiciário e do Ministério Público criados pela reforma constitucional promulgada em 8 de dezembro de 2004. A norma estabelece prazo de 180 dias para a instalação dos conselhos. A matéria segue para a Mesa do Senado.

O relatório do senador Demostenes Torres (PFL-GO) prevê que todos os indicados sejam sabatinados pela CCJ, antes da votação em Plenário. Em caso de rejeição, o órgão terá 15 dias para fazer nova indicação.

As indicações devem ser acompanhadas de currículo e de uma declaração informando, se houver, os parentes até o terceiro grau que trabalhem no órgão a ser fiscalizado. Para Demostenes, isso denotará o grau de isenção do indicado.

Impedimento gera polêmica

– Como ele poderá fazer a investigação de servidores do Judiciário se tiver número excessivo de parentes? Isso talvez inviabilize o controle – justificou.

A idéia recebeu o apoio da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), mas a oposição do senador Edison Lobão (PFL-MA), para quem a norma vai além do que estabelece a Constituição. "No máximo, ele se diria impedido de julgar em determinados casos", ponderou Lobão.

Jornal do Senado


28/03/2005

Reforma Sindical

A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara realiza nova audiência pública sobre a reforma sindical. Com essa iniciativa, a Comissão dará prosseguimento, nesta quarta-feira, 30/03, às 10h, à série de audiências públicas para discutir a PEC nº 369/05.

As reuniões foram propostas pelo presidente da Comissão, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) e visam antecipar a discussão da PEC, cujo mérito será debatido em uma comissão especial. Serão ouvidos os seguintes representantes de entidades sindicais: Paulo Antenor de Oliveira, do Sindireceita (Sindicato dos Técnicos da Receita Federal); Marcelo Oliveira, da ANFIP (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência); João Domingos dos Santos, da CSPB (Confederação dos Servidores Públicos) e Roberto Silva Barbosa, da Fenacor (Federação Nacional dos Corretores de Seguros).

O primeiro passo da tramitação da PEC nº 369 é o exame pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. O relator designado é o deputado Maurício Rands (PT/PE). Envie ao deputado sua opinião sobre a reforma. Sem pressão, não há como impedir a perda de direitos dos trabalhadores. O endereço eletrônico do relator é dep.mauriciorands@camara.gov.br

Agência DIAP


28/03/2005

Guerra ao nepotismo

OAB fará campanha para combater a contratação de parentes. Internautas preparam protesto

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) planeja uma ofensiva para cortar as árvores genealógicas que permeiam os diários oficiais. Irritado com as declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), que defendeu a nomeação de parentes seus na Casa, o presidente da seccional paraense da OAB, Ophir Cavalcante Júnior, vai propor ao Colégio de Presidentes da entidade — que se reúne na próxima quinta-feira, em Fortaleza — uma campanha nacional contra o nepotismo.

A indignação também já atingiu a sociedade: um e-mail circula pela internet convidando os internautas a usarem, amanhã, roupas pretas ou colocar um pano preto na janela de casa, em sinal de protesto contra as regalias dos deputados. Entre elas, a contratação de parentes pelos parlamentares.

O plano de Ophir Cavalcanti é que se faça uma ampla mobilização para proibir o nepotismo nos três poderes e em todos os níveis. A campanha seria baseada em atos públicos, seminários e numa articulação no Congresso Nacional para que seja aprovada uma proposta de emenda constitucional que extirpe os laços de família nas contratações de cargos comissionados. “A gente não quer impedir que uma pessoa por ser filha de um político não possa exercer um cargo público. O que não podemos é consentir que o que deveria ser exceção vire regra”, afirma Ophir.

Atualmente, não há impedimento legal para o nepotismo. A reforma do Judiciário — promulgada em dezembro do ano passado pelo Congresso — prevê a proibição de nomeação de parentes de juízes para cargos comissionados, mesmo que o parentesco seja de até terceiro grau. Mas essa parte da emenda constitucional retornou à Câmara para votação e ainda não foi apreciada. “Se a Câmara aprovar essa proibição, queremos que seja apresentada uma emenda constitucional para estender essa vedação a todos os poderes”, diz o presidente da OAB-PA.

A presidente da OAB-DF, Estefânia Viveiros, concorda totalmente com o colega paraense. “O ideal é que uma lei para os Três Poderes proíba a contratação de parentes”, reforça.”A Ordem também pode levantar essa bandeira, como já fez com outros temas, para conscientizar a população.”

Imoralidade
Apesar de não haver nenhuma proibição na lei, ele avalia que o nepotismo fere o princípio constitucional da moralidade pública. A opinião de Ophir diverge da de Cavalcanti, que ao ser questionado sobre a contratação de pelos menos oito familiares dele na Câmara rebateu: “Se tivesse mais filhos, mais filhos colocaria (na Câmara)”, disse, na semana passada, sem constragimentos. Para o deputado, ele estava “prestando um serviço à sociedade” porque todos os familiares contratados têm curso superior.

“Nos preocupa muito quando um chefe de poder declara de forma tranqüila, como que querendo que seu excesso se espalhe, que é moral contratar parentes para engordar o salário da família”, rebate o Ophir. O Ministério Público Federal no Distrito Federal também condena o nepotismo. Os procuradores da República Luciano Sampaio Gomes Rolim e José Alfredo de Paulo Silva entraram com uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra Severino e o corregedor-geral e 2º vice-presidente da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), pedindo a exoneração dos parentes contratados por eles. A nomeação, na visão dos procuradores, fere os princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade administrativa. O processo deve ser distribuído hoje para o ministro Lincoln Magalhães da Rocha.

Nove projetos na fila
Não é por falta de projetos que o nepotismo ainda é prática comum em órgãos públicos. Somente na Câmara dos Deputados, tramitam atualmente nove propostas para que vire lei a proibição de contratação de parentes por políticos. Muitas delas se arrastam há oito anos na Casa. Outras não prosperaram e simplesmente foram para os arquivos do Legislativo.

Autor de um projeto de lei que prevê que deputados e senadores não podem nomear familiares até terceiro grau, o deputado Chico Alencar (PT-RJ) atribui à falta de vontade política e ao comodismo a demora na aprovação dos projetos. “Boa parte dos parlamentares contrata parentes. Então, não querem perder a oportunidade de aumentar a renda familiar. E tem outros parlamentares que não querem ficar mal com esses colegas. Por puro corporativismo não votam esses projetos”, diz.

Como o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), assumiu o posto prometendo colocar em votação tudo o que estava parado na Casa, Alencar espera que os projetos que proíbem o nepotismo estejam na lista do pernambucano. “Todos esses projetos tiveram como destino a gaveta. E como o único ponto positivo que vejo na eleição do Severino é o fato de ele falar que vai desengavetar muita coisa, espero que o que disse funcione. E, mesmo sendo ele declaradamente a favor do nepotismo, coloque os projetos para serem votados”, afirma. (PMM)

Correio WEB


28/03/2005

Governo lança 0800 para tirar dúvida sobre doença de Chagas

São Paulo - A Secretaria Estadual da Saúde, por intermédio do Centro de Vigilância Epidemiológica, colocou o telefone 0800-555466 à disposição de pessoas que estiveram entre 1º de fevereiro e 20 de março em municípios de Santa Catarina onde pode ter ocorrido a contaminação pela doença de Chagas e tomaram caldo de cana.

Os municípios de áreas de risco são Navegantes, Itajaí, Penha, Piçarras, Barra Velha, Araquari, Joinville, Balneário Barra do Sul, Garuva, Itapema, Camboriú, Balneário Camboriú, São Francisco do Sul e Itapoá, todos em Santa Catarina.

O serviço telefônico funciona 24 horas por dia para atender, tirar dúvidas e, se necessário, encaminhar para tratamento pessoas que reúnam essas características. A medida é uma prevenção contra possíveis casos da doença de Chagas.

Estado de São Paulo


28/03/2005

MP 232, nova ameaça para o governo

Insegura com o resultado da votação no congresso, base aliada tenta adiar a votação da medida

A Semana Santa acabou, mas o governo ainda tem um calvário para enfrentar na Câmara. Passado o feriadão, a missão da semana é votar a Medida Provisória 232. A MP corrigiu a tabela do Imposto de Renda em 10%, mas, por outro lado, aumentou a carga tributária para outros setores. Sem garantias de que a medida será aprovada, o governo, inseguro, trabalha para adiar a votação da MP.

O relator da MP, deputado Carlito Merss (PT-SC), promoveu uma série de mudanças no texto. Só não mexeu na correção da tabela. No texto original, a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do IR foi elevada de 32% para 40% da receita bruta para as empresas prestadoras de serviço optantes pela declaração por meio do lucro presumido. Esse é o item mais polêmico da MP. Com a mudança feita por Merss, as empresas que gastarem, pelo menos, 20% do seu faturamento em salários ou encargos permanecerão com a base de 32%.

Outra mudança beneficia os produtores rurais. A retenção do IR na fonte somente será feita nas vendas mensais acima de R$ 11.640 (o atual limite de isenção, R$ 1.164, foi multiplicado por dez). Antes, a MP 232 previa o recolhimento de 1,5% do IR, com o limite de isenção em R$ 5.820). Segundo o relator, com essa nova redação, 98% dos agricultores ficarão de fora. O limite para as pessoas jurídicas permanece em R$ 5 mil.

conselhoSobre o conselho de contribuintes (órgão em que os contribuintes podem apelar contra as multas aplicadas pela Receita Federal), o relator acabou com o limite de R$ 50 mil (uma pessoa ou empresa só podia recorrer ao conselho em casos acima desse valor). Além disso, três, das 15 câmara que compõem o conselho, serão destinadas aos valores menores.

As mudanças, contudo, não convenceram os principais representante do setor produtivo a apoiar a MP. Na última quarta-feira, dia 23, Carlito Merss esteve reunido com os presidentes das confederações nacionais da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto da Saúde (PTB-PE); da Saúde (CNS), José Carlos Abrahão; e de Serviços (CNS), Luigi Nesse. O desejo dos três é que a medida se restrinja apenas à correção da tabela do IR para pessoa física, eliminando os demais itens.

Segundo Abrahão, da Saúde, há 100 mil estabelecimentos do setor no Brasil e 80% deles são de pequeno porte. ""Eles não têm como assumir o custo dessa MP e vão ser levados para a informalidade", afirmou. Para Monteiro Neto, da CNI, as mudanças são importantes, mas insuficientes.

O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), colocou a MP 232 na pauta de votações da semana. O que desagradou os aliados governistas, temerosos com a possibilidade de a medida ser derrotada. Se isso acontecer, tanto a correção da tabela (que beneficiou as pessoas físicas), quanto o aumento da carga tributária (que o governo enxertou no texto para compensar a perda de arrecadação), serão derrubados.

Para evitar a derrota, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), admite a possibilidade de tentar retardar a votação. "Nós podemos ter atitudes para ganhar prazo para continuar negociando", explica. Entre essas atitudes, podem ser usados instrumentos regimentais, como obstrução.

Carlito Merss é contra a retirada da pauta. "Boa parte dos deputados não conhece nem a MP original, nem as modificações que fiz. Na prática, essa MP já é outra" diz.

Jornal de Brasília


28/03/2005

Chinaglia admite: governo enfrentará resistência na Casa

Líder do Planalto na Câmara reconhece dificuldades para aprovar MP 232

BRASÍLIA - Arlindo Chinaglia (PT-SP) é o novo meio-de-campo de um time que acumula derrotas nos últimos tempos e joga desafinado. Anunciado na última terça-feira como líder do governo na Câmara, Chinaglia assumiu a árdua missão de recompor as pontes de diálogo entre o Executivo e o Legislativo, corroídas depois de um 2004 turbulento e de um início de 2005 marcado por titubeios. O primeiro desafio não aponta para o sucesso da missão: assegurar, amanhã, a improvável aprovação da MP 232.

- Quero trazer a posição do governo para a Casa e, ao mesmo tempo, levar as impressões dos deputados para o Planalto - delimitou-se o parlamentar.

Chinaglia sabe a importância da afinação com o Planalto. Reconhece que, se trabalhar isolado, acabará sufocado. As condições de trabalho, agora, não devem ser comparadas com a dos últimos dois anos, ressalta.

- A fase de alguém chegar aqui e dizer que a posição do governo é assim ou assado, sem contestação, passou - admite.

Para o novo líder, é fundamental reconstruir o diálogo com a Mesa Diretora, com os partidos da bancada governista e com a oposição. O petista afirma que, mais do que discutir os méritos da matérias, sua função primordial será definir os métodos de relação. Tais fórmulas envolvem não apenas o ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política), mas os demais integrantes do Executivo. E são todos poderosos.

- A presença política dos ministros é algo que devemos aprimorar. Não com um espírito de subordinação, mas de aprofundamento do diálogo - defende.

Chinaglia assume a função com uma prova de fogo: a votação da medida provisória 232. Esta será a primeira batalha do Planalto depois da minirreforma ministerial que alijou da Esplanada o PP, do presidente Severino Cavalcanti (PE, após meses de negociações. O cuidado é tanto que o líder petista defende um adiamento da votação, marcada para amanhã.

- Tivemos um feriado santo. Muitos viajaram e podem se atrasar a retornar. Não temos tempo para negociar. Vamos tentar ganhar algum tempo - sinaliza.

Uma nova derrota seria debitada mais uma vez na conta dos operadores políticos do governo, avaliam ministros. Mas, dessa vez, alcançaria maiores proporções, pois respingaria no próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Primeiro porque o presidente reconheceu durante a reunião ministerial os equívocos das costuras políticas para a reforma. Segundo porque, desde quarta-feira, Lula começou a interferir também na articulação política, dando início às conversas com líderes do partidos da bancada governista. O primeiro foi o PTB. Ou seja, na votação da MP 232 estará à prova o novo modelo de articulação política do governo: Lula operando em parceria com ministros e líderes na Câmara.

Por isso, os ministros estão sendo mobilizados no chamado esforço concentrado pela MP 232. A medida reajustou em 10% a tabela do Imposto de Renda, mas ficou negativamente conhecida por elevar a carga tributária das empresas prestadoras de serviço.

O novo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, por exemplo, homem de confiança do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi escalado para dourar a pílula. Dessa forma, tornaria a medida mais aceitável para os parlamentares que temem ficar com o ônus de legitimar mais um aumento de imposto. Na quinta-feira, avisou que a MP 232 passaria por modificações importantes em relação ao texto original. E a nova versão seria fruto de uma nova negociação com os líderes dos partidos.

- Uma coisa é certa: não vai ser aprovada como foi editada - disse.

Na própria quarta-feira, foi costurado com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, o chamado ''pacote de bondades'', que incluía entre outros pontos a isenção de impostos a exportadores de software e o aumento, de R$ 1,16 mil para R$ 2,9 mil, do limite de isenção para retenção na fonte de 1,5% de Imposto de Renda para caminhoneiros. É claro que há pontos dos quais o governo não vai abrir mão.

Na terça-feira, o ministro Aldo Rebelo vai pilotar a primeira reunião do ano com os líderes da bancada governista para, além de avaliar o momento político e contabilizar apoios na Câmara, organizar a tropa de choque governista para a votação da medida provisória. Pela projeção mais otimista, o governo contabilizaria entre 220 e 240 votos a favor do projeto.

O PP promete não radicalizar. Mas o governo nem pensa em pagar para ver. Até porque, na última semana, Severino deu sinais de que poderá endurecer o jogo. Encaminhou telegramas aos deputados listando projetos que estarão na pauta de votações durante a semana, dispensando a tradicional consulta prévia aos líderes. Na pauta, estão previstas votações até na sexta-feira, fato raro na Casa. Resta saber se, depois de frustradas as negociações para dar um ministério ao PP, o presidente da Câmara cederá.

- O governo já está escaldado em função dos últimos testes de fidelidade parlamentar. É como mulher traída. Depois que flagrou uma vez, não confia nunca mais. Por mais que a relação seja reconstruída, vai haver sempre um pé atrás - comparou um ministro do núcleo político do governo.

Jornal do Brasil


21/03/2005

Relator anuncia mudanças na MP dos Tributos

O aumento do limite de isenção do Imposto de Renda para pequenos produtores rurais, que beneficiaria quase a totalidade do setor; a isenção de IPI e do PIS/Cofins na exportação de bens de capital na área de software; e a redução da alíquota de PIS/Cofins para as incorporadoras são os principais pontos que deverão constar do relatório do deputado Carlito Merss (PT-SC) à Medida Provisória 232/04. As alterações na MP foram negociadas na semana passada em reunião entre o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
De acordo com o relator, as mudanças visam contemplar a produção e, ao mesmo tempo, combater os sonegadores. “Poderíamos considerar que há uma nova medida provisória pois o Governo, sensível às manifestações da sociedade, faz modificações importantíssimas”, afirmou Carlito Merss, lembrando que a MP já reajusta em 10% a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física.
Alterações como a redução do PIS/Cofins para as incorporadoras, explica o relator, são uma forma de incentivar a construção civil, setor considerado estratégico pelo Governo por ser um grande gerador de empregos. No mesmo sentido, os caminhoneiros autônomos também devem ter o limite de isenção para o recolhimento do Imposto de Renda na fonte ampliado de R$ 1.164 para R$ 2.910. “Além dos 10% da tabela do Imposto de Renda, permitiremos que a produção continue sendo valorizada, mas tomando algumas medidas concretas para reduzir a elisão fiscal e a sonegação”, explicou o parlamentar.
Carlito Merss confirmou que há uma forte tendência para se manter a alíquota de 32% da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para as empresas prestadoras de serviço que gastam pelo menos 20% da receita com pagamento de pessoal. Pelo texto original, a base de cálculo para os prestadores que optam pelo lucro presumido subiria para 40%. O relatório deverá incluir também a criação de câmaras específicas para atender pequenas causas no Conselho de Contribuintes. A MP determina que apenas causas com valores acima de
R$ 50 mil poderiam ser objeto de recurso ao Conselho.

Jornal da Câmara dos Deputados


21/03/2005

Direitos ao alcance das mãos

Os 15 anos da aprovação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) foram comemorados ontem de manhã, no Parque da Cidade, com show de rock, performance de atores e muitos esclarecimentos e orientações prestados pelos agentes do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, do Procon-DF, Correios, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Inmetro. A estimativa do DPDC, que coordenou o evento, é de que de três mil a cinco mil consumidores foram abordados enquanto caminhavam, pedalavam ou corriam. Dúvidas foram esclarecidas e direitos foram salientados aos brasilienses, que aprovaram a iniciativa.

“Não sabia que ia ter essa comemoração, vim apenas dar uma volta no parque e trazer as crianças para brincar. Mas gostei muito de ter orientações e aprender um pouco mais sobre os meus direitos”, disse a vendedora Neide Figueiredo, que passeava com o filho Ryan. Ela recebeu diversas brochuras com explicações de direitos e deveres do cidadão, além de um exemplar de bolso do CDC. “Vou ler tudo em casa e andar com o código na bolsa. Acho que vou aprender muito e dar mais valor aos meus direitos”, contou.

O comerciante Isaac Gomes Nascimento disse ter ido ontem ao Parque da Cidade apenas para se informar melhor sobre seus direitos. “Fiquei sabendo do evento e vim para tirar dúvidas, aprender mais sobre como me proteger”, afirmou. “Me esforço para ser um consumidor atento”, continuou. Ele disse que até hoje reclamou pouco de serviços mal prestados e produtos defeituosos, por exemplo. “Só tive problema até hoje com um celular que não funcionava direito. Demorou um pouco, mas resolveram tudo”, disse.
As reclamações sobre telefonia fixa e celular têm crescido muito nos últimos meses. Por isso mesmo, a Anatel, que regula o setor, participou ativamente do evento. “Queremos traduzir os anseios da sociedade em ações que possam melhorar a relação de consumo”, explicou Ângela Maria de Oliveira, assessora da ouvidoria da Anatel. Ela comanda uma pesquisa de satisfação dos usuários de telefonia para saber quais são as principais queixas e como eles avaliam a atuação da agência. “É uma pesquisa inédita, que deverá balizar as novas ações da Anatel”, disse. O levantamento será concluído em cerca de 15 dias.

O diretor do DPDC, Ricardo Morishita, lembrou que fazer um evento mais próximo ao consumidor é importante para salientar que código é uma “lei que pegou” . “O cidadão teve a legislação nas mãos e fez valer seus direitos”, avaliou. Essa mudança de postura do brasileiro em relação à prestação de serviços e venda de produtos levou as empresas, de todos os segmentos e tamanhos, a rever seus conceitos de tratamento dos clientes.

Correio WEB


21/03/2005

O que se paga sem ver

Taxa de Abertura de Crédito vem embutida nas parcelas do empréstimo com desconto em folha

Mônica Pereira

A maioria dos bancos cobra um custo que o segurado nem sempre percebe: a Taxa de Abertura de Crédito (TAC). Em geral, vai de R$ 10 a R$ 80, mas há casos em que pode chegar a R$ 120. O segurado também precisa ficar de olho.

D iferente dos empréstimos comuns a pessoas físicas, em que o cliente pede R$ 2 mil, mas leva apenas R$ 1.800 – porque desconta a TAC e o IOF (Imposto sobre Operação Financeira) – no caso dos aposentados, os bancos liberam o valor total. Mas a taxa vem embutida nas prestações .

S e fizer as contas, o segurado vai achar que está pagando mais de juros do que realmente foi acordado. Um dos responsáveis por esse efeito é a aplicação da taxa. O banco considera como se pegasse, por exemplo, R$ 2.080. Divide isso pelo número de prestações e ainda aplica juros mensais .

Os bancos não deveriam cobrar Taxa de Abertura de Crédito. Isso é um disfarce para avaliação de cadastro, o que não é necessário. Como é uma operação sem risco, por causa da pequena possibilidade de inadimplência, já que o desconto é em folha, não há motivo para cobrá-la”, disse o economista Luis Carlos Ewald, professor da Fundação Getúlio Vargas .

O Dia


21/03/2005

José Alencar e PT criticam governo Lula

O vice-presidente José Alencar voltou a criticar o governo federal, desta vez em entrevista ao jornal Estado de Minas. Alencar disse que o governo Lula tem postergado muita coisa urgente que precisa ser feita, citando as áreas de saneamento e transporte, abandonadas no governo passado e que, segundo ele, não tiveram avanços.

O vice-presidente também disse que não houve nada de importante na área de saúde e na de educação e ainda colocou parte da culpa na falta de ação do executivo federal no governo FHC.

Para ele, não se pode justificar a falta de dinheiro em determinados setores, já que a carga tributária passou, em 1995, de 27% do PIB para 36% no último ano do governo FHC.

As altas taxas de juros praticadas no País não foram esquecidas. "Entre todos os países civilizados, o Brasil é o único que adota essa política monetária", reclamou.

Mais críticasCorrentes e líderes da esquerda petista se reuniram ontem, em São Paulo, e lançaram um bloco parlamentar na Câmara, de postura crítica ao governo Lula. Também foi lançado um manifesto da militância. A avaliação é de que a reforma ministerial poderá levar o governo ainda mais para a direita. Para os petistas da esquerda, a política econômica é outro traço que distancia o governo Lula dos ideais so

Jornal de Brasília


21/03/2005

Alencar: ‘Nosso discurso não assumiu o poder’

BELO HORIZONTE. O vice-presidente José Alencar voltou a criticar duramente o governo federal, em entrevista ao jornal “Estado de Minas”. Ele disse que o governo tem adiado ações urgentes em infra-estrutura e sociais e citou as áreas de saneamento e transportes que, em sua opinião, estavam abandonadas no governo passado e continuam estagnadas. O vice-presidente disse que os pontos anunciados na campanha presidencial ainda não saíram do papel.

— Nosso discurso de campanha ainda não assumiu o poder — disse o vice-presidente na entrevista.

Segundo Alencar, o governo federal vive um momento de falta de investimentos, um problema que atinge não somente os salários como outras necessidades de diferentes setores da economia e que estão sendo postergadas. Ele destacou que a falta de recursos atinge as estradas de ferro e a recuperação de portos e aeroportos em todo o país.

— São coisas urgentes que não estão recebendo financiamento, como é o caso do saneamento básico — afirmou o vice de Lula.

Vice diz que Lula assumiu em situação difícil

Apesar das críticas, Alencar lembrou que quando o presidente Lula assumiu o governo, encontrou uma situação muito difícil. De acordo com o depoimento do vice, não havia investimento em infra-estrutura viária e as estradas estavam abandonadas.

Ele atacou também a falta de investimentos em saúde e educação. Para ele, não houve desde 2002 qualquer aplicação relevante nos dois setores, que poderiam ter sido contemplados se fosse levado em conta o aumento da arrecadação, impulsionado pelas altas taxas de juros.

— Não houve obra de recuperação, nada. Por quê? Faltou dinheiro? Não poderia ter faltado — criticou o vice-presidente, que atacou também o governo Fernando Henrique Cardoso.

Segundo ele, parte da culpa pela falta de investimento vem da gestão do PSDB que aumentou as taxas de juros mas não investiu onde deveria. Mas o vice-presidente admitiu que não há avanços no governo do qual faz parte.

As altas taxas de juros continuam um problema, na avaliação do vice-presidente, que defende um rompimento com as convenções e propõe uma revolução para retomar o crescimento. Se não houver uma mudança radical, o vice-presidente diz que o país estará liquidado.

— Entre todos os países civilizados, o Brasil é o único que adota essa política monetária... O país está liquidado com essa taxa de juros. Não podemos continuar assim — reclamou Alencar — Não há taxas de juros no mundo capazes de combater esse tipo de inflação.

Alencar, que completa 74 anos em outubro, não sabe se será convidado a disputar um segundo mandato com o presidente Lula. Mas não descarta a possibilidade de participar da disputa no ano que vem. Se o PL o apoiar, o vice-presidente disse que pode ser candidato a deputado estadual, deputado federal, senador, governador e até a presidente da República.

Alencar não descarta disputar reeleição em 2006

Alencar disse que para voltar a compor uma chapa com o presidente Lula precisaria primeiro ser convidado, e o assunto até agora não foi tratado pelo presidente:

— Jamais tomarei a iniciativa de perguntar ao presidente se ele vai me convidar — afirmou Alencar.

O vice afirmou que não tem como lançar sua candidatura a qualquer cargo porque está no governo. As possibilidades devem ser tratadas no ano que vem e a sua participação na chapa pode ser condicionada, segundo afirmou na entrevista, a mudanças na política econômica.

O Globo


21/03/2005

Uma reforma difícil de sair

Saída de Humberto Costa da Saúde já não é certa

BRASÍLIA - Com seis meses de atraso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta fechar hoje as mudanças na sua equipe ministerial. Apesar da demora, as dúvidas que ainda incomodam o presidente são tantas que, no caso, o tempo não foi "o senhor da razão". Ao contrário, substituições tidas como certas na semana passada, como a do ministro da Saúde Humberto Costa, estão hoje na berlinda.

Os parlamentares petistas que defendem o ministro alegam que a sua saída seria um trunfo para o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (PFL). Ele teve suas aspirações de concorrer à Presidência da República fulminadas pela intervenção federal nos hospitais administrados pela prefeitura. "Se o Humberto sair, Lula dará um tiro na intervenção", alegam petistas.

Da parte do ministro, fica a impressão que ele não se importa mais pelo desgaste provocado pelos seguidos anúncios sobre sua saída. "No meu caso, o presidente sabe que tem total liberdade para agir, o que ele decidir terá o meu apoio", afirma Costa.

A demora nas substituições do ministério foi tida por Costa como "uma prova de que Lula quer fazer mudanças mais profundas, pensando o governo para os próximos dois anos".

Sua permanência na equipe desmontará o xadrez que o presidente vem tentando montar para acomodar seus aliados. Ou seja, Ciro Gomes não teria como ir para sua vaga, na Saúde, desocupando o Ministério da Integração Nacional para dar lugar a Eunício Oliveira, que por sua vez cederia o comando do Ministério das Comunicações ao candidato do PP, deputado Ciro Nogueira.

Resistência

As conversas de Lula no final de semana, sobretudo com petistas, deixam pouca margem de manobra à idéia de dar o lugar de Olívio Dutra no Ministério de Cidades à senadora Roseana Sarney (PFL-MA). A resistência do partido se mantém, mesmo depois da conversa que ela teve com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, quando se comprometeu a compor com os petistas que ocupam os principais cargos da pasta.

Tribuna da Imprensa


15/03/2005

Receita define datas para restituição do IR 2005; veja

A Receita Federal divulgou hoje o calendário de devoluções da restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física de 2005 (ano-base 2004). As datas foram informadas na instrução normativa (IN) publicada hoje no 'Diário Oficial' da União.

De acordo com a instrução, a devolução da restituição seguirá o mesmo padrão dos anos anteriores. Ou seja, o pagamento será feito no dia 15 de cada mês, entre junho e dezembro.

Quando o dia 15 cair no fim de semana ou feriado, o pagamento da restituição será feito no dia útil seguinte.

A instrução normativa informa ainda que o dinheiro da restituição será colocado à disposição do contribuinte na agência bancária indicada na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física.

As restituições serão priorizadas em função da forma de apresentação: primeiro serão liberadas aquelas entregues pela internet. Depois, serão as declarações enviadas por disquete. Em seguida, serão aquelas transmitidas por telefone. Por último, serão pagas as declarações enviadas por formulário de papel.

A instrução normativa também informa que a devolução da restituição dará prioridade aos contribuintes com mais idade, obedecendo o Estatuto do Idoso. Essa regra não será aplicada às declarações que caírem na malha fina.

Veja as datas de liberação dos sete lotes de restituição de IR:
- 1º lote, em 15 de junho de 2005;
- 2º lote, em 15 de julho de 2005;
- 3º lote, em 15 de agosto de 2005;
- 4º lote, em 15 de setembro de 2005;
- 5º lote, em 17 de outubro de 2005;
- 6º lote, em 16 de novembro de 2005;
- 7º lote, em 15 de dezembro de 2005.

Folha de São Paulo Online


15/03/2005

Reforma Sindical

A PEC nº 369/05, sobre a reforma sindical já tem relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O relator da matéria é o deputado Maurício Rands (PT/PE).

Rands é pernambucano, exerce o 1º mandato, é advogado e professor. Filiado ao PT desde 1990, já pertenceu ao PMDB (1981-89). Como advogado, trabalhou com sindicatos filiados a CUT, atuou como assessor jurídico do Conselho Regional de Psicologia e de Economia, procurador judicial e secretário de assuntos jurídicos da prefeitura de Recife. Foi vice-presidente da OAB em Recife. Entre as matérias relatadas por Rands na CCJC destaca-se a PEC Paralela da reforma da Previdência (PEC nº 227/04), que está em fase de votação dos destaques no plenário da Câmara.

É importante destacar também que Maurício Rands, em conjunto com o deputado Vicentinho (PT/SP), é autor da PEC nº 29/04, que propõe alterar o artigo 8º da CF, instituindo a liberdade sindical.

Depois de aprovada na CCJC, a PEC será encaminhada para a comissão especial, que vai analisar o mérito da proposta. Elaborada pelo Fórum Nacional do Trabalho (FNT), a proposta institui a liberdade sindical, dispõe sobre a representação dos trabalhadores no local de trabalho, o direito de greve e torna obrigatória a participação das entidades na negociação coletiva.

Conforme já anunciamos, o anteprojeto de lei de relações sindicais, que regulamentará a PEC, somente começará a tramitar (se e após) a Emenda for aprovada pelo Congresso Nacional.

Agência DIAP


15/03/2005

Plenário retoma votação dos destaques da Previdência

O Plenário da Câmara deve retomar hoje a votação dos dez destaques apresentados à proposta de emenda à Constituição paralela da Previdência (PEC 227/04). A votação foi adiada na quarta-feira (9), por acordo de líderes, para o aprofundamento das discussões.
O primeiro destaque a ser votado pede a inclusão dos delegados de polícia entre as carreiras que teriam subteto salarial igual ao dos desembargadores de Justiça dos estados. Os líderes dos partidos pretendem chegar a um acordo sobre o texto, pois da forma que está elaborada, a redação retira da Constituição o subteto salarial para estados e municípios.
Antes de analisar a proposta, os deputados devem votar a Medida Provisória 228/04, que regulamenta artigo da Constituição sobre a garantia de acesso a informações sigilosas.
Referendo
Na quarta-feira, deve ser votado o Projeto de Decreto Legislativo 1.274/03, do Senado, que regulamenta a realização de referendo sobre a proibição de venda de armas no Brasil até outubro de 2005. Oito líderes partidários, representando 290 deputados, já concordaram com a urgência para a proposta.

Jornal da Câmara dos Deputados


15/03/2005

Crise na saúde do Rio estimula briga política

Intervenção do governo federal dá munição a Lula contra Cesar Maia

BRASÍLIA - A crise na Saúde do Rio de Janeiro, sob intervenção federal desde a última semana, acabou dando munição ao governo federal para atirar em pleno vôo num potencial adversário do PT nas eleições presidenciais em 2006: o prefeito Cesar Maia (PFL), pré-candidato do PFL à presidência da República. Ontem, no Palácio do Planalto, ministros do núcleo político do governo comemoravam os efeitos da operação anticrise deflagrada na última semana pelo Ministério da Saúde.

Na avaliação de integrantes do governo, além de achar que está solucionando um problema, a intervenção na Saúde do Rio renderá a Lula dividendos políticos que poderão ser capitalizados mais adiante. O episódio também teria servido, segundo um integrante do primeiro escalão federal, para garantir uma saída honrosa ao Ministro da Saúde, Humberto Costa, pule de dez para deixar a Esplanada na reforma ministerial a ser anunciada até quinta-feira.

- Não há dúvidas de que, além de beneficiar a população, a intervenção será importante politicamente para Lula, como também foi uma saída interessante para Humberto Costa - disse um ministro ligado ao presidente.

Contornar a crise na Saúde do Rio era uma das principais bandeiras empunhadas por Cesar Maia durante sua campanha à reeleição.

Com essas medidas, o Planalto espera, a curto prazo, neutralizar Maia, estrela dos programas televisivos do PFL nos últimos meses.

Cesar Maia, por sua vez, contra-ataca: acusa o Ministério da Saúde de não ter planejamento financeiro e diz que o governo deve R$ 190 milhões à prefeitura. Mas não se opõe à operação sob o argumento de que a cidade é que impôs ao governo federal a devolução dos hospitais federais.

Na opinião da cientista política Lúcia Hipólito, trata-se de um ''jogo de espertos'' do ponto de vista político. Mas ''faltou combinar com a população''.

- O problema é que esperteza quando é demais engole o dono. O governo acha que, com a intervenção, ''matou'' Cesar Maia. Acha que vai deixar o povo feliz e vai colher os louros. Só que o prefeito não é idiota. Maia louva a intervenção porque acredita que a Saúde do Rio não tem solução. E vai dizer mais adiante que um eventual fracasso será culpa do Planalto - avaliou.

O cientista político David Fleicher, da Universidade de Brasília (UNB), pensa diferente. Avalia que o prefeito César Maia foi o grande derrotado na contenda política com o Ministério da Saúde. Segundo ele, o pefelista jogou com um assunto sensível demais e tentou transferir para o Planalto um problema que não foi criado pela administração federal.

- Ele blefou e perdeu. Acabou tomando um tiro do governo central, que pode estar abatendo agora um futuro adversário na campanha pela reeleição de Lula.

Fleicher comenta que o governo, numa jogada bem-sucedida, abriu os hospitais para a imprensa a fim de mostrar o trabalho conduzido pelo Ministério da Saúde. Segundo ele, as reportagens deixaram em má situação a prefeitura do Rio.

Jornal do Brasil


15/03/2005

Trabalho será tema do Fórum da Liberdade

Com o tema O Futuro do Trabalho, a 18ª edição do Fórum da Liberdade acontece nos dias 2 e 3 de maio no prédio 41 da Pucrs, em Porto Alegre. Os painéis de debate terão como temas principais o papel do governo (sindicalismo); história e cultura; sustentabilidade do trabalho e realização pessoal no trabalho. Além dos painéis principais, serão realizados dois workshops sobre os temas minorias e excluídos e terceiro setor. A novidade para o Fórum está em um talk show realizado com lideranças de grandes empresas.
O Fórum da Liberdade é promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), uma associação de empresários que visa a formação de lideranças com amplo conhecimento do pensamento liberal. O presidente do IEE, Lars Knorr, observa que apesar de defender o pensamento liberal, a entidade respeita o debate de idéias diferentes. Mesmo assim, os representantes da CUT e do governo Lula ainda não confirmaram presença. “Normalmente a esquerda não tem base em suas teses e acaba somente com palavras de efeito. No Fórum Social Mundial foi assim”, afirma Knorr.
Já confirmaram presença o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL), e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), possíveis candidatos à presidência da República em 2006. Também confirmaram presença o ministro da Economia da Argentina, de 1999 a 2001, Ricardo Murphy, o professor de Direito da Universidade Queensland, Suri Ratnapala, o filósofo Olavo de Carvalho, o professor de Economia da Universidade de Torino, Enrico Colombatto, o presidente do Grupo Gerdau, Jorge Johannpeter, entre outros.

Jornal do Comércio


15/03/2005

Estatuto da Igualdade Racial pode ser votado

Comissão examina também garantia de vagas nas creches para portadores de deficiências

Para debater o Estatuto da Igualdade Racial e sete outros projetos de lei, a Comissão de Educação (CE) se reúne hoje, às 11h. A pauta inclui, ainda, 59 projetos de decreto legislativo dando permissão ou renovação de concessão para exploração de serviços de radiodifusão no Brasil inteiro, bem como projeto de resolução criando uma nova comissão permanente na Casa, a de Engenharia e Desenvolvimento Científico.

O Projeto de Lei do Senado 213/03, que institui o Estatuto da Igualdade Racial, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), tem como objetivos combater a discriminação e as desigualdades raciais, bem como incluir a dimensão racial nas políticas públicas desenvolvidas pelo Estado.

Pelo projeto, ficam criados numerosos instrumentos de combate às desigualdades raciais, em especial o Fundo da Igualdade Racial. O estatuto prevê, também, a implantação de um sistema de cotas que reserva, aos afro-brasileiros, 20% dos cargos em comissão do Grupo Direção e Assessoramento Superiores (DAS) e das vagas em universidades públicas e privadas.

A proposta já foi aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos e, depois de acatada na CE, segue para a Comissão de Assuntos Sociais e, finalmente, para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), a quem caberá decisão terminativa, regime de tramitação que dispensa a aprovação em Plenário, caso não haja recurso de um décimo do número dos senadores (nove), no prazo de cinco dias úteis.

Na mesma reunião, a Comissão de Educação examinará o Projeto de Lei 9/02, que garante reserva de vagas nas creches ou entidades similares e pré-escolas públicas para as crianças portadoras de deficiência, de autoria da senadora Maria do Carmo Alves (PFL-SE). A proposta tramita em conjunto com o Projeto de Lei da Câmara 30/02, de autoria do deputado Enio Bacci.

Em seu parecer, o senador Flávio Arns (PT-PR) seguiu a orientação da CCJ, que rejeitou o projeto de lei da Câmara e acatou o do Senado. Ele apresentou duas emendas fixando em 10% a percentagem de vagas para crianças deficientes e exigindo o atendimento dessas crianças por profissionais devidamente habilitados.

Jornal do Senado


14/03/2005

MP investiga vendas suspeitas de terras

Indenização pedida por empresários que compraram áreas desapropriadas na década de 70 é contestada por procurador

BRASÍLIA - No momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolve dar uma basta à grilagem e à cessão irregular de terras, à luz do caso Dorothy Stang, uma investigação do Ministério Público revela que a questão fundiária no país ainda gravita em torno de uma atmosfera nebulosa. Segundo o MP, uma venda suspeita de terras feita pelo governo do Amazonas na década de 70 em favor de empresários paulistas pode provocar um rombo de R$ 400 milhões nos cofres públicos.

A área, de 1,05 milhão de hectares, equivale a 25% do Estado do Rio de Janeiro. Parte do terreno - cerca de 250 mil hectares - foi inundada em 1981 para construção da Usina Hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, pela Eletronorte - estatal federal da holding Eletrobrás. Há mais de 5 anos, 156 empresários proprietários dos títulos movem 27 ações indenizatórias na Justiça Federal por conta da inundação da área.

No último dia 6 de janeiro, o atual vice-governador do Amazonas, Omar Aziz, naquela data governador em exercício, baixou um decreto extinguindo uma comissão criada em 2002 para apurar preliminarmente o caso. O trabalho da Comissão havia paralisado o contencioso judicial desde então. Agora, com o encerramento dos trabalhos da comissão, as 27 ações de indenização devem voltar a tramitar normalmente na Justiça.

Até hoje, a Eletronorte já foi obrigada a desembolsar cerca de R$ 5 milhões em títulos do setor elétrico em indenizações para dois empresários. Para o advogado e topógrafo Petros Abi-Abi, ex-assessor especial do ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Raul Jungmann, trata-se de uma das maiores fraudes fundiárias do país.

De acordo com relatório do MP, há fortes indícios de que os empresários adquiriram as terras no Amazonas de posse de informações privilegiadas. ''Vislumbra-se que tanto os administradores públicos estaduais quanto os adquirentes tinham conhecimento de que a área seria inundada para a construção da futura Usina Hidrelétrica de Balbina e, mesmo assim, procederam a transferência das terras que viria propiciar a estes o recebimento do valor das indenizações decorrentes das desapropriações, incorrendo em enriquecimento ilícito e prejuízo ao erário'', diz trecho do relatório do MP.

Autor da investigação, o procurador regional da República Franklin Rodrigues da Costa alerta no relatório que os títulos foram vendidos seis anos antes da edição do decreto pelo então governador Danilo Areosa (PFL) definindo a área de implantação do projeto da Usina Hidrelétrica de Balbina. As concessões, ainda na década de 70, também seriam irregulares por não terem cumprido requisitos básicos imprescindíveis à titulação, como por exemplo, medição e demarcação - exigências da legislação vigente à época.

Além disso, embora o contrato de cessão estabelecesse que as áreas deveriam ser exploradas, isto nunca aconteceu, o que só reforça as suspeitas de fraude. Tempo não teria sido problema. Como o terreno foi entregue em 1971 e somente em 1981 foi feita a desapropriação dos lotes, os empresários tiveram 10 anos para investir no local. Os laudos desapropriatórios obtidos pelo Jornal do Brasil, datados de 27 de fevereiro de 1987, comprovam que parte da área estava inutilizada, em alguns casos totalmente coberta por mata virgem. Os laudos foram assinados pelo perito Ivan Guimarães.

Outro fato que intriga os procuradores é que a maior parte do terreno não poderia sequer ser explorada. Segundo mapa do Incra, ao qual o JB também teve acesso, os terrenos ficavam literalmente debaixo dos rios Pitinga e Uatumã. Dessa forma, questiona-se por que empresários paulistas teriam interesse numa área longínqua e sem qualquer perspectiva de uso. O MP suspeita que o governo teria promovido uma demarcação simulada em gabinete para justificar a venda simbólica de 550 mil lotes de 3 mil hectares cada. O procurador Franklin da Costa promete levar o caso ao procurador-geral da República, Claudio Fontelles.

- Se nenhuma providência foi realmente adotada pelo estado para rescisão dos contratos de titulação sob suspeita, vamos encaminhar a Fonteles para que examine a possibilidade de um processo por improbidade administrativa - disse o procurador na última quinta-feira, depois de encaminhar oficio ao governo do estado do Amazonas solicitando eventuais relatórios que teriam sido produzidos pela Comissão extinta em janeiro.

As autoridades envolvidas podem incorrer nos artigos 10 e 11 da lei, segundo os quais constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra o principio da administração pública, ''permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro enriqueça ilicitamente''. Como também ''retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício''.

Jornal do Brasil


14/03/2005

Deputados debatem ação de Lula e FHC nas áreas econômica e social

O crescimento da economia em 2004 não teve como conseqüência a diminuição da pobreza, na avaliação do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Para ele, os ricos ficaram mais ricos e os pobres, mais pobres. O parlamentar disse ainda que o crescimento registrado aconteceu apenas nas regiões mais desenvolvidas do País e que, em 2005, a economia não terá o mesmo desempenho do ano passado. “Os países da América Latina estão crescendo muito mais que o Brasil e nós esperamos 3,5 % para este ano”, criticou. O deputado defendeu a redução da carga tributária e a rejeição da MP 232/04.
O deputado Nilton Baiano (PP-ES) também criticou a política econômica do governo, que, a seu ver, favorece empresas do setor financeiro, em prejuízo do setor produtivo manufatureiro, “que tem de competir no mercado, enfrentando carga tributária recorde”. Ele afirmou que o sistema financeiro brasileiro vive uma “bonança sem precedentes, que transformou os bancos em mina de ouro”. Para sustentar sua opinião, o deputado citou dados relativos ao lucro dos bancos no ano passado. “O conjunto dos sete maiores bancos bateu de longe o recorde de lucro: foram R$ 11,5 bilhões em 2004”, afirmou. Para ele, a falta de trabalho é o sintoma mais evidente “do desajuste social produzido pelo Governo Lula, que aumenta os juros, garantindo aos banqueiros lucros bilionários e impondo aos trabalhadores uma vida de arrocho permanente”.
Crescimento
Em resposta às previsões “pessimistas” da oposição, o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) observou que o crescimento econômico de 2004 foi o maior dos últimos dez anos. Ele lembrou que o crescimento de 5,2% do PIB e o volume das exportações, que ultrapassou a casa de R$ 100 bilhões, foram impulsionados pelas decisões econômicas tomadas pelo governo do PT. “Agora, o trabalhador tem acesso a crédito diferenciado, que permitiu o barateamento dos juros para a população e a ampliação da capacidade de consumo do povo brasileiro”, explicou.

Jornal da Câmara dos Deputados


14/03/2005

Câmara não é “supositório” do Executivo, diz Severino

Em ato no interior paulista, deputado ataca o governo pelo excesso de medidas provisórias e diz que fez Palocci “descer do pedestal”

O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), criticou ontem em Araraquara, a 273 km de São Paulo, a excessiva edição de medidas provisórias pelo governo federal e disse que a Casa não será o supositório” do Poder Executivo. Limitaremos a edição dessas medidas, não para inibir a competência do Poder Executivo, mas para desopilar, desobstruir a delegação que o povo deu ao parlamentares, que terão a restauração da sua independência e do seu poder, porque a Câmara dos Deputados não vai ser apenas o supositório do Poder Executivo, disse.

Severino não explicou a declaração, feita durante evento no Serviço Social do Comércio(Sesc) que reuniu empresários, parlamentares e representantes da prefeitura para discutir a MP 232, que corrige a tabela de deduções do Imposto de Renda das Pessoas Físicas e muda a forma de cálculo de impostos incidentes sobre as empresas, especialmente as prestadoras de serviço.

Segundo Severino, o excesso de MPs atrapalha a ação da Câmara. “As medidas provisórias são o maior entrave ao desenvolvimento da ação parlamentar dos deputados. Essas medidas empatam o trabalho.” Severino, no entanto, reafirmou ser contrário à MP 232 e disse que vai fazer o possível para derrubar a medida, que chamou de “famigerada”. O governo já fechou acordo em relação aos pontos polêmicos para permitir a aprovação da MP, que deve ser votada até o dia 31 deste mês.

Severino afirmou ainda que, como presidente da Câmara, fez sair “de seu pedestal” o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para debater com os empresários a proposta sugerida pelo governo. Contrário à MP 232, que além dos prestadores de serviços impacta os produtores rurais, Severino disse que ela entrará na pauta de votação desta semana.

Para o presidente da Câmara, a MP “é discriminatória e tem que ser derrubada de qualquer maneira”. Para ele, “essa MP prejudica o pequeno e microempresário e a sociedade vai perder”. Para Severino, a correção de 10% na alíquota do IR é justa e até poderia ser ampliada, mas a previsão de extinguir a 2ª instância administrativa, o que impede os contribuintes, especialmente os pequenos produtores rurais de recorrerem ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, é inaceitável.

Severino disse a empresários e líderes sindicais reunidos em Araraquara que vai fazer de tudo para que a MP 232, que aumenta impostos para as empresas e profissionais liberais, seja derrotada. “Se depender de mim, a MP 232 não será aprovada. Inicialmente a MP serviria apenas para corrigir a tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física, mas, na calada da noite do dia 30 de dezembro de 2004, foram incluídos dispositivos com os quais eu não concordo”, atacou. O encontro foi organizado pelos deputados federais Dimas Ramalho (PPS) e Marcelo Barbieri (PMDB).

Reforma
Severino disse também que o deputado Ciro Nogueira Lima Filho (PP-PI), segundo vice-presidente da Câmara, é o nome que considera ideal para ocupar o ministério que deverá ser destinado ao partido em eventual reforma a ser feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O nome preferido pelo governo Lula para ocupar o cargo é o do deputado federal Pedro Henry (PP-MT), mas o partido já acenou com a possibilidade de indicar o diretor do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), Luiz Eduardo Pereira de Lucena.

“O deputado Ciro é bom nome, seja qual for o ministério que o partido vai ocupar, mas principalmente se for o das Comunicações.” Severino participa hoje, às 11h, de ato organizado pela Frente Brasileira contra a MP 232 em clube social na cidade de São Paulo.

Frases polêmicas

  • “Não tenho problemas na vida, só umas dividazinhas de uma eleição que passam para a outra. Mas aí o credor se cansa de me cobrar e eu vou dormir mais sossegado”
    Sobre as denúncias de que deixou contas sem pagar na eleição de 2002

  • “Podem me chamar de tudo… de coronel… mas sempre serei o Severino”
    Ao visitar sua cidade natal, João Alfredo (PE)

  • “O nosso ministro Palocci não é grande quando faz o aumento dos juros, aí eu discordo totalmente. Ele é o menor de todos”
    Sobre a política econômica

  • “Isso é um problema desses partidos que estão fazendo apenas demagogia. Eles estão doidos por esse aumento”
    Sobre o aumento salarial dos deputados

  • “O Banco Central precisa de um cabresto”
    Sobre a autonomia do Banco Central, em entrevista à Folha

  • “Um entra de manhã, sai de tarde, volta de noite. Depois outro, mais outro. Tem que acabar com isso. Isso é uma excrescência, uma indecência. Temos de fazer projeto aqui na Câmara para acabar com isso. Um recebe dez, outro recebe 15, outro recebe 20 mil, 30 mil...”
    Sobre os deputados que trocam de partido com freqüência, em entrevista à Folha

Correio WEB


14/03/2005

Câmara decide sobre André Luiz na quarta

Deputado pode engrossar lista de mais de cem cassações

O destino do deputado André Luiz (sem partido-RJ) está nas mãos dos seus colegas. Mais precisamente, nos votos de 512, de um total de 513 deputados que compõem a Câmara. O pedido de cassação do deputado está pautado para ser votado na quarta-feira, dia 16. Se escapar, André Luiz sairá com o mandato arranhado por conta do envolvimento em denúncias de supostas tentativas de extorsão e assassinatos, que motivaram o processo de perda de mandato. Se for cassado, engrossará uma lista que, ao longo da história, acumula mais de uma centena de nomes.

Segundo um levantamento da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, nos últimos 56 anos, 167 deputados foram cassados. Desses, 149 parlamentares, durante a ditadura militar. Os momentos mais duros da repressão correspondem aos anos em que houve os maiores números cassações: 47 em 1964 e 79 em 1969. Todos eles, sem exceção, banidos do parlamento via atos institucionais publicados no Diário Oficial da União. Uma época em que a falta de decoro era confundida com oposição aos generais.

Dos deputados cassados no período democrático, o mais antigo data de 1949 (veja quadro). Consta dos registros da Câmara que Edmundo Barreto Pinto (PTB-DF) perdeu o mandato por ter aparecido de paletó e cueca em uma foto de jornal.

A retomada dos processos de perda de mandato aconteceu em 1989, quando dois deputados foram cassados por terem faltado a um terço das sessões ordinárias da Casa. A punição já seguia um dispositivo da nova Constituição, promulgada um ano antes. A decisão de excluir um deputado do Congresso não era tomada mais por um ato, mas em votação do plenário, situação a que André Luiz está prestes a enfrentar.

Nos anos seguintes, até os dias atuais, vieram casos que se tornaram célebres. Caso, por exemplo, dos anões do Orçamentos, acusados de fraudar a lei orçamentária em 1992. Mais tarde, surgiram os casos de Sérgio Naya e Hildebrando Pascoal.

"Cortar na própria carne", como se diz na expressão, não é uma tarefa fácil para os deputados. "É difícil, mas o Congresso tem demonstrado que, quando há provas e evidências concretas, não pode deixar passar. O Congresso tem dado resposta a todo esse tipo de comportamento inadequado", argumenta o presidente do Conselho de Ética, deputado Orlando Fantazzini (PT-SP).

Caso o plenário da Câmara decida pela cassação de André Luiz, será a primeira vez que um deputado perderá um mandato após um processo completo via Conselho de Ética, implantado apenas em 2001. Antes de ser criado, os casos de falta de decoro parlamentar eram investigados pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

conselhoO surgimento do Conselho de Ética restringiu a prática de renúncia adotada por alguns parlamentares investigados. Depois de aberto o processo no Conselho, mesmo que o deputado renuncie, a investigação prossegue. Ou seja, a renúncia não impede que a perda dos direitos políticos. De acordo com outro levantamento da Secretaria-Geral da Mesa, desde a década de 90, oito deputados renunciaram, dois deles por motivos de foro íntimo.

"São os extremos: evitar uma caça às bruxas, mas, por outro lado, não tem mais espaço para a idéia do corporativismo", emenda o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), relator do caso André Luiz no Conselho de Ética e cujo parecer pediu a cassação do colega.

Jornal de Brasília


14/03/2005

Lula convoca seus principais auxiliares para decidir reforma ministerial

BRASÍLIA - Na reunião com os seus principais auxiliares, marcada para hoje, às 9 horas, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tentar definir sua nova equipe de governo, desatando o principal nó da reforma ministerial: o que fazer com a pasta da Coordenação Política, comandada pelo ministro Aldo Rebelo. Lula quer mantê-lo no Executivo e analisa também a proposta de deixar a Coordenação Política em uma subsecretaria, vinculada à Casa Civil, como era antes.

Essa decisão está condicionada ao modelo que o presidente pretende implantar para reorganizar o esquema de sustentação política do governo no Congresso. A reunião de coordenação dará prosseguimento às conversas de ontem, na Granja do Torto, quando Lula convocou os ministros da Casa Civil, José Dirceu; da Fazenda, Antônio Palocci, e da Secretaria de Comunicação, Luiz Gushiken, para uma prévia. A maior parte dos ministros estava no início da noite de ontem em Brasília aguardando um chamado do presidente.

O próprio Lula brincou nos últimos dias dizendo que ia ligar para cada um, no fim de semana, só para saber se estavam em Brasília. Como os presentes na reunião de ontem à noite são pessoas do núcleo do PT no governo, o objetivo principal é discutir o espaço do partido na Esplanada, tendo em vista não só as questões imediatas, como as alianças possíveis para 2006.

Se prevalecer a idéia de extinguir o status de ministro da Coordenação Política, cuja função passaria a um operador político, João Paulo Cunha (PT-SP) poderia assumir a liderança do governo na Câmara, no lugar de Professor Luizinho (PT-SP). Não agrada a Aldo, por sua vez, retornar à liderança, cargo que teve antes de comandar a Coordenação Política.

Segundo parlamentares do PT, se ocupar um ministério, João Paulo terá de desistir de concorrer ao governo de São Paulo em 2006, deixando o caminho livre para o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).

Farc

Outro assunto que estará na agenda de Lula com seus auxiliares, na reunião de hoje é a denúncia de que o PT teria recebido dinheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) nas eleições de 2002, publicada na edição desta semana da Revista "Veja".

O assunto foi fruto de conversas durante o fim de semana, mas tanto o presidente quanto Dirceu estão convencidos de que as denúncias são "requentadas" e não merecem maiores considerações do governo. Uma manifestação do Planalto sobre o caso dependerá das repercussões da notícia na imprensa e no Congresso.

Enquanto isso, o clima de expectativa em torno da reforma ministerial deve crescer, até porque o próprio Lula indicou que anunciaria as mudanças nesta semana. Os políticos que participam das negociações afirmam, contudo, que o presidente ainda está mexendo nas peças do xadrez.

Especialmente preocupado com a situação de Aldo, Lula teve longas conversas com o ministro nos últimos dias, no Palácio do Planalto. Mesmo sofrendo pressões do PT, que deseja seu posto, o ministro continuou cumprindo sua agenda e, ontem cedo, estava em Campo Maior, no Piauí, representando o presidente num evento oficial. Segundo interlocutores do Planalto, Aldo Rebelo poderia ser deslocado para os Ministérios da Trabalho ou Defesa.

Tribuna da Imprensa


14/03/2005

Lula convoca auxiliares para definir reforma

Em reunião na manhã de hoje, presidente deve decidir o que fazer com a pasta da Coordenação Política

Na reunião com seus principais auxiliares, marcada para as 9h de hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tentar definir sua nova equipe de governo. O principal nó a desatar é o que fazer com a Coordenação Política, comandada pelo ministro Aldo Rebelo.

Lula quer mantê-lo no Executivo e analisa também a proposta de deixar a pasta em uma subsecretaria, vinculada à Casa Civil, como era antes. A decisão está condicionada ao modelo que o presidente pretende implantar para reorganizar a sustentação política do governo no Congresso.

A reunião dará prosseguimento às conversas de ontem, quando Lula convocou os ministros José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci (Fazenda), e Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação de Governo), para uma prévia.

A maior parte dos ministros estava no início da noite em Brasília aguardando um chamado do presidente. O próprio Lula brincou nos últimos dias dizendo que ia ligar para cada um, no final de semana, só para saber se estavam na cidade. Ministeriáveis também aguardavam um chamado para discutir o anúncio da nova equipe, como os senadores Roseana Sarney (PFL-MA) e Romero Jucá (PMDB-RR).

Roseana é cotada para o Ministério das Comunicações, no lugar de Eunício Oliveira (PMDB-CE), que iria para a Integração Nacional. O atual ocupante da pasta, Ciro Gomes, iria para a Saúde. Jucá assumiria a Previdência.

Zero Hora


03/03/2005

País poderá ter novo modelo de orçamento

Criada ontem comissão formada por senadores e deputados que terá 30 dias para propor mudanças na lei

Os presidentes do Senado e da Câmara, senador Renan Calheiros e deputado Severino Cavalcanti, assinaram ontem ato constituindo comissão mista especial para propor mudanças nas regras de elaboração e tramitação do Orçamento da União. Com 16 integrantes, o colegiado terá 30 dias para encerrar seus trabalhos.

De acordo com Renan, as normas a serem aprovadas pelos parlamentares deverão valer já para o Orçamento de 2006, ainda a ser enviado pelo Executivo ao Congresso. Ele informou que a comissão deverá ser presidida por um senador e terá como relator um deputado. Pelo Senado, participarão Romero Jucá (PMDB-RR), Aloizio Mercadante (PT-SP), Sérgio Guerra (PSDB-PE), Heráclito Fortes (PFL-PI), Marcelo Crivella (PL-RJ), Fernando Bezerra (PTB-RN), Osmar Dias (PDT-PR) e Antonio Carlos Valadares (PSB-SE).

Pela Câmara, integrarão o colegiado os deputados Ricardo Barros (PP-PR), Sérgio Miranda (PC do B-MG), Alberto Goldman (PSDB-SP), Paulo Bernardo (PT-PR), Cláudio Cajado (PFL-BA), Pedro Novaes (PMDB-MA), Milton Monte (PL-SP) e Iberê Ferreira (PTB-RN).

Ao final da assinatura, Severino Cavalcanti celebrou o fato de as duas Casas do Legislativo estarem nas mãos de homens públicos interessados em fazer o país avançar.

– Uma nova época se instalou com Renan Calheiros, que tem perfeita identidade com o presidente da Câmara, para que possamos honrar todos os compromissos com a sociedade. E essa ação conjunta é o princípio para um orçamento impositivo. Isso vai permitir ao parlamentar dizer às suas bases que o previsto no Orçamento será, de fato, cumprido – ressaltou Severino.

O deputado também afirmou que, graças a seu entendimento com Renan, será atravessada agora "essa que é a fase mais importante da atividade parlamentar", a ser conduzida por políticos que "não têm medo da imprensa, porque querem fazer a redenção do Brasil".

– Essa é a luta que vamos empreender, para que as cidades distantes desse país possam ter recursos e voltar a sorrir. Se a União deve recursos orçamentários a estados e municípios, não há alternativa, tem que pagar, para isso foi assinado o Orçamento – observou.

Vigência

O presidente do Senado ressaltou que o exame do Orçamento de 2006 deverá ser feito dentro das novas regras.

– A comissão terá 30 dias para propor mudanças e é fundamental que isso ocorra logo, já para o Orçamento do próximo ano – frisou.

Renan disse que o trabalho visa fazer o Orçamento "evoluir do caráter apenas autorizativo para mandatário, pois como está não é lei, é meia lei".

– É uma aberração jurídica, pois não tem caráter mandatário, é mais uma lei virtual do que real. Precisa ser modificada para servir de instrumento para conter o gasto público, tarefa que se coloca acima de qualquer outra coisa – salientou.

O senador acredita que a comissão vai começar compilando as propostas existentes, a exemplo do que ocorreu com o Estatuto do Desarmamento, dentro do espírito de estender a participação do Legislativo.

– Precisamos mudar o orçamento da elaboração à execução e, principalmente, no contingenciamento. Não tem sentido votar uma peça que depois se submete a contingenciamento sem critério e sem envolver o Legislativo – assinalou.

Renan informou que não indicará o presidente da comissão, pois espera que esse nome surja do consenso da Casa.

Jornal do Senado


03/03/2005

Reforma Sindical

Em meio às controvérsias, divergências e até antagonismos, o Executivo envia hoje, 02/03, ao Congresso Nacional os textos da reforma sindical. Tratam-se da proposta de emenda à Constituição (PEC) que altera os artigos 8º, 11, 37 e 114 da Constituição e o projeto de lei de relações sindicais que sustenta infraconstitucionalmente as alterações na Carta de 1988.

O artigo 8º define o tipo de organização sindical e sua estrutura; o 11 aborda a organização sindical no local de trabalho, que, aliás, desde a promulgação da Carta, há 16 anos, nunca foi regulamentado; o 37 trata dos direitos dos servidores públicos da administração direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do DF e dos Municípios; e o 114 trata da competência da Justiça do Trabalho e da negociação coletiva. O projeto de lei sustenta e fundamenta as alterações propostas na PEC.

O movimento sindical dos trabalhadores está dividido. O setor majoritário da CUT, a articulação sindical, apóia a reforma, junto com a Força Sindical, que inclusive serão as únicas centrais a prevalecerem caso os textos da reforma sejam aprovados como estão pelo Congresso, o que será difícil.

Entre os patrões, pelo menos na aparência, há divergências pontuais, mas no geral estão unificados em torno da convicção da necessidade dessa reforma. Aí prevalece a unidade de classe e, sobretudo, o pragmatismo de quem têm meios, caso seja necessário, mobilizar amplos setores da economia para bloquear ou viabilizar a reforma a partir das conveniências do capital.

Haverá cerimônia para entrega dos textos no Congresso. Às 15h, no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, o ministro Ricardo Berzoini (Trabalho e Emprego), entregará oficialmente a reforma ao presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP/PE).

Agência DIAP


03/03/2005

Argumentos de cientistas e pacientes sensibilizam Severino

“Não pouparei esforços para que essa proposta seja aprovada pela Câmara dentro do menor espaço de tempo possível” Severino Cavalcanti


O Presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti, que mostrava resistência à pesquisa com células-tronco embrionárias, revelou, ontem, que foi convencido da importância da decisão da Câmara dos Deputados sobre o tema, depois de ouvir os argumentos e depoimentos de cientistas, ministros, médicos e pacientes que o procuraram nos últimos dias, incluindo a sua filha Ana Cavalcanti, fisioterapeuta, deputada estadual em Pernambuco e ardorosa defensora do projeto. Ele afirmou que não poderia deixar que algumas divergências que viesse a ter em relação ao projeto impedissem sua aprovação.
Entre os defensores da proposta que vieram à Câmara pedir o apoio de Severino Cavalcanti, estavam os ministros da Ciência e Teconologia, Eduardo Campos, e da Agricultura, Roberto Rodrigues. Eles ouviram do presidente a promessa de que, se fosse preciso, a votação do projeto iria prosseguir durante a madrugada. “Nós temos muitas crianças com doenças degenerativas que estão, pelo Brasil afora, acompanhando com uma larga expectativa a votação do projeto, para que o Brasil possa ter um marco regulatório que permita à inteligência nacional buscar saúde e vida para muitos brasileiros”, ressaltou o ministro Eduardo Campos.
O médico Dráuzio Varella, por sua vez, disse que as células-tronco representam a revolução médica do século 21, porque vão reconstruir tecidos doentes. “O que os cientistas querem é pegar esses óvulos, que não servem mais para a fecundação in vitro, e usar na pesquisa”, explicou.
No Salão Verde da Casa, os maiores interessados na pesquisa, dezenas de pessoas em cadeiras de rodas, crianças com doenças genéticas e seus pais, acompanharam de perto todo o processo de votação.

Jornal da Câmara dos Deputados


03/03/2005

A mágoa de Marina

Ministra do Meio Ambiente reclama da atuação do Planalto, que não trabalhou para recuperar, no projeto, poderes de sua pasta, como o veto à comercialização de produtos transgênicos pelo Ibama

A aprovação ontem da Lei de Biossegurança deixou uma grande derrotada na Esplanada dos Ministérios: a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Ela trabalhou arduamente para conceder ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), ligado à sua pasta, poderes para vetar a comercialização de transgênicos.

Com a derrota, além de estar “magoada” com o governo e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra perde força na queda-de-braço com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que defendeu a posição dos grandes agricultores.Ainda ontem pela manhã, durante uma reunião com a bancada do PT sobre florestas nacionais onde a questão dos transgênicos foi tratada, a ministra se preocupava com a derrota iminente. Aos petistas, reclamou do Palácio do Planalto. Disse que a posição adotada pelo governo na votação não correspondia ao que o presidente Lula lhe havia prometido no ano passado. Com a demora na segunda votação da Lei de Biossegurança na Câmara, o governo editou em outubro uma nova medida provisória liberando o plantio e a comercialização da safra de soja transgênica 2004/2005.

Depois de horas de negociação no Planalto, Marina Silva conseguiu influenciar no texto de justificativa da MP no qual os ambientalistas viam o compromisso do governo de encaminhar a favor do texto da Câmara, onde o Ibama tinha poderes de veto.

Na votação de ontem, porém, o líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), orientou a favor do texto do Senado. Na versão aprovada pelos senadores, o Ministério do Meio Ambiente pedia poderes para a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Na conversa com petistas, a ministra avisou que conversaria com o líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA), e o líder do governo na Câmara. Não teve sucesso na investida.

A única vitória dos partidários de Marina foi conseguir a votação de dois destaques para tentar alterar o texto principal. E só foi obtido depois de uma votação na bancada do PT em que deu empate.

Com o impasse, os petistas fecharam o acordo. Paulo Rocha encaminhou a aprovação do texto do Senado, mas negociou com os demais líderes a apreciação das mudanças.

Os defensores da ministra tentavam restaurar os poderes do Ibama para vetar a comercialização de transgênicos e elevar de oito para 15 o quórum mínimo de deliberação na CTNBio. As duas propostas foram rejeitadas no plenário com mais de 300 votos. “Não se pode acusar a ministra de ser radical, o projeto da Câmara era equilibrado. Conceder superpoderes à CTNBio é uma irresponsabilidade do ponto de vista da saúde e do meio ambiente”, criticou o deputado João Alfredo (PT-CE), ligado aos ambientalistas.

O que é transgênico

Os organismos geneticamente modificados, ou transgênicos, são aqueles que têm determinada característica genética alterada em laboratório. Genes de outros seres, como plantas, animais ou bactérias são transferidos para um outro organismo, que irá adquirir a característica genética do ser o qual foi retirado o gene. Um exemplo disso é a soja. Oginalmente ela não é resistente aos herbicidas necessários para erradicar as pragas que prejudicam seu desenvolvimento, portanto a planta morre em contato com o agrotóxico. Em laboratório, implanta-se em seu código genético os genes da bactéria que é resistente ao herbicida e a soja fica imune à ação do produto. Isso faz com que cada vez mais produtores de soja prefiram as sementes transgênicas, obtendo melhor aproveitamento da produção.

Mas os ecologistas alegam que, por exemplo, no caso da soja, o consumidor fica mais exposto aos danos do agrotóxico, pois antes o herbicida era aplicado somente entre as linhas de soja, onde as ervas daninhas se proliferam. Agora este pode ser aplicado sobre a soja transgênica, deixando o produto totalmente em contato com o veneno.

Ruralistas comemoram

Ao contrário dos partidários da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, os ruralistas vibraram com a aprovação da Lei de Biossegurança. O texto que sairá do Congresso contém todas as reivindicações dos parlamentares ligados a grandes proprietários de terra. “Foi uma vitória completa. Hoje nós enlouquecemos a área conservadora e medieval do governo”, ironizou o relator do texto, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), referindo-se ao grupo da ministra.

A avaliação dos ruralistas é a de que o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, terá a sua influência ampliada no governo. A aprovação do texto é um sinal evidente da força adquirida por ele após a eleição de Severino Cavalcanti presidente da Câmara.

Rodrigues tem amplo trânsito no PP, legenda não apenas de Severino como de muitos integrantes da bancada ruralista da Câmara.

“Roberto Rodrigues e Eduardo Campos (da Ciência e Tecnologia) foram os grandes vitoriosos. O ministro daAgricultura ainda mais pelas ligações com Severino”, festejou o deputado Augusto Nardes (PP-RS). “Antes Marina ligava para João Paulo (PT-SP, ex-presidente da Câmara) e ele segurava o projeto. Agora a história do país mudou”.

Para os ruralistas, a primeira conseqüência da aprovação da lei será o aumento da comercialização de transgênicos como milho e algodão, produzidos no Centro-Oeste, e a retomada das pesquisas com feijão resistente a pragas. “O Brasil vai retomar rapidamente a liderança na venda de algodão no mundo”, prevê Perondi. (HB e EK)

CorreioWEB


03/03/2005

Rússia retoma compra de carne suína do Brasil

A tão esperada liberação do embargo russo à importação de carnes bovina e suína de seis estados brasileiros está sendo comemorada no Brasil. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, anunciou ontem, em Rio Verde (GO), que as autoridades russas confirmaram a suspensão ao veto. A medida vale para o Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. “A notícia é formidável porque esse problema afetava duramente as exportações de carnes de frango, suína e bovina e essas questões foram eliminadas”, afirmou Rodrigues.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, afirma que liberação é motivo de alegria aos agropecuaristas. Por enquanto, estão mantidos fora do novo acordo, os estados do Mato Grosso e Tocantins. Hoje ocorre nova reunião na Rússia que tentará ampliar o acordo para mais dois estados. Apesar da confirmação do ministro Roberto Rodrigues, o contrato que sacramenta a retomada comercial entre os dois países deve ocorrer apenas hoje após o acerto de alguns detalhes. A manutenção do embargo ao Mato Grosso e Tocantins ocorreu porque estes dois estados são vizinhos ao Amazonas e Pará, onde ocorreram os últimos focos de febre aftosa no País. “Estamos empenhados profundamente na solução desta questão”, afirmou Rodrigues. A missão brasileira embarcou para a Rússia na terça-feira, chefiada pelo secretário de Defesa Agropecuária, Gabriel Alves Maciel.
Com o fim do embargo, as exportações de carne suína no Brasil devem recuperar as perdas obtidas desde setembro de 2004. Somente no Rio Grande do Sul, a perda estimada é de R$ 100 milhões. Isso porque a Rússia representa 57% das exportações brasileiras do setor. Apesar da proibição russa, o Brasil ainda conseguiu exportar para o país 288 mil toneladas em 2004. “Os embarques foram interrompidos somente para alguns estados”, justifica o diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos (Sips), Rogério Kerber. Ele explica que o crescimento das vendas para 2005 depende da demanda interna russa, que deve consumir 450 mil toneladas de carne suína este ano. O Brasil é o principal fornecedor.
Apesar das tentativas de diversificação de mercado, a Rússia continua tendo bastante peso nas exportações. Os produtores exportam para mais de 70 países. A Rússia foi, em 2004, o maior mercado consumidor de carnes do Brasil, com a compra de US$ 867 milhões, o que representa 14% das exportações totais de carne do Brasil em 2004. “A expectativa é de que a cadeia suína repita o desempenho de 2004 quando exportou 507 mil toneladas, US$ 860 milhões”, diz Kerber.
O presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurgs), Gilberto Moacir da Silva, espera uma melhora da situação atual após a resposta oficial da missão. “Apesar do dólar baixo, vemos uma boa oportunidade para exportar. As agroindústrias têm buscado outros mercados, apesar da Rússia ser o melhor”, destaca. As vendas para a Ucrânia, por exemplo, deram um salto de 96 toneladas em 2003 para 32.500 toneladas em 2004. Ao mesmo tempo, melhorou o preço médio de venda, de US$ 1.500 para US$ 1.800 a tonelada. “Se o dólar tivesse a R$ 3,00 seria mais fácil, mas a questão é de batalhar pelo melhor valor”, ressalta. Hoje, ao redor de 20% da produção é exportada.
O embargo russo às carnes brasileiras teve início em setembro de 2004, quando ocorreu um foco de febre aftosa no município de Careiro do Várzea, no Amazonas. Em novembro do ano passado, a Rússia já havia liberado as importações de carnes de Santa Catarina por ser este o único estado brasileiro livre de aftosa sem vacinação. No início de fevereiro, os russos liberaram a importação de carne de frango do Brasil, com exceção da produzida no Pará e Amazonas.

Jornal do Comércio


03/03/2005

Renan barra manobra de Severino e Jobim

Presidentes da Câmara e do STF queriam excluir plenário da decisão sobre aumento

BRASÍLIA - O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), barrou ontem uma manobra dos presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Nelson Jobim, para dar o reajuste salarial aos parlamentares com uma canetada, sem a necessidade de votação de um projeto pelo plenário.

Durante um almoço, Jobim orientou Severino a autorizar o aumento do salário por ato conjunto das Mesas Diretoras do Senado e da Câmara, sem a necessidade de votação em plenário. Com isso, os vencimentos dos parlamentares poderiam subir de R$ 12.840,00 para R$ 19.110,00, maior salário pago hoje ao ministro do Supremo. No fim do dia, Calheiros refutou o aumento salarial.

"Não conta com o meu apoio", disse. "Não vamos evoluir nessa proposta da Câmara", continuou. "Considero esse aumento irreal, sem conexão com a realidade do País. Não há como assumir um compromisso com essa proposta nem com nenhuma outra sem que isso signifique o apoio da maioria", disse. Após conhecer a posição de Calheiros, Severino comentou: "Então, não sai (o aumento). É ato conjunto. Isso é um problema de Renan e não meu."

Calheiros manifestou a decisão depois de reunir os líderes dos partidos no Senado, de quem ouviu ponderações contrárias. Segundo eles, Calheiros tinha chegado ao encontro disposto a acatar a proposta, mas foi advertido de que ele não poderia assumir esse ônus político em nome do Senado sem o aval dos líderes. Os líderes argumentaram ainda que a fixação de um salário em R$ 19.115,00 seria um desgaste tão ruim quanto a de R$ 21.500,00.

"Vamos levar pau do mesmo jeito", resumiu um líder. A tentativa de convencer Calheiros a assinar um ato da Mesa foi feita por Severino e por Jobim em reunião na residência oficial do Senado. Antes da consulta, Jobim e Severino reuniram os líderes partidários da Câmara para tentar um acordo.

O deputado Fernando Coruja (PPS-PR), representando o PPS, deixou a reunião antes do fim, afirmando que não participaria de um acordo desse tipo. O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), também procurou deixar claro após a reunião que o partido era contra o aumento salarial para os parlamentares e o Poder Judiciário.

O presidente nacional do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), mesmo partido de Severino, defendeu o aumento por ato da Mesa. "Ele (Severino) vai cumprir a promessa dele", disse Corrêa, referindo-se à promessa de campanha de Severino de aumentar o salário dos deputados.

Na noite anterior, Severino reuniu os líderes de todos os partidos na Câmara para pressioná-los a aprovar o projeto de aumento salarial. Reclamou de que estava sozinho na defesa da proposta, mas não sensibilizou os líderes que reafirmaram a posição contrário ao aumento.

"Procurei deixar bem claro que o PSDB é contra o aumento de salários", disse o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ). Em tom de ameaça, segundo relato dos líderes, Severino disse que, se não apoiassem o aumento salarial, os deputados não teriam "mais nada" nesses próximos dois anos.

Ainda em tom de ameaça, Severino disse, segundo líderes, que desgastaria, politicamente, todos os que ficassem contra o aumento e que enviaria uma carta aos deputados criticando o colégio de líderes por não permitir que ele dê o reajuste. A discussão sobre o aumento salarial durou mais de três horas e atrasou o jantar, que só foi servido depois da meia-noite.

Quase sozinho, Severino teve apoio do líder do PP, José Janene (PR). Na defesa que fez do aumento, Janene disse que, se não haverá aumento para os parlamentares, também não deverá haver ao Poder Judiciário.

"Se não cabe aumento para os deputados, vai caber para os ministros do Supremo?", questionou. "É preciso ver se é oportuno esse aumento para o Supremo", afirmou Janene.

Ontem pela manhã, Jobim mostrou-se preocupado com o crescente movimento na Câmara contrário à aprovação do aumento salarial dos ministros do Supremo, segundo contou um parlamentar que falou com o ministro por telefone. Ele foi à reunião para tentar convencer os deputados a aprovar o projeto do Judiciário.

Jobim argumentou na reunião com os líderes e com Severino que, enquanto não fosse aprovado o projeto que aumenta o salário dos ministros do Supremo para R$ 21.500,00, fixando o teto salarial, os parlamentares poderiam adotar o decreto de 2002 que permite o reajuste dos salários até o valor máximo pago a um ministro do STF - R$ 19.115,00, atualmente - por meio de um ato da Mesa.

Jobim disse, segundo os líderes, que, juridicamente, não havia dificuldades nisso. A partir da aprovação do projeto do Supremo, qualquer aumento salarial dos deputados dependerá de aprovação de um decreto legislativo no plenário da Casa, segundo orientou Jobim. "É o presidente do Supremo propondo um casuísmo que deslustra sua própria história como parlamentar, que foi, e como jurista", criticou o deputado Chico Alencar (PT-RJ).

Tribuna da Imprensa


01/03/2005

Recadastramento sindical mapeia contas de dirigentes

Todos estão obrigados a informar número do CPF ao Ministério do Trabalho

O recadastramento dos sindicatos de trabalhadores e patronais de todo o País pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a partir da próxima semana, é ponto de consenso entre os sindicalistas do Distrito Federal. O serviço está previsto no projeto de lei da reforma sindical, que chega amanhã ao Congresso Nacional.

No cadastro vai constar o CPF dos sindicatos e de seus dirigentes. As pessoas e entidades que não se recadastrarem perderão o código da Caixa Econômica Federal, que dá acesso aos recursos oriundos do imposto sindical.

"Existem dirigentes sindicais sem compromisso com as categorias que os elegeram. Que estão se enriquecendo às custas das contribuições dos trabalhadores. Exemplo disso é a matéria publicada, esta semana, pela revista Veja", afirma o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol), Wellington Luiz de Souza Silva.

Por isso, "acho o recadastramento um ponto positivo da reforma sindical. Para que possamos saber quem é quem, e não deixar a imagem de todos os sindicalistas cair na vala comum", diz Wellington.

A mesma posição defende o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF), João Osório. "Não conheço a proposta. Mas acho que todo dirigente sindical deve colocar seu CPF à disposição das autoridades, por um princípio de transparência", opina.

"Somente quem tem alguma coisa a esconder pode ser contra a medida. Quem não deve não tem medo", garante a presidente do Sindicato dos Comerciários, Geralda Godinho. "Quem tem vida limpa não deve temer o recadastramento", observa Wellington.

Outros pontos, como a unicidade sindical, são pontos controversos na reforma entre os sindicalistas. Enquanto Wellington considera que a pluralidade sindical permitida na mesma base territorial vai enfraquecer as entidades; Geralda acha que, da forma que está colocada na reforma, ela vai aglutinar os trabalhadores, que hoje estão dispersos em diversos sindicatos.

"O desmembramento de sindicatos de trabalhadores é uma realidade. O que precisamos é acabar com os sindicatos de gaveta. Eles só servem para recolher o imposto sindical, gastá-lo e não dar satisfação aos associados", protesta.

Wellington queixa-se de que a reforma não foi exaustivamente debatida na base e que os pontos controversos precisam ser melhor explicados. Para Geralda, a reforma chega atrasada, e precisa ser aprovada logo para dar maior força às entidades do setor. Enquanto Wellington considera que as centrais sindicais saem ganhando com a reforma, Osório diz que a vantagem é dos sindicatos, que serão fortalecidos.

Jornal de Brasília


01/03/2005

Reforma Sindical

O Planalto deverá encaminhar suas proposições sobre a reforma sindical – a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e o Projeto de Lei de relações sindicais – até quarta-feira, 02/03. O evento foi anunciado pelo ministro Ricardo Berzoini (Trabalho e Emprego) em reunião com os presidentes das centrais sindicais Luiz Marinho (CUT) e Paulo Pereira da Silva (Força Sindical) há cerca de duas semanas.

O DIAP, com o desejo de contribuir com o debate das matérias tornou acessível aos internautas em geral, e às entidades filiadas em particular, análise dos textos que serão encaminhados à apreciação do Congresso. Esses estão disponíveis na seção Análise Política, na página do Departamento.

As proposições terão a seguinte tramitação: a PEC vai ser apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), fórum que dará parecer acerca da constitucionalidade matéria. Após, vai ao exame de uma Comissão Especial, que oferecerá parecer sobre seu mérito. O Projeto de Lei de relações sindicais, em princípio, poderá ser apreciado pelas Comissões de Trabalho (CTASP) e a de Constituição e Justiça (CCJC). Mas poderá, pela extensão do projeto, dependendo do número de comissões em que vai tramitar, a apreciação por uma Comissão Especial.

Agência DIAP


01/03/2005

Caso Lula

Severino Cavalcanti negou ter manifestado à imprensa a intenção de não dar curso ao processo de crime de responsabilidade anunciado pelo PSDB contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não dei nenhuma declaração nesse sentido”, disse, antes de embarcar, ontem, de Boa Vista para Manaus. “só vou me pronunciar a respeito após voltar a Brasília, tomar conhecimento do caso e ouvir a Assessoria Jurídica da Câmara”, afirmou.

Jornal da Câmara dos Deputados


01/03/2005

CRISE
Oposição cerca Lula

PSDB, PFL e PDT se unem para desgastar o governo com iniciativas simultâneas no Congresso, no Supremo Tribunal Federal e no Ministério Público. Líder tucano anuncia “muito trabalho” ao Planalto

Rudolfo Lago
Da equipe do Correio
 

A estratégia é fustigar ao máximo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo. Mais do que efetivamente dar início a um processo que leve Lula a perder o mandato de Lula, o que desejam os partidos de oposição é desgastá-lo com os efeitos do discurso que proferiu na semana passada, em que contou ter orientado um “alto companheiro” do governo a silenciar sobre casos de corrupção ocorridos no governo Fernando Henrique Cardoso. PSDB, PFL e PDT atuaram ontem em várias frentes, com ações políticas e na Justiça, cobrando explicações do presidente sobre suas declarações. Avaliam os oposicionistas que, assim, manterão o governo na defensiva nos próximos dias, enredado em ter de desmontar as várias armadilhas que foram montadas. “Ele terá um bocado de trabalho”, prevê o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

“Primeiro, vai ter de comer o milho na mão do Severino Cavalcanti”, continua Arthur. Na semana passada, o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), apresentou à Câmara denúncia contra Lula por crime de responsabilidade. É o início de um processo que pode mesmo levar ao impeachment do presidente. A expectativa do PSDB é que, hoje, de volta a Brasília depois da visita a Roraima, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), arquive a denúncia de Goldman. Ficará estabelecido, assim, entende Arthur, o primeiro compromisso de Lula com aquele que derrotou o candidato do governo e do PT na disputa pela presidência da Câmara, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

Os tucanos, então, recorrerão da decisão de Severino no plenário. O recurso se dará num ambiente ainda conflagrado pelo processo que levou à eleição do deputado pernambucano do PP. “Só Deus sabe o que pensa hoje esse plenário”, comentou ontem o primeiro-secretário da Câmara, João Caldas (PL-AL). Será um novo desgaste político na negociação com os deputados para manter a decisão de Severino de arquivar a denúncia. “E, se Severino demorar para colocar o recurso em pauta, ficaremos na tribuna, cobrando, o que da mesma forma desgastará o governo”, emenda Arthur Virgílio.

Em outra frente, dividem-se os oposicionistas para fustigar o governo na Justiça. O PSDB entrou no Supremo Tribunal Federal com um “pedido de explicações em juízo”. No caso, é algo que pode dar início a um processo por calúnia, injúria ou difamação. Os tucanos querem que o presidente, “para extirpar as obscuridades, ambigüidades e equivocidades presentes nas ofensas”, esclareça o que disse. No pedido, o PSDB faz quatro perguntas. Quer primeiro saber se Lula realmente tomou conhecimento de algum caso de corrupção. E por que, então, não ordenou a apuração. Pergunta também quem é o “alto companheiro” que teria afirmado conhecer casos de corrupção. A terceira pergunta é sobre em que área do governo teria havido corrupção.

De acordo com o líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS), o “alto companheiro” era o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa e o caso em questão a compra da Eletropaulo pela empresa norte-americana EAS. Lessa, porém, afirma que nunca falou em corrupção no BNDES. A última indagação do PSDB é sobre o que queria dizer o presidente com o termo “achincalhar” o governo anterior.

Prevaricação
O pedido feito ao STF foi a ação mais cautelosa das que foram tomadas ontem pela oposição. O partido optou por não entrar com uma ação contra Lula por prevaricação (retardar ou deixar de praticar ato contra disposição expressa da lei para satisfazer interesse ou sentimento pessoal), o que poderia configurar crime de responsabilidade, por considerar que esse argumento viria a ser facilmente derrubado pelos ministros do Supremo. Da mesma forma, evitou politizar a ação na Justiça. Nenhum político foi ao STF. O pedido foi protocolado apenas pelos advogados do partido Rodolfo Machado Moura e Gustavo Kanffer.

“Tivemos a prudência de aguardar uma posição oficial de Lula, como uma retratação ou um esclarecimento”, explicou o presidente do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG). No Rio, pela manhã, o presidente do Supremo, ministro Nelson Jobim, disse que o pedido do PSDB terá “tramitação normal, como qualquer outro tipo de pedido” no tribunal.

Enquanto o PSDB adotava cautela no STF, o PFL, com a ajuda do PDT, pisava no acelerador em ação apresentada ao Ministério Público. O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), que assina a ação, não deixa dúvida: Lula foi omisso, entende, e, assim, cometeu crime de prevaricação.

TRATAMENTO NORMAL
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, disse ontem que o STF tratará “como qualquer outro pedido” a interpelação pretendida pelo PSDB contra o presidente Lula. Jobim recusou-se a comentar as declarações feitas por Lula sobre corrupção no governo FHC, sob o argumento de que “não compete ao presidente do Supremo falar sobre esse tema” e repetiu várias vezes que aquilo que entrar no STF terá um tratamento e procedimentos normais”.

Serra critica presidente, Marta e juros

O prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem, durante visita ao Rio Grande do Sul, que há consenso no Brasil de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou o que não devia ao contar que mandou um alto funcionário de uma instituição oficial silenciar sobre corrupção no governo de Fernando Henrique Cardoso. “Eu acho que, se voltasse atrás, ele não diria de novo", avaliou Serra ao se referir ao polêmico discurso de Lula.

Acompanhado por empresários e trabalhadores locais da cidade de Novo Hamburgo, que terá nova eleição municipal domingo, o tucano também criticou a política econômica do governo federal, que tem aumentado a carga tributária, valorizado o real diante do dólar e elevado os juros. “Isso vai prejudicar a produção e a exportação”, afirmou. Serra também criticou o governo da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) em São Paulo. “Encontramos uma bagunça financeira, administrativa e gerencial”, resumiu.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi outro tucano a cobrar do presidente Lula explicaçôes sobre as declarações da semana passada. “Não é possível fazer uma colocação dessas e parar por aí”, disse. “Nós precisamos de menos palavras e de mais ações. De palavras que tenham conseqüência”.

Observando que o episódio é muito ruim, como exemplo, Alckmin afirmou que é preciso "aguardar as explicações e os esclarecimentos que a sociedade merece”.. Para ele, se existe algum fundo de veracidade nas declarações do presidente, há também a obrigação da investigação e de apuração. "Ou não houve irregularidades ou, se há, tem que investigar”.

Volta ao caso Waldomiro

A CPI do caso Waldomiro Diniz poderá voltar a assombrar o governo. Os partidos de oposição recomeçaram ontem a recolher assinaturas pedindo a abertura de uma comissão de inquérito para apurar o episódio em que o ex-assessor da Casa Civil foi flagrado, em uma gravação de vídeo, pedindo propina ao empresário do jogo Carlos Cachoeira.

O trabalho que será necessário ao governo para, novamente, convencer os políticos da sua base de sustentação a retirarem assinaturas do pedido de CPI, como ocorreu no ano passado, é outra das estratégias imaginadas pela oposição para desgastar o adversário.

Os oposicionistas pesaram mesmo a hipótese de o PT e o governo responderem com a criação de uma CPI para investigar as privatizações durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso.

“Pode até ser que respingue em um ou outro, mas temos certeza de que não respinga em Fernando Henrique. Não estamos mais no poder. Vamos para o tudo ou nada. Além disso, ainda vão ter de cavoucar para encontrar irregularidades. Quando, com Waldomiro Diniz, já temos um caso concreto para explorar desde o início”, comentou ontem um político tucano. (RL)

Correio WEB


01/03/2005

Senado aperta o cerco contra a exploração sexual

Parlamentares votam hoje pacote de projetos para tornar punições mais rígidas

BRASÍLIA - Está nas mãos dos senadores a chance de aumentar o rigor da lei contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. O Senado vota hoje um pacote de projetos sugeridos pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou o tema entre junho de 2003 e julho de 2004, com textos que prevêem punição severa não apenas para os criminosos, mas também para instituições como hotéis e pousadas. A intenção é acabar com anacronismos, como os artigos que condicionam a ocorrência de violência sexual ao sexo da vítima ou à virgindade e à honestidade da mulher.

O pacote atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Código Penal. De acordo com os parlamentares, o projeto mais relevante é o que altera o Título VI do Código Penal, cujo título ''dos crimes contra os costumes'' é substituído por ''dos crimes contra a liberdade e o desenvolvimento sexual''. Pela proposta, o estupro e o atentado violento ao pudor passam a formar um único delito, cometido contra as pessoas em geral, independentemente de sexo ou idade, e não apenas contra as mulheres.

- A idéia é que seja possível punir de forma mais severa as agressões contra os meninos. Durante as nossas investigações, constatamos que elas crescem a cada dia - explica a senadora Patrícia Saboya (PPS-CE), presidente da CPI, que já foi encerrada.

No caso de assédio sexual, o projeto prevê o aumento da pena - de um a dois anos de detenção - em até um terço se a vítima for menor de 18 anos. Outra mudança seria o fim da extinção de punição caso o criminoso case com a vítima ou se esta casar com terceiro.

Segundo relatório da CPI, a medida foi adotada porque um prefeito da cidade de Goiás teria arranjado casamentos, como forma de escapar da cadeia, para sete meninas exploradas sexualmente por ele. O projeto também cria o crime de ''satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente'', que consiste em praticar relacionamento sexual na presença de menor de 14 anos. Outra novidade proposta é a inclusão no Código Penal do crime de tráfico interno de pessoas para o exercício de prostituição ou outra forma de exploração sexual. A pena sugerida é de reclusão de dois a seis anos.

- A atual legislação só considera como delito o tráfico internacional. As investigações realizadas pela CPI mostraram, porém, que a prática do tráfico intermunicipal e interestadual de crianças e adolescentes para exploração sexual é muito mais comum do que se pensa - afirma Patrícia.

O projeto institui a possibilidade de apresentação de ação penal pública para os crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes. Hoje, a investigação só é aberta quando há queixa privada.

- Sabemos que a grande maioria dos casos de violência sexual é cometida por alguém da própria família. A alteração permite que o Ministério Público apresente a denúncia com ou sem reclamação da vítima - explica a senadora.

Há ainda proposta de mudança do artigo que trata do favorecimento da prostituição de menores. A mudança sugerida visa a estender a punição prevista também aos clientes das redes de aliciamento. O segundo projeto que será votado prevê o fechamento definitivo de hotel, pensão, motel ou congêneres que hospedarem crianças e adolescentes desacompanhados de pais ou responsáveis sem autorização.

Trata-se de uma alteração no Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece como pena o fechamento apenas por até 15 dias. A multa imposta para tal infração continua a mesma: de dez a cinqüenta salários de referência. O terceiro projeto considera crime o ato de fotografar crianças e adolescentes em cenas de sexo explícito. A medida inspira-se em decisão judicial, da Comarca de Macau (PB), que absolveu um réu ao entender que o simples ato de fotografar não estaria no elenco de infrações penais previstas no ECA. A ação de fotografar não consta do artigo 241 do estatuto, que prevê reclusão de um a quatro anos para quem ''apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar'' cenas de sexo envolvendo crianças e adolescentes.

Jornal do Brasil


01/03/2005

Lula chama oposição de radical

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou ontem a oposição de "radical" e disse estar surpreso com a reação às declarações feitas por ele no Espírito Santo, há cinco dias, quando contou ter pedido a um "alto companheiro" de uma estatal que fechasse a boca em relação a um suposto esquema de corrupção no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Eu não estou entendendo essa radicalidade da oposição", disse Lula, numa referência ao PSDB, que protocolou na Câmara um pedido de abertura de processo por crime de responsabilidade contra ele. "Vou fazer o possível para que essa radicalidade não contamine a economia." Lula atribuiu a crise à antecipação da disputa eleitoral de 2006. "Mas eu não vou precipitar a eleição", afirmou.

As afirmações do presidente foram feitas durante reunião a portas fechadas com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador José Sarney (PMDB-AP), o chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo, e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), no Palácio do Planalto.

Mal-interpretado

Calheiros afirmou que Lula disse ter sido mal-interpretado nas declarações. "Quando ele afirmou para o companheiro fechar a boca, no início do seu governo, fez isso porque não queria contaminar o ambiente político e econômico, até porque sabia que uma investigação estava em curso", argumentou.

Durante o encontro, Lula elogiou o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), a quem cabe decidir o destino da ação do PSDB contra ele. Domingo, Cavalcanti disse a interlocutores que não estava disposto a fazer um "cavalo de batalha" em torno desse episódio. "Precisamos ter bom senso", afirmou, indicando que deverá arquivar o pedido do partido.

Para o presidente do Congresso, a temperatura da novela pós-discurso "baixou muito" por inconsistência de argumentos. "É difícil desdobrar uma declaração como a que o presidente fez numa crise política relevante", observou.

Interlocutores do PT que estiveram com Lula nos últimos dias disseram que ele não pedirá desculpas a Fernando Henrique. Em conversas reservadas, o presidente admitiu que passou do tom, mas que não vê motivo para retratação.

Tribuna da Imprensa