31/05/2005
Reforma
Sindical
Sob o número
de PL 5.275/05, o deputado Marcelo Barbieri (PMDB/SP)
apresentou para exame da Câmara dos Deputados um
projeto de lei que regulamenta o artigo 8º da
Constituição. Pelo projeto e segundo a justificação
do autor, “a regulamentação dos princípios
constitucionais vigentes deve ter o objetivo
fundamental de aperfeiçoar” a organização
sindical.
Ainda segundo a justificação do deputado Barbieri,
“o objetivo [de ter apresentado] do projeto não foi
somente regulamentar o artigo 8º, mas definir
responsabilidades aos sindicatos, no intuito de
prestarem serviços às respectivas categorias,
penalizando os que não se desincumbirem de suas
atribuições”.
No aspecto do financiamento da organização sindical,
o projeto propõe “a manutenção da contribuição”
confederativa e institui a “contribuição de
categoria”. Com isso, o deputado argumenta que
“procura-se criar um sistema transparente de
fiscalização da arrecadação e aplicação das
contribuições de natureza sindical, deixando a cargo
dos Conselhos Nacional e Estaduais a análise dos orçamentos
e balanços das entidades sindicais”.
Agência
DIAP
31/05/2005
Schirmer
critica desempenho de Lula nas áreas política e
social
O
deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS) criticou o Governo
Lula, ao afirmar que ele é “um fracasso” na política
econômica, nos programas sociais e no campo ético.
“O Governo Lula acabou antes de ter começado. Já
se passaram dois anos e meio e até hoje o Governo não
disse a que veio”, ressaltou.
O deputado lembrou que o Partido dos Trabalhadores
apresentava-se como o “rei da ética”, prometendo
que um outro país era possível. No entanto, disse
ele, quando o PT chegou ao poder ocorreu um verdadeiro
desastre. “Todo o discurso se resumiu a promessas vãs,
a ilusões, fraudando as esperanças e os sonhos do
povo, que esperava mudanças”, lamentou Schirmer.
Segundo o deputado, as promessas de campanha de criar
10 milhões de empregos não se concretizaram; o
programa Primeiro Emprego deu mais empregos aos
dirigentes do programa que aos jovens a quem se
destinava; a reforma agrária é uma mentira; o
aumento da renda dos trabalhadores não se verificou,
e a renda tem caído gradativamente; os aposentados são
prejudicados com 11% de desconto em seus
contracheques; e os funcionários públicos só
tiveram aumento de 0,1%.
O programa Fome Zero, segundo Schirmer, é apenas o
nome bonito que o atual governo deu ao conjunto dos
programas sociais do Governo FHC. “O Fome Zero hoje
é Fome 10 e Demagogia 10, pois ele não funciona, não
resolve os problemas dos mais necessitados. É um
programa paternalista, uma esmola que fraudou as
expectativas de quem acreditou no Governo”, avaliou
o deputado.
Na área econômica, destacou o parlamentar, só quem
ga-nha no Brasil são os banqueiros, com a política
de juros altos – os maiores do mundo – ,
provocando a transferência da renda de todas as
categorias sociais para os donos de bancos. “O ano
de 2004 foi o em que mais se pagou juros da dívida
interna e externa. O montante chegou a R$ 145 bilhões
– recursos que poderiam resolver o problema
habitacional brasileiro e proporcionar água e esgoto
tratado para todos os domicílios do País”,
exemplificou Schirmer.
De acordo com o deputado, o atual crescimento econômico
é insignificante, estando abaixo do de todos os
demais países em desenvolvimento. “O Brasil é um
país que tem tudo, mas se continuar essa política de
juros altos, dólar baixo e corrupção desenfreada,
essa conjunção de fatores terá conseqüências trágicas”,
disse.
Jornal
da Câmara dos Deputados
31/05/2005
Nova
denúncia de fraude nos Correios
Mais uma
denúncia de irregularidades nos Correios. Nesta
segunda-feira, a Controladoria-Geral da União
descobriu um esquema na compra de 1,5 mil cofres para
guardar dinheiro nas agências dos Correios.
Segundo
a investigação, o Departamento de Contratação e
Administração de Material, dirigido por Maurício
Marinho, teria liberado a empresa (vencedora da licitação)
a alterar o tamanho dos cofres. Em troca seria dado um
desconto.
O
investimento custaria R$ 8 milhões. Segundo os
auditores, esse desconto nunca foi aplicado e eles
pediram uma sindicância para investigar o sistema. A
controladoria acredita que essa ligação dos cofres
é apenas uma pequena demonstração do esquema dos
Correios.
Na edição
da Revista Veja dessa semana, a matéria O líder por
testemunha aponta que Fernando Bezerra, líder do
governo no Congresso, conta como não conseguiu nomear
Ezequiel Ferreira de Souza, seu afilhado político,
para a Diretoria de Tecnologia dos Correios, enquanto
não fosse concluída uma licitação que beneficiaria
a empresa Novadata. "Meu depoimento não causa
nenhum constrangimento e vou continuar no cargo",
afirmou Fernando.
Nesta
terça-feira, Fernando Bezerra terá uma reunião com
o presidente Luis Inácio Lula da Silva. A empresa
Novadata afirma que a criação e a publicação do
edital citado na Veja não ocorreu.
O Dia
31/05/2005
Polícia
interroga servidores do CESPE
Após
o pesadelo, diretor volta à rotina
Em sua primeira aparição pública após ser preso na
noite de sexta-feira, o diretor acadêmico do Cespe,
Mauro Rabelo, retomou ontem sua rotina como funcionário
da instituição e professor do curso de Matemática
na UnB. "Apesar do erro, o pesadelo não vai
durar muito", disse ele, ao ser recebido, no
corredor do Instituto Central de Ciências, o Minhocão,
com uma manifestação de apoio que reuniu
professores, funcionários, diretores e amigos.
Rabelo lamentou as acusações de Carlimi Argenta
Oliveira, que chegou a acusá-lo de ser homem da
quadrilha no Cespe, mas voltou atrás durante a acareação
com o professor. Carlimi é mulher de Fernando
Oliveira, que confessou ter fraudado concursos do
Cespe até 2003.
O diretor queixou-se do trabalho da polícia, alegando
que os investigadores poderiam ter apurado melhor as
denúncias antes de prendê-lo. Na coletiva que
concedeu antes de assumir o trabalho no Cespe, Rabelo
ainda se prontificou ajudar no que for preciso nas
investigações.
vestibularEm relação ao vestibular, o diretor acadêmico
do Cespe voltou a garantir que as datas não serão
adiadas. "Mas algumas medidas de segurança vão
ser adotadas, quem for prestar o vestibular só vai
saber na hora", afirmou.
Depois da tormenta de ter enfrentado oito horas de
interrogatórios, Mauro Rabelo só quer voltar à sua
rotina de trabalho. "Vou para o Cespe e à noite
vou dar aula normalmente", comentou. Ele
explicou, ainda, que algumas medidas de segurança
devem ser repensadas para garantir a credibilidade da
instituição. "Vamos acatar um conselho da própria
polícia e buscar auxílio de pessoas que são
especialistas em inteligência", disse.
Um dos alunos de Engenharia de Redes da universidade,
André Felipe Trindade, disse, após o discurso de
Rabelo, que a imagem do professor ficou mais forte
dentro da UnB.
A decana em assuntos comunitários da universidade, Thérèse
Hofmann, acredita que a manifestação em apoio ao
diretor do Cespe serviu para mostrar para a sociedade
que a UnB continua merecendo respeito. "Não se
pode difamar a vida de uma pessoa sem provas",
observou. Ela ainda ressaltou que o professor é uma
pessoa muito homenageada, e não merecia ter sido
tratado da forma que foi.
Mauro Rabelo agradeceu todas as presenças e seguiu
com os presentes para sua sala no Cespe.
Jornal
de Brasília
31/05/2005
Governo
ainda briga para retardar CPI
Daniel
Pereira e Paulo de Tarso Lyra
BRASÍLIA
- Passado o turbilhão de não ter conseguido
retirar as assinaturas para impedir a instalação da
CPI dos Correios, o governo busca recuperar o fôlego,
usando o regimento para ganhar tempo. A estratégia
passa por duas frentes. A primeira é na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que
analisará questão de ordem apresentada pelo deputado
João Leão (PL-BA), vice-líder do governo na Casa,
contra a investigação. A segunda é a falta de
pressa para indicar os nomes para compor a CPI. Até
ontem, apenas os 10 integrantes da oposição e o
senador Valmir Amaral (PP-DF) estavam confirmados.
- Vamos
agir como maioria, utilizando todos os dispositivos
regimentais que puderem ser usados - disse o líder do
PT na Câmara, Paulo Rocha (PA).
Líder
do PT no Senado, Delcidio Amaral (MS), confirmou a
estratégia. Segundo ele, os líderes da bancada
governista indicarão integrantes para a CPI só
depois da decisão da CCJ. Na tropa palaciana, ainda há
esperança de uma decisão pela inconstitucionalidade
do pedido de investigação. A alegação é de que não
há ''fato determinado'' a ser investigado na CPI. Mas
apenas referência a ''atos delituosos praticados nos
Correios'' e em outras estatais.
Se a CCJ
não sepultar a investigação, o governo quer ao
menos restringir a CPI ao suposto esquema de corrupção
nos Correios. O presidente da CCJ, deputado Antônio
Carlos Biscaia (PT-RJ), que assinou o pedido de CPI, não
abre mão de sua prerrogativa de colocar a matéria em
pauta assim que chegar à comissão, o que ainda não
aconteceu. Como o regimento prevê um prazo de três
sessões, o petista acha difícil que o assunto seja
resolvido esta semana. Biscaia também demonstra
cautela na escolha de um nome para relatar o recurso
na CCJ.
- Não
acho prudente um relator do PT. Até para reforçar o
caráter de imparcialidade.
Se o PT
pode não ficar com a relatoria na CCJ, não pretende
abrir mão de presidir ou relatar a CPI. A semana começa
com dois nomes na disputa: João Paulo Cunha (PT-SP) e
José Eduardo Cardozo (PT-SP). Os petistas escondem o
nome do preferido, entoando loas aos dois candidatos:
o primeiro, ex-presidente da Câmara, tem bom trânsito
na Casa. Daria grandiosidade ao posto. O segundo,
apesar de estar em primeiro mandato, é conhecido pelo
seu saber jurídico e foi presidente da Assembléia de
Vereadores de São Paulo.
Apesar
de o presidente do Congresso, Renan Calheiros
(PMDB-AL), recomendar uma composição entre governo e
oposição, garantindo a cada um dos lados um dos
postos-chave da CPI, aliados ainda nutrem ontem a
esperança de comandar os dois postos.
- A idéia
é conversar com a oposição e buscar um solução
para a presidência e a relatoria indicando bons nomes
para que a CPI não fuja do seu objeto - disse
Delcidio Amaral, mostrando preferência pela relatoria.
Apesar
do discurso diplomático, os governistas têm na manga
duas estratégias para ficar com os dois postos. Uma
é eleger o presidente da CPI em votação. Como tem
maioria na comissão, o Planalto ficaria com o posto,
por meio de um senador do PMDB. O presidente eleito,
por sua vez, indicaria o relator, que seria um
deputado do PT, partido detentor da maior bancada na Câmara.
Jornal
do Brasil
31/05/2005
Bezerra
não entrega liderança do governo
BRASÍLIA
- O senador Fernando Bezerra (PTB-RN) disse ontem que
não entregará o cargo de líder do governo no
Congresso por causa da reportagem da Revista
"Veja" na qual ele atribui a demora da nomeação
de Ezequiel Ferreira de Souza na diretoria de
Tecnologia dos Correios, afilhado político, a um
esquema de licitação fraudulenta na empresa.
"Não
vejo razão até agora que me faça entregar o cargo.
Não agredi o governo em nada", afirmou Bezerra,
antes de se reunir com o chefe da Secretaria de
Coordenação Política e Assuntos Institucionais da
Presidência da República, Aldo Rebelo, no Palácio
do Planalto. O encontro foi rápido e o líder do
governo no Congresso reafirmou que pretende permanecer
no cargo.
Bezerra
chegou ao Congresso por volta das 17 horas e se reuniu
com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
e o líder do governo na Casa, Aloizio Mercadante
(PT-SP).
O líder
do governo no Congresso, que passou o feriado
prolongado de Corpus Christi no exterior, estava tranqüilo.
Deixou claro que as declarações à revista "são
imutáveis" em relação às idas e vindas do
governo na nomeação do protegido. A interlocutores
políticos, Bezerra afirmou que dera a entrevista há
15 dias, quando falou da luta para nomear Souza,
primeiro no Banco do Nordeste, depois, nos Correios.
Antes de
viajar na quinta-feira, dia seguinte à abertura da
CPI dos Correios, o líder ainda tentou, em vão,
conversar com o chefe da Casa Civil, José Dirceu,
para saber os verdadeiros motivos que levaram a
administração federal a adiar a nomeação.
Mas não
conseguiu. Bezerra estava incomodado com a
justificativa do ministro no programa "Roda
Viva", da Rede Cultura de Televisão, para a não-nomeação
de Souza. Dirceu argumentou que a recusa havia sido
por motivos de competência técnica.
O líder
enfatizou que não se sentia constrangido em
permanecer no cargo. "Se eu estivesse
constrangido, deixaria a liderança, mas não
estou", ressaltou, acrescentando que não fora
cobrado de nada pelo Poder Executivo. Bezerra não se
responsabiliza pelo conteúdo da carta apócrifa que
chegara ao gabinete dele. Nessa nota, segundo relatou
a "Veja", a nomeação de Souza não teria
se consumado porque havia uma licitação no valor de
US$ 56 milhões e que tinha
"um sobrepreço de 20%".
A nomeação
do senador do PMDB do Rio Grande do Norte para o cargo
de líder se deu dentro da cota do PTB. Petistas
tentaram barrá-la porque Bezerra havia sido ministro
da Integração Nacional da gestão do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso. Mas o plano de uma coligação
para a disputa do governo potiguar em 2006, que terá
como parceiros principais PT, PTB e PSB, abriu o
caminho para o senador do PMDB.
Antes, a
liderança do governo no Congresso era ocupada por
Mercadante, que ontem, nos bastidores, defendeu a
permanência de Bezerra.
Tribuna
da Imprensa
31/05/2005
Esquerda
petista forma bloco e ataca Dirceu
Parlamentares
do PT rebateram ontem, mais uma vez, as críticas do
ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e do
presidente nacional do PT, José Genoino.
Em evento de lançamento de um bloco da esquerda
petista no Rio, onde estiveram presentes os deputados
federais Chico Alencar (RJ), Ivan Valente (SP), Mauro
Passos (SC), Doutora Clair (PR) e Maninha (DF), os
deputados afirmaram que não temem sofrer punição do
partido por terem assinado a CPI dos Correios.
Na semana passada, Dirceu havia dito que os petistas
signatários da CPI eram oposição ao governo.
- Não somos oposição ao governo. Eles é que fazem
oposição ao programa, à história e à coerência
do PT - disse Valente.
Zero
Hora
27/05/2005
Líderes
fecham acordo para votar MPs - Severino afirma que CPI
é direito do parlamentar e faz parte da democracia
Os líderes
partidários fecharam, ontem, um acordo para permitir
a votação de cinco medidas provisórias nesta
semana. Em reunião com o presidente da Câmara,
Severino Cavalcanti, foi discutida, também, a instalação
da CPMI dos Correios, marcada para hoje, no Senado, e
da CPI do setor elétrico.
Na avaliação de Severino Cavalcanti, caso as CPIs
sejam instaladas, não haverá prejuízo para os
trabalhos da Câmara. O presidente ressaltou que o
instrumento faz parte do processo democrático e não
significa uma tentativa de desestabilizar o governo.
“Os parlamentares têm direito de pedir investigações
quando acham que é preciso”, afirmou.
A expectativa entre os deputados é de que a CPI do
setor elétrico seja instalada na próxima semana, mas
o início dos trabalhos ainda depende de um acordo
entre base aliada e oposição sobre os nomes para a
presidência e a relatoria da comissão.
mp 237
Ontem à noite, foi aprovada no plenário a MP 237/05,
que autoriza o repasse de R$ 900 milhões da União
aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios,
com o objetivo de fomentar as exportações do País.
O valor será distribuído de acordo com coeficientes
individualizados de participação nas exportações e
pago em duodécimos a cada mês.
Do total de recursos que caberá a cada estado, a União
entregará a eles diretamente 75%; os 25% restantes irão
para os municípios. Entre os estados, os maiores
coeficientes ficam com o Pará (13,89%), o Mato Grosso
(9,39%) e o Espírito Santo (9,27%). Os menores
coeficientes cabem ao Distrito Federal (0,04%), a
Roraima (0,25%) e a Sergipe (0,28%).
Jornal
da Câmara dos Deputados
27/05/2005
Os
‘caras’ do Congresso
Diap
divulga lista dos 100 mais influentes. Rio tem oito,
mas nenhum senador
Renata
Giraldi
Dos 513
deputados federais e 81 senadores, apenas 100 se
destacam no Congresso. Do total, só oito do Rio estão
entre os mais influentes no Parlamento, menos da
metade de São Paulo – que reúne 18 parlamentares
– sendo que nenhum dos três senadores aparece. O
que chama a atenção entre os fluminenses é que
praticamente todos os partidos estão representados,
exceto o PMDB.
É a décima
vez consecutiva que a avaliação “Os 100 Cabeças
do Congresso” é realizada pelo Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) –
organização não-governamental que examina a atuação
dos políticos e a tramitação de projetos.
“O
positivo da bancada do Rio é que tem a presença de
parlamentares dos mais diversos partidos. O que é bom
para os interesses e melhorias para o estado como um
todo”, afirmou o coordenador da pesquisa do Diap,
Antônio Augusto Queiroz.
No ano
passado, o Rio tinha sete deputados na lista. A
novidade fica por conta de Antônio Carlos Biscaia
(PT). Os outros são os mesmos, inclusive Roberto
Jefferson (PTB), acusado de fazer parte de esquema de
corrupção nos Correios.
Lista
também aponta quem está em ascensão
A
pesquisa do Diap incluiu também uma lista dos 100
parlamentares que estão em ascensão no Congresso. Ou
seja, o grupo dos deputados e senadores cuja influência
vem aumentando tanto nas discussões na Câmara quanto
no Senado.
Na lista
dos parlamentares em ascensão, estão os deputados
fluminenses Chico Alencar e Luiz Sérgio, ambos do PT,
e Júlio Lopes (PP), além do senador Marcelo Crivella
(PL). Para listar os mais influentes, o Diap acompanha
a atuação de cada parlamentar ao longo de um ano. Em
seguida, avalia presença, propostas apresentadas e
debates em torno de temas de interesse nacional e também
regional.
Novidade
com o baixo clero
A eleição
do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) para presidir
a Câmara provocou uma inovação: integrantes do
baixo clero passaram a integrar a lista dos “100
Cabeças do Congresso”, segundo o Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
Severino é um deles. A região com maior número de
deputados e senadores na elite é o Nordeste, com 34
nomes. Depois, aparece o Sudeste, com 33 indicações.
Por último, está o Norte, com apenas sete
parlamentares.
O
s maiores partidos do País são também os que reúnem
a maior quantidade de parlamentares apontados como
influentes pelo levantamento. O PT aparece com 24
nomes, enquanto o PMDB tem 12. As legendas que dão
sustentação ao Governo representam 61% da elite
parlamentar, de acordo com a pesquisa do Diap.
“
Aprendi com o presidente do meu partido (senador Jorge
Bornhausen) que quem chega na segunda-feira faz a
pauta. Quem chega em Brasília na terça obedece a
pauta. O negócio é começar a trabalhar cedo e ir até
tarde. Assim vai se ocupando espaço”, disse o líder
do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ).
O Dia
27/05/2005
Alckmin
e Serra anunciam piscinão em Pirajussara
São
Paulo - O
governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra
anunciaram hoje a construção de um piscinão às
margens do rio Pirajussara. A área, que fica num
terreno conhecido como Chácara Pirajussara, é
particular e deve ser desapropriada segundo o
governador.
Eles não
informaram, entretanto, quando isso deve ocorrer e
qual o prazo para a liberação da verba para o início
da obra. Esse novo reservatório tem capacidade
estimada de 280 mil metros cúbicos e custo estimados
de R$ 20 milhões.
Alckmin
informou que ainda não tem estimativa da quantidade
de lixo que foi carregado para o rio Tietê pelas águas
da chuva de terça feira. Ele informou que a limpeza
estava prevista nos contratos com as empreiteiras que
realizam as obras.
Estado
de São Paulo
27/05/2005
Derrotado,
governo tenta anular ou atrasar CPI
Aliados
querem impedir a instalação ou controlar a Comissão
A base
aliada ao governo no Congresso, após sucessivas
derrotas, vai utilizar a próxima semana para definir
a estratégia para impedir a instalação ou pelo
menos controlar a Comissão Parlamentar de Inquérito
que investigará as denúncias de corrupção nos
Correios.
A base governista avalia que ainda tem "duas
cartas nas mangas" para impedir a instalação da
CPI. A primeira é questionar a Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara a constitucionalidade do
requerimento que criou a CPI.
O vice-líder do governo, deputado João Leão (PL-BA),
apresentou questão de ordem durante a sessão
conjunta do Congresso, pedindo a rejeição da CPI
porque ela não se baseia em apenas um fato
determinado para sua criação, mas, sim, em vários tópicos
genéricos. O presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), rejeitou a questão de Leão e que recorreu
à CCJ. Os próprios líderes da base aliada
reconhecem, no entanto, que será difícil a CCJ
derrubar a decisão de Calheiros.
outra saídaA outra carta na manga dos governistas
seria demorar na indicação dos nomes para compor a
CPI. Isto faria com que sua instalação esbarrasse no
recesso parlamentar de julho. Caso o governo consiga,
a CPI então ficaria enfraquecida e só seria
instalada no segundo semestre deste ano.
Contra esta expectativa, está a determinação do
presidente do Senado de evitar que este expediente
seja usado novamente. Renan quer evitar o desgaste
causado pela falta de indicações para a CPI dos
Bingos no Senado, que acabou gerando um recurso ao STF
(Supremo Tribunal Federal).
Jornal
de Brasília
27/05/2005
Cinco
minutos de correria
BRASÍLIA
- Quarenta e cinco minutos de a CPI dos
Correios ter se tornado um fato consumado, os
corredores do Congresso se esvaziaram. Nem mesmo os
governistas interessados em articular novas ações da
base para conduzir a CPI permaneceram na Casa.
Movimento,
só até os últimos cinco minutos de terça-feira
passada enquanto governo trabalhava na tentativa de
barrar CPI dos Correios. Telefonemas, reuniões a
portas fechadas e, promessa de liberar algumas emendas
engavetadas, não foi suficiente para fazer com que a
lista de signatários diminuísse para os 170 nomes
necessários para tornar a CPI inviável.
Um
encontro esvaziado da bancada do PT no fim da tarde de
terça-feira já mostrava que as negociações não
seriam fáceis. O ex-líder do PT na Câmara,
Professor Luizinho (SP), não quis comentar a ausência
dos colegas.
- Temos
alguns aliados comprometidos. Acho que vai dar -
afirmou o deputado designado para negociar a retirada
de alguns signatários.
No
corredor da sala 13 de Comissões da Câmara, o amigo
do Professor, deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) -
suspenso na semana passada por ter lançado
candidatura própria para presidência da casa -
confirmou sua assinatura.
- O
requerimento é tendencioso. Mas estamos tratando de
um parlamentar envolvido com corrupção é uma acusação
grave, e por não ter outra opção vou manter minha
assinatura - afirmou.
Outros
colegas de legenda como Maninha (DF), Dr. Rosinha
(PR), Ivan Valente (SP), Paulo Rubem (PE) também se
mantiveram firmes e nem mesmo apareceram na reunião.
Pouco
depois do anúncio de que o senador Eduardo Suplicy
(PT-SP) assinara a CPI, uma nova reunião de líderes
movimentou os corredores do Congresso. Desta vez, o
ponto de encontro foi o gabinete do deputado Arlindo
Chinaglia (PT-SP). Lá, estavam os líderes José
Borba (PMDB-PR), José Múcio (PTB-PE), Sandro Mabel
(PL).
Às
23h20, Chinaglia jogou a toalha e disse que faltavam
retirar nove signatários. Até que uma voz de dentro
do gabinete da liderança do governo gritou:
- Acho
que pode dar sim. Volte logo.
Era
alarme falso. Depois de todos os esforços ainda
faltavam ser retirados dois nomes. Com os ponteiros
avançando no relógio, não era possível prosseguir
as negociações ali.
Às
23h40, Chinaglia e outros líderes se dirigem em
comitiva até o plenário do Senado. Lá, a oposição
já aguardava a chegada dos governistas com a certeza
de vitória.
- O
governo tem de admitir logo que a CPI vai acontecer
porque é um clamor da opinião pública. Não tem
mais para onde correr - avaliou o líder do PSDB, na Câmara,
Alberto Goldman (SP).
Com a
provocação da oposição e ainda empolgado com a
possibilidade de conseguiu outras duas desistências,
professor Luizinho se desesperou. Enquanto Chinaglia
negociava com a mesa o recebimento condicionado de
algumas assinaturas, Luizinho disparava telefonemas de
seu celular.
-
Renildo, você não pode fazer isto com a gente. Pelo
amor de Deus - gritava.
Nem
mesmo evocando Deus, Luizinho conseguiu. Aos dois
minutos da meia-noite de terça-feira, o desanimo
tomou visivelmente o semblante de Chinaglia, que
segurava as desistências condicionadas do PMDB e do
PSB. Para ele, o jogo já estava perdido. Com as
badaladas da meia-noite, os telefonemas se cessaram. Só
se ouviam gritos da oposição questionando alguns
nomes retirados e ainda os flash das câmaras fotográficas
registrando a derrota do governo.
Jornal
do Brasil
27/05/2005
PEC
Paralela deve ser aprovada antes de julho
Relator
da proposta na CCJ, Tourinho anuncia entrega do
parecer ainda no início do mês de junho
O
senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) anunciou que até o
fim da próxima semana ou, no máximo, até o início
da semana seguinte apresentará à Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) seu parecer
a respeito da chamada PEC Paralela da Previdência,
que voltou ao Senado por ter sido modificada na Câmara.
Os deputados aprovaram 23 alterações na proposta
original do Senado. Tourinho defende o exame e a
promulgação da matéria antes do início do recesso
do Congresso Nacional, previsto para julho.
– Meu relatório vai honrar e preservar o espírito
da PEC Paralela aprovada por unanimidade no Senado,
graças a um acordo que envolveu todas as lideranças
partidárias e mais os ministros da Casa Civil e da
Previdência e até o presidente Lula. Entendo que
deve ser compromisso de honra do Senado aprovar a PEC
o mais rapidamente possível – afirmou.
O senador disse que a essência da proposta será
mantida. Dessa forma, explicou, as principais medidas
que beneficiam o funcionalismo poderão ser
promulgadas. Outro assunto abordado pelo senador
baiano foi a questão do gás natural. Ao considerar
essa matriz energética como estratégica para o
futuro próximo, Rodolpho Tourinho pediu que seja
acelerada a implantação do Gasene, gasoduto que
deverá fazer a interligação das malhas de gás
natural do Sudeste com as do Nordeste, assim como os
diversos gasodutos previstos para a região Nordeste.
Jornal
do Senado
27/05/2005
Dirceu:
CPI não pára o país
BRASÍLIA.
O chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi esfriar a
cabeça ontem passeando em uma exposição de flores
em Brasília. Flagrado por uma equipe da TV Globo, ele
disse que o governo não teme as investigações e
derrubou um dos argumentos usados pelos próprios
governistas. Afirmou que a CPI não vai paralisar nem
o país nem o Congresso, e que o governo vai continuar
governando.
— O governo vai governar. CPI é assunto do
Congresso. As nossas prioridades são outras, não é
CPI. Nem o Congresso vai ser paralisado e muito menos
o país. O Brasil já tem maturidade. Se houver uma
tentativa de paralisar o Congresso e o país, tenho
certeza que a sociedade e a opinião pública vão
repelir — disse Dirceu.
Ele defende, entretanto, que o instituto das comissões
parlamentares de inquérito seja revisto:
— O governo está investigando e por isso achávamos
que a CPI era desnecessária. As CPIs não têm sido
um bom instrumento nos últimos meses no Brasil. Não
se pode substituir a Polícia Federal, o Ministério Público,
a Controladoria, que já estão investigando.
Precisamos rediscutir no Brasil, com serenidade, o
papel das CPIs.
O ministro se mostrou irritado com os petistas que
apoiaram a CPI e diz que o lugar deles é na oposição.
— Eu acredito que tem que prevalecer a unidade de ação
no PT. O PT é um partido democrático, de discussão
e debate, mas não pode tolerar o que vem acontecendo
com esses deputados e deputadas, que estão na prática
fazendo oposição ao governo. Lugar de quem faz oposição
ao governo é na oposição, em outro partido, como
foi o caso daqueles que fundaram o P-SOL e o PSTU. Não
tem como conviver mais dentro do PT com essa situação.
É a minha opinião como petista.
Mas mostrou-se complacente com o senador Eduardo
Suplicy (PT-SP), que considera “um pouco
estranho”, porém hors-concours dentro do
partido.
— O senador Suplicy é um caso à parte. É hors-concours
. Uma pessoa tão experiente, um político tão
importante fazer isso... Estranho, né? Ele é um
pouco estranho, mas é assim mesmo.
O Globo
27/05/2005
Governo
abriu cofres e liberou R$ 12 milhões
BRASÍLIA
- A frustrada operação contra a CPI dos Correios
levou o Palácio do Planalto a liberar num único dia
- a última terça-feira - um total R$ 12 milhões
para emendas de parlamentares ao Orçamento da União
que estavam retidas na rubrica "restos a
pagar". O valor corresponde a 26% de todas as
despesas autorizadas nessa rubrica ao longo deste ano.
Nos primeiros cinco meses, o governo tinha liberado
apenas R$ 47 milhões para as emendas de
parlamentares. Com os restos a pagar quitados na terça-feira,
o total sobe para R$ 59 milhões.
A liberação
da verba milionária foi uma exigência de
parlamentares aliados e reforçou a ofensiva para que
congressistas retirassem o apoio à criação da CPI.
Do ponto de vista político, a manobra foi
mal-sucedida. Em números redondos, o PMDB abocanhou
R$ 2,2 milhões dos restos a pagar, enquanto o PT
ficou com outros R$ 2 milhões. O PC do B arrancou em
emendas mais R$ 600 mil. "Houve um aumento de 23%
para o PT, 59 % para o PMDB e 46% para o PC do B em
relação as liberações anteriores", afirmou o
deputado Alberto Goldman, líder do PSDB na Câmara.
A operação,
que foi comandada pelos ministros José Dirceu, chefe
do Gabinete Civil, e Aldo Rebelo, da Coordenação Política,
mobilizou ministros, governadores, parlamentares
petistas e até mesmo o líder do Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile -
que telefonou para três deputados pedindo que
retirassem a assinatura de apoio à CPI dos Correios.
A
abordagem era direta e clara. Nas ligações e
conversas cara-a-cara, os governistas avisavam quem
retirasse a assinatura do requerimento de CPI seria
imediatamente premiado com a liberação de verbas.
Abordado pelos operadores do governo, o deputado João
Magalhães (PMDB-MG), que tinha apoiado a CPI, ligou
para o colega João Correia (PMDB-AC), que também
assinara o requerimento, e avisou: "Tira a
assinatura porque eles vão pagar as nossas
emendas".
Entre os
parlamentares, o grupo mais cético com a generosidade
palaciana era a turma de deputados federais ligados ao
ex-governador do Rio Anthony Garotinho. O deputado
Eduardo Cunha (PMDB -RJ) disse que não se pode
acreditar no que o governo promete, mas não cumpre:
"Esse é o governo do vou-mas-não-vai". Ao
invés de receberem verbas para evitar a CPI, eles
decidiram somente negociar com o governo já com a CPI
aberta e em pleno funcionamento.
Outras
bancadas preferiram não esperar. A bancada da Comissão
de Agricultura levou R$ 3,8 milhões e a do Piauí
outros R$ 500 mil. A bancada carioca mordeu R$ 240
mil, uma fatia também nada modesta. Apesar de não
evitado a CPI, o governo considera que a operação-abafa
serviu para pelo menos unir os ministros Aldo Rebelo e
José Dirceu em torno de um projeto comum.
Tribuna
da Imprensa
27/05/2005
Governo
tentará atrasar investigações
Deputados
do PT ajudaram a derrotar o Planalto, que não
conseguiu evitar a CPI
Depois
do fracasso da operação para barrar a instalação
da CPI dos Correios, o governo agora está disposto a
usar todas as armas para retardar as investigações.
Os aliados do Planalto deverão boicotar as reuniões,
atrasando a instalação da CPI. Ao mesmo tempo,
tentarão convencer a Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) da Câmara de que o texto do
requerimento da CPI contraria as regras, o que
impediria sua criação.
Se tudo isso der errado, a idéia é garantir o
controle dos trabalhos com o estabelecimento de uma
maioria confiável na CPI e a indicação de aliados
fiéis nos postos de comando. A tática inclui assumir
a relatoria e a presidência da comissão. Os líderes
governistas pretendem reivindicar os cargos alegando o
critério da proporcionalidade (PMDB e PT têm as
maiores bancadas no Senado e na Câmara,
respectivamente).
- Vamos à guerra com todos os seus horrores. Que vai
ser ruim para o país, vai - disse do líder do PP na
Câmara, José Janene (PR).
Os petistas alegam que a abertura da comissão poderá
ser rejeitada pela CCJ porque o requerimento não
restringe as apurações a um fato determinado, como
exige a Constituição.
O plenário do Senado foi palco, no final da noite de
quarta-feira, de uma atabalhoada última tentativa do
governo de evitar a CPI. O Planalto tentou convencer
deputados a retirar suas assinaturas até o último
minuto. Faltando cinco minutos para o prazo fatal,
meia-noite, os líderes governistas constataram que não
tinham número suficiente de requerimentos de retirada
de apoio à CPI. O celular do líder Arlindo Chinaglia
tocou. Era o ministro-chefe da Casa Civil, José
Dirceu.
- Não deu. Assim é a vida - disse Chinaglia.
Em seguida, o relógio digital do plenário marcou 0h.
A oposição vibrou. Pelas contas do governo,
faltariam retirar nove nomes do requerimento. Quatorze
deputados do PT que haviam assinado o pedido se
negaram a voltar atrás.
Ainda na madrugada de quinta-feira, Chinaglia
explodiu, debitando na conta do PT o vexame imposto ao
governo. Lembrando a perda da eleição para a presidência
da Câmara, ele disse que mais uma vez o PT derrotou o
governo e que isso será um divisor de águas no
partido.
Já era início da noite em Tóquio (manhã de
quinta-feira em Brasília) quando o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva desconversou ao ser interpelado por
jornalistas sobre a abertura da CPI dos Correios:
- Não pode (perguntar agora). Porque vou falar com
vocês apenas na sexta, quando terminar minha visita
ao Japão.
Apesar de tentar demonstrar bom humor, a irritação e
a preocupação de Lula eram evidentes.
Zero
Hora
25/05/2005
Oposição
reage à acusação de golpismo
Deputados
do PSDB e do PFL rebateram, ontem, em plenário, as
acusações de ministros e deputados do PT de que a
oposição estaria tentando desestabilizar o Governo
Lula, ao defender a instalação da CPMI dos Correios.
O líder da minoria, deputado José Carlos Aleluia,
alertou que as denúncias envolvendo os Correios
“mostram que existem várias quadrilhas operando no
Governo com o objetivo de usurpar o dinheiro público”.
Ele chamou de “insensata” a declaração do
ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, de
que a criação de uma CPI para apurar as denúncias
era uma tentativa de golpe.
O líder do Governo, Arlindo Chinaglia, voltou a
alertar que a CPI dos Correios pode servir apenas aos
interesses da oposição e lembrou que o próprio
Governo determinou investigações sobre a corrupção
à Polícia Federal e tem colaborado com os trabalhos
do Ministério Público. O parlamentar elogiou os líderes
da oposição por defenderem o sistema político
democrático e a alternância de poder pelo voto.
Jornal
da Câmara dos Deputados
25/05/2005
Petebistas
agora são contra CPI
Depois de ler depoimento de
Maurício Marinho à PF, que inocenta Jefferson, o PTB
quer evitar criação da comissão parlamentar de inquérito.
A operação-abafa do governo continua até a
meia-noite de hoje
A
pressão do governo sobre os aliados para retirar
assinaturas da CPI dos Correios surtiu efeito ontem
sobre a bancada do PTB. O presidente petebista,
Roberto Jefferson (RJ), acusado de comandar um esquema
de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT), avisou que aceita retirar a assinatura da
comissão parlamentar de inquérito, assim com os
demais 12 deputados do partido. O gesto de Jefferson
era parte fundamental da estratégia do Palácio do
Planalto, pois ele estimulou adesões ao apoiar a CPI.
Mesmo assim, não havia certeza do sucesso da operação-abafa
para evitar a criação, hoje, da comissão na sessão
do Congresso, às 10h. Ontem, o número de assinaturas
aumentou.
As conversas com o partido ocorriam desde o estopim do
escândalo dos Correios. Mas na noite de segunda-feira
intensificaram-se com um encontro entre o
ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o líder
do PTB na Câmara, José Múcio (PE). O acordo foi
selado em um almoço ontem com a presença de Dirceu,
Múcio, Jefferson e o ministro da Coordenação Política,
Aldo Rebelo. Além de ameaças de demitir apadrinhados
de cargos federais, o governo sinalizou com a nomeação
de outros nomes. Se a operação-abafa funcionar, a
previsão é atender, por exemplo, além do PTB, uma
lista de pedidos de nomeação do presidente da Câmara,
Severino Cavalcanti (PP-PE).
O argumento utilizado pelo PTB para o recuo foi o
depoimento do ex-chefe do Departamento de Contratação
e Aquisição de Materiais dos Correios Maurício
Marinho, prestado ontem na Polícia Federal. “Se ele
vai ao depoimento e retira a acusação sobre o PTB, não
há objeto de crime nem para inquérito policial muito
menos para inquérito parlamentar”, justificou o
presidente da legenda. Em uma fita de vídeo, o
funcionário dizia fazer parte de um esquema montado
pelo PTB.
Mas a decisão final, avisou o petebista, só seria
tomada após a leitura da cópia do depoimento de
Marinho à PF, apesar de Jefferson ter apresentado,
durante seu discurso de defesa na Câmara, na terça-feira
passada, uma carta do funcionário, registrada em cartório,
isentando-o de culpa.
Mesmo com a ofensiva governista, ainda houve na reunião
defensores da idéia de manter as rubricas. Eles
alegaram que sofreriam o desgaste de mudar de posição,
quando se aproxima o período eleitoral. Mas foram
vencidos. “A CPI exporia mais o partido já que a
investigação irá ocorrer até as vésperas da
propaganda eleitoral do próximo ano”, justificou o
secretário-geral da legenda, Luiz Antônio Fleury
Filho (SP). Durante a reunião, o diretor de
Administração dos Correios, Antonio Osório (que era
procurado pela PF), também fez uma exposição do
caso e garantiu não ter qualquer participação no
escândalo.
Ao aceitar retirar as assinaturas, o PTB desistiu
ainda da idéia de entregar os cargos no governo, como
sugeriu, na segunda, Roberto Jefferson. A proposta foi
rapidamente discutida na reunião, mas rejeitada.
Ainda no meio do encontro, os petebistas divulgaram
uma nota afinada com o governo em que atribuiu o escândalo
à tentativa de “desestabilização política do país”.
Câmara
vai investigar
O presidente da Câmara dos
Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), assinou ontem
despacho determinando que a Corregedoria da Casa
investigue as acusações de envolvimento do deputado
e presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), com um
suposto esquema de corrupção nos Correios. A
investigação é motivada por solicitação feita
pelo deputado Alberto Fraga (sem partido) para que o
Conselho de Ética abra processo contra Jefferson por
quebra de decoro parlamentar.
“O recebimento de indevida vantagem, propina,
revela-se de extrema gravidade, pois ocorre dentro de
uma empresa estatal e, segundo o funcionário (Maurício
Marinho, ex-chefe de Contratação e Administração
de Material dos Correios), com o aval do presidente
nacional do PTB, razões que motivam a abertura de
processo a fim de que esta Casa dê uma efetiva
resposta à sociedade”, diz ofício encaminhado por
Fraga a Severino.
Caso a Corregedoria — comandada pelo deputado Ciro
Nogueira (PP-PI) — avalie que há envolvimento de
Jefferson, presidente do PTB, com o suposto esquema,
é dado parecer por abertura de processo no Conselho
de Ética, que, se entender pela culpa, sugere a cassação
do mandato. Isso só ocorre com o apoio da maioria dos
deputados (257 de 513) em votação secreta no plenário.
Em seu despacho, Severino determina ainda que o caso
seja analisado pela Procuradoria da Casa, que é
responsável, entre outras coisas, por zelar pela
imagem da Câmara. Isso significa que a Procuradoria
pode também representar Jefferson em possível ação
de indenização, caso o órgão entenda que a acusação
foi infundada.
O atual procurador da Casa é o deputado Ney Lopes
(PFL-RN).
Segunda-feira, Severino disse em Recife que não
vacilará em pedir a cassação do mandato de
Jefferson caso haja provas contra ele, o que ele diz não
acreditar. No despacho entregue à Corregedoria e à
Procuradoria, havia o ofício de Fraga e a íntegra do
discurso em que Jefferson se defendeu na Câmara, no
dia 17.
Governo
corre contra o tempo
Luiz Carlos Azedo
Da equipe do Correio
O governo tem até a meia-noite de
hoje para impedir a instalação da CPI dos Correios,
com a retirada das assinaturas dos parlamentares
aliados. A operação ganhou um novo fôlego, porque o
PTB retirou seu apoio ao requerimento, que havia sido
assinado pelo presidente da legenda, deputado Roberto
Jefferson (RJ), e mais 12 petebistas, de um total de
47 integrantes da bancada.
Ontem, na Câmara, a oposição deu entrada em mais
oito assinaturas, subindo para 253 o número de
deputados que subscrevem o pedido. Com isso, são 82
assinaturas a mais do que o necessário. No Senado,
Ramez Tebet (PMDB-MT), ex-presidente da Casa, também
subscreveu o requerimento. O número de assinaturas de
senadores subiu para 51.
O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia
(RJ), minimizou a decisão dos petebistas: “São
apenas 13 assinaturas do PTB, o que não altera a
nossa vantagem, pois temos mais cinco deputados que
deverão assinar o requerimento amanhã”, garantiu.
O deputado Michel Temer (SP), presidente nacional do
PMDB, também avaliava que a instalação da CPI é
irreversível.
Segundo ele, o governo errou ao dar uma dimensão à
CPI maior do que ela realmente tem. “O governo
deveria atuar através da CPI, uma vez que ela é
inevitável”. Responsável pela indicação do
presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos,
João Henrique de Almeida, Temer disse que o PMDB não
está intimidado pela investigação, embora ocupe três
cargos na diretoria. “Estamos tranqüilos em relação
à CPI, que tem o apoio da maioria da bancada”,
disse.
O líder do PMDB na Câmara, deputado José Borba, que
tem participado das reuniões de mobilização do
governo, também manifestava ceticismo quanto à
retirada de assinaturas da bancada: “É difícil
convencer quem assinou a mudar de posição”.
A batalha mais importante do governo, porém, será
travada hoje na bancada do PT, onde a pressão para
retirada de assinaturas foi intensificada. “É um
absurdo, quem assinou está sendo acusado de colaborar
com a desestabilização do governo e ser
linha-auxiliar de forças golpistas”, critica o
deputado Chico Alencar (PT-RJ), que pretende manter a
assinatura. Dos 17 deputados petistas que assinaram o
documento, o líder do governo, Arlindo Chinaglia
(PT-SP), só pretende revelar os nomes dos
parlamentares que pretendem retirar suas assinaturas
quando o número necessário de desistências para
inviabilizar a CPI estiver garantido.
No Senado, a reunião da bancada petista não superou
o impasse. Os senadores Tião Viana (AC), Paulo Paim
(RS), Cristovam Buarque (DF) e Eduardo Suplicy (SP)
reiteraram a disposição de assinar o requerimento.
Foram novamente contidos pelo líder da bancada, Delcídio
Amaral (MT), e pelo líder do governo, Aloizio
Mercadante.É muito difícil uma posição unânime da
bancada, apesar das pressões da cúpula do PT.
Mercadante, entretanto, está otimista. “Deve
prevalecer a responsabilidade com o governo e o
compromisso com a unidade do partido, pois é muito
ruim a bancada no Senado não acompanhar a recomendação
do diretório nacional e o esforço que está sendo
feito na Câmara”.
Placar
SENADO
Assinaturas - 51
Mínimo necessário - 27
CÂMARA
Assinaturas - 253
Mínimo necessário - 171
Próximos
passos
Criação
O prazo para retirada ou inclusão de assinaturas é
até meia-noite de hoje, dia marcado para a leitura do
ato de criação da CPI em sessão conjunta do
Congresso. Mas a CPI só será criada de fato quando a
decisão for publicada no Diário Oficial de amanhã
Instalação
Uma CPI pode ser criada mas não instalada: a instalação
depende da nomeação dos membros e da realização da
primeira sessão, que pode não acontecer por falta de
quórum. A CPI dos Correios deve ter 30 titulares (15
deputados e 15 senadores) e 30 suplentes
Integrantes
As mesas diretoras da Câmara e do Senado vão pedir
aos líderes dos partidos que indiquem seus
representantes, proporcionalmente ao tamanho das
bancadas. Os membros são designados pelo presidente
do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL)
Poderes
A CPI é uma comissão temporária criada para apurar
um fato determinado e por prazo certo, com poderes de
investigação das autoridades judiciais: pedir a prisão,
quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico,
convocar pessoas para depor, ordenar diligências
Correio
WEB
25/05/2005
Chuva
em São Paulo é a maior em 22 anos, diz governo
São Paulo - A
chuva, mais uma vez, parou a maior cidade do Brasil
nesta quarta-feira. Só não parou completamente
porque ainda existem os pés como meio de transporte.
O que se viu pelas ruas de São Paulo foram centenas
de carros parados nos diversos pontos de alagamentos e
milhares de pessoas andando para chegar ao trabalho.
Filas enormes se formaram nos telefones públicos com
as pessoas ligando para os locais de trabalho para
contar que estava impossível chegar. "Na região
metropolitana não chovia dessa maneira desde
1983", disse o secretário de Estado dos Recursos
Hídricos, Mauro Arce.
Depois
de três anos sem transbordar, os rios Tietê e
Pinheiros saltaram de seus leitos entre as 3 e 4 horas
da madrugada inundando as marginais, deixando carros e
caminhões submersos e provocando enormes
congestionamentos. "Foi uma chuva excepcional
para o mês de maio, onde a média é de no máximo de
70 a 80 mm", afirmou o secretário. Arce disse
que em Rudge Ramos e São Bernardo do Campo, das 16
horas de terça-feira até às 7 horas de quarta,
choveu 154mm.
Os 14
piscinões construídos na bacia do Tamanduateí
transbordaram. Na região do córrego Pirajussara, dos
cinco piscinões só o da Portuguesinha, em Taboão da
Serra, não transbordou. O secretário informou que no
Sistema Cantareira, que até segunda-feira havia
chovido apenas 0,2mm, recebeu uma precipitação de
mais de 100mm.
Segundo
ele, as chuvas foram intensas também no interior. Em
Indaiatuba, próximo de Campinas, o temporal deixou a
cidade às escuras devido à queda da rede elétrica,
o mesmo aconteceu no Mato Grosso do Sul.
Estado
de São Paulo
25/05/2005
Planalto
joga últimas cartas contra a CPI
Requerimento
de instalação da comissão será lido hoje no
Congresso
O
governo tenta hoje suas últimas cartadas para tentar
barrar a CPI dos Correios. A leitura formal do
requerimento de criação da CPI será feita na manhã
desta quarta-feira, numa sessão conjunta do
Congresso. Os governistas ainda insistem na tática de
esvaziar o requerimento. Uma estratégia que pode ser
coloca em prática na última hora é a retirada em
bloco de assinaturas, para que o pedido tenha menos
nomes que o mínimo exigido.
O entendimento é que a retirada conjunta pouparia os
parlamentares de um desgaste causado pela saída em
ritmo conta-gotas. "Há um processo de
convencimento da nossa base e que vamos fazer isso de
maneira conjunta e de uma vez só", diz o líder
do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA).
O ânimo do governo aumentou com a decisão do PTB de
retirar as assinaturas. A posição do partido era
considerada fundamental para estimular outras siglas a
seguirem o mesmo exemplo. A contabilidade mais
otimista apontava a possibilidade de dez petistas
voltarem atrás (de um total de 19 assinaturas),
outros dez em 16 deputados do PP e até 20 de 33
peemedebistas. Além desses, a saída de outros 13
petebistas.
Ainda assim, a tarefa é complicada. Ontem à noite, o
requerimento tinha assinaturas de 258 deputados e 51
senadores (quando o mínimo são, respectivamente, 171
e 27). O foco da Operação Abafa está na Câmara,
onde, sozinha, a oposição não consegue alcançar
171 deputados. No máximo, 150 pelas contas dos
aliados. O prazo para retirada das assinaturas termina
à meia-noite de hoje.
incêndioO presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), avaliou que a politização da investigação
do esquema de corrupção nos Correios transforma uma
centelha num "grande incêndio", mas afirmou
que cumprirá seu papel hoje com a leitura do pedido
de criação da CPI dos Correios.
"Amanhã (hoje) teremos a sessão, e, havendo quórum,
haverá a leitura", confirmou Renan, negando a
possibilidade de manobra política para evitar ou
adiar a leitura do requerimento de CPI. Em discurso,
Renan manteve a posição de que a investigação da
denúncia de corrupção precisa ser realizada, mas
pelos órgãos competentes, como a Polícia Federal e
o Ministério Público. Na semana passada, Renan
chegou a pedir mais tempo para as investigações
oficiais, antes da CPI. Ele não assinou o
requerimento de CPI. Renan é citado na fita que
originou a denúncia de como suposto agenciador de
propinas. Ele disse não saber da citação.
Jornal
de Brasília
25/05/2005
CPI
dos Correios: o dia D para governo e oposição
Planalto
mobiliza ministros, assessores e líderes para evitar
comissão parlamentar
BRASÍLIA
- O futuro do governo Luiz Inácio Lula da
Silva, da bancada governista e das costuras políticas
visando à disputa pela presidência da República em
2006 estarão em jogo hoje, quando o Congresso decidirá
se instala ou não a CPI para investigar um esquema de
corrupção nos Correios. Convencido de que uma CPI
neste momento produzirá sérios obstáculos ao
projeto de reeleição de Lula, nas últimas 48 horas
o governo intensificou a 'Operação Deus nos Acuda'
pela retirada das assinaturas necessárias para a
abertura do inquérito parlamentar. Operadores políticos,
ministros e líderes partidários se mobilizaram numa
aglutinação de forças jamais vista no atual mandato
do presidente Lula.
A
ofensiva, liderada pelo chefe da Casa Civil, ministro
José Dirceu, foi iniciada na noite de segunda-feira
quando, reunidos no Palácio do Planalto, os ministros
Ciro Gomes (Integração Nacional), Aldo Rebelo
(Coordenação Política), Eunício Oliveira (Comunicações),
Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), Luiz Gushiken
(Comunicação e Gestão Estratégica) e o líder do
governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP)
decidiram intensificar o corpo-a-corpo com a bancada
governista no sentido de esvaziar a CPI.
O
reflexo foi o frenético entra e sai de líderes do
PMDB, PP, PTB, PL e PSB no Planalto que puderam ser
vistos por quem lá circulasse. Pedidos que adormeciam
há mais de dois anos na Casa Civil, foram sendo
atendidos numa velocidade de trem bala. Segundo
assessores palacianos, logo que informado por emissários
de que sua indicação para a diretoria da Petrobras,
Djalma Rodrigues, seria confirmada nos próximos dias,
o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE),
passou a participar ativamente da operação.
Caso não
consiga êxito na operação para retirada das
assinaturas para a CPI, o Planalto vai tentar derrubar
em plenário o quorum da sessão de leitura do
requerimento. A tarefa não é fácil, já que, para a
abertura da sessão do Congressol, são necessários
14 senadores e 86 deputados.
O
governo poderia trabalhar na tentativa de transformar
a sessão em deliberativa: nesse caso, aproveitaria o
quorum das sessões de ontem do Congresso para abrir
os trabalhos de hoje. Numa manobra regimental,
alegaria ausência de parlamentares para deliberação,
encerrando os trabalhos. Até as 21 horas de ontem,
contudo, a tática de guerra não havia sido
divulgada.
Uma vez
lida em plenário, o governo tem outro caminho a
seguir: correr para retirar as assinaturas do pedido
de instalação da CPI. O prazo acaba à meia-noite de
hoje. Ontem, mais 12 deputados e um senador assinaram
o requerimento.
O líder
do PP na Câmara, José Janene (PR), que desde o início
da crise defendeu que o caso Maurício Marinho era
pontual e não envolvia o goverrno, também acredita
ser possível retirar boa parte das assinaturas de seu
partido. Pelas contas dele, até 12 - das 17
assinaturas - são passíveis de reversão.
- Existe
um grupo de parlamentares que sempre votam com a oposição.
Com esses, nem adianta eu conversar - complementou
Janene.
Caso a
CPI seja instalada, o governo já articula a indicação
de parlamentares de sua estrita confiança para
cargos-chave na Comissão. Pelo regimento, a presidência
e a relatoria da CPI ficam nas mãos das maiores
bancadas na Câmara e no Senado. Na Câmara, o PT tem
a maior bancada e no Senado, o PMDB.
Jornal
do Brasil
25/05/2005
Aprovado
sistema de habitação popular
Projeto
de iniciativa dos movimentos sociais também institui
fundo para construção de moradia de baixo custo
Em votação
simbólica, e contando com o apoio de todos os
partidos políticos, o Senado Federal aprovou ontem
projeto de lei de iniciativa popular (PLC 36/04, na Câmara
dos Deputados) que cria o Sistema Nacional de Habitação
de Interesse Social (SNHIS) e o Fundo Nacional de
Habitação de Interesse Social (FNHIS), e institui o
Conselho Gestor. A matéria estava em tramitação no
Congresso Nacional havia 14 anos e teve um andamento
considerado rápido no Senado – das comissões temáticas
à votação em Plenário foram necessários apenas 45
dias.
Conforme ressaltou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC),
relatora do projeto na Comissão de Assuntos Sociais (CAS),
pela segunda vez os movimentos populares conseguem
transformar em lei uma idéia concebida fora do
Congresso. A outra iniciativa, também vitoriosa, foi
liderada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e
pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), em 1999, e buscou coibir o abuso do poder econômico
no processo eleitoral brasileiro.
A iniciativa popular de lei foi um dispositivo
incorporado à Constituição, promulgada em 1988, que
aliou dois princípios democráticos – o
representativo, baseado no voto secreto, presente na
tradição política nacional desde o Império, e o
direto, uma conquista recente, debitada aos chamados
avanços da modernidade. Para dar entrada na Câmara
dos Deputados ao projeto que cria o novo modelo
institucional para a política habitacional no país,
os movimentos populares recolheram, em todos os
estados brasileiros, 1,2 milhão de assinaturas,
incluindo a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Conquista
Ao defender a proposta em Plenário, o relator na
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ),
Marcelo Crivella (PL-RJ), observou que, do ponto de
vista democrático, foi uma conquista considerável
tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal
entenderem que o povo, pelo mecanismo da iniciativa
popular, pode apresentar projetos considerados pela
Constituição como prerrogativas exclusivas do
presidente da República. Esse entendimento, ainda
segundo Crivella, foi fundamental para superar possíveis
vícios de constitucionalidade da matéria, ao mesmo
tempo que abre novas oportunidades para que os
movimentos de cidadania possam se afirmar no contexto
da democracia brasileira.
– A criatura, o presidente da República, não é
maior que o criador, o povo – disse Crivella, que vê
no projeto aprovado grande instrumento para atender o
pleito da população de baixa renda por mais moradia,
a preços acessíveis.
O relator na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE),
senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), ao encaminhar seu
voto, argumentou que o projeto dá ênfase à integração
entre os municípios, estados e União, possibilitando
a implantação de programas de largo alcance social.
Ao mesmo tempo, conforme o parlamentar, o novo sistema
amplia as possibilidades de atendimento às mulheres e
idosos, no que diz respeito a moradias, benefício não
consignado na legislação vigente.
Compromisso
Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do governo no
Senado, informou que o ministro das Cidades, Olívio
Dutra, está comprometido com o sistema. Mercadante
também disse esperar que outros setores da sociedade
se encorajem e formulem novos projetos de lei para o
Brasil. O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio
(AM), entendeu que um projeto de iniciativa popular
reveste-se de simbologia principalmente em um
parlamento como o brasileiro, dominado por
"medidas provisórias".
Para alguns senadores, a aprovação do projeto não
significará necessariamente a solução definitiva
dos problemas habitacionais no país, cujo déficit
seria de aproximadamente 7 milhões de moradia. Mesmo
assim, ocuparam a tribuna para elogiar a conquista dos
movimentos populares os senadores Eduardo Suplicy
(PT-SP), Romeu Tuma (PFL-SP), Heloísa Helena (PSOL-AL),
Lúcia Vânia (PSDB-GO), Ana Júlia Carepa (PT-PA),
Maguito Vilela (PMDB-GO), Almeida Lima (PSDB-SE),
Delcidio Amaral (PT-MS), Paulo Paim (PT-RS), Pedro
Simon (PMDB-RS) e Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).
Aprovado depois de receber apenas seis emendas de redação,
o projeto vai agora à sanção presidencial.
Jornal
do Senado
25/05/2005
Parlamentares
evitam assumir relatoria de veto
Cargo
será preenchido por rodízio
Sem
voluntários. Este foi o resultado da reunião da
Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia
Legislativa na qual seria escolhido o relator para o
veto do governador Germano Rigotto ao reajuste
salarial de 8,69% a membros e servidores do Judiciário,
Ministério Público, Tribunal de Contas e funcionários
do Legislativo.
O encontro da comissão ocorreu ontem pela manhã e,
mesmo legalmente permitido, nenhum dos parlamentares
solicitou a relatoria da matéria. Para o Palácio
Piratini interessava ter um aliado no cargo.
- Alguém da base governista poderia ter se oferecido,
mas acho que eles estão contrariados com a decisão
de Rigotto - afirmou Elvino Bohn Gass (PT).
Os deputados têm explicações diferentes para
justificar a inexistência de voluntários. Jair
Soares (PP) disse que ficou constrangido pelo fato de
já ter sido relator na época da aprovação dos
projetos. Vieira da Cunha (PDT) afirmou que não se
ofereceu por pertencer ao Ministério Público.
- O relator não pode ser do PMDB porque se trata de
um veto do governador - explicou o líder do governo,
Fernando Záchia (PMDB).
Como o reajuste está dividido em seis projetos de
lei, haverá mais de um relator. A distribuição será
feita pelo sistema de rodízio e provocou polêmica.
Jair e Vilson Covatti (PP) defenderam a nomeação de
apenas um responsável, uma vez que a justificativa do
veto é a mesma. Záchia, entretanto, argumentou que o
processo será mais transparente ao entrar no rodízio.
A Assembléia tem até 14 de junho para analisar a matéria.
Juízes pedem lista de devedores do Estado
Para ampliar a pressão contra o veto, a Associação
dos Juízes (Ajuris) dá hoje duas cartadas. Pela manhã,
a entidade entregará ao secretário estadual da
Fazenda, Paulo Michelucci, ofício no qual solicita a
lista dos 50 maiores devedores do Estado. Como a crise
financeira é um dos argumentos do Palácio Piratini
para barrar o aumento, a associação deseja verificar
se não há como elevar a receita "combatendo de
forma efetiva" a inadimplência e a sonegação.
À tarde, a associação tem uma audiência com o
presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Osvaldo
Stefanello. O presidente da Ajuris, Carlos Rafael dos
Santos Júnior, entregará as decisões da assembléia
de juízes realizada na sexta-feira.
- Vamos solicitar que o Pleno do Tribunal receba o
nosso pedido de intervenção federal - afirmou Carlos
Rafael.
Ontem, o presidente da Assembléia, Iradir Pietroski
(PTB), recebeu o procurador-geral de Justiça, Roberto
Bandeira Pereira, e o presidente da Associação do
Ministério Publico, Carlos Otaviano. Os procuradores
entregaram documento afirmando que a decisão de
Rigotto não respeita "a autonomia financeira dos
órgãos e poderes".
Zero
Hora
20/05/2005
Bornhausen
defende punição "até na própria carne"
O
presidente nacional licenciado do PFL, senador Jorge
Bornhausen (SC), defendeu ontem, no Rio, a punição,
"inclusive na própria carne", caso sejam
comprovadas em eventual Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) as denúncias de corrupção nos Correios que
atingiram o PTB. Bornhausen afirmou que o "toma-lá-dá-cá
que se acentua na política brasileira tem de ser
eliminado em nome da democracia". Ele participou
de uma reunião do Conselho Diretor da Internacional
Democrática de Centro (IDC).
Sobre o
fato de os principais envolvidos nas acusações terem
sido aliados do PFL nos últimos governos, Bornhausen
disse que "não importa quem tenha sido ou quem
é (aliado)". O importante, afirmou, é evitar pré-julgamentos
e apurar os fatos para que, se eles forem comprovados,
haja punição.
"A
oposição não está fazendo e nem fará CPI contra o
governo. Ela fará CPI para tornar transparente tudo
aquilo que acontece no Congresso Nacional e para
apurar a denúncia de que há partidos e há
parlamentares que recebem do Poder Executivo, de
determinados integrantes de setores do Executivo,
recursos que são, de forma criminosa, retirados do
governo", afirmou.
Palanque
Segundo
o presidente nacional licenciado do PFL, o Legislativo
seria desmoralizado se não fizesse a CPI. "Essa
denúncia é grave. A grande preocupação da oposição
não é palanque político, é a de não ruir o pilar
do Parlamento. A democracia necessita de um Parlamento
acreditado", disse.
"Se
nós continuarmos tendo denúncias sobre partidos e
parlamentares sem apuração, quem vai enfraquecer é
a democracia. O que nós queremos é que o Parlamento
possa sair de forma honrosa e respeitável perante a
sociedade brasileira, punindo, se forem procedentes as
acusações, inclusive na própria carne, naqueles que
compõem o Parlamento e estão praticando atos de
corrupção."
De
acordo com Bornhausen, a administração federal
deveria "mudar o seu estilo", evitando o
toma-lá-dá-cá. Ele ainda atacou o aumento de juros
e impostos e disse que a paralisia no Senado ocorre
por duas razões: "a obstrução que o governo
faz a si mesmo com um número excessivo de medidas
provisórias (MPs) e a falta de entendimento na base
governamental". "A oposição quer votar, e
disse isto ao presidente."
Ao lado
de Bornhausen na mesa, o presidente do IDC, José
Maria Aznar, defendeu a invasão do Iraque e fez críticas
aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e de Cuba,
Fidel Castro.
Tribuna
da Imprensa
20/05/2005
Disputa
no Conselho de Justiça abre crise no Senado
Veto
a indicação de representante da Câmara no órgão
é criticado por siglas de oposição
A rejeição
no Senado do nome de Alexandre de Moraes, indicado
pela Câmara dos Deputados para integrar o Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), abriu um novo foco de
atrito entre a oposição e governo federal.
A oposição e parte da base governista viram no líder
do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), o
responsável pela derrubada do nome de Moraes,
ex-secretário de Justiça de São Paulo e
ex-presidente da Fundação Estadual do Bem-Estar do
Menor (Febem), no conselho.
Segundo senadores governistas, Mercadante teria, desde
terça-feira, conversado com aliados para votar contra
o nome do ex-secretário do governo de São Paulo,
Geraldo Alckmin (PSDB). O motivo seria a candidatura
de Mercadante ao governo paulista nas eleições de
2006.
De imediato, o líder petista afirmou que não houve
articulação política para derrubar o candidato.
Logo depois, porém, subiu à tribuna do plenário
para dizer que a derrota serviria de resposta para a
recusa, por exemplo, ao nome de José Fantine à Agência
Nacional do Petróleo (ANP).
Diante da forte reação da oposição, os líderes
governistas tentaram reverter a decisão, à revelia
do regimento do Senado. Mercadante mudou de postura e
trabalhou para que a votação fosse refeita. Não
adiantou. Mesmo senadores do PFL e PSDB afirmaram que
o regimento deveria ser respeitado e que a derrota
estava consumada.
Zero
Hora
20/05/2005
Mulher
morre na porta de hospital à espera de uma ambulância
São Paulo - A
polícia vai apurar a responsabilidade pela morte de Fátima
Gonçalves, de 49 anos, casada com o encanador Aderson
Mendes Pereira, de 65 anos. Fátima, que sofria de câncer,
morreu por volta das 21h de ontem em frente ao
Pronto-socorro Municipal Dr. Lauro Ribas Braga,
localizado na altura do nº 943 da Rua Voluntários da
Pátria, em Santana, zona norte da Capital paulista.
Os médicos
que estavam de plantão na noite de ontem não haviam
comparecido ao 13º Distrito Policial, da Casa Verde,
para prestar depoimento à polícia.
Segundo
Aderson, sua mulher morreu do lado de fora do
pronto-socorro quando ambos esperavam por uma ambulância
para serem levados para outro centro hospitalar. No
momento em que os funcionários do pronto-socorro
perceberam o desfalecimento de Fátima foram até ela
e constaram o óbito.
Os médicos
então colocaram o corpo da mulher em uma maca para
recolhê-lo ao interior do pronto-socorro, mas os
demais pacientes não deixaram e mobilizaram a Polícia
Militar.
O
encanador disse aos repórteres que durante sete dias
consecutivos levou Fátima até o pronto-socorro, onde
os médicos apenas davam soro à paciente e a
liberavam depois.
Ontem à
noite, segundo Aderson, os médicos não deram soro à
mulher e disseram que o caso dela não tinha mais como
ser tratado lá. Disseram ainda que ela deveria
esperar por uma ambulância para ser levada a outro
hospital. Nesse entretempo, Fátima morreu.
Estado
de São Paulo
20/05/2005
Correios
têm ''prejuízo potencial '' de R$ 21 milhões
CGU
investiga superfaturamento em contrato com empresa de
transporte aéreo
BRASÍLIA
- O contrato da Empresa de Correios e Telégrafos
(ECT) com a empresa Skymaster Airlines - que faz
transportes aéreos - deu um ''prejuízo potencial''
de R$ 21 milhões ao governo federal. Este é o cálculo
feito pelos auditores da Controladoria-Geral da União
(CGU) que analisaram as contas dos Correios.
O relatório
sobre a auditoria nas contas dos Correios deve ser
finalizado até o mês que vem. Os auditores estão
destrinchando as contas para definir claramente a
forma que os contratantes teriam utilizado para
desviar recursos.
Uma das
suspeitas é que a Skymaster transportou ''encomendas
fantasmas'' para os Correios. A outra hipótese é que
os preços foram superfaturados em relação ao que o
mercado cobrava, entre 2001 e 2002.
Para
especialistas que acompanham a investigação nos
Correios, o esquema sugere o envolvimento de funcionários
da própria ECT, que teriam concordado com a
justificativa da empresa aérea para cobrar valores
acima dos de mercado.
Um dos sócios
da Skymaster Airlines, João Marcos Pozzetti, afirmou
que vai provar que não houve superfaturamento de preços
e nem transporte fantasma de encomendas.
Pozzetti
acredita que o cálculo da CGU pode ter sido feito a
partir de uma comparação sobre a variação dos preços
dos serviços da própria Skymaster à ECT, que caíram
para a metade.
O empresário
afirmou que entre o fim de 2001 e 2003, a Skymaster
recebia por mês R$ 8,7 milhões para recolher e
distribuir encomendas em oito capitais, um valor total
de R$ 208 milhões em dois anos.
Em 2004,
a mesma Skymaster passou a distribuir as mesmas
encomendas, no mesmo roteiro, por R$ 4,4 milhões
mensais, quase a metade do valor anterior.
- A
Varig baixou muito o preço no leilão público para
2004, jogou um preço predatório e tive de acompanhar
a queda do valor, para manter a minha estrutura, mesmo
sabendo que teria prejuízo - conta Pozzetti.
Ele
afirmou que manter o contrato com a ECT era uma
necessidade da companhia, para não ter de desmontar
uma estrutura em várias capitais, que incluía
manutenção e contratação de mecânicos. Pozzetti
afirmou que a Skymaster apostava no reajuste do
contrato ao longo de 2004. Ele afirmou que não
impetrou ação na Justiça para tentar subir o preço
''predatório'' por ser cliente da ECT e acreditar na
negociação.
O
suposto ''prejuízo'' que Pozzetti alega ter tido com
a prestação de serviços à ECT atinge a cifra de R$
21 milhões, o mesmo valor adotado como ''prejuízo
potencial'' para o governo, encontrado na auditoria da
CGU. Pozzetti afirmou que a Skymaster colocou à
disposição da ECT um Boeing 707 e um DC-8. O último
contrato da empresa com a ECT foi finalizado em
dezembro de 2004, mas só agora a Skymaster está
analisando a hipótese de medida judicial para receber
o tal prejuízo.
A
Skymaster nasceu em 1995, mas seu primeiro vôo
aconteceu em 1997. Quatro sócios da empresa, entre
eles Pozzetti, colocaram no negócio R$ 100 mil cada.
A Expresso Lucatti, o quinto sócio, entrou com R$ 150
mil, totalizando R$ 550 mil. O crescimento da empresa
foi promissor, pois sete anos após seu primeiro vôo,
a Skymaster tem hoje quatro aviões Boeing 707 e três
DC-8. Pozzetti garante que a empresa não teve
contatos com o então chefe do Departamento de
Administração e Compras de Material dos Correios,
Maurício Marinho, que foi filmado cobrando propinas.
Ele garante ainda que a empresa nunca financiou
campanhas políticas.
O
primeiro contrato da Skymaster com os Correios, diz
Pozzetti, foi em 2000, assinado em forma de ''emergência'',
instrumento pelo qual os órgãos públicos costumam
fugir das licitações. O segundo foi em 2001, em
forma de pregão, e o terceiro em 2003, em licitação
pública, segundo informou Pozzetti. A sede da
Skymaster fica em Manaus.
Jornal
do Brasil
20/05/2005
CPI
dos Correios começa a se materializar
O
requerimento para criação da comissão parlamentar
mista de inquérito (CPMI) para investigar denúncias
de corrupção nos Correios será lido na próxima
quarta-feira (25), em sessão do Congresso Nacional (Câmara
e Senado). A decisão foi tomada pelos presidentes do
Senado, Renan Calheiros (PMDB), e da Câmara, Severino
Cavalcanti (PP). Segundo Cavalcanti, “os deputados e
senadores que quiserem retirar as assinaturas do
requerimento podem fazer isso até quarta-feira, assim
como os que quiserem assinar podem fazer”. Para criação
da CPMI, além da coleta de pelo menos 171 assinaturas
de deputados e 27 de senadores, a secretaria das Mesas
da Câmara e do Senado têm de conferir a
autenticidade das assinaturas. Depois disso, o
requerimento terá de ser lido em sessão do Congresso
e publicado no Diário Oficial da Casa. Cumpridas
essas formalidades, o presidente do Senado solicitará
dos líderes partidários a indicação dos
parlamentares para compor a CPMI. No caso desta comissão,
serão 15 deputados e 15 senadores titulares e igual número
de suplentes. Depois de lido o pedido, não podem ser
incluídas, nem retiradas as assinaturas.
O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia,
disse que o governo está pressionando parlamentares
da base aliada para que retirem sua assinatura do
requerimento. Já o vice-líder do PT, Chico Alencar,
alega desconhecer a pressão do governo para esvaziar
a instalação da CPMI dos Correios. Dezoito deputados
petistas assinaram o requerimento para instalação da
CPMI.
Quatro deputados do PL já retiraram assinatura do
pedido de instalação da CPMI: Inaldo Leitão (RN),
Hamilton Casara (RO), Wellington Roberto (PB) e
Wellington Fagundes (MT). Hoje, mais dois deputados,
Álvaro Dias (PDT-RN) e Marcelo Ortiz (PV-SP),
assinaram o requerimento. No Senado, assinaram ontem o
pedido de abertura da CPMI Sérgio Zambiasi (PDT-RS),
Marcelo Crivela (PL-RJ), Aelton Freitas (PL-MG) e
Magno Malta (PL-ES), além do líder do governo no
Congresso, Fernando Bezerra (PTB-RN).
Polícia Federal ouvirá envolvidos no esquema
A Polícia Federal (PF) deverá intimar para depor,
ainda esta semana, Maurício Marinho, ex-chefe do
departamento de contratação dos Correios, acusado de
envolvimento num esquema de fraude em licitações
criado por servidores públicos do alto escalão
federal supostamente indicados pelo PTB. A PF deverá
chamar para depor também o ex-diretor de Administração
dos Correios Antônio Osório Batista, a quem Marinho
estava subordinado. No decorrer da apuração, a PF
decidirá se existem ou não indícios suficientes
para intimar o presidente do PTB, deputado Roberto
Jefferson (RJ), apontado por Marinho como chefe do
esquema de irregularidades. O Ministério Público
Federal também instaurou inquérito e deverá fazer
uma devassa nas declarações de renda dos servidores
acusados.
Comissão investigará privatizações do governo FHC
O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti
(PP-PE), anunciou que vai instalar, na próxima terça-feira
(24), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para
investigar a privatização da Eletropaulo e as
privatizações do setor elétrico no governo Fernando
Henrique Cardoso. A CPI foi criada no ano passado,
seus integrantes indicados pelas lideranças, mas até
hoje não começou a funcionar. Severino resolveu
instalar a CPI por pressão do PSDB e do PFL, que
reagiram à declaração do vice-líder do governo,
Beto Albuquerque (PSB-RS), que desafiou a oposição:
se querem mesmo investigar, deveriam também apurar as
privatizações do governo passado. Foi um recado para
o PFL e o PSDB, que defendem a criação de CPI para
apurar as denúncias de corrupção na Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
“Vamos instalar o mais rápido possível a CPI. Se
dentro de mais alguns dias não houver o
funcionamento, tomarei as medidas para que seja feita
a instalação da CPI”, afirmou Severino. “Quero
saber se isso (declaração do vice-líder) é uma
chantagem ou se é mesmo para valer. Não vamos
aceitar instrumento de chantagem”, afirmou o líder
do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ), que ameaçou
impedir a votação de medidas provisórias enquanto a
CPI do setor elétrico não começar a funcionar.
“Essa CPI do setor elétrico está criada desde o
ano passado, mas a maioria dos deputados é do governo
e eles não estão presentes à Comissão para dar quórum”,
disse o líder do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP).
Já o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia
(PT-SP), subiu à tribuna para garantir que o governo
não fez obstrução ao funcionamento da CPI do setor
elétrico. “Houve oito tentativas dessa comissão se
reunir e, em sete delas, a reunião foi cancelada. No
dia 4 de maio foi aberta a sessão e 16 deputados da
base do governo estavam presentes e apenas três da
oposição apareceram. Se alguém estava fazendo
obstrução não era o governo”, afirmou Chinaglia.
Em nota oficial o PFL e o PSDB afirmaram que “não
se sujeitarão a qualquer manobra ou expediente de
intimidação por parte do governo Lula e seus
aliados, concordando, desde já, acerca da instauração
de outros inquéritos parlamentares, propostos que
visem elucidar fatos ocorridos em administrações
anteriores.
Jornal
do Comércio
20/05/2005
Chacina:
Justiça aceita denúncia contra 11 PMs
A Justiça aceitou ontem a denúncia, feita pelo
Ministério Público estadual, dos 11 policiais
militares acusados de participação na chacina da
Baixada, ocorrida em 31 de março. Eles foram
denunciados por 29 homicídios duplamente
qualificados: por motivo torpe e sem que as vítimas
tivessem chance de defesa. Os PMs também responderão
a processo por uma tentativa de homicídio duplamente
qualificada — referente a um sobrevivente — e por
formação de quadrilha armada.
Se todos receberem pena máxima pelos crimes, ela pode
chegar a 896 anos de reclusão para cada um. À tarde,
a juíza Maria Elizabeth Louro, da 4 Vara Criminal de
Nova Iguaçu, decretou a prisão preventiva dos 11
acusados.
Juntamente com a denúncia do MP, foram entregues à
juíza os relatórios da Polícia Civil, com 1.060 páginas,
e o da Polícia Federal, com 780. O promotor Marcelo
Neves explicou que todos os 11 policiais foram
denunciados como autores dos crimes. Ele disse que não
há como especificar a participação de cada um.
— E para a Justiça não importa. Todos contribuíram
para o êxito da missão — disse Marcelo Neves, que
assina a denúncia com outros três promotores.
O motivo da chacina ainda é uma incógnita. As
investigações para saber se existe algum mandante
continuam. Mas, segundo os promotores, o crime foi uma
demonstração de força de integrantes de grupos de
extermínio que atuavam na região.
— Eles se reuniram para dizer à comunidade que eram
os donos da localidade — disse o promotor.
Segundo a acusação, ficou comprovado o crime de
formação de quadrilha armada, já que há
estabilidade na relação entre os acusados.
Quarenta pessoas foram arroladas como testemunhas no
inquérito da Polícia Civil assinado pelos delegados
Rômulo Vieira, da Delegacia de Homicídios, e Roberto
Cardoso, da 58 DP (Nova Iguaçu). No inquérito, foram
anexadas 40 armas. Mas, de acordo com exames de balística,
nenhuma delas foi usada nos crimes.
Primeiro interrogatório dos réus será em 3 de
junho
Com a decretação da prisão preventiva, os acusados
ficarão detidos até o dia do julgamento, caso não
sejam beneficiados por hábeas-corpus ou por revogação
da ordem pela própria juíza. Os primeiros interrogatórios
dos réus foram marcados para o dia 3 de junho, às
9h, no plenário do Tribunal do Júri de Nova Iguaçu.
Na justificativa da ordem de prisão, a juíza
Elizabeth Louro disse que a própria condição de
policiais dos acusados mostra a necessidade de eles
ficarem detidos, para que possa haver tranqüilidade
no processo.
“Não bastasse o clamor público e a hediondez dos
crimes em apuração (...), a condição de policiais
que ostentam os acusados encerra circunstância a
evidenciar o risco a que estará sujeita a ordem pública,
caso venham a ser soltos os mesmos, pelo possível
descrédito a que relegaria o sistema de segurança
como um todo”, diz um trecho da justificativa.
O Globo
20/05/2005
Jornada
de Trabalho
O Fórum
Sindical dos Trabalhadores (FST) realizou ontem,
18/05, audiência pública no Senado Federal com a
presença de representantes dos trabalhadores e também
dos empresários. O tema discutido foi a redução da
jornada de trabalho.
Empresários e trabalhadores confrontaram dados que
relatam experiências de redução de carga horária
em outros países. Segundo os empresários, essa decisão
não significa aumento real de empregos formais, o que
pode realmente fazer com que aumente o número de
empregos é uma reforma tributária que diminua a
incidência de tributos para facilitar, via legislação,
a contratação de novos empregados. Desburocratizar o
sistema de contratação de trabalhadores diminuindo a
incidência de impostos é o melhor caminho para o
desenvolvimento do país, segundo os empresários.
Já por parte dos trabalhadores, as pesquisas são
favoráveis á redução da carga horária. Segundo a
representante da CUT isso pode representar a abertura
de mais de dois milhões de novos empregos. Os
trabalhadores entendem que a redução da carga horária
não deve ser discutida visando apenas o aspecto econômico,
pois tal decisão se torna um ganho ao longo do tempo,
gerando inclusão social, que aumenta o consumo e
provoca o desenvolvimento social do país.
Outro aspecto abordado pelos trabalhadores é a questão
da hora-extra. É necessário lei que proíba ou
limite a quantidade de horas-extras. Pesquisa
realizada pelo DIEESE - Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos, mostra que
com o fim das horas-extras, pode-se abrir mais de
duzentos e cinqüenta mil postos de trabalho. Na mesma
pesquisa é verificado que homens negros têm menores
salários, baixa escolaridade, maior idade e são os
que mais praticam a hora-extra. Segundo relato de
representantes dos trabalhadores na reunião, a hora
trabalhada no Brasil é a mal paga.
Os debates continuam hoje, 19/05, na CNTC. Foram
convidados sindicalistas e parlamentares para
discutirem a tramitação do PL 4554/2004, do deputado
Sérgio Miranda (PCdoB/MG), que trata da regulamentação
do artigo 8° da Constituição Federal, e a Proposta
de Emenda Constitucional N° 369/2004, PEC da
“Reforma Sindical”.
Agência
DIAP
18/05/2005
Severino
e líderes participam de café da manhã com Lula
O
presidente Severino Cavalcanti, integrantes da Mesa
Diretora e os líderes partidários da Câmara dos
Deputados participam daqui a pouco de café da manhã no
Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. A sugestão da reunião foi feita pelo
presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti
(PP-PE), que em encontro com Lula na semana passada
recomendou mais diálogo com as lideranças da Casa.
Severino pediu a Lula que o governo busque um
entendimento em torno da votação da reforma tributária
e pare de obstruir as votações da Câmara. Lula não
apenas aceitou a idéia de buscar um diálogo
institucional com a Câmara como encarregou Severino de
fazer os convites.
Severino levará uma pauta de projetos que considera
prioritários para a votação, como o projeto decreto
legislativo que define a pergunta para o referendo sobre
o comércio de armas (PDC 1274/04), e cobrará do
governo uma agenda legislativa para este ano.
Jornal
da Câmara dos Deputados
18/05/2005
Lula
tenta conter a crise
Em dia
tenso, presidente convoca lideranças petistas e
da base aliada, pede unidade, apóia Jefferson e Rebelo
Em momento
delicado do Governo, o presidente Lula demonstrou a
tradicional habilidade política. Ele convocou almoço
com todos os líderes, no Palácio do Planalto,
esvaziando encontro que parlamentares da base aliada
estariam articulando justamente para reclamar mais espaço
na disputa interna com o PT. O objetivo de Lula foi
claro: garantir unidade em um período turbulento, com
denúncias de corrupção envolvendo o PTB.
Ele mandou recado aos petistas: “Se alguém acha que o
Governo é só PT, está enganado”.
No almoço,
Lula reiterou que o ministro-chefe da Coordenação Política,
Aldo Rebelo, fica no cargo e defendeu o presidente do
PTB, Roberto Jefferson (RJ), suspeito de participar de
suposto esquema de cobrança de propina nos Correios.
“Precisamos ter solidariedade com os parceiros”,
declarou, acrescentando que não se pode condenar ninguém
por antecipação. Também garantiu que a relação com
o PTB não vai mudar.
Os líderes
disseram que Lula não falou sobre a CPI articulada pela
oposição. Presente ao almoço, Rebelo foi ao Congresso
acompanhar o discurso de Jefferson, aguardado com
expectativa no Planalto.
A defesa foi considerada satisfatória, mas muitos
entenderam que Jefferson acabou expondo o Governo à
CPI, após anunciar que assinaria o pedido de instalação
da comissão: “Uma CPI é sempre boa para a sociedade,
mas, para o Governo, é sempre ruim”, advertiu o
presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP).
Ontem,
Lula recebeu a doação de um milhão de litros de leite
da empresa Tetra Pak para o programa Fome Zero.
O Dia
18/05/2005
Oposição
consegue assinaturas para CPI
Pedido
de comissão para investigar denúncias na ECT será
protocolado hoje
A oposição
conseguiu o número exigido de assinaturas para
protocolar o pedido de criação da CPI mista dos
Correios. Na Câmara, 176 deputados assinaram (eram
necessárias 171) e, no Senado, 38 senadores apoiaram o
pedido (de um mínimo de 27). Esses números ainda devem
aumentar.
O requerimento deve ser protocolado hoje na Mesa
Diretora do Congresso. Apesar do esforço do governo e
do PT, que tentaram evitar a investigação parlamentar,
o apoio foi conquistado com a ajuda de parlamentares da
base aliada, da dissidência petista e do próprio
presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ),
principal atingido pelas denúncias contra a Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
De acordo com denúncias divulgadas pela revista Veja,
Jefferson seria o suposto comandante de um esquema de
cobrança de propina em negociações com fornecedores
da estatal. Num discurso de 40 minutos, o presidente do
PTB negou as denúncias e se disse prejudicado por
empresas do setor de informática que tiveram interesses
contrariados numa licitação de R$ 35 milhões que foi
cancelada. "Não sou algoz. Sou vítima de um negócio
que não foi feito", afirmou. Ele distribuiu cópias
de dois DVDs contendo a íntegra das gravações.
Roberto Jefferson também disse que Maurício Marinho,
ex-chefe do departamento de contratação e administração
de material dos Correios, nunca integrou os quadros do
PTB. É ele quem cita o nome de Jefferson nas gravações.
Maurício Marinho apresentou uma carta em que admite várias
vezes que errou e pede desculpas. Diz que não é amigo
íntimo de Roberto Jefferson. "Tudo o mais que
possa ter dito não passou de vaidade e uma maneira de
me valorizar profissionalmente", escreveu. Marinho
relatou também que os R$ 3 mil que recebeu não eram
propina, mas adiantamento por uma consultoria que os
empresários que o procuraram (e gravaram o vídeo)
queriam firmar.
A carta de Marinho e a defesa de Roberto Jefferson não
amenizaram a oposição. Para o líder da minoria na Câmara,
José Carlos Aleluia (BA), ficou reforçada a
necessidade de uma CPI. "O discurso trouxe fatos
novos", argumentou Aleluia. "Nós queremos
saber o que aconteceu com a quadrilha que está
instalada lá (ECT)", emendou o líder tucano,
Alberto Goldman (SP). "O discurso foi convincente.
Mas, independente disso, somos favoráveis à investigação",
defendeu o líder do PTB na Casa, José Múcio Monteiro
(PE), que assinou o requerimento.
Jornal de
Brasília
18/05/2005
Além
do Fato: Sem programa nem pudores
O Partido
Trabalhista Brasileiro, batizado em 15 de maio de 1945,
nasceu sob o signo da esperteza. Irmão do Partido
Social Democrático, nem parentes pareciam. Mas a junção
de faces opostas permitia a contemplação do rosto do
pai: Getúlio Vargas. O PSD era a face direita ,
desenhada pelas mãos conservadoras de industriais e
fazendeiros. A face esquerda era o PTB, modelado pelo
proletariado emergente e por tribos de deserdados agora
órfãos do grande cacique.
Imposta
pelo DNA, a parceria funcionou exemplarmente. Em 1950,
sem nunca desafinar, o PSD e o PTB conseguiram seguir
partituras distintas, além de complicadas, que só se
unificavam no desfecho da ópera da volta triunfal de
Getúlio. Em 1955, provaram que haviam sobrevivido ao
suicídio do pai.
Os irmãos
coligados conduziram ao Palácio do Catete o pessedista
mineiro Juscelino Kubitschek, candidato a presidente, e
o vice João Goulart, petebista gaúcho. Atropelados por
Jânio Quadros em 1960, seriam os maiores beneficiários
da renúncia que resultou na posse de Jango. De novo,
sobraçavam obastão de mando. A harmonia durou pouco:
logo sobrevieram cotoveladas que os transformariam em
irmãos desavindos. O golpe de 1964 encontrou-os em
trincheiras antagônicas, prontos para disputar a sucessão
presidencial que não houve. Então, o PTB já exibia
cara de partido.
Tinha um
rascunho de programa inspirado nas chamadas “reformas
de base” endossadas pelo presidente João Goulart. Um
discurso agressivamente nacionalista transformara a
sigla no hasbitat perfeito para numerosos subgrupos da
esquerda brasileira não-comunista.
Figurões
petebistas ocupavam ministérios estratégicos.
Sobretudo, comandavam o poderoso esquema sindical,
manipulado com habilidade e sem escrúpulos por notórios
“pelegos”. O PTB se tornara, enfim, musculoso demais
para conformar-se com o papel de coajuvante.
Virara
protagonista, e assim seria tratado pelos novos donos do
poder. Os castigos infligidos ao PTB foram bem mais ásperos
que os reservados ao PSD. Ironicamente, os irmãos
escalaram juntos o cadafalso erguido, em outubro de
1965, pelo ato institucional que dissolveu as siglas
existentes. E juntos sentiram o baque da guilhotina do
bipartidarismo.
Na terra
arrasada, só póderiam florescer a Arena governista e o
MDB escalado para o papel de oposição. Os mandarins do
PSD não demoraram a entender-se com os quartéis. Os
sobreviventes do PTB refugiaram-se na reserva destinadas
a oposicionistas dispostos a respeitar fronteiras
claramente demarcadas.
Em 1978,
quando o ritmo da abertura política anunciou a iminente
restauração do pluripartidarismo, os velhos partidos
continuaram na tumba. Com uma única exceção: havia
sinais de vida no jazigo do PTB. A exumação constatou
que, em 1965, a cabeça não fora separada do pescoço,
mas dividida em duas metades que sobreviveram em estado
vegetativo. E a ressurreição se consumou.
As duas
metades voltaram à vida já de olho no poder. Uma
mostrava a face de Leonel Brizola, ex-governador gaúcho.
Na outra se reconhecia a ex-deputada paulista Ivete
Vargas. Com a ajuda do general Golbery do Couto e Silva,
principal articulador do governo do general-presidente
João Figueiredo, Ivete venceu a disputa judicial pela
sigla ressuscitada. Ao ganhar a cara de Ivete, o
PTBperdeu a alma.
Sem
programa nem pudores, tem no deputado Roberto Jefferson
sua mais perfeita tradução. O currículo do atual
presidente se afina notavelmente com o perfil de um
partido disposto a qualquer negócio para alojar-se em
lucrativos gabinetes federais.
Jefferson
comandou a "tropa de choque" de Fernando
Collor com uma agilidade espantosa para quem pesava mais
de 150 quilos. Uma cirurgia reduziu-lhe a silhueta, não
o apetite pelo poder. Apoiou todos os governos
seguintes. Hoje é Lula desde criancinha.
O PTB
voltou do Além em forma de zumbi insaciável. Tem o
chefe que merece.
Jornal do
Brasil
18/05/2005
Palocci
defende a política monetária do BC
O ministro
da Fazenda, Antonio Palocci, justificou ontem que o
criticado conservadorismo da política monetária por
parte do Banco Central ocorre para evitar que o País
tenha uma situação difícil de ser revertida, no
futuro. “É preciso compreender o esforço nesta área,
pois muitas vezes fala-se que o Copom (Comitê de Política
Monetária) é radical, excessivamente conservador, mas
é preciso olhar o comportamento efetivo da inflação.
Se o BC não tiver uma postura concreta e objetiva sobre
o comportamento da inflação, sabemos que isto dará
custos ao País, custos, muitas vezes, difíceis de
serem revertidos depois se o descuido ocorrer, no
momento em que a inflação pressiona”. Segundo ele, o
País terá ganhos no longo prazo, resultado este que
garante a manutenção das metas de investimentos.
Na avaliação do ministro, a gradual elevação da taxa
básica de juros, a Selic, para os atuais 19,50%, índice
que pode ser alterado hoje, no segundo dia de reunião
do Copom, não deve implicar em mudanças nas projeções
de investimentos do empresariado. “Não acredito que o
esforço da política monetária faça o empresário,
que avalia a política do longo prazo, desistir de
investimentos porque ele vê que esse procedimento de
ajustes busca o equilíbrio macroeconômico e controle
da inflação”. Palocci acrescentou que o “que dá
consistência ao investimento é saber que no futuro o
Brasil estará equilibrado”.
O ministro da Fazenda defendeu também o câmbio
flutuante que, para ele, é a melhor política para as
contas externas. “O diabo é que o danado flutua,
certamente não vai agradar a todos”, disse. Palocci
referia-se às queixas dos empresários exportadores em
relação à depreciação do dólar em relação ao
real. Para o ministro essa é também a melhor política
para os demais países. “Ela é adotada em
praticamente todos o mundo, salvo algumas exceções,
mas penso que isso será positivo para o andamento da
economia nacional”, analisou.
Pelo seu raciocínio, o próprio mercado irá ordená-lo,
corrigindo-o para um patamar diferente. “É preciso
observar que de 2004 para cá, alguns fenômenos
afetaram as cotações”, disse. Uma delas, segundo
Palocci, foi a mudança do patamar em relação às
outras moedas e a outra foi o efeito do princípio de
isonomia em torno da introdução da alíquota da
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
(Cofins) sobre as importações. “Era um absurdo o
produto importado não pagar Cofins e o produto nacional
ter que fazê-lo. Mas essa correção não é uma mudança
de preço natural do processo econômico, é uma correção
de impostos que estavam desajustados e o câmbio
responde a isso também”, esclareceu.
Palocci deu as informações, logo após discursar para
uma platéia de investidores luso-brasileiros, na sede
da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp/Ciesp). No pronunciamento, ele mencionou os
vários números positivos da evolução econômica do
país como a recuperação da poupança bruta, que
passou de 20,4% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2003,
para 23,2%, em 2004. Observou que, inicialmente, os
grandes alimentadores do crescimento era a demanda
externa por produtos agrícolas e minerais, além de
produtos semimanufaturados e de origem agroindustrial,
mas que nos últimos trimestres, o desempenho da indústria
de transformação e do comércio superou a evolução
registrada pela agricultura. O ministro sinalizou também
que os empréstimos consignados (aqueles com desconto
direto em folha) devem ser mantidos.
Brasil tem o juro mais alto do mundo
Mesmo que a taxa básica de juros (Selic) caia hoje, o
Brasil continua liderando o ranking das maiores taxas de
juros do mundo. Os juros reais brasileiros atuais são
de 13,3% ao ano, bem acima do segundo colocado, a
Turquia (6,6%). Os dados foram divulgados ontem pela
consultoria GRC Visão. “Para que os juros brasileiros
se equiparassem ao da Turquia, seria preciso que a Selic
caísse hoje para 12,4%, o que é impossível”, diz o
economista da GRC Visão, Alexsandro Agostini. Sua projeção
é de que na reunião do Copom de hoje, o colegiado
decida por mais um aumento de 0,25.
IGP-10 de maio tem variação zero e é o menor dos últimos
22 meses
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços -10
(IGP-10) de maio registrou variação zero (0%) ante
alta de 1,17% em abril, o menor resultado em quase dois
anos (22 meses). A inflação de maio contou com uma
queda forte nos preços no atacado. “Houve uma forte
queda dos preços dos produtos agrícolas, de -3,37%,
que foi a mais intensa desde maio de 1999”, explicou o
coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio
Vargas (FGV), Salomão Quadros.
Mesmo com o bom resultado geral, a inflação do varejo
ainda preocupa, pois atingiu em maio o maior resultado
desde abril de 2003, com o Índice de Preços ao
Consumidor-10 (IPC-10) passando de 0,75% em abril para
0,93%. Não foi suficiente para mudar o saldo total, já
que o IPA-10, que tem maior peso no cálculo, passou de
alta de 1,43% em abril para queda de 0,43% em maio, também
o menor resultado desde julho de 2003. O período de
coleta do IGP-10 foi do dia 11 de abril a 10 de maio.
Para Quadros, entre os fatores que levaram ao recuo na
inflação estão a apreciação do frente frente ao dólar,
que puxou para baixo preços de produtos direta ou
indiretamente relacionados à moeda norte-americana, e o
término do “choque dos preços agrícolas” no
atacado, causado por problemas climáticos. “Mas o
fator preponderante no recuo foi provocado mesmo pelos
agrícolas”, avaliou. O economista da FGV explica que
os preços nesse setor passam por um ajuste, visto que
subiram demais na época em dominavam o noticiário as
notícias da forte estiagem na região Sul, que
prejudicou várias lavouras. Como exemplo, citou o caso
da soja, cujos preços passaram de alta de 12,77% em
abril para queda de 8,40% em maio. “Com o fim do
choque dos agrícolas na inflação do atacado, os
efeitos favoráveis do câmbio na inflação, que já
estão ocorrendo há algum tempo, vão ganhar mais
destaque”, disse.
Analistas prevêem queda de investimentos se o Copom
aumentar a Selic hoje
O investimento produtivo em máquinas e equipamentos e
construção civil (Formação Bruta de Capital Fixo -
FBCF), que parece já estar caindo há dois trimestres
consecutivos em relação ao Produto Interno Bruto
(PIB), pode sofrer um novo desestímulo se o Banco
Central aumentar a Selic mais uma vez hoje. A preocupação
é com os efeitos de uma nova alta na taxa de juros básica,
a Selic, de 19,50% para 19,75%. “Acredito que isso
desestimula o investimento por dois motivos: primeiro
que para valores grandes como são os desses
investimentos, em termos absolutos, 0,25% não é tão
pouco assim. Segundo, porque sinaliza um aperto monetário
mais longo”, disse Estevão Kopschitz, do Ipea.
Jornal do
Comércio
18/05/2005
Senado
busca solução para crise em Rondônia
Denúncias
de corrupção nos Correios e em Rondônia mobilizam
parlamentares. Todos defendem a apuração rigorosa dos
fatos. Plenário aprova criação de comissão externa
de senadores que ajude a solucionar crise naquele estado
Após
a invasão e o quebra-quebra promovidos na Assembléia
Legislativa e no Palácio do Governo por manifestantes
em Rondônia, o Senado aprovou requerimento da senadora
Fátima Cleide (PT-RO) para a criação de uma comissão
externa de cinco senadores que ajude a solucionar a
crise institucional no estado. A revolta foi motivada
por denúncias de extorsão envolvendo deputados
estaduais e o governador Ivo Cassol, divulgadas pela TV
Globo.
De acordo com a senadora, a Assembléia Legislativa de
Rondônia não tem condições éticas e morais para
conduzir a retomada da normalidade institucional no
estado. Pelo menos dez deputados estariam envolvidos com
a cobrança de propina mensal de R$ 50 mil para garantir
governabilidade. Fátima Cleide sugere a realização de
eleições para governador e deputado estadual.
A senadora negou que quatro deputados estaduais do PT
tenham assinado o pedido para impedir a veiculação da
reportagem no estado. Conforme sustentou, os petistas
teriam ingressado, na verdade, com medida cautelar para
resguardar a exibição.
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) apoiou a criação
da comissão e manifestou interesse em participar dela.
Virgílio também disse que, se Cassol tiver culpa, será
expulso do PSDB.
Romeu Tuma (PFL-SP) sugere intervenção federal no
estado, mas Demostenes Torres (PFL-GO) considera a
medida inconstitucional. O senador Aloizio Mercadante
(PT-SP) defende novas eleições em Rondônia.
Jornal do
Senado
18/05/2005
Deputados
retiram ação que censurava reportagem
PORTO
VELHO - Depois da péssima repercussão da censura
imposta à TV Globo, os deputados de Rondônia retiraram
ontem a ação judicial que impedia a emissora de
veicular no Estado a reportagem que mostra parlamentares
pedindo propina ao governador Ivo Cassol (PSDB) em troca
de apoio. A própria Globo já havia recorrido à Justiça,
para que pudesse exibir o material.
A proibição
irritou principalmente estudantes. Em muitas escolas a
reportagem foi exibida na última segunda-feira, nos
auditórios, e ontem à tarde alunos foram liberados
para que pudessem participar do protesto na Assembléia
e na sede do governo. Diversas entidades de classe, como
a OAB, divulgaram notas oficiais reclamando da decisão.
Vinte e um
dos 24 deputados foram apontados como autores da ação,
mas nem todos entregaram a procuração ao advogado
Adriano Jennes de Araújo Moreira. Os que não
entregaram disseram que nada tinham a ver com a proibição.
Ontem cedo deputados enviaram correspondência à TV
Globo se explicando.
Argumentavam
que a intenção era "garantir a lisura" da
apuração das acusações e asseguraram que as denúncias
que aparecem na reportagem serão apuradas e que a lei
será cumprida, mesmo que isso represente a perda de
mandatos.
Por último,
deputados pedem ajuda para moralizar a política em Rondônia,
mostrando a situação de Cassol, que foi denunciado
pelo Ministério Público Federal ao Superior Tribunal
de Justiça por formação de quadrilha, fraude a licitações
e contrabando de diamantes da Reserva Indígena
Roosevelt.
Tribuna da
Imprensa
16/05/2005
Reforma
Sindical
Com a
participação do DIAP, a deputada federal Alice
Portugal (PCdoB/BA) vai realizar hoje, segunda-feira,
16/05, seminário para debater a reforma sindical e seu
impacto sobre a organização dos trabalhadores.
O Diretor de Documentação do Departamento, Antônio
Augusto de Queiroz vai representar o órgão nesse
seminário, que ser realizado no auditório da Escola de
Administração da Ufba (Universidade Federal da Bahia),
às 9h.
Agência
DIAP
16/05/2005
Infraero
diz que aeroportos do País funcionam normalmente
Brasília
- A Infraero
divulgou em seu portal na Internet nota do presidente da
empresa, Carlos Wilson Campos, afirmando que os 66
aeroportos do País sob sua administração funcionam
normalmente, sem problemas operacionais, apesar da
paralisação de 48 horas anunciada pelo Sindicato
Nacional dos Aeroportuários (Sina). "Os vôos
nacionais e internacionais estão no horário", diz
a nota.
Até o
momento, o Sina não tem uma avaliação da paralisação
nos aeroportos. Além do Aeroporto de Cumbica, em São
Paulo, o Juscelino Kubitschek, em Brasília opera
normalmente, segundo informações da Infraero naquele
terminal. Nem as partidas nem as chegadas estão
atrasadas, informam os técnicos, o que indicaria
normalidade de operação também nos outros terminais.
Carlos
Wilson está em Recife, de onde reafirmou que o governo
desistiu de promover qualquer forma de privatização de
seu capital. "Como todas as empresas estatais
brasileiras, a Infraero também foi convocada a
participar do esforço para o aumento do superávit primário,
meta primeira do Ministério da Fazenda. Neste sentido
fomos obrigados a promover fortes cortes de custeio, o
que nos obrigou a buscar formas de capitalizar a
empresa", afirma Campos.
"Por
orientação do próprio presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, estudamos uma forma de aporte do Fundo Nacional
de Desenvolvimento, que já é sócio da empresa
(11,2%)". O Tesouro Nacional é o acionista majoritário,
com 88,8%.
Carlos
Wilson informa que ainda negocia com o governo a aplicação
do novo plano de cargos e salários reivindicado pela
categoria, mas não dá nenhum sinal de que vá negociar
ou avançar em outras das exigências como a mudança da
data-base para 1º de maio.
Estado de
São Paulo
16/05/2005
Servidores
pressionam para derrubar veto ao reajuste
Sindicato
da categoria ameaça recorrer ao Supremo para acelerar a
votação
OSindicato
dos Servidores do Legislativo e do Tribunal de Contas da
União (Sindlegis) marcou para esta semana encontro com
os presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE),
e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para pressionar
pela derrubada do veto presidencial ao reajuste de 15%
para o funcionalismo do Legislativo. Os sindicalistas
ameaçam, como último recurso, entrar na Justiça
exigindo a apreciação do veto.
"Nosso foco central é fazer com que esse veto seja
derrubado", afirmou Ezequiel Nascimento, presidente
do sindicato. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
vetou, na quarta-feira, os projetos de aumento. O
argumento é que isso poderia causar um efeito cascata
em outros segmentos que resultaria em um gasto extra de
R$ 11 bilhões ao governo, além da falta de verba no Orçamento
destinada ao reajuste.
Para derrubar o veto presidencial são necessários os
votos de 257 dos 513 deputados e de 41 dos 81 senadores.
Há mais de 400 vetos presidenciais na fila aguardando
deliberação no Congresso. "Estamos estudando
entrar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal
Federal assim que for convocada uma sessão do
Congresso", disse Ezequiel.
ImpactoO Ministério do Planejamento estima que o
impacto nas contas públicas do aumento salarial para os
servidores do Legislativo seria de R$ 1,3 bilhão até o
final do mandato de Lula. Os dados, divulgados pelo líder
do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP),
calculam em R$ 577 milhões o custo para este ano,
subindo, em 2006, para R$ 590 milhões, devido à
implementação do plano de reestruturação de carreira
do TCU, além de R$ 132 milhões retroativos a 2004.
"Não havendo previsão de receita para essa
despesa continuada, o aumento não pode,
constitucionalmente, ser autorizado", declarou
Mercadante.
Senadores preparam levantamento sobre quantos projetos
do governo criaram despesas que não estavam previstas
no Orçamento como forma de rebater o argumento usado
para o veto.
Além disso, a Câmara está retomando as discussões
sobre a implantação do plano de carreira de seus
funcionários, cuja implantação o governo ficou de
estudar. O plano chegou a ser esboçado, mas foi
descartado porque sairia mais caro que o reajuste.
Jornal de
Brasília
16/05/2005
Reforma
pára e velhos costumes não mudam
Mudanças
no sistema político hibernam na Comissão de Constituição
e Justiça
BRASÍLIA
- Congresso parado, projetos importantes
emperrados, relações políticas costuradas em cima da
troca de favores são o retrato fiel de um sistema político-partidário
que se esgotou. Todos os atores envolvidos propagam, aos
quatro ventos, a necessidade de uma reforma política
para reconstruir esse cenário.
As idéias
centrais do projeto que foram ventiladas até agora no
Parlamento propõem lista fechada, fim das coligações
proporcionais, cláusula de barreira para evitar
partidos de aluguel e financiamento público de
campanha. A solução, contudo, é quase utópica, já
que a reforma hiberna na Comissão de Constituição e
Justiça da Câmara, com chances quase nulas de ser
votada.
- As
pessoas têm medo de perder o poder que ostentam hoje.
Reforma política só se faz com o confronto - resumiu o
deputado Chico Alencar (PT-RJ).
Como
toda mudança estruturante, os efeitos concretos seriam
visíveis apenas ao longo do tempo. Mas poderiam ser
decisivos na formação das alianças eleitorais com
vistas às eleições majoritárias. Os partidos que
selassem o pacto de união teriam que se manter fiéis
um ao outro e, mais importante, aos princípios
norteados por programas e idéias, durante toda a gestão
vitoriosa nas urnas.
Esse
compromisso político seria fundamental para que os
governos pudessem, de fato, colocar em prática as
promessas de campanha. E por outro lado, mexer em
estruturas consideradas ultrapassadas como o sistema de
tributos, do Judiciário e leis trabalhistas, por
exemplo.
O
presidente eleito teria consciência do tamanho da sua
base de apoio, que não ficaria suscetível a ser
desmantelada por qualquer crise circunstancial de
relacionamento como ocorre no momento com Lula.
- É
uma questão de governabilidade - definiu o cientista
político David Fleischer.
Segundo
ele, enquanto o país tiver um modelo partidário e
eleitoral estruturado em cima de personalidades ou
caciques políticos, como é hoje, as relações entre
Executivo e Legislativo serão sempre instáveis.
- É
preciso que haja um sistema construído em cima de
programas e fidelidade à legenda, ou os partidos não
terão controle sobre os parlamentares - acrescenta o
professor Fleischer.
Um
retrato fiel é a luta para a aprovação da reforma
tributária no Congresso. O governo reuniu os 27
governadores, levou-os ao Congresso com as alterações
propostas embaixo do braço e, passados mais de dois
anos de mandato, o impasse persiste.
O PMDB,
que se diz aliado do Planalto, deixa seus governadores
fecharem um acordo para apoiar uma proposta defendida
pela oposição. Outras reformas, como a trabalhista,
sequer chegam ao Parlamento, tamanha a confusão que
provocam entre os partidos de sustentação de Lula.
A
reforma política também protegeria o eleitor em sua
condição essencial ao exercício da cidadania: a
legitimidade do voto. Hoje o eleitor não exerce mais
controle sobre os caminhos do voto depositado na urna,
entende a cientista política Lúcia Hipólito.
As
distorções na vontade do eleitor são freqüentes e
estão presentes de Norte a Sul do país. Com o voto
proporcional, por exemplo, o eleitor corre o risco de
votar na deputada comunista Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e
eleger o diametralmente oposto, em idéias e concepção
política, deputado Jair Bolsonaro (PFL-RJ). Com a lista
fechada e o fim das coligações proporcionais, essa
distorção seria corrigida.
A atual
crise em que está mergulhada a articulação política
do governo com o Congresso também é reflexo dessa
salada partidária, cujas cores e sabores dependem do
humor de quem está negociando nos dois lados do balcão.
Na maioria das vezes, o que está em questão é o que o
detentor da caneta tem a oferecer, em emendas
parlamentares ou em cargos.
- Do
jeito que funciona o modelo brasileiro, o presidente tem
sempre de estar adubando a sua base. Tem gente que chama
isso de fisiologismo - brinca Fleischer.
Jornal do
Brasil
16/05/2005
Flagrante
em Rondônia
O
flagrante de deputados estaduais negociando propinas com
um governador de Estado foi exibido ontem pelo programa
Fantástico, da Rede Globo. Dizendo-se refém de uma
acirrada disputa política motivada por esquemas de
corrupção, o governador de Rondônia, Ivo Cassol
(PSDB), utilizou uma câmera escondida para gravar as
propostas feitas por deputados que lhe fazem oposição
na Assembléia Legislativa daquele Estado e o acusam de
não repassar verbas previstas no orçamento de 2004
para os poderes estaduais. O governador, que está ameaçado
de impeachment, apresentou as imagens e afirmou que
todos os governadores sempre foram reféns da Assembléia.
Nas imagens, sete parlamentares aparecem pedindo propina
para amenizar a oposição ao governador. Eles pedem um
pagamento mensal de R$ 50 mil.
Zero Hora
16/05/2005
Marcha
Nacional pela Reforma Agrária
O
papel de conscientização política da Marcha Nacional
Debater
e estudar temas importantes relacionados à Reforma Agrária
e à soberania nacional. Este também é o papel da
Marcha Nacional pela Reforma Agrária. Todas as manhãs,
os participantes caminhavam rumo à Brasília. Já no
acampamento, depois do almoço, um descanso para repor
as energias e no período da tarde, debates e estudos.
Divididos em grupos, homens e mulheres se colocam para
refletir e discutir assuntos imprescindíveis para a
conscientização política.
Cartilhas,
documentos e palestrantes são os instrumentos usados
para o estudo. Os convidados falavam na rádio Brasil em
Movimento por volta de 40 minutos, colocando ao final da
exposição uma questão para o debate. Depois disso, os
participantes se organizavam em grupos para discutir o
assunto. Nos dias em que não havia a presença de
convidados, são usadas cartilhas e documentos.
Segundo
Adelar Pizetta, coordenador do setor de formação, a rádio
tem um papel extremamente importante em todo este
processo. “Se não tivéssemos a rádio, não
conseguiríamos realizar atividades para esta quantidade
de pessoas. Foi um aprendizado para todos nós, perceber
como o rádio pode cumprir um papel extremamente
importante na conscientização política”.
Os
documentos sobre a Reforma Agrária (tanto os do governo
como os dos movimentos sociais) e os porquês da realização
da Marcha Nacional já foram discutidos. “Nosso
objetivo é mostrar aos trabalhadores e trabalhadoras as
diferentes propostas que existem sobre a Reforma Agrária”.
A proposta da elite para o campo, o agronegócio também
foi estudado, assim como transgênicos, Alca, IV Semana
Nacional Brasileira, imperialismo, meio ambiente, água,
conjuntura política nacional e Projeto Popular.
Pizetta
conta que existem outros momentos de formação,
idealizados já com a Marcha em curso. “Introduzimos
na parte da manhã, enquanto os marchantes estão
caminhando, programas curtos com temas relacionados ao
próprio MST e também de sua organização”.
“Já
percebemos que o nível de consciência e de participação
dos marchantes cresceu. Nos chamou a atenção também a
disposição dos trabalhadores e trabalhadoras em
desenvolver as atividades da Marcha”. Esta disposição
pode ser comprovada na vivência do dia a dia das
caminhadas e do acampamento. “Estou muito feliz de ter
participado deste trabalho da Marcha. Estou aprendendo
muito nos momentos de formação”, afirmou a
trabalhadora rural da Paraíba, Maria de Nazaré
Nascimento, que acampada, espera seu pedaço de terra há
dois anos.
Fonte:
Site do MST
11/05/2005
Cúpula América do
Sul-Países Árabes mobiliza debates
Deputados
de vários partidos destacaram em plenário a reunião de
cúpula entre países da América do Sul e do mundo árabe,
que teve início na segunda-feira, em Brasília. O
deputado Jamil Murad afirmou que a reunião revela a
disposição do Brasil em romper com o imperialismo
norte-americano e que sua rea-lização é uma vitória da
nova política externa brasileira, “cuja mudança
consiste em sair da tutela americana e em ter relações
privilegiadas com países em desenvolvimento, procurar
alternativas, novos caminhos”.
Pelo PSDB, o deputado Jutahy Junior protestou contra o
fato de o Congresso não ter funcionado ontem, lembrando
que não se tratava de uma reunião de chefes de estado,
mas de uma reunião comercial. Para ele, a política
externa do atual governo é feita de forma “amadorística,
vinculada a um sentimento de exibicionismo”.
Em resposta a Jutahy, o deputado Maurício Rands disse
que, ao longo do Governo Fernando Henrique Cardoso, “a
política externa não se caracterizou pela altivez nem
pela inserção soberana”. “O Brasil hoje não dialoga
ajoelhado diante das nações industrializadass, o diálogo
não é apenas norte-sul. A Cúpula América do Sul- Países
Árabes é parte de uma nova estratégia, um diálogo sul
a sul”, acrescentou.
As atividades do Congresso foram suspensas ontem em
atendimento a um pedido feito pelo presidente da República
aos presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti, e do
Senado, Renan Calheiros. No âmbito do Executivo, o ponto
foi facultativo em Brasília em razão do forte esquema de
segurança montado para a cúpula, que criou dificuldades
no acesso à Esplanada dos Ministérios e ao Congresso. Em
conseqüência, o Jornal da Câmara não circulou no dia
de ontem.
Jornal da
Câmara dos Deputados
11/05/2005
Veneno em pizza foi de
brincadeira
Jovem confessa crime e
pede pizza mista na hora do almoço
Elisângela Maria de Araújo,
a Milica, 21 anos, ex-namorada de Cosme Pereira, confessou
ontem à polícia, ter mandado as pizzas que intoxicaram
nove pessoas no Colégio Jatobá, em Petrolândia, PE. Ela
afirmou ter tido uma desilusão amorosa, pois Cosme não
queria reatar o namoro. Mas em novo depoimento afirmou que
tudo foi uma brincadeira. Elisângela teve prisão temporária
decretada pela Justiça.
A ex-namorada mandou uma pizza para Paulo Henrique da
Silva, de 16 anos, acompanhada de um bilhete de amor para
despistar. As duas pizzas foram compradas num
supermercado. Ela misturou o veneno – um pesticida agrícola
– na maionese e espalhou sobre o recheio. “Foi uma
resenha, né”, disse ao ser questionada sobre as
intoxicações.
Ontem, na hora do almoço, Milica pediu aos policiais uma
pizza mista de mussarela, frango e calabresa. “Essa é
boa porque não tem gosto de veneno”, comentou rindo. A
polícia acha que ela está encobertando alguém já que a
letra dela não é a mesma do bilhete.
O Dia
11/05/2005
Um dia marcado
por protestos
Protestos
marcaram o primeiro dia da Reunião de Cúpula América do
Sul - Países Árabes. Na cerimônia de abertura do
evento, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães,
aconteceu uma manifestação em apoio à luta pela
liberdade de expressão de mulheres árabes. À tarde foi
a vez de um grupo de homossexuais de Brasília deixar o
seu recado.
O ato organizado por ONGs que participam da Comissão de
Direitos Humanos da OAB-RJ, realizado na manhã de ontem,
envolveu além dos coordenadores do protesto, oito
mulheres vestidas com burcas pretas, roupas típicas das
mulheres árabes. Em silêncio e segurando faixas, elas
pediam o fim da opressão às mulheres dos países árabes.
O protesto terminou com elas queimando três burcas ao
lado do Centro de Convenções, sob os olhos atentos de um
verdadeiro aparato de guerra montado pela segurança do
evento. Helicópteros, policiais militares, Cavalaria e
seguranças particulares cuidaram para que as
manifestantes não invadissem a área que dá acesso ao
Centro de Convenções.
Por voltas das 17h30, o Grupo Homossexual Estruturação,
que tem sede em Brasília, organizou um apitaço em frente
ao Palácio do Itamaraty. De acordo com o presidente da
entidade, Welton Trindade, a intenção não era protestar
contra os acordos comerciais entre os países, mas sim,
contra a falta de apoio e de política do governo
brasileiro em relação aos homossexuais .
terrorO Centro Simon Wiesenthal, ONG judaica dedicada a
combater o anti-semitismo, vê margem para interpretações
favoráveis ao terrorismo nos discursos apresentados pelos
participantes da Cúpula América do Sul-Países Árabes.
Representantes da ONG estão em Brasília como
observadores anônimos e têm mantido contato com chefes
de governos participantes para modificar o tom dos
discursos oficiais na cúpula.
"O discurso que estou ouvindo aqui é perigoso",
diz o argentino Sergio Widder, que está em Brasília
desde segunda-feira.
Jornal de
Brasília
11/05/2005
Mercosul assina acordo
com países do Golfo
Documento formaliza
interesse em parcerias econômicas
BRASÍLIA - O
ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assinou
ontem pela manhã o Acordo-Quadro de Cooperação Econômica
entre Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo. O
documento formaliza o interesse dos dois blocos em
parcerias nas áreas econômica, comercial, técnica e de
investimentos.
- É um
grande e pioneiro acordo. Muitos países querem assinar
parcerias com o Golfo, por motivos óbvios, e o Mercosul
é o primeiro a fazê-lo - afirmou o ministro.
Amorim
disse acreditar que os países do Golfo - Arábia Saudita,
Bahrein, Catar, Kuwait, Iêmem e Omã - firmaram o acordo
pois o Mercosul é uma união aduaneira, com tarifas
comuns negociáveis.
Se as
negociações dos blocos se mostraram promessa de bons negócios
para o Brasil, a Feira de Investimentos, que acontece em
paralelo à Cúpula, enfrentou mais um dia de
esvaziamento.
O que era
para ser um ponto de encontro de empresários, acabou se
transformando em cartão de apresentação de nações.
Pouco mais de 50 pessoas passeavam pelos stands, a maioria
funcionários de embaixadas e do Itamaraty. Das cinco
salas reservadas no Centro de Convenções Ulisses Guimarães
para apresentação de propostas de investimentos, apenas
três tinham quorum, e mesmo assim muito baixo, entre 10 e
30 participantes.
Mesmo com
os corredores vazios, árabes e latino-americanos viram a
iniciativa brasileira com bons olhos. Charbel Haddad,
presidente da Câmara Brasil-Líbano, disse que tanto a Cúpula
de chefes de Estado e governo, como a Feira de
Investimentos, puderam aproximar o conhecimento do
brasileiro, que é um primeiro passo para o investidor.
- Não se
investe naquilo que não se conhece. O Líbano tem US$ 3
trilhões para investir, em função de negócios
desfeitos, e o Brasil se mostrou um país sério que
merece mais atenção da nossa parte - afirmou.
Haddad
disse que seus ''irmãos de pátria'' tinham uma visão
equivocada da situação brasileira, que só pôde ser
modificada com a visita.
- Esta é
uma primeira aproximação. Eles conheciam do Brasil
apenas futebol e carnaval. Agora, puderam ver que é um país
sério e que pode ser atraente nos negócios. E o melhor:
que está aberto para tomar mercados de quem desfez negócios
com o Líbano - disse.
Hoje, as
exportações brasileiras participam de pouco menos de 5%
dos US$ 10 bilhões importados anualmente pelo Líbano. Na
lista de compras daquele país estão café, carne,
frango, madeira e produtos odontológicos.
Jornal do
Brasil
11/05/2005
Maciel
pede mais integração entre países do Mercosul
A
importância do Mercosul para o Brasil e a necessidade de
aumentar a cooperação entre os países que o integram
foram ressaltadas ontem pelo senador Marco Maciel
(PFL-PE). Ele pediu que a diplomacia brasileira procure se
espelhar nos exemplos do Barão do Rio Branco – que foi
ministro das Relações Exteriores durante 12 anos no início
do século 20 –, a fim de que esse objetivo seja alcançado
e para que o projeto do Mercosul não fracasse.
– Espero que o governo confira ao Mercosul a relevância
que ele tem para o nosso país e para o processo de
integração regional – declarou, recordando que o Barão
do Rio Branco, "ao estabelecer os paradigmas da política
externa brasileira, determinou como um de seus fundamentos
a atenção ao Rio da Prata".
Ele destacou que a criação do Mercosul, iniciada em
1988, gerou a expectativa de produzir um processo de
integração entre os países-membros, trazendo benefícios
políticos, econômicos, sociais e culturais. O senador
ressalvou que essa integração parece estar ameaçada
pelo descaso do atual governo em relação à região.
Maciel comparou a história das relações entre os países
platinos com as relações entre os países europeus. Para
ele, nos dois casos, a posse de rios e pedaços de terra
às vezes provocava grandes rivalidades, mas também
tinham "o potencial de proporcionar uma integração
efetiva e profícua".
Jornal do
Senado
11/05/2005
Lula
comedido, Chávez à vontade
Estrela
de uma cúpula histórica, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva abriu o encontro entre líderes sul-americanos e
árabes com uma retórica até tímida para o tom da
festa. Na cerimônia, destacaram-se a polêmica nos
discursos árabes, a antipatia do argentino Néstor
Kirchner e o alarde provocado pelo venezuelano Hugo Chávez,
único a levantar a platéia.
Lula fez o discurso mais curto. E para não fugir ao tom
cuidadosamente planejado, surpreendeu ao deixar de lado as
improvisações. Leu todo o texto, que destacava o caráter
político do encontro e a necessidade de uma mudança na
geografia do poder mundial. Foi aplaudido pelo menos cinco
vezes, inclusive quando disse que a América do Sul
compartilha com o mundo árabe uma série de valores, como
"a tolerância e o culto à diversidade". Lula
falou três vezes em democracia, ao lado de representantes
de países que não prezam com tal zelo o significado
desta palavra.
Alto escalão do Planalto compareceu em peso
Se o brasileiro parecia comedido, Chávez estava à
vontade. Enquanto as outras autoridades eram chamadas pelo
microfone, ele ria e cochichava com o representante do
Catar, sentado ao seu lado, o emir Hamad bin Al-Thani.
Além de deixar claro que cúpulas não combinam com sua
personalidade, Kirchner também evidenciou que a irritação
com o protagonismo brasileiro não é mera retórica.
Diante dos elogios ao Brasil, Kirchner era o único a não
aplaudir. Enquanto o presidente do Peru, Alejandro Toledo,
discursava, o argentino se levantou e desceu do palco. O
motivo? Ir ao banheiro, despistaram assessores. Na platéia,
autoridades do Itamaraty cochicharam e exibiram
desconforto. O assessor especial para assuntos
internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia,
levantou-se, falou ao telefone e, por fim, também começou
a circular na platéia. Kirchner voltou a tempo de ouvir
Toledo dizer que a cúpula reflete a liderança de Lula.
Todos aplaudiram, menos o argentino, que apoiava o rosto
nas mãos. A reunião não parece tê-lo agradado. À
tarde, Kirchner fez as malas e foi embora.
O alto escalão do Planalto compareceu em peso ao evento.
Sentados nas primeiras filas, eles reagiram com discrição
às críticas desferidas pelos árabes a Israel. Do outro
lado, a claque de Chávez aplaudia, em especial quando o
presidente interino da Liga Árabe, o argelino Abdelaziz
Bouteflika, declarou:
- Há um direito do povo palestino de ter um Estado
soberano, com capital em Jerusalém. E Israel deve se
retirar dos territórios ocupados.
Zero Hora
10/05/2005
Ponto
facultativo para Poder Legislativo e TCU
Os
presidentes da Câmara e do Senado atenderam ao pedido
formulado pelo Poder Executivo e decidiram cancelar o
expediente desta terça-feira.
A dispensa decorre da impossibilidade de se chegar às
dependências do Congresso Nacional em razão do bloqueio
imposto pela segurança da Cúpula América do Sul - Países
Árabes, evento que se inicia às 9 horas, em Brasília.
A previsão é de que a partir de quarta-feira o
funcionamento de ambas as Casas volte a ser normal,
inclusive com votações em plenário.
No Tribunal de Contas da União também será ponto
facultativo nesta terça-feira.
Os atendimentos realizados nas salas do Sindilegis
localizadas na Câmara, SEEP e TCU serão centralizados na
Sede do sindicato - telefone 225-3060.
Fonte:
Sindilegis - VM
10/05/2005
Presidente
da CPI das armas pede mudanças no sistema prisional
O
presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do
Tráfico de Armas, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), pediu
uma reformulação nas leis que regem o sistema
penitenciário. A defesa foi feita na semana passada,
após depoimentos de presidiários cariocas aos membros da
CPI. Na audiência, os deputados constataram que, mesmo
atrás das grades, os criminosos comandam o tráfico de
armas e drogas e interferem na distribuição de
condenados pelos presídios do Rio de Janeiro. Segundo
ele, a CPI vai propor várias medidas para que as
secretarias de Justiça ou de Supervisão Penitenciária
possam retomar o controle das penitenciárias.
Dos quatro presidiários ouvidos, dois chamaram a
atenção da CPI. Um deles, o traficante Marco Antônio
Tavares, o Marquinho Niterói, está no presídio de
segurança máxima Bangu I, de onde fez uma encomenda de
400 fuzis AK-47, de alto poder de fogo, para abastecer
várias favelas. Ele chegou a admitir que os agentes
penitenciários são coniventes com a entrada de armas e
drogas. “Se o presídio não der maconha aos presos,
não tem tranqüilidade”, afirmou. No entanto, o
criminoso irritou os deputados com um comportamento
cínico e irônico diante das perguntas, disse sofrer de
amnésia e negou envolvimento com o tráfico.
Já Osvaldo Ferreira Oliveira, também preso no Complexo
Penitenciário de Bangu, é acusado de comprar armas no
Paraguai para abastecer a facção criminosa Terceiro
Comando. Ele também negou envolvimento com o crime
organizado, mas admitiu ter sido levado para um presídio
onde só existem presos do Terceiro Comando. Segundo o
detento, esse procedimento é comum no Rio de Janeiro,
onde os condenados são distribuídos para os presídios
de acordo com a facção a que pertencem.
Outro depoimento foi de Wilson Vasconcellos, preso no
Complexo de Bangu sob a acusação de fornecer para
traficantes de drogas arma e munição provenientes do
Paraguai, do Uruguai e da Argentina. A polícia investigou
também sua participação na venda de drogas em Portugal,
em um esquema para trazer armas de lá para o Brasil.
Vasconcellos afirmou que só participava da venda de
drogas. “Cometi um deslize, mas nunca faria nada
envolvendo arma nem munição”, disse à CPI.
O presidente da CPI avaliou que o depoente demostrou ser
um sujeito frio e despreocupado com as instituições.
“Ele fala até com desprezo, porque tem certeza de que
daqui a quatro anos estará solto”, observou. Torgan
declarou que o papel da CPI é assegurar que isso não
ocorra.
Jornal
da Câmara dos Deputados
10/05/2005
PM captura 27
foragidos da Febem Tatuapé
São Paulo - Somente
à 1h30 da madrugada desta terça-feira o clima voltou à
normalidade no complexo Tatuapé da Febem, na zona leste
da Capital. Durante todo o dia de ontem, houve muita tensão
e, à noite, a cena que se via era de uma praça de
guerra. A Tropa de Choque da PM permaneceu no interior de
algumas das unidades até o início da madrugada.
Segundo informações de
policiais militares da 4ª Companhia do 8º Batalhão,
apesar de não ter ocorrido uma fuga em massa, por volta
das 21h de ontem, a Tropa de Choque teve de agir com muito
rigor. Um total de 27 adolescentes, entre 15 e 17 anos,
havia sido recapturado até às 3 horas de hoje.
Os PMs usaram balas de
borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. A
polícia também informou que houve reféns, mas o número
ainda não foi divulgado. Um dos internos foi visto em um
terreno baldio na Avenida Salim Farah Maluf, após
conseguir escapar da Unidade 4 por um bueiro.
O menor disse que estava
tomando banho quando teve início a confusão nas Unidade
1 e 4. O tumulto se espalhou para as Unidades 19 e 23. O
clima de tensão no complexo foi gerado por uma revista
geral feita pela PM. Foram encontrados com os adolescentes
21 celulares 14 carregadores, 2 martelos, 1 alicate, 7
chaves de fenda, 65 naifas (facas improvisadas) e 20
barras de ferro.
Estado
de São Paulo
10/05/2005
ACM diz em TV da
Bahia que "Lula sempre foi enganador"
Para ele, "a política
econômica está ótima, mas apenas para os banqueiros
O presidente
da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado,
Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), chamou, ontem, em
Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de
"enganador", numa entrevista ao vivo concedida
ao programa "Balanço Geral", da TV Itapuã
(afiliada à Rede Record de Televisão), um dos líderes
de audiência ao meio-dia na capital baiana. ACM usou o
termo ao se referir também aos deputados federais do PT
do Estado, que estariam "enganando" os eleitores
por causa do atraso na liberação de verbas pelo governo
federal para o metrô da cidade.
"Quando o Lula engana, não surpreende, pois sempre
foi enganador, mas, quando esses que estão junto dele
querem enganar não sabem fazer como ele (Lula): ele,
realmente, engana e engana bonito com aquele palavreado
que o povo acredita e tal e não faz nada", atacou,
desafiando os petistas a apontar "alguém do povo
brasileiro que esteja satisfeito com o governo Lula".
Para ACM, a política econômica do governo está ótima,
mas apenas para os banqueiros. Uma outra suposta
"enganação" atribuída ao presidente por ele
é o projeto de transposição do Rio São Francisco.
"Lula dizia que isso era coisa de picareta e é mesmo
é para dar dinheiro a empreiteiro", disse,
insinuando que esses empresários, em troca, ajudariam na
campanha da reeleição do presidente. "Não só do
Lula como aqueles que o acompanham", reforçou.
perdãoO apresentador do programa, Raimundo Varella,
confessou ter votado no presidente por influência de ACM,
o que o fez lhe pedir desculpas.
"Nós dois erramos, mas você errou por minha causa
e, por isso, quero pedir desculpas, pois já pedi ao povo
brasileiro: ninguém esperava que (a administração
federal) fosse tão ruim. "Apesar das críticas, o
presidente da CCJ do Senado afirmou que, como presidente
da comissão, não prejudicará o Poder Executivo federal,
"mas não vou beneficiar como ele deseja",
observou, acusando Lula de pretender parar a Câmara e o
Senado com as medidas provisórias (MPs) e depois culpar
deputados e senadores pelo "marasmo" do
Congresso.
As declarações de Antônio carlos Magalhães acirram
ainda mais o clima de campanha que se instalou no País.
Políticos de todos os partidos já trabalham com a
possibilidade de lançar candidaturas para o pleito de
2006.
Jornal
de Brasília
10/05/2005
Maciel
pede mais integração entre países do Mercosul
A
importância do Mercosul para o Brasil e a necessidade de
aumentar a cooperação entre os países que o integram
foram ressaltadas ontem pelo senador Marco Maciel
(PFL-PE). Ele pediu que a diplomacia brasileira procure se
espelhar nos exemplos do Barão do Rio Branco – que foi
ministro das Relações Exteriores durante 12 anos no início
do século 20 –, a fim de que esse objetivo seja alcançado
e para que o projeto do Mercosul não fracasse.
– Espero que o governo confira ao Mercosul a relevância
que ele tem para o nosso país e para o processo de
integração regional – declarou, recordando que o Barão
do Rio Branco, "ao estabelecer os paradigmas da política
externa brasileira, determinou como um de seus fundamentos
a atenção ao Rio da Prata".
Ele destacou que a criação do Mercosul, iniciada em
1988, gerou a expectativa de produzir um processo de
integração entre os países-membros, trazendo benefícios
políticos, econômicos, sociais e culturais. O senador
ressalvou que essa integração parece estar ameaçada
pelo descaso do atual governo em relação à região.
Maciel comparou a história das relações entre os países
platinos com as relações entre os países europeus. Para
ele, nos dois casos, a posse de rios e pedaços de terra
às vezes provocava grandes rivalidades, mas também
tinham "o potencial de proporcionar uma integração
efetiva e profícua".
Jornal
do Senado
10/05/2005
Oposição
protesta contra ponto facultativo por causa de Cúpula
BRASÍLIA
- Sob protestos da oposição, o Congreso não funcionará
hoje devido à Reunião de Cúpula América do Sul-Países
Árabes. O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, divulgou
nota oficial informando que será ponto facultativo também
para os funcionários públicos da Casa. Antes, a decisão
de tornar facultativo o expediente de hoje para os funcionários
da Câmara havia sido divulgada em nota do presidente da
Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE). Nos termos de um acordo
entre as presidências da Câmara e do Senado, apenas os
serviços essenciais do Congresso, como os de limpeza e
manutenção, deverão funcionar hoje.
Amanhã,
o horário de funcionamento voltará ao normal. Apesar de
hoje ser um dia de pouca atividade no Congresso,
oposicionistas protestaram no Senado contra o ponto
facultativo, adotado a pedido do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
O líder
do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), qualificou a decisão
de "provincianismo" e disse que manter as
atividades seria "uma oportunidade" para chefes
de Estado que governam países em regime ditatorial
"aprenderem" com a democracia brasileira.
"Imagine se Nova York parasse toda vez que chefes de
Estado fossem para lá", comparou. O senador Álvaro
Dias (PSDB-PR) afirmou que o ponto facultativo é
"mais um mau exemplo" do Congresso, que tem
"baixo prestígio" com a população.
Tribuna
da Imprensa
10/05/2005
Brasília
está blindada
O
governo adotou medidas extraordinárias de segurança para
a Cúpula América do Sul-Países Árabes, que se inicia
hoje
LETÍCIA
SANDER
/ Agência RBS/Brasília
Disposto
a reduzir ao máximo o risco de possíveis atentados
terroristas aos participantes da Cúpula América do
Sul-Países Árabes, hoje e amanhã, em Brasília, o
governo federal adotou medidas de segurança jamais vistas
na Capital Federal.
O espaço aéreo de Brasília, pela primeira vez na história
da cidade, fundada em 1960, foi fechado ontem. Só são
permitidos na área vôos acima de 3 mil metros de altura.
Amanhã, quando as delegações começam a se despedir, o
esquema será repetido.
- É o primeiro evento dessa magnitude em Brasília. A
quantidade de chefes de Estado, de autoridades e de delegações
passou a exigir essa preocupação - explicou na tarde de
ontem o general Orlando Pamplano, coordenador da segurança
do evento.
Além da segurança brasileira, cada delegação teve
direito de trazer um número determinado de seguranças e
de armas - o que não impediu pelo menos um mal-entendido.
As armas dos seguranças do presidente do Iraque, Jalal
Talabani, foram retidas na Base Aérea de Brasília,
porque não haviam sido registradas na organização do
evento.
A delegação iraquiana também detonou outra polêmica.
Fontes da Polícia Federal (PF) dizem que Talabani veio
acompanhado de cinco agentes do FBI, a polícia federal
americana. O governo dos Estados Unidos havia pedido ao
Brasil para enviar um observador ao evento, mas o
Itamaraty negou a solicitação.
Em outra medida preventiva contra ataques terroristas ou
tentativas de tumultuar a cúpula, a Polícia Federal
rejeitou o credenciamento de mais de cem pessoas, entre
elas 20 estrangeiros, interessadas em prestar serviços
durante a reunião. Todos os integrantes do grupo
respondem a inquéritos ou processos por crimes. A
suspeita é de que alguns estariam tentando infiltrar-se
no quadro de prestadores de serviço para atacar líderes
da cúpula.
Alertas sobre supostos terroristas chegam à PF
A Polícia Federal vem recebendo, há mais de um mês,
alertas de agências estrangeiras de inteligência e até
do FBI sobre o deslocamento para o Brasil de pessoas
supostamente vinculadas a grupos terroristas. Alguns
desses suspeitos já foram localizados e estão sendo
acompanhados pela PF.
Desde sábado, os engarrafamentos viraram rotina em Brasília.
Hoje, a cidade vai parar. Por conta da confusão no trânsito,
o governo decretou ponto facultativo nas repartições públicas.
Congresso, os ministérios e o Judiciário não deverão
funcionar.
Desacostumados a enfrentar engarrafamentos, os
brasilienses demonstram irritação com os batedores da
Polícia Rodoviária Federal, que interrompem o trânsito
constantemente para permitir o deslocamento das delegações,
que só circulam escoltadas. Também por segurança, as
delegações nunca andarão em comboios.
Com a chegada, no final da manhã de ontem, de algumas
delegações que eram aguardadas logo cedo, o bairro do
Lago Sul ficou ilhado. As três pontes que ligam a área
habitacional mais nobre da cidade, onde residem ministros
de Estado e embaixadores de vários países, foram
bloqueadas por mais de uma hora, impedindo que os
moradores deixassem o bairro.
Hoje, para chegar até o centro de eventos onde ocorre a
abertura da cúpula, jornalistas e convidados terão de
deixar os carros a uma distância de 500 metros do prédio.
O perímetro será fechado com arame farpado e blindados.
A última vez que Brasília viu tantos militares nas ruas
foi em 25 de abril de 1984, quando o governo federal impôs
medidas de emergência na capital durante a votação da
emenda das eleições diretas para presidente.
Zero
Hora
04/05/2005
Serviço
público
Segundo
informações da Agência Informes do PT, o deputado
Orlando Fantazzini (SP) apresentou projeto alterando a Lei
Complementar nº 101/00, para que os gastos com provimento
de cargos em comissão e de livre provimento não sejam
superiores a 5% do somatório dos gastos com pessoal
efetivo. Na opinião do parlamentar, a criação
desenfreada de cargos comissionados na administração pública
está permitindo que se incentive o nepotismo em todas as
esferas do Poder Público.
"A ausência de uma política clara para o serviço público
brasileiro tem gerado vícios e práticas contrárias aos
princípios constitucionais", entende o parlamentar.
Fantazzini acredita que é preciso que a administração pública
federal, assim como a dos estados e municípios, adotem e
reforcem o sistema de carreira como regra geral de
provimento. "Nos países europeus e desenvolvidos
essa prática tem se mostrado como a mais benéfica para a
gestão do Estado", afirmou.
Segundo dados do SIAPE - Sistema Integrado de Administração
de Recursos Humanos, em torno de 40% dos cargos de direção
e assessoramento são providos por indivíduos sem
qualquer vinculação permanente com o serviço público.
Hoje também há quase a metade de cargos comissionados em
relação ao número de cargos efetivos.
Fantazzini ressaltou que com o percentual sugerido será
possível limitar esses cargos para o preenchimento
somente com poucos cargos de direção, confiança e
assessoramento. "Evitaremos assim o preenchimento
aleatório e clientelista que, infelizmente, tem se
tornado prática comum no serviço público
brasileiro", disse ele.
Agência
DIAP
04/05/2005
Pedro
Fernandes diz que excesso de impostos compromete eficiência
O
descontrole de gastos e o excesso de impostos comprometem
a eficiência do Governo do PT, na avaliação do deputado
Pedro Fernandes (PTB-MA). Em sua opinião, o Governo
existe para servir à sociedade e não para servir-se
dela, como está ocorrendo. Para Fernandes, o avanço da
democracia depende da relação do Governo com a
sociedade, relação que já se desgastou com o governo
petista.
A causa do desgaste, a seu ver, está no volume excessivo
da carga tributária, de quase 40% do Produto Interno
Bruto (PIB), que é a soma de tudo que é produzido no País.
“A carga tributária chegou ao limite de sua
legitimidade social e política”, enfatizou. Apesar de
uma elevada arrecadação, as receitas do Governo são
insuficientes para pagar despesas, honrar dívidas e
promover investimentos, o que leva o Governo a financiar o
equivalente a 3% do PIB para pagar contas mensalmente,
acrescentou.
Para o deputado, a carga tributária prejudica a todos os
brasileiros, pois impede a geração de empregos e o
crescimento econômico do País. “Cada recorde de
arrecadação significa mais aperto para a s famílias
brasileiras, que deixam de suprir suas necessidades básicas
para pagar mais impostos”, reforçou.
Fernandes disse que a carga tributária brasileira é
digna de países escandinavos, mas com serviços públicos
dos países africanos mais pobres. Além disso, segundo
ele, quanto mais cresce a arrecadação, mais se
multiplicam os gastos do Governo.
Pedro Fernandes informou que, em dois anos e meio, o
governo do PT criou mais de 2 mil funções gratificadas
para os altos escalões do Executivo, sem que isso
representasse nenhum avanço nos serviços públicos.
“Pelo contrário, emperraram ainda mais a burocracia
estatal”, disse. “Enquanto isso, o cidadão que paga
todas as despesas fica desassistido, sem nenhum benefício
social, sem escola, sem hospitais, sem respeito e sem
dignidade”, arrematou.
O parlamentar acredita que a solução para reduzir os
gastos do Governo é modernizar a administração pública
e aperfeiçoar os modelos de gestão.
Lobbe Neto protesta contra juros altos
O deputado Lobbe Neto (PSDB-SP) citou o lucro do banco Itaú
no primeiro trimestre para protestar contra a política de
juros altos praticada pelo Governo Federal. O banco teve
resultado de R$ 1,140 milhão entre janeiro e março deste
ano. Para Lobbe Neto, quem ganha com os juros altos são
apenas os banqueiros. A população, segundo o deputado, não
encontra crédito mais barato no sistema financeiro. Por
isso, Lobbe Neto condenou a declaração do presidente
Lula, que afirmou que a classe média não procura bancos
que ofereçam taxas mais baixas. O deputado criticou também
a política de câmbio adotada pelo Governo. Ele alertou
que vários empresas exportadoras da área de metalurgia
sofrem prejuízos a cada vez que o câmbio em relação ao
dólar é rebaixado.
Julio Semeghini critica política econômica
Ao lembrar a recente entrevista coletiva do presidente
Lula, o deputado Julio Semeghini (PSDB-SP) criticou a
postura do presidente da República que, em sua opinião,
atribuiu a si os bons resultados do Governo e pôs a culpa
pelos seus fracassos no povo brasileiro, “esquecendo que
é ele quem nomeia os membros do Conselho Monetário
Nacional e que é dele a responsabilidade de encontrar
outras formas de combater a inflação e diminuir os
gastos públicos.”
Semeghini lembrou o quinto aniversário de aprovação da
Lei de Responsabilidade Fiscal pelo Congresso Nacional,
que, em sua opinião, contribuiu para a melhoria dos índices
econômicos do País, como a redução do Risco Brasil e a
confiança dos empresários e investidores. A seu ver, o
momento é oportuno para o País avaliar os avanços na
responsabilidade da administração pública e para a
estabilidade da economia brasileira, mas o mérito não é
exclusivo do Governo Federal.
Ele destacou o engajamento de prefeitos e governadores,
como é o caso do governo e das prefeituras do estado de São
Paulo. Segundo ele, na gestão de Mário Covas e de
Geraldo Alkmin, houve significativa contribuição,
sobretudo no que se refere à política de equilíbrio
fiscal, com redução de gastos públicos e sem aumento de
impostos.
O parlamentar acrescentou que o estado de São Paulo, que
enfrentava problemas de receita, a partir das administrações
Covas e Alckmin, alcançou equilíbrio fiscal. “A
diminuição dos tributos e maior eficiência na arrecadação
fizeram com que receita tributária aumentasse mais de 60%
no estado”, reiterou.
Semeghini destacou também os avanços na área social no
seu estado, como a implantação do programa de microcrédito,
melhorias nos serviços públicos de saúde, educação,
habitação e saneamento, além de investimentos em ciência
e tecnologia.
Em sua avaliação, ao contrário do estado de São Paulo,
que busca a diminuição da carga tributária, o Governo
Lula “procura, a todo custo, o aumento de tributos,
criando diversas formas de aumentar os impostos, como por
exemplo, a Medida Provisória 232, que tanto desgaste
provocou ao Governo”. Julio Semeghini salientou que
falta autocrítica ao presidente, que, em sua opinião,
precisa reavaliar sua política e assumir suas
responsabilidades.
Jornal da
Câmara dos Deputados
04/05/2005
ELEIÇÕES
PSDB se une para atacar Lula
Indecisos sobre o candidato à
sucessão presidencial, caciques tucanos se concentram em
Brasília, sob comando de Fernando Henrique, para cobrar
respeito do governo à Lei de Responsabilidade Fiscal
A
cúpula do PSDB tem um encontro marcado, hoje, em Brasília,
para comemorar os cinco anos da Lei de Responsabilidade
Fiscal. “O encontro também é uma oportunidade para
cobrar do governo Lula o cumprimento da lei”, anuncia o
presidente nacional do partido, senador Eduardo Azeredo. O
seminário será bem mais do que isso: os tucanos estão
numa encruzilhada eleitoral, em que o candidato
considerado a bola da vez para a disputa da Presidência
da República, o governador Geraldo Alckmin (SP), não
decola nas pesquisas de opinião; para o confronto com o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato das
ruas é José Serra, hoje amarrado à cadeira de prefeito
de São Paulo.
O dilema dos tucanos já havia sido detectado antes, pela
equipe do governador paulista, preocupada com o fato de
que a candidatura de Alckmin à presidência da República
estava sendo alavancada quase exclusivamente pelo prestígio
do governador em seu próprio estado. O problema
agravou-se depois da derrota sofrida pelo PSDB na eleição
para a presidência da Assembléia Legislativa de São
Paulo, quando a bancada petista apoiou a eleição de um
candidato do PFL, deputado Rodrigo Garcia, até então
aliado do governador.
Como o vice-governador Claudio Lembo é do PFL — partido
que lançou previamente candidato próprio à Presidência
da República, o prefeito carioca Cesar Maia —, tucanos
paulistas alojados no Palácio dos Bandeirantes começam a
especular que talvez seja melhor o governador desistir da
candidatura e concentrar seu esforço na escolha do
sucessor. A definição do candidato tucano a governador
é outra complicação, pois pleiteiam a vaga os secretários
de Educação, Gabriel Chalita, e de Segurança Pública,
Saulo de Castro Abreu Filho, o vereador da Capital José
Aníbal e o secretário de governo de José Serra na
Prefeitura de São Paulo, Aloisio Nunes Ferreira.
As conversas nos corredores do Palácio dos Bandeirantes
sobre as dificuldades da candidatura de Alckmin serviram
apenas para colocá-la em xeque no próprio partido,
inibindo-a e confinando-a ainda mais. Na cúpula do PSDB,
o problema é minimizado com o argumento de que o partido
esbanja candidato. “Não precisamos ter pressa, temos
excelentes nomes para disputar a eleição, como os
governadores Geraldo Alckmin e Aécio Neves e o senador
Tasso Jereissati”, sustenta o senador Eduardo Azeredo,
presidente do PSDB..
O resultado do imobilismo de Alckmin está surgindo nas
pesquisas de opinião realizadas pelos tucanos em todo o
país: o melhor nome para enfrentar o presidente Lula com
chance de derrotá-lo é o de José Serra. Principal
adversário do PT nas eleições passadas, o prefeito
paulista aparece quase sempre em segundo lugar nas
pesquisas, à frente de Anthony Garotinho, do PMDB, e
Cesar Maia, do PFL; em alguns municípios, bate o
presidente Lula. É por isso que a cúpula petista,
inclusive, evitou divulgar detalhes da pesquisa que
realizou recentemente e resolveu tocar “reunir”. A
divisão petista pode resultar num desastre eleitoral para
o presidente Lula.
O prefeito José Serra avalia que deixar a prefeitura de São
Paulo para ser candidato a presidente é um suicídio. Por
isso, o PSDB ouvirá hoje de Fernando Henrique a afirmação
de que precisa afinar o discurso e colocar o bloco na rua
logo, para viabilizar uma candidatura competitiva à
Presidência, aproveitando a estrutura poderosa que o
partido tem em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás,
Paraíba, Ceará, Goiás, Pará e Rondônia, além de
candidaturas competitivas no Amazonas e em Tocantins. Para
FHC, a melhor opção ainda é o governador paulista
Geraldo Alckmin sair da toca, com apoio de todos. A não
ser que o governador mineiro Aécio Neves resolva entrar
na disputa pra valer.
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Não precisamos ter pressa,
temos excelentes nomes, como os governadores
Geraldo Alckmin e Aécio Neves e o senador Tasso
Jereissati 
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Senador
Eduardo Azeredo (MG), presidente do PSDB
Festa
pela preservação do discurso
O encontro de hoje dos tucanos de
alta plumagem com o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso, em Brasília, tem também um objetivo imediato:
impedir que o PSDB perca o seu discurso de campanha,
pois bandeiras do partido que levaram o presidente
Fernando Henrique Cardoso duas vezes ao Palácio do
Planalto estão sendo assimiladas pelo PT. Uma é a
defesa do real, que o presidente Lula encampou ao pregar
com toda ênfase o combate à inflação; outra, a
responsabilidade fiscal, isto é, o esforço de governo
para gastar menos do que arrecada.
A continuidade da política econômica de Fernando
Henrique e seus fundamentos pela equipe do ministro
petista Antônio Palocci, da Fazenda, sempre foi tratada
com ironia pelos tucanos, mas agora virou um problema
eleitoral para a cúpula do partido. Fica mais difícil
atacar o governo Lula. Ou seja, os tucanos estão sem
discurso de campanha no terreno que lhe garantiu duas
vitórias eleitorais: o econômico.
É por isso que a paternidade da Lei de Responsabilidade
Fiscal , criada durante o segundo mandato do presidente
Fernando Henrique Cardoso, ganhou tanta importância. A
lei tem como objetivo estabilizar a dívida pública e
disciplinar as finanças governamentais, servindo de
paradigma de competência administrativa. Vinha sendo o
divisor de águas entre tucanos e petistas no Congresso,
na medida em que há um acordo tácito entre ambos
quando o assunto é política monetária.
Não foi à toa, por exemplo, que o líder da bancada no
Senado, Arthur Virgílio, escolheu o ministro José
Dirceu, da Casa Civil, como inimigo principal, ao mesmo
tempo em que trata o ministro da Fazenda, Antônio
Palocci, como se fosse um grande aliado. Em sua palestra
de hoje, Fernando Henrique vai destacar a importância
da LRF para o país; já os economistas José Roberto
Afonso e Martus Tavares, os dois outros palestrantes,
tentarão mostrar que o governo Lula não está fazendo
o dever de casa. (LCA)
Partidos
bloqueiam referendo
O
interesse eleitoral dos partidos gerou ontem uma vítima:
o referendo popular sobre o porte de armas. Em uma
tumultuada sessão da Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) da Câmara, tanto o PT como a oposição
utilizaram o projeto de referendo como moeda para
negociar a votação do projeto que propõe o fim da
verticalização, regra que obriga a reprodução nos
estados das coligações feitas na eleição
presidencial. Com a intensa briga regimental, nada foi
votado na comissão e o embate deve se repetir da reunião
de hoje.
Na semana passada, por um pedido do PT, a votação do
projeto sobre coligações eleitorais foi adiado para
ontem. Os petistas, que já foram contra a medida,
acreditam agora que verticalizar as coligações ajudará
na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Por isso tentam manter a regra. Os demais
partidos querem acabar com obrigação. Como há uma
preocupação com o prazo para realização do referendo
sobre porte de armas, o PT utilizou o tema como mais uma
forma de evitar o fim da verticalização. O deputado João
Paulo Cunha (PT-SP), relator do projeto sobre porte de
armas, pediu prioridade para votação da proposta na
CCJ. Mas o pedido foi rejeitado.
Muitos parlamentares avaliam que só o PT lucrará
politicamente com a aprovação da data para realização
da consulta popular sobre a proibição do porte de
armas. E já previam a utilização, pelo PT, da
proposta de referendo como manobra para adiar a votação
do projeto sobre coligações eleitorais. Por isso, a
oposição propôs um acordo para tentar forçar a votação
do fim da verticalização. O deputado Antonio Carlos
Magalhães Neto (PFL-BA) sugeriu votar o projeto sobre
armas em primeiro lugar, e em seguida o texto que
disciplina as alianças eleitorais. Mas o PT não
aceitou o acordo. Com isso, oposição e boa parte da
base aliada derrubou a idéia de priorizar o projeto de
referendo.
“A culpa é do PT, que não quer votar a verticalização
e com isso impediu o referendo”, acusou ACM Neto. “O
PT queria votar o referendo. O projeto é que foi
utilizado como refém por aqueles que pretendem derrubar
a verticalização”, rebateu João Paulo. A avaliação
do coordenador da área de controle de armas do Viva
Rio, Antonio Rangel, porém, é de que a
responsabilidade é de todos os parlamentares. “Nenhum
dos lados tem razão. Os dois são culpados. Ninguém
deu prioridade para a segurança”, acusou.
A proposta de consulta popular sobre porte de armas está
inscrito como número 39 da pauta da CCJ. Apesar do
atraso, João Paulo avalia que, por enquanto, não há
prejuízos para a votação do referendo. O projeto
precisará ser votado no plenário, que está trancado
por dez Medidas Provisórias (MPs). Além disso, o
presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE),
marcou para hoje o pedido de cassação do deputado André
Luiz (sem partido-RJ) e para a próxima semana as indicações
para ministros do Tribunal de Contas da União (TCU).
“Avalio que o plenário estará liberado em duas
semanas. Precisamos apenas na CCJ ter o pulso do plenário”,
analisou o petista.
Já em relação ao fim da regra de verticalização, não
há sinal de prazo para votação na CCJ. Para evitar a
análise da proposta, após utilizar como obstrução o
projeto de referendo , os petistas usaram o projeto de
reforma política. Com diversas manobras regimentais,
tentaram votar, em primeiro lugar, o conjunto de
projetos com alterações no sistema político-partidário.
“O PT não quer votar a verticalização em separado
da reforma política”, justificou o petista José
Eduardo Cardozo (PT-SP). Com a confusão, os integrantes
da comissão não conseguiram chegar a um consenso sobre
o que votariam ontem.
CorreioWEB
04/05/2005
Emenda
pior que soneto
Severino
tenta explicar declarações sobre estupro,
mas recebe críticas. Bancada vai fazer manifestação
Renata
Giraldi
Em nome de
homens e mulheres, a Bancada de Deputadas e Senadoras,
que reúne 53 parlamentares, fará manifestação formal
contra a declaração do presidente da Câmara, Severino
Cavalcanti (PP-PE), de que “estupro é acidente”.
Pegou mal o comentário dele, mesmo depois de uma
tentativa de conserto ontem: “Acidente é a moça ser
pega desprevenida. Se não entenderam isso, que entendam
agora”, tentou explicar o parlamentar, no dia seguinte
à primeira declaração.
Apesar do
remendo de Severino, os parlamentares e as entidades de
defesa dos direitos das mulheres não aceitaram a definição
do crime de violência sexual dada por ele. “É lamentável
a incontinência verbal do presidente da Câmara. Há
casos em que a palavra é um mau veículo. Mas eu
pergunto: será que os homens pensam assim quando a vítima
é a filha, a mãe ou a mulher?”, reagiu a deputada
Denise Frossard (PPS-RJ).
Bancada
quer votar projeto sobre violência doméstica
Já a
deputada Iara Bernardi (PT-SP) acrescentou que o empenho
da Bancada das Mulheres será votar até o fim do ano o
projeto que qualifica como crime a violência doméstica,
punindo rigorosamente os responsáveis: “Essa será a
nossa resposta para uma declaração tão infeliz e ridícula
como a do presidente”.
Ana Maria Wilhein, do Centro Feminista de Estudos e
Assessoria, organização não-governamental, defende a
punição de Severino. “É deplorável um
representante público se posicionar dessa maneira.
Comentários repletos de preconceitos e ignorância”.
Advogado criminalista há mais de 30 anos, o deputado
Vicente Cascione (PTB-SP) também condenou Severino.
“Acompanhei vários casos de vítimas de estupro. A
pessoa nunca mais se recompõe”.
O Dia
04/05/2005
Cargos
no governo ainda dividem aliados
Base
reage a atraso nas nomeações planejadas para o segundo
escalão
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou no mês
passado um acordo com o presidente do PTB, Roberto
Jefferson, como forma de compensar a reforma ministerial
planejada, mas não executada. Pelas negociações, o
partido teria direito a indicar apadrinhados para
diretorias de empresas estatais, entre elas Furnas e
Correios.
O presidente do partido, conforme informaram lideranças
ligadas ao Palácio do Planalto, disse a Lula que os
integrantes da legenda eram fiéis nas votações, que
ele não cobrou um outro ministério na reforma e mesmo
assim não tinha um contrapartida. Em resposta, o
presidente teria feito uma lista de reivindicações que
seriam imediatamente aceitas.
No entanto, até agora, o acordo não foi cumprido. Um
parlamentar do PTB tentou indicar um diretor para uma
estatal hierarquicamente controlada pelo Ministério das
Comunicações, mas o titular da pasta, Eunício
Oliveira, disse que, mesmo sendo um compromisso do
presidente Lula, esperaria a resolução de problemas
com PMDB, que também não ficou satisfeito com as mudanças
nos ministérios, para depois levar as indicações
adiante. O mesmo está acontecendo com os demais cargos.
PP e PMDB Depois de resolvido o problema com o PTB, o
presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti
(PP-PE), será chamado a indicar o diretor de Exploração
da Petrobras, hoje ocupada por um petista.
Um congressista governista que tem acompanhado as
negociações afirmou que o governo tem deixado claro
que a indicação é da cota pessoal do presidente da Câmara,
e não do PP, o que pode acarretar um problema
semelhante ao vivido pelo governo para indicar Roseana
Sarney.
Jornal de
Brasília
04/05/2005
‘Acidente
horrendo’
Isabel Braga e Maria Lima
BRASÍLIA
A Câmara dos Deputados comemorou ontem o Dia do
Parlamento oferecendo um pacote indigesto à opinião pública:
a Mesa Diretora da Casa arquivou pedido de sindicância
contra o deputado Pedro Corrêa (PE), presidente do PP,
partido do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti
(PE). Corrêa é acusado de envolvimento com a máfia
dos combustíveis e de contrabando de cigarros. A decisão
ainda abriu caminho para a possível absolvição, hoje,
do deputado André Luiz (sem partido-RJ), acusado de ter
tentado extorquir R$ 4 milhões do bicheiro Carlinhos
Cachoeira. Para piorar, o deputado Ronivon Santiago,
também do PP de Severino, cassado ano passado, continua
no cargo com todos os benefícios de um parlamentar.
Severino, que na véspera causara polêmica ao chamar o
estupro de “acidente horrendo”, negou ontem interferência
na decisão da Mesa que livrou Corrêa de uma investigação
e de um processo que poderiam resultar na cassação de
seu mandato. Neste caso, foi de caso pensado:
— A Mesa Diretora tem seis deputados. Todos votaram
sim (pelo arquivamento). Eu não votei. Será que tenho
um poder tão grande assim? Apenas respeitei a decisão
da maioria.
Cinco votaram pelo arquivamento
O parecer pelo arquivamento foi assinado por cinco
deputados da comissão que analisou as denúncias: Osmar
Serraglio (PMDB-MG), Paulo Rocha (PT-PA), Nárcio
Rodrigues (PSDB-MG), Ricarte de Freitas (PTB-MT) e
Nilton Capixaba (PTB-RO). Segundo Capixaba, a comissão
teve acesso apenas a um trecho da fita — hoje em poder
do Supremo Tribunal Federal — em que há um diálogo
entre duas pessoas que comprometeria Corrêa.
— Como vamos indiciar alguém quando só temos um
trecho de uma fita de uma pessoa comentando sobre eles?
Faltaram provas — disse Capixaba, segundo-secretário
da Mesa.
— Não há como fazer um julgamento político diante
de um parecer técnico contrário assinado por vários
deputados, inclusive o líder do PT (Paulo Rocha) —
acrescentou o quarto-secretário João Caldas (PL-AL).
Apesar de favoráveis ao arquivamento, quatro
integrantes da Mesa — três com direito a voto —
fizeram ontem apelo para adiar a apreciação do relatório
sobre Corrêa. Queriam evitar que a decisão pudesse
contaminar a votação, hoje, do processo de cassação
do deputado André Luiz.
A questão foi levantada pelo primeiro vice-presidente,
José Thomaz Nonô (PFL-AL), e apoiada por Capixaba, Mário
Hering (PDT-MG) e Geraldo Resende (PPS-MS).
Ao sair do Palácio do Planalto, onde participou de
reunião com os ministros Antônio Palocci (Fazenda) e
Aldo Rebelo (Coordenação Política), Corrêa disse que
a Mesa da Câmara fez justiça ao arquivar o processo
contra ele.
‘Não há quase virgens’, diz relator
É com meses de atraso que o plenário da Câmara vota
hoje o processo de cassação do deputado André Luiz. O
clima ontem entre parlamentares do Rio e também no
gabinete do relator do processo, Gustavo Fruet
(PSDB-PR), era de desânimo. O relator diz que são
fortes as articulações para salvá-lo, principalmente
por parte da bancada evangélica e de integrantes do
PMDB ligados ao ex-governador Anthony Garotinho.
— Uma soma de fatores nos leva a acreditar que a cassação
está em risco. Há em alguns setores um forte receio de
que ele caia atirando, de que ele tenha até outras
gravações comprometendo mais gente. Nos depoimentos, o
tempo todo André Luiz lançou insinuações intimidatórias
contra o Carlos Rodrigues e o pessoal do Garotinho. O
Severino que me perdoe, mas não há quase virgens nem
quase quebra de decoro. Um deputado pediu dinheiro para
influenciar em uma CPI. Se o plenário não cassá-lo,
está liberando a extorsão no Legislativo — disse o
relator Gustavo Fruet.
Nos bastidores, a informação ontem era de que foi
feito um arranjo dos aliados de André Luiz que, temendo
retaliações, teriam prometido aprovar o nome de
Augusto Nardes (PP-RS) para o Tribunal de Contas da União
em troca do apoio do PP contra a cassação.
Hoje, antes da sessão, André Luiz participa de um
culto evangélico ministrado pelos deputados pastores na
Câmara. A família dele — mulher, irmãos e filhos
— está desde o início da semana procurando os
deputados e fazendo forte apelo emocional para que não
votem pela perda do mandato. Há ainda receio de o quórum
baixo impedir a aprovação do pedido de cassação, já
aprovado por unanimidade no Conselho de Ética.
— Se ele não for cassado, a Câmara terá de conviver
com um fantasma da ópera perambulando pelos corredores.
O que vão fazer com o relatório suculento de provas
incontestáveis, com pedido de cassação aprovado por
unanimidade na Comissão de Ética? — diz a deputada
Denise Frossard (PSDB-RJ).
André Luiz parecia tranqüilo ontem. Negou o acerto com
Garotinho e ironizou as noticias de que estaria
intimidando parlamentares. Mas vários deputados do Rio,
que preferiram o anonimato, admitiram que têm medo do
conterrâneo, acusado, em outro processo parado na Mesa
da Câmara, de assassinatos.
— Não precisam ficar com medo de mim não, nunca fiz
mal a ninguém . Acham que sou marginal para dizer que
vou matar os 512 deputados que votarem pela minha cassação?
— reagiu, dizendo que no processo em que é acusado de
assassinato, nada deve. — Não pode ter crime sem cadáver.
O deputado Chico Alencar (PT-RJ), estranhou, ao se
inscrever para falar na sessão de hoje, que não
houvesse ninguém inscrito para defender a cassação.
Segundo o relator Fruet, passado tanto tempo quase ninguém
sabe exatamente porque André Luiz seria cassado nesse
processo de extorsão.
O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) acha que as provas são
irrefutáveis, mas com o voto secreto, tudo é imprevisível.
Para que a votação ocorra é preciso quórum mínimo
de 257 deputados e que a maioria dos presentes decide
pela cassação ou não.
— Será uma desmoralização para a Câmara se ele
escapar. Mas depois que inocentaram o Calazans no Rio e
elegeram o Severino com voto secreto, tudo é possível
— disse Bittar.
O Globo
04/05/2005
Alckmin
critica "custo PT" para o País
PORTO
ALEGRE - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin
(PSDB), criticou ontem o "custo PT" para o País,
durante a participação no 18º Fórum da Liberdade, em
Porto Alegre. O evento é promovido, anualmente, pelo
Instituto de Estudos Empresariais e, tradicionalmente,
reúne pré-candidatos a presidente para discutir temas
econômicos, como, desta vez, o futuro do trabalho.
Para
Alckmin, a taxa de juros alta e o câmbio podem ser
interpretados como o custo PT. "Em tudo, a dose tem
de ser maior para dar o mesmo resultado", avaliou,
afirmando também que o País tem tido dificuldades para
aproveitar o bom momento da conjuntura internacional.
Embora
evitasse falar sobre a possível candidatura a
presidente em 2006, ele fez um discurso ao gosto dos 2
mil participantes do evento, identificados com ideais
liberais.
Lembrou
que o governo de São Paulo não tem déficit fiscal
desde 1995 e que a redução do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) do álcool, de 25%
para 12%, resultou em aumento de 7% na arrecadação
referente ao produto. Foi aplaudido. Desde abril, o Rio
Grande do Sul cobra 5% a mais de ICMS sobre energia,
combustíveis e telecomunicações.
Cláudia
Alckmin
avisou que não tinha ainda um substituto para a
ex-secretária da Cultura do Estado Cláudia Costin. O
governador de São Paulo disse que os motivos para a saída
dela do governo foram pessoais. "Ela é uma pessoa
absolutamente preparada e fez um bom trabalho",
elogiou, comparando a troca a uma corrida de revezamento
em que um dos participantes cumpriu a etapa.
Tribuna da
Imprensa
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