Notícias do dia

31/05/2005

Reforma Sindical

Sob o número de PL 5.275/05, o deputado Marcelo Barbieri (PMDB/SP) apresentou para exame da Câmara dos Deputados um projeto de lei que regulamenta o artigo 8º da Constituição. Pelo projeto e segundo a justificação do autor, “a regulamentação dos princípios constitucionais vigentes deve ter o objetivo fundamental de aperfeiçoar” a organização sindical.

Ainda segundo a justificação do deputado Barbieri, “o objetivo [de ter apresentado] do projeto não foi somente regulamentar o artigo 8º, mas definir responsabilidades aos sindicatos, no intuito de prestarem serviços às respectivas categorias, penalizando os que não se desincumbirem de suas atribuições”.

No aspecto do financiamento da organização sindical, o projeto propõe “a manutenção da contribuição” confederativa e institui a “contribuição de categoria”. Com isso, o deputado argumenta que “procura-se criar um sistema transparente de fiscalização da arrecadação e aplicação das contribuições de natureza sindical, deixando a cargo dos Conselhos Nacional e Estaduais a análise dos orçamentos e balanços das entidades sindicais”.

Agência DIAP


31/05/2005

Schirmer critica desempenho de Lula nas áreas política e social

O deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS) criticou o Governo Lula, ao afirmar que ele é “um fracasso” na política econômica, nos programas sociais e no campo ético. “O Governo Lula acabou antes de ter começado. Já se passaram dois anos e meio e até hoje o Governo não disse a que veio”, ressaltou.
O deputado lembrou que o Partido dos Trabalhadores apresentava-se como o “rei da ética”, prometendo que um outro país era possível. No entanto, disse ele, quando o PT chegou ao poder ocorreu um verdadeiro desastre. “Todo o discurso se resumiu a promessas vãs, a ilusões, fraudando as esperanças e os sonhos do povo, que esperava mudanças”, lamentou Schirmer.
Segundo o deputado, as promessas de campanha de criar 10 milhões de empregos não se concretizaram; o programa Primeiro Emprego deu mais empregos aos dirigentes do programa que aos jovens a quem se destinava; a reforma agrária é uma mentira; o aumento da renda dos trabalhadores não se verificou, e a renda tem caído gradativamente; os aposentados são prejudicados com 11% de desconto em seus contracheques; e os funcionários públicos só tiveram aumento de 0,1%.
O programa Fome Zero, segundo Schirmer, é apenas o nome bonito que o atual governo deu ao conjunto dos programas sociais do Governo FHC. “O Fome Zero hoje é Fome 10 e Demagogia 10, pois ele não funciona, não resolve os problemas dos mais necessitados. É um programa paternalista, uma esmola que fraudou as expectativas de quem acreditou no Governo”, avaliou o deputado.
Na área econômica, destacou o parlamentar, só quem ga-nha no Brasil são os banqueiros, com a política de juros altos – os maiores do mundo – , provocando a transferência da renda de todas as categorias sociais para os donos de bancos. “O ano de 2004 foi o em que mais se pagou juros da dívida interna e externa. O montante chegou a R$ 145 bilhões – recursos que poderiam resolver o problema habitacional brasileiro e proporcionar água e esgoto tratado para todos os domicílios do País”, exemplificou Schirmer.
De acordo com o deputado, o atual crescimento econômico é insignificante, estando abaixo do de todos os demais países em desenvolvimento. “O Brasil é um país que tem tudo, mas se continuar essa política de juros altos, dólar baixo e corrupção desenfreada, essa conjunção de fatores terá conseqüências trágicas”, disse.

Jornal da Câmara dos Deputados


31/05/2005

Nova denúncia de fraude nos Correios

Mais uma denúncia de irregularidades nos Correios. Nesta segunda-feira, a Controladoria-Geral da União descobriu um esquema na compra de 1,5 mil cofres para guardar dinheiro nas agências dos Correios.

Segundo a investigação, o Departamento de Contratação e Administração de Material, dirigido por Maurício Marinho, teria liberado a empresa (vencedora da licitação) a alterar o tamanho dos cofres. Em troca seria dado um desconto.

O investimento custaria R$ 8 milhões. Segundo os auditores, esse desconto nunca foi aplicado e eles pediram uma sindicância para investigar o sistema. A controladoria acredita que essa ligação dos cofres é apenas uma pequena demonstração do esquema dos Correios.

Na edição da Revista Veja dessa semana, a matéria O líder por testemunha aponta que Fernando Bezerra, líder do governo no Congresso, conta como não conseguiu nomear Ezequiel Ferreira de Souza, seu afilhado político, para a Diretoria de Tecnologia dos Correios, enquanto não fosse concluída uma licitação que beneficiaria a empresa Novadata. "Meu depoimento não causa nenhum constrangimento e vou continuar no cargo", afirmou Fernando.

Nesta terça-feira, Fernando Bezerra terá uma reunião com o presidente Luis Inácio Lula da Silva. A empresa Novadata afirma que a criação e a publicação do edital citado na Veja não ocorreu.

O Dia


31/05/2005

Polícia interroga servidores do CESPE

Após o pesadelo, diretor volta à rotina

Em sua primeira aparição pública após ser preso na noite de sexta-feira, o diretor acadêmico do Cespe, Mauro Rabelo, retomou ontem sua rotina como funcionário da instituição e professor do curso de Matemática na UnB. "Apesar do erro, o pesadelo não vai durar muito", disse ele, ao ser recebido, no corredor do Instituto Central de Ciências, o Minhocão, com uma manifestação de apoio que reuniu professores, funcionários, diretores e amigos.

Rabelo lamentou as acusações de Carlimi Argenta Oliveira, que chegou a acusá-lo de ser homem da quadrilha no Cespe, mas voltou atrás durante a acareação com o professor. Carlimi é mulher de Fernando Oliveira, que confessou ter fraudado concursos do Cespe até 2003.

O diretor queixou-se do trabalho da polícia, alegando que os investigadores poderiam ter apurado melhor as denúncias antes de prendê-lo. Na coletiva que concedeu antes de assumir o trabalho no Cespe, Rabelo ainda se prontificou ajudar no que for preciso nas investigações.

vestibularEm relação ao vestibular, o diretor acadêmico do Cespe voltou a garantir que as datas não serão adiadas. "Mas algumas medidas de segurança vão ser adotadas, quem for prestar o vestibular só vai saber na hora", afirmou.

Depois da tormenta de ter enfrentado oito horas de interrogatórios, Mauro Rabelo só quer voltar à sua rotina de trabalho. "Vou para o Cespe e à noite vou dar aula normalmente", comentou. Ele explicou, ainda, que algumas medidas de segurança devem ser repensadas para garantir a credibilidade da instituição. "Vamos acatar um conselho da própria polícia e buscar auxílio de pessoas que são especialistas em inteligência", disse.

Um dos alunos de Engenharia de Redes da universidade, André Felipe Trindade, disse, após o discurso de Rabelo, que a imagem do professor ficou mais forte dentro da UnB.

A decana em assuntos comunitários da universidade, Thérèse Hofmann, acredita que a manifestação em apoio ao diretor do Cespe serviu para mostrar para a sociedade que a UnB continua merecendo respeito. "Não se pode difamar a vida de uma pessoa sem provas", observou. Ela ainda ressaltou que o professor é uma pessoa muito homenageada, e não merecia ter sido tratado da forma que foi.

Mauro Rabelo agradeceu todas as presenças e seguiu com os presentes para sua sala no Cespe.

Jornal de Brasília


31/05/2005

Governo ainda briga para retardar CPI

Daniel Pereira e Paulo de Tarso Lyra

BRASÍLIA - Passado o turbilhão de não ter conseguido retirar as assinaturas para impedir a instalação da CPI dos Correios, o governo busca recuperar o fôlego, usando o regimento para ganhar tempo. A estratégia passa por duas frentes. A primeira é na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que analisará questão de ordem apresentada pelo deputado João Leão (PL-BA), vice-líder do governo na Casa, contra a investigação. A segunda é a falta de pressa para indicar os nomes para compor a CPI. Até ontem, apenas os 10 integrantes da oposição e o senador Valmir Amaral (PP-DF) estavam confirmados.

- Vamos agir como maioria, utilizando todos os dispositivos regimentais que puderem ser usados - disse o líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA).

Líder do PT no Senado, Delcidio Amaral (MS), confirmou a estratégia. Segundo ele, os líderes da bancada governista indicarão integrantes para a CPI só depois da decisão da CCJ. Na tropa palaciana, ainda há esperança de uma decisão pela inconstitucionalidade do pedido de investigação. A alegação é de que não há ''fato determinado'' a ser investigado na CPI. Mas apenas referência a ''atos delituosos praticados nos Correios'' e em outras estatais.

Se a CCJ não sepultar a investigação, o governo quer ao menos restringir a CPI ao suposto esquema de corrupção nos Correios. O presidente da CCJ, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), que assinou o pedido de CPI, não abre mão de sua prerrogativa de colocar a matéria em pauta assim que chegar à comissão, o que ainda não aconteceu. Como o regimento prevê um prazo de três sessões, o petista acha difícil que o assunto seja resolvido esta semana. Biscaia também demonstra cautela na escolha de um nome para relatar o recurso na CCJ.

- Não acho prudente um relator do PT. Até para reforçar o caráter de imparcialidade.

Se o PT pode não ficar com a relatoria na CCJ, não pretende abrir mão de presidir ou relatar a CPI. A semana começa com dois nomes na disputa: João Paulo Cunha (PT-SP) e José Eduardo Cardozo (PT-SP). Os petistas escondem o nome do preferido, entoando loas aos dois candidatos: o primeiro, ex-presidente da Câmara, tem bom trânsito na Casa. Daria grandiosidade ao posto. O segundo, apesar de estar em primeiro mandato, é conhecido pelo seu saber jurídico e foi presidente da Assembléia de Vereadores de São Paulo.

Apesar de o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), recomendar uma composição entre governo e oposição, garantindo a cada um dos lados um dos postos-chave da CPI, aliados ainda nutrem ontem a esperança de comandar os dois postos.

- A idéia é conversar com a oposição e buscar um solução para a presidência e a relatoria indicando bons nomes para que a CPI não fuja do seu objeto - disse Delcidio Amaral, mostrando preferência pela relatoria.

Apesar do discurso diplomático, os governistas têm na manga duas estratégias para ficar com os dois postos. Uma é eleger o presidente da CPI em votação. Como tem maioria na comissão, o Planalto ficaria com o posto, por meio de um senador do PMDB. O presidente eleito, por sua vez, indicaria o relator, que seria um deputado do PT, partido detentor da maior bancada na Câmara.

Jornal do Brasil


31/05/2005

Bezerra não entrega liderança do governo

BRASÍLIA - O senador Fernando Bezerra (PTB-RN) disse ontem que não entregará o cargo de líder do governo no Congresso por causa da reportagem da Revista "Veja" na qual ele atribui a demora da nomeação de Ezequiel Ferreira de Souza na diretoria de Tecnologia dos Correios, afilhado político, a um esquema de licitação fraudulenta na empresa.

"Não vejo razão até agora que me faça entregar o cargo. Não agredi o governo em nada", afirmou Bezerra, antes de se reunir com o chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo, no Palácio do Planalto. O encontro foi rápido e o líder do governo no Congresso reafirmou que pretende permanecer no cargo.

Bezerra chegou ao Congresso por volta das 17 horas e se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o líder do governo na Casa, Aloizio Mercadante (PT-SP).

O líder do governo no Congresso, que passou o feriado prolongado de Corpus Christi no exterior, estava tranqüilo. Deixou claro que as declarações à revista "são imutáveis" em relação às idas e vindas do governo na nomeação do protegido. A interlocutores políticos, Bezerra afirmou que dera a entrevista há 15 dias, quando falou da luta para nomear Souza, primeiro no Banco do Nordeste, depois, nos Correios.

Antes de viajar na quinta-feira, dia seguinte à abertura da CPI dos Correios, o líder ainda tentou, em vão, conversar com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, para saber os verdadeiros motivos que levaram a administração federal a adiar a nomeação.

Mas não conseguiu. Bezerra estava incomodado com a justificativa do ministro no programa "Roda Viva", da Rede Cultura de Televisão, para a não-nomeação de Souza. Dirceu argumentou que a recusa havia sido por motivos de competência técnica.

O líder enfatizou que não se sentia constrangido em permanecer no cargo. "Se eu estivesse constrangido, deixaria a liderança, mas não estou", ressaltou, acrescentando que não fora cobrado de nada pelo Poder Executivo. Bezerra não se responsabiliza pelo conteúdo da carta apócrifa que chegara ao gabinete dele. Nessa nota, segundo relatou a "Veja", a nomeação de Souza não teria se consumado porque havia uma licitação no valor de US$ 56 milhões e que tinha
"um sobrepreço de 20%".

A nomeação do senador do PMDB do Rio Grande do Norte para o cargo de líder se deu dentro da cota do PTB. Petistas tentaram barrá-la porque Bezerra havia sido ministro da Integração Nacional da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas o plano de uma coligação para a disputa do governo potiguar em 2006, que terá como parceiros principais PT, PTB e PSB, abriu o caminho para o senador do PMDB.

Antes, a liderança do governo no Congresso era ocupada por Mercadante, que ontem, nos bastidores, defendeu a permanência de Bezerra.

Tribuna da Imprensa


31/05/2005

Esquerda petista forma bloco e ataca Dirceu

Parlamentares do PT rebateram ontem, mais uma vez, as críticas do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e do presidente nacional do PT, José Genoino.

Em evento de lançamento de um bloco da esquerda petista no Rio, onde estiveram presentes os deputados federais Chico Alencar (RJ), Ivan Valente (SP), Mauro Passos (SC), Doutora Clair (PR) e Maninha (DF), os deputados afirmaram que não temem sofrer punição do partido por terem assinado a CPI dos Correios.

Na semana passada, Dirceu havia dito que os petistas signatários da CPI eram oposição ao governo.

- Não somos oposição ao governo. Eles é que fazem oposição ao programa, à história e à coerência do PT - disse Valente.

Zero Hora


27/05/2005

Líderes fecham acordo para votar MPs - Severino afirma que CPI é direito do parlamentar e faz parte da democracia

Os líderes partidários fecharam, ontem, um acordo para permitir a votação de cinco medidas provisórias nesta semana. Em reunião com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, foi discutida, também, a instalação da CPMI dos Correios, marcada para hoje, no Senado, e da CPI do setor elétrico.
Na avaliação de Severino Cavalcanti, caso as CPIs sejam instaladas, não haverá prejuízo para os trabalhos da Câmara. O presidente ressaltou que o instrumento faz parte do processo democrático e não significa uma tentativa de desestabilizar o governo. “Os parlamentares têm direito de pedir investigações quando acham que é preciso”, afirmou.
A expectativa entre os deputados é de que a CPI do setor elétrico seja instalada na próxima semana, mas o início dos trabalhos ainda depende de um acordo entre base aliada e oposição sobre os nomes para a presidência e a relatoria da comissão.
mp 237
Ontem à noite, foi aprovada no plenário a MP 237/05, que autoriza o repasse de R$ 900 milhões da União aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, com o objetivo de fomentar as exportações do País. O valor será distribuído de acordo com coeficientes individualizados de participação nas exportações e pago em duodécimos a cada mês.
Do total de recursos que caberá a cada estado, a União entregará a eles diretamente 75%; os 25% restantes irão para os municípios. Entre os estados, os maiores coeficientes ficam com o Pará (13,89%), o Mato Grosso (9,39%) e o Espírito Santo (9,27%). Os menores coeficientes cabem ao Distrito Federal (0,04%), a Roraima (0,25%) e a Sergipe (0,28%).

Jornal da Câmara dos Deputados


27/05/2005

Os ‘caras’ do Congresso

Diap divulga lista dos 100 mais influentes. Rio tem oito, mas nenhum senador

Renata Giraldi

Dos 513 deputados federais e 81 senadores, apenas 100 se destacam no Congresso. Do total, só oito do Rio estão entre os mais influentes no Parlamento, menos da metade de São Paulo – que reúne 18 parlamentares – sendo que nenhum dos três senadores aparece. O que chama a atenção entre os fluminenses é que praticamente todos os partidos estão representados, exceto o PMDB.

É a décima vez consecutiva que a avaliação “Os 100 Cabeças do Congresso” é realizada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) – organização não-governamental que examina a atuação dos políticos e a tramitação de projetos.

“O positivo da bancada do Rio é que tem a presença de parlamentares dos mais diversos partidos. O que é bom para os interesses e melhorias para o estado como um todo”, afirmou o coordenador da pesquisa do Diap, Antônio Augusto Queiroz.

No ano passado, o Rio tinha sete deputados na lista. A novidade fica por conta de Antônio Carlos Biscaia (PT). Os outros são os mesmos, inclusive Roberto Jefferson (PTB), acusado de fazer parte de esquema de corrupção nos Correios.

Lista também aponta quem está em ascensão

A pesquisa do Diap incluiu também uma lista dos 100 parlamentares que estão em ascensão no Congresso. Ou seja, o grupo dos deputados e senadores cuja influência vem aumentando tanto nas discussões na Câmara quanto no Senado.

Na lista dos parlamentares em ascensão, estão os deputados fluminenses Chico Alencar e Luiz Sérgio, ambos do PT, e Júlio Lopes (PP), além do senador Marcelo Crivella (PL). Para listar os mais influentes, o Diap acompanha a atuação de cada parlamentar ao longo de um ano. Em seguida, avalia presença, propostas apresentadas e debates em torno de temas de interesse nacional e também regional.

Novidade com o baixo clero

A eleição do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) para presidir a Câmara provocou uma inovação: integrantes do baixo clero passaram a integrar a lista dos “100 Cabeças do Congresso”, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Severino é um deles. A região com maior número de deputados e senadores na elite é o Nordeste, com 34 nomes. Depois, aparece o Sudeste, com 33 indicações. Por último, está o Norte, com apenas sete parlamentares.

O s maiores partidos do País são também os que reúnem a maior quantidade de parlamentares apontados como influentes pelo levantamento. O PT aparece com 24 nomes, enquanto o PMDB tem 12. As legendas que dão sustentação ao Governo representam 61% da elite parlamentar, de acordo com a pesquisa do Diap.

Aprendi com o presidente do meu partido (senador Jorge Bornhausen) que quem chega na segunda-feira faz a pauta. Quem chega em Brasília na terça obedece a pauta. O negócio é começar a trabalhar cedo e ir até tarde. Assim vai se ocupando espaço”, disse o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ).

O Dia


27/05/2005

Alckmin e Serra anunciam piscinão em Pirajussara

São Paulo - O governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra anunciaram hoje a construção de um piscinão às margens do rio Pirajussara. A área, que fica num terreno conhecido como Chácara Pirajussara, é particular e deve ser desapropriada segundo o governador.

Eles não informaram, entretanto, quando isso deve ocorrer e qual o prazo para a liberação da verba para o início da obra. Esse novo reservatório tem capacidade estimada de 280 mil metros cúbicos e custo estimados de R$ 20 milhões.

Alckmin informou que ainda não tem estimativa da quantidade de lixo que foi carregado para o rio Tietê pelas águas da chuva de terça feira. Ele informou que a limpeza estava prevista nos contratos com as empreiteiras que realizam as obras.

Estado de São Paulo


27/05/2005

Derrotado, governo tenta anular ou atrasar CPI

Aliados querem impedir a instalação ou controlar a Comissão

A base aliada ao governo no Congresso, após sucessivas derrotas, vai utilizar a próxima semana para definir a estratégia para impedir a instalação ou pelo menos controlar a Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará as denúncias de corrupção nos Correios.

A base governista avalia que ainda tem "duas cartas nas mangas" para impedir a instalação da CPI. A primeira é questionar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara a constitucionalidade do requerimento que criou a CPI.

O vice-líder do governo, deputado João Leão (PL-BA), apresentou questão de ordem durante a sessão conjunta do Congresso, pedindo a rejeição da CPI porque ela não se baseia em apenas um fato determinado para sua criação, mas, sim, em vários tópicos genéricos. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), rejeitou a questão de Leão e que recorreu à CCJ. Os próprios líderes da base aliada reconhecem, no entanto, que será difícil a CCJ derrubar a decisão de Calheiros.

outra saídaA outra carta na manga dos governistas seria demorar na indicação dos nomes para compor a CPI. Isto faria com que sua instalação esbarrasse no recesso parlamentar de julho. Caso o governo consiga, a CPI então ficaria enfraquecida e só seria instalada no segundo semestre deste ano.

Contra esta expectativa, está a determinação do presidente do Senado de evitar que este expediente seja usado novamente. Renan quer evitar o desgaste causado pela falta de indicações para a CPI dos Bingos no Senado, que acabou gerando um recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Jornal de Brasília


27/05/2005

Cinco minutos de correria

BRASÍLIA - Quarenta e cinco minutos de a CPI dos Correios ter se tornado um fato consumado, os corredores do Congresso se esvaziaram. Nem mesmo os governistas interessados em articular novas ações da base para conduzir a CPI permaneceram na Casa.

Movimento, só até os últimos cinco minutos de terça-feira passada enquanto governo trabalhava na tentativa de barrar CPI dos Correios. Telefonemas, reuniões a portas fechadas e, promessa de liberar algumas emendas engavetadas, não foi suficiente para fazer com que a lista de signatários diminuísse para os 170 nomes necessários para tornar a CPI inviável.

Um encontro esvaziado da bancada do PT no fim da tarde de terça-feira já mostrava que as negociações não seriam fáceis. O ex-líder do PT na Câmara, Professor Luizinho (SP), não quis comentar a ausência dos colegas.

- Temos alguns aliados comprometidos. Acho que vai dar - afirmou o deputado designado para negociar a retirada de alguns signatários.

No corredor da sala 13 de Comissões da Câmara, o amigo do Professor, deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) - suspenso na semana passada por ter lançado candidatura própria para presidência da casa - confirmou sua assinatura.

- O requerimento é tendencioso. Mas estamos tratando de um parlamentar envolvido com corrupção é uma acusação grave, e por não ter outra opção vou manter minha assinatura - afirmou.

Outros colegas de legenda como Maninha (DF), Dr. Rosinha (PR), Ivan Valente (SP), Paulo Rubem (PE) também se mantiveram firmes e nem mesmo apareceram na reunião.

Pouco depois do anúncio de que o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) assinara a CPI, uma nova reunião de líderes movimentou os corredores do Congresso. Desta vez, o ponto de encontro foi o gabinete do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Lá, estavam os líderes José Borba (PMDB-PR), José Múcio (PTB-PE), Sandro Mabel (PL).

Às 23h20, Chinaglia jogou a toalha e disse que faltavam retirar nove signatários. Até que uma voz de dentro do gabinete da liderança do governo gritou:

- Acho que pode dar sim. Volte logo.

Era alarme falso. Depois de todos os esforços ainda faltavam ser retirados dois nomes. Com os ponteiros avançando no relógio, não era possível prosseguir as negociações ali.

Às 23h40, Chinaglia e outros líderes se dirigem em comitiva até o plenário do Senado. Lá, a oposição já aguardava a chegada dos governistas com a certeza de vitória.

- O governo tem de admitir logo que a CPI vai acontecer porque é um clamor da opinião pública. Não tem mais para onde correr - avaliou o líder do PSDB, na Câmara, Alberto Goldman (SP).

Com a provocação da oposição e ainda empolgado com a possibilidade de conseguiu outras duas desistências, professor Luizinho se desesperou. Enquanto Chinaglia negociava com a mesa o recebimento condicionado de algumas assinaturas, Luizinho disparava telefonemas de seu celular.

- Renildo, você não pode fazer isto com a gente. Pelo amor de Deus - gritava.

Nem mesmo evocando Deus, Luizinho conseguiu. Aos dois minutos da meia-noite de terça-feira, o desanimo tomou visivelmente o semblante de Chinaglia, que segurava as desistências condicionadas do PMDB e do PSB. Para ele, o jogo já estava perdido. Com as badaladas da meia-noite, os telefonemas se cessaram. Só se ouviam gritos da oposição questionando alguns nomes retirados e ainda os flash das câmaras fotográficas registrando a derrota do governo.

Jornal do Brasil


27/05/2005

PEC Paralela deve ser aprovada antes de julho

Relator da proposta na CCJ, Tourinho anuncia entrega do parecer ainda no início do mês de junho

O senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) anunciou que até o fim da próxima semana ou, no máximo, até o início da semana seguinte apresentará à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) seu parecer a respeito da chamada PEC Paralela da Previdência, que voltou ao Senado por ter sido modificada na Câmara. Os deputados aprovaram 23 alterações na proposta original do Senado. Tourinho defende o exame e a promulgação da matéria antes do início do recesso do Congresso Nacional, previsto para julho.

– Meu relatório vai honrar e preservar o espírito da PEC Paralela aprovada por unanimidade no Senado, graças a um acordo que envolveu todas as lideranças partidárias e mais os ministros da Casa Civil e da Previdência e até o presidente Lula. Entendo que deve ser compromisso de honra do Senado aprovar a PEC o mais rapidamente possível – afirmou.

O senador disse que a essência da proposta será mantida. Dessa forma, explicou, as principais medidas que beneficiam o funcionalismo poderão ser promulgadas. Outro assunto abordado pelo senador baiano foi a questão do gás natural. Ao considerar essa matriz energética como estratégica para o futuro próximo, Rodolpho Tourinho pediu que seja acelerada a implantação do Gasene, gasoduto que deverá fazer a interligação das malhas de gás natural do Sudeste com as do Nordeste, assim como os diversos gasodutos previstos para a região Nordeste.

Jornal do Senado


27/05/2005

Dirceu: CPI não pára o país

BRASÍLIA. O chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi esfriar a cabeça ontem passeando em uma exposição de flores em Brasília. Flagrado por uma equipe da TV Globo, ele disse que o governo não teme as investigações e derrubou um dos argumentos usados pelos próprios governistas. Afirmou que a CPI não vai paralisar nem o país nem o Congresso, e que o governo vai continuar governando.

— O governo vai governar. CPI é assunto do Congresso. As nossas prioridades são outras, não é CPI. Nem o Congresso vai ser paralisado e muito menos o país. O Brasil já tem maturidade. Se houver uma tentativa de paralisar o Congresso e o país, tenho certeza que a sociedade e a opinião pública vão repelir — disse Dirceu.

Ele defende, entretanto, que o instituto das comissões parlamentares de inquérito seja revisto:

— O governo está investigando e por isso achávamos que a CPI era desnecessária. As CPIs não têm sido um bom instrumento nos últimos meses no Brasil. Não se pode substituir a Polícia Federal, o Ministério Público, a Controladoria, que já estão investigando. Precisamos rediscutir no Brasil, com serenidade, o papel das CPIs.

O ministro se mostrou irritado com os petistas que apoiaram a CPI e diz que o lugar deles é na oposição.

— Eu acredito que tem que prevalecer a unidade de ação no PT. O PT é um partido democrático, de discussão e debate, mas não pode tolerar o que vem acontecendo com esses deputados e deputadas, que estão na prática fazendo oposição ao governo. Lugar de quem faz oposição ao governo é na oposição, em outro partido, como foi o caso daqueles que fundaram o P-SOL e o PSTU. Não tem como conviver mais dentro do PT com essa situação. É a minha opinião como petista.

Mas mostrou-se complacente com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que considera “um pouco estranho”, porém hors-concours dentro do partido.

— O senador Suplicy é um caso à parte. É hors-concours . Uma pessoa tão experiente, um político tão importante fazer isso... Estranho, né? Ele é um pouco estranho, mas é assim mesmo.

O Globo


27/05/2005

Governo abriu cofres e liberou R$ 12 milhões

BRASÍLIA - A frustrada operação contra a CPI dos Correios levou o Palácio do Planalto a liberar num único dia - a última terça-feira - um total R$ 12 milhões para emendas de parlamentares ao Orçamento da União que estavam retidas na rubrica "restos a pagar". O valor corresponde a 26% de todas as despesas autorizadas nessa rubrica ao longo deste ano. Nos primeiros cinco meses, o governo tinha liberado apenas R$ 47 milhões para as emendas de parlamentares. Com os restos a pagar quitados na terça-feira, o total sobe para R$ 59 milhões.

A liberação da verba milionária foi uma exigência de parlamentares aliados e reforçou a ofensiva para que congressistas retirassem o apoio à criação da CPI. Do ponto de vista político, a manobra foi mal-sucedida. Em números redondos, o PMDB abocanhou R$ 2,2 milhões dos restos a pagar, enquanto o PT ficou com outros R$ 2 milhões. O PC do B arrancou em emendas mais R$ 600 mil. "Houve um aumento de 23% para o PT, 59 % para o PMDB e 46% para o PC do B em relação as liberações anteriores", afirmou o deputado Alberto Goldman, líder do PSDB na Câmara.

A operação, que foi comandada pelos ministros José Dirceu, chefe do Gabinete Civil, e Aldo Rebelo, da Coordenação Política, mobilizou ministros, governadores, parlamentares petistas e até mesmo o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile - que telefonou para três deputados pedindo que retirassem a assinatura de apoio à CPI dos Correios.

A abordagem era direta e clara. Nas ligações e conversas cara-a-cara, os governistas avisavam quem retirasse a assinatura do requerimento de CPI seria imediatamente premiado com a liberação de verbas. Abordado pelos operadores do governo, o deputado João Magalhães (PMDB-MG), que tinha apoiado a CPI, ligou para o colega João Correia (PMDB-AC), que também assinara o requerimento, e avisou: "Tira a assinatura porque eles vão pagar as nossas emendas".

Entre os parlamentares, o grupo mais cético com a generosidade palaciana era a turma de deputados federais ligados ao ex-governador do Rio Anthony Garotinho. O deputado Eduardo Cunha (PMDB -RJ) disse que não se pode acreditar no que o governo promete, mas não cumpre: "Esse é o governo do vou-mas-não-vai". Ao invés de receberem verbas para evitar a CPI, eles decidiram somente negociar com o governo já com a CPI aberta e em pleno funcionamento.

Outras bancadas preferiram não esperar. A bancada da Comissão de Agricultura levou R$ 3,8 milhões e a do Piauí outros R$ 500 mil. A bancada carioca mordeu R$ 240 mil, uma fatia também nada modesta. Apesar de não evitado a CPI, o governo considera que a operação-abafa serviu para pelo menos unir os ministros Aldo Rebelo e José Dirceu em torno de um projeto comum.

Tribuna da Imprensa


27/05/2005

Governo tentará atrasar investigações

Deputados do PT ajudaram a derrotar o Planalto, que não conseguiu evitar a CPI

Depois do fracasso da operação para barrar a instalação da CPI dos Correios, o governo agora está disposto a usar todas as armas para retardar as investigações. Os aliados do Planalto deverão boicotar as reuniões, atrasando a instalação da CPI. Ao mesmo tempo, tentarão convencer a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de que o texto do requerimento da CPI contraria as regras, o que impediria sua criação.

Se tudo isso der errado, a idéia é garantir o controle dos trabalhos com o estabelecimento de uma maioria confiável na CPI e a indicação de aliados fiéis nos postos de comando. A tática inclui assumir a relatoria e a presidência da comissão. Os líderes governistas pretendem reivindicar os cargos alegando o critério da proporcionalidade (PMDB e PT têm as maiores bancadas no Senado e na Câmara, respectivamente).

- Vamos à guerra com todos os seus horrores. Que vai ser ruim para o país, vai - disse do líder do PP na Câmara, José Janene (PR).

Os petistas alegam que a abertura da comissão poderá ser rejeitada pela CCJ porque o requerimento não restringe as apurações a um fato determinado, como exige a Constituição.

O plenário do Senado foi palco, no final da noite de quarta-feira, de uma atabalhoada última tentativa do governo de evitar a CPI. O Planalto tentou convencer deputados a retirar suas assinaturas até o último minuto. Faltando cinco minutos para o prazo fatal, meia-noite, os líderes governistas constataram que não tinham número suficiente de requerimentos de retirada de apoio à CPI. O celular do líder Arlindo Chinaglia tocou. Era o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.

- Não deu. Assim é a vida - disse Chinaglia.

Em seguida, o relógio digital do plenário marcou 0h. A oposição vibrou. Pelas contas do governo, faltariam retirar nove nomes do requerimento. Quatorze deputados do PT que haviam assinado o pedido se negaram a voltar atrás.

Ainda na madrugada de quinta-feira, Chinaglia explodiu, debitando na conta do PT o vexame imposto ao governo. Lembrando a perda da eleição para a presidência da Câmara, ele disse que mais uma vez o PT derrotou o governo e que isso será um divisor de águas no partido.

Já era início da noite em Tóquio (manhã de quinta-feira em Brasília) quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconversou ao ser interpelado por jornalistas sobre a abertura da CPI dos Correios:

- Não pode (perguntar agora). Porque vou falar com vocês apenas na sexta, quando terminar minha visita ao Japão.

Apesar de tentar demonstrar bom humor, a irritação e a preocupação de Lula eram evidentes.

Zero Hora


25/05/2005

Oposição reage à acusação de golpismo

Deputados do PSDB e do PFL rebateram, ontem, em plenário, as acusações de ministros e deputados do PT de que a oposição estaria tentando desestabilizar o Governo Lula, ao defender a instalação da CPMI dos Correios. O líder da minoria, deputado José Carlos Aleluia, alertou que as denúncias envolvendo os Correios “mostram que existem várias quadrilhas operando no Governo com o objetivo de usurpar o dinheiro público”. Ele chamou de “insensata” a declaração do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, de que a criação de uma CPI para apurar as denúncias era uma tentativa de golpe.
O líder do Governo, Arlindo Chinaglia, voltou a alertar que a CPI dos Correios pode servir apenas aos interesses da oposição e lembrou que o próprio Governo determinou investigações sobre a corrupção à Polícia Federal e tem colaborado com os trabalhos do Ministério Público. O parlamentar elogiou os líderes da oposição por defenderem o sistema político democrático e a alternância de poder pelo voto.

Jornal da Câmara dos Deputados


25/05/2005

Petebistas agora são contra CPI

Depois de ler depoimento de Maurício Marinho à PF, que inocenta Jefferson, o PTB quer evitar criação da comissão parlamentar de inquérito. A operação-abafa do governo continua até a meia-noite de hoje

A pressão do governo sobre os aliados para retirar assinaturas da CPI dos Correios surtiu efeito ontem sobre a bancada do PTB. O presidente petebista, Roberto Jefferson (RJ), acusado de comandar um esquema de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), avisou que aceita retirar a assinatura da comissão parlamentar de inquérito, assim com os demais 12 deputados do partido. O gesto de Jefferson era parte fundamental da estratégia do Palácio do Planalto, pois ele estimulou adesões ao apoiar a CPI. Mesmo assim, não havia certeza do sucesso da operação-abafa para evitar a criação, hoje, da comissão na sessão do Congresso, às 10h. Ontem, o número de assinaturas aumentou.

As conversas com o partido ocorriam desde o estopim do escândalo dos Correios. Mas na noite de segunda-feira intensificaram-se com um encontro entre o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE). O acordo foi selado em um almoço ontem com a presença de Dirceu, Múcio, Jefferson e o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. Além de ameaças de demitir apadrinhados de cargos federais, o governo sinalizou com a nomeação de outros nomes. Se a operação-abafa funcionar, a previsão é atender, por exemplo, além do PTB, uma lista de pedidos de nomeação do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE).

O argumento utilizado pelo PTB para o recuo foi o depoimento do ex-chefe do Departamento de Contratação e Aquisição de Materiais dos Correios Maurício Marinho, prestado ontem na Polícia Federal. “Se ele vai ao depoimento e retira a acusação sobre o PTB, não há objeto de crime nem para inquérito policial muito menos para inquérito parlamentar”, justificou o presidente da legenda. Em uma fita de vídeo, o funcionário dizia fazer parte de um esquema montado pelo PTB.

Mas a decisão final, avisou o petebista, só seria tomada após a leitura da cópia do depoimento de Marinho à PF, apesar de Jefferson ter apresentado, durante seu discurso de defesa na Câmara, na terça-feira passada, uma carta do funcionário, registrada em cartório, isentando-o de culpa.

Mesmo com a ofensiva governista, ainda houve na reunião defensores da idéia de manter as rubricas. Eles alegaram que sofreriam o desgaste de mudar de posição, quando se aproxima o período eleitoral. Mas foram vencidos. “A CPI exporia mais o partido já que a investigação irá ocorrer até as vésperas da propaganda eleitoral do próximo ano”, justificou o secretário-geral da legenda, Luiz Antônio Fleury Filho (SP). Durante a reunião, o diretor de Administração dos Correios, Antonio Osório (que era procurado pela PF), também fez uma exposição do caso e garantiu não ter qualquer participação no escândalo.

Ao aceitar retirar as assinaturas, o PTB desistiu ainda da idéia de entregar os cargos no governo, como sugeriu, na segunda, Roberto Jefferson. A proposta foi rapidamente discutida na reunião, mas rejeitada. Ainda no meio do encontro, os petebistas divulgaram uma nota afinada com o governo em que atribuiu o escândalo à tentativa de “desestabilização política do país”.

Câmara vai investigar

O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), assinou ontem despacho determinando que a Corregedoria da Casa investigue as acusações de envolvimento do deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), com um suposto esquema de corrupção nos Correios. A investigação é motivada por solicitação feita pelo deputado Alberto Fraga (sem partido) para que o Conselho de Ética abra processo contra Jefferson por quebra de decoro parlamentar.

“O recebimento de indevida vantagem, propina, revela-se de extrema gravidade, pois ocorre dentro de uma empresa estatal e, segundo o funcionário (Maurício Marinho, ex-chefe de Contratação e Administração de Material dos Correios), com o aval do presidente nacional do PTB, razões que motivam a abertura de processo a fim de que esta Casa dê uma efetiva resposta à sociedade”, diz ofício encaminhado por Fraga a Severino.

Caso a Corregedoria — comandada pelo deputado Ciro Nogueira (PP-PI) — avalie que há envolvimento de Jefferson, presidente do PTB, com o suposto esquema, é dado parecer por abertura de processo no Conselho de Ética, que, se entender pela culpa, sugere a cassação do mandato. Isso só ocorre com o apoio da maioria dos deputados (257 de 513) em votação secreta no plenário.

Em seu despacho, Severino determina ainda que o caso seja analisado pela Procuradoria da Casa, que é responsável, entre outras coisas, por zelar pela imagem da Câmara. Isso significa que a Procuradoria pode também representar Jefferson em possível ação de indenização, caso o órgão entenda que a acusação foi infundada.

O atual procurador da Casa é o deputado Ney Lopes (PFL-RN).
Segunda-feira, Severino disse em Recife que não vacilará em pedir a cassação do mandato de Jefferson caso haja provas contra ele, o que ele diz não acreditar. No despacho entregue à Corregedoria e à Procuradoria, havia o ofício de Fraga e a íntegra do discurso em que Jefferson se defendeu na Câmara, no dia 17.

Governo corre contra o tempo

Luiz Carlos Azedo
Da equipe do Correio

O governo tem até a meia-noite de hoje para impedir a instalação da CPI dos Correios, com a retirada das assinaturas dos parlamentares aliados. A operação ganhou um novo fôlego, porque o PTB retirou seu apoio ao requerimento, que havia sido assinado pelo presidente da legenda, deputado Roberto Jefferson (RJ), e mais 12 petebistas, de um total de 47 integrantes da bancada.

Ontem, na Câmara, a oposição deu entrada em mais oito assinaturas, subindo para 253 o número de deputados que subscrevem o pedido. Com isso, são 82 assinaturas a mais do que o necessário. No Senado, Ramez Tebet (PMDB-MT), ex-presidente da Casa, também subscreveu o requerimento. O número de assinaturas de senadores subiu para 51.

O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), minimizou a decisão dos petebistas: “São apenas 13 assinaturas do PTB, o que não altera a nossa vantagem, pois temos mais cinco deputados que deverão assinar o requerimento amanhã”, garantiu. O deputado Michel Temer (SP), presidente nacional do PMDB, também avaliava que a instalação da CPI é irreversível.

Segundo ele, o governo errou ao dar uma dimensão à CPI maior do que ela realmente tem. “O governo deveria atuar através da CPI, uma vez que ela é inevitável”. Responsável pela indicação do presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, João Henrique de Almeida, Temer disse que o PMDB não está intimidado pela investigação, embora ocupe três cargos na diretoria. “Estamos tranqüilos em relação à CPI, que tem o apoio da maioria da bancada”, disse.

O líder do PMDB na Câmara, deputado José Borba, que tem participado das reuniões de mobilização do governo, também manifestava ceticismo quanto à retirada de assinaturas da bancada: “É difícil convencer quem assinou a mudar de posição”.

A batalha mais importante do governo, porém, será travada hoje na bancada do PT, onde a pressão para retirada de assinaturas foi intensificada. “É um absurdo, quem assinou está sendo acusado de colaborar com a desestabilização do governo e ser linha-auxiliar de forças golpistas”, critica o deputado Chico Alencar (PT-RJ), que pretende manter a assinatura. Dos 17 deputados petistas que assinaram o documento, o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), só pretende revelar os nomes dos parlamentares que pretendem retirar suas assinaturas quando o número necessário de desistências para inviabilizar a CPI estiver garantido.

No Senado, a reunião da bancada petista não superou o impasse. Os senadores Tião Viana (AC), Paulo Paim (RS), Cristovam Buarque (DF) e Eduardo Suplicy (SP) reiteraram a disposição de assinar o requerimento. Foram novamente contidos pelo líder da bancada, Delcídio Amaral (MT), e pelo líder do governo, Aloizio Mercadante.É muito difícil uma posição unânime da bancada, apesar das pressões da cúpula do PT. Mercadante, entretanto, está otimista. “Deve prevalecer a responsabilidade com o governo e o compromisso com a unidade do partido, pois é muito ruim a bancada no Senado não acompanhar a recomendação do diretório nacional e o esforço que está sendo feito na Câmara”.

Placar

SENADO
Assinaturas - 51
Mínimo necessário - 27

CÂMARA
Assinaturas - 253
Mínimo necessário - 171

Próximos passos

Criação
O prazo para retirada ou inclusão de assinaturas é até meia-noite de hoje, dia marcado para a leitura do ato de criação da CPI em sessão conjunta do Congresso. Mas a CPI só será criada de fato quando a decisão for publicada no Diário Oficial de amanhã

Instalação
Uma CPI pode ser criada mas não instalada: a instalação depende da nomeação dos membros e da realização da primeira sessão, que pode não acontecer por falta de quórum. A CPI dos Correios deve ter 30 titulares (15 deputados e 15 senadores) e 30 suplentes

Integrantes
As mesas diretoras da Câmara e do Senado vão pedir aos líderes dos partidos que indiquem seus representantes, proporcionalmente ao tamanho das bancadas. Os membros são designados pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL)

Poderes
A CPI é uma comissão temporária criada para apurar um fato determinado e por prazo certo, com poderes de investigação das autoridades judiciais: pedir a prisão, quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico, convocar pessoas para depor, ordenar diligências

Correio WEB


25/05/2005

Chuva em São Paulo é a maior em 22 anos, diz governo

São Paulo - A chuva, mais uma vez, parou a maior cidade do Brasil nesta quarta-feira. Só não parou completamente porque ainda existem os pés como meio de transporte. O que se viu pelas ruas de São Paulo foram centenas de carros parados nos diversos pontos de alagamentos e milhares de pessoas andando para chegar ao trabalho. Filas enormes se formaram nos telefones públicos com as pessoas ligando para os locais de trabalho para contar que estava impossível chegar. "Na região metropolitana não chovia dessa maneira desde 1983", disse o secretário de Estado dos Recursos Hídricos, Mauro Arce.

Depois de três anos sem transbordar, os rios Tietê e Pinheiros saltaram de seus leitos entre as 3 e 4 horas da madrugada inundando as marginais, deixando carros e caminhões submersos e provocando enormes congestionamentos. "Foi uma chuva excepcional para o mês de maio, onde a média é de no máximo de 70 a 80 mm", afirmou o secretário. Arce disse que em Rudge Ramos e São Bernardo do Campo, das 16 horas de terça-feira até às 7 horas de quarta, choveu 154mm.

Os 14 piscinões construídos na bacia do Tamanduateí transbordaram. Na região do córrego Pirajussara, dos cinco piscinões só o da Portuguesinha, em Taboão da Serra, não transbordou. O secretário informou que no Sistema Cantareira, que até segunda-feira havia chovido apenas 0,2mm, recebeu uma precipitação de mais de 100mm.

Segundo ele, as chuvas foram intensas também no interior. Em Indaiatuba, próximo de Campinas, o temporal deixou a cidade às escuras devido à queda da rede elétrica, o mesmo aconteceu no Mato Grosso do Sul.

Estado de São Paulo


25/05/2005

Planalto joga últimas cartas contra a CPI

Requerimento de instalação da comissão será lido hoje no Congresso

O governo tenta hoje suas últimas cartadas para tentar barrar a CPI dos Correios. A leitura formal do requerimento de criação da CPI será feita na manhã desta quarta-feira, numa sessão conjunta do Congresso. Os governistas ainda insistem na tática de esvaziar o requerimento. Uma estratégia que pode ser coloca em prática na última hora é a retirada em bloco de assinaturas, para que o pedido tenha menos nomes que o mínimo exigido.

O entendimento é que a retirada conjunta pouparia os parlamentares de um desgaste causado pela saída em ritmo conta-gotas. "Há um processo de convencimento da nossa base e que vamos fazer isso de maneira conjunta e de uma vez só", diz o líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA).

O ânimo do governo aumentou com a decisão do PTB de retirar as assinaturas. A posição do partido era considerada fundamental para estimular outras siglas a seguirem o mesmo exemplo. A contabilidade mais otimista apontava a possibilidade de dez petistas voltarem atrás (de um total de 19 assinaturas), outros dez em 16 deputados do PP e até 20 de 33 peemedebistas. Além desses, a saída de outros 13 petebistas.

Ainda assim, a tarefa é complicada. Ontem à noite, o requerimento tinha assinaturas de 258 deputados e 51 senadores (quando o mínimo são, respectivamente, 171 e 27). O foco da Operação Abafa está na Câmara, onde, sozinha, a oposição não consegue alcançar 171 deputados. No máximo, 150 pelas contas dos aliados. O prazo para retirada das assinaturas termina à meia-noite de hoje.

incêndioO presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), avaliou que a politização da investigação do esquema de corrupção nos Correios transforma uma centelha num "grande incêndio", mas afirmou que cumprirá seu papel hoje com a leitura do pedido de criação da CPI dos Correios.

"Amanhã (hoje) teremos a sessão, e, havendo quórum, haverá a leitura", confirmou Renan, negando a possibilidade de manobra política para evitar ou adiar a leitura do requerimento de CPI. Em discurso, Renan manteve a posição de que a investigação da denúncia de corrupção precisa ser realizada, mas pelos órgãos competentes, como a Polícia Federal e o Ministério Público. Na semana passada, Renan chegou a pedir mais tempo para as investigações oficiais, antes da CPI. Ele não assinou o requerimento de CPI. Renan é citado na fita que originou a denúncia de como suposto agenciador de propinas. Ele disse não saber da citação.

Jornal de Brasília


25/05/2005

CPI dos Correios: o dia D para governo e oposição

Planalto mobiliza ministros, assessores e líderes para evitar comissão parlamentar

BRASÍLIA - O futuro do governo Luiz Inácio Lula da Silva, da bancada governista e das costuras políticas visando à disputa pela presidência da República em 2006 estarão em jogo hoje, quando o Congresso decidirá se instala ou não a CPI para investigar um esquema de corrupção nos Correios. Convencido de que uma CPI neste momento produzirá sérios obstáculos ao projeto de reeleição de Lula, nas últimas 48 horas o governo intensificou a 'Operação Deus nos Acuda' pela retirada das assinaturas necessárias para a abertura do inquérito parlamentar. Operadores políticos, ministros e líderes partidários se mobilizaram numa aglutinação de forças jamais vista no atual mandato do presidente Lula.

A ofensiva, liderada pelo chefe da Casa Civil, ministro José Dirceu, foi iniciada na noite de segunda-feira quando, reunidos no Palácio do Planalto, os ministros Ciro Gomes (Integração Nacional), Aldo Rebelo (Coordenação Política), Eunício Oliveira (Comunicações), Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), Luiz Gushiken (Comunicação e Gestão Estratégica) e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) decidiram intensificar o corpo-a-corpo com a bancada governista no sentido de esvaziar a CPI.

O reflexo foi o frenético entra e sai de líderes do PMDB, PP, PTB, PL e PSB no Planalto que puderam ser vistos por quem lá circulasse. Pedidos que adormeciam há mais de dois anos na Casa Civil, foram sendo atendidos numa velocidade de trem bala. Segundo assessores palacianos, logo que informado por emissários de que sua indicação para a diretoria da Petrobras, Djalma Rodrigues, seria confirmada nos próximos dias, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), passou a participar ativamente da operação.

Caso não consiga êxito na operação para retirada das assinaturas para a CPI, o Planalto vai tentar derrubar em plenário o quorum da sessão de leitura do requerimento. A tarefa não é fácil, já que, para a abertura da sessão do Congressol, são necessários 14 senadores e 86 deputados.

O governo poderia trabalhar na tentativa de transformar a sessão em deliberativa: nesse caso, aproveitaria o quorum das sessões de ontem do Congresso para abrir os trabalhos de hoje. Numa manobra regimental, alegaria ausência de parlamentares para deliberação, encerrando os trabalhos. Até as 21 horas de ontem, contudo, a tática de guerra não havia sido divulgada.

Uma vez lida em plenário, o governo tem outro caminho a seguir: correr para retirar as assinaturas do pedido de instalação da CPI. O prazo acaba à meia-noite de hoje. Ontem, mais 12 deputados e um senador assinaram o requerimento.

O líder do PP na Câmara, José Janene (PR), que desde o início da crise defendeu que o caso Maurício Marinho era pontual e não envolvia o goverrno, também acredita ser possível retirar boa parte das assinaturas de seu partido. Pelas contas dele, até 12 - das 17 assinaturas - são passíveis de reversão.

- Existe um grupo de parlamentares que sempre votam com a oposição. Com esses, nem adianta eu conversar - complementou Janene.

Caso a CPI seja instalada, o governo já articula a indicação de parlamentares de sua estrita confiança para cargos-chave na Comissão. Pelo regimento, a presidência e a relatoria da CPI ficam nas mãos das maiores bancadas na Câmara e no Senado. Na Câmara, o PT tem a maior bancada e no Senado, o PMDB.

Jornal do Brasil


25/05/2005

Aprovado sistema de habitação popular

Projeto de iniciativa dos movimentos sociais também institui fundo para construção de moradia de baixo custo

Em votação simbólica, e contando com o apoio de todos os partidos políticos, o Senado Federal aprovou ontem projeto de lei de iniciativa popular (PLC 36/04, na Câmara dos Deputados) que cria o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS) e o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS), e institui o Conselho Gestor. A matéria estava em tramitação no Congresso Nacional havia 14 anos e teve um andamento considerado rápido no Senado – das comissões temáticas à votação em Plenário foram necessários apenas 45 dias.

Conforme ressaltou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), relatora do projeto na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), pela segunda vez os movimentos populares conseguem transformar em lei uma idéia concebida fora do Congresso. A outra iniciativa, também vitoriosa, foi liderada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 1999, e buscou coibir o abuso do poder econômico no processo eleitoral brasileiro.

A iniciativa popular de lei foi um dispositivo incorporado à Constituição, promulgada em 1988, que aliou dois princípios democráticos – o representativo, baseado no voto secreto, presente na tradição política nacional desde o Império, e o direto, uma conquista recente, debitada aos chamados avanços da modernidade. Para dar entrada na Câmara dos Deputados ao projeto que cria o novo modelo institucional para a política habitacional no país, os movimentos populares recolheram, em todos os estados brasileiros, 1,2 milhão de assinaturas, incluindo a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Conquista

Ao defender a proposta em Plenário, o relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Marcelo Crivella (PL-RJ), observou que, do ponto de vista democrático, foi uma conquista considerável tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal entenderem que o povo, pelo mecanismo da iniciativa popular, pode apresentar projetos considerados pela Constituição como prerrogativas exclusivas do presidente da República. Esse entendimento, ainda segundo Crivella, foi fundamental para superar possíveis vícios de constitucionalidade da matéria, ao mesmo tempo que abre novas oportunidades para que os movimentos de cidadania possam se afirmar no contexto da democracia brasileira.

– A criatura, o presidente da República, não é maior que o criador, o povo – disse Crivella, que vê no projeto aprovado grande instrumento para atender o pleito da população de baixa renda por mais moradia, a preços acessíveis.

O relator na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), ao encaminhar seu voto, argumentou que o projeto dá ênfase à integração entre os municípios, estados e União, possibilitando a implantação de programas de largo alcance social. Ao mesmo tempo, conforme o parlamentar, o novo sistema amplia as possibilidades de atendimento às mulheres e idosos, no que diz respeito a moradias, benefício não consignado na legislação vigente.

Compromisso

Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do governo no Senado, informou que o ministro das Cidades, Olívio Dutra, está comprometido com o sistema. Mercadante também disse esperar que outros setores da sociedade se encorajem e formulem novos projetos de lei para o Brasil. O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), entendeu que um projeto de iniciativa popular reveste-se de simbologia principalmente em um parlamento como o brasileiro, dominado por "medidas provisórias".

Para alguns senadores, a aprovação do projeto não significará necessariamente a solução definitiva dos problemas habitacionais no país, cujo déficit seria de aproximadamente 7 milhões de moradia. Mesmo assim, ocuparam a tribuna para elogiar a conquista dos movimentos populares os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Romeu Tuma (PFL-SP), Heloísa Helena (PSOL-AL), Lúcia Vânia (PSDB-GO), Ana Júlia Carepa (PT-PA), Maguito Vilela (PMDB-GO), Almeida Lima (PSDB-SE), Delcidio Amaral (PT-MS), Paulo Paim (PT-RS), Pedro Simon (PMDB-RS) e Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).

Aprovado depois de receber apenas seis emendas de redação, o projeto vai agora à sanção presidencial.

Jornal do Senado


25/05/2005

Parlamentares evitam assumir relatoria de veto

Cargo será preenchido por rodízio

Sem voluntários. Este foi o resultado da reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa na qual seria escolhido o relator para o veto do governador Germano Rigotto ao reajuste salarial de 8,69% a membros e servidores do Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e funcionários do Legislativo.

O encontro da comissão ocorreu ontem pela manhã e, mesmo legalmente permitido, nenhum dos parlamentares solicitou a relatoria da matéria. Para o Palácio Piratini interessava ter um aliado no cargo.

- Alguém da base governista poderia ter se oferecido, mas acho que eles estão contrariados com a decisão de Rigotto - afirmou Elvino Bohn Gass (PT).

Os deputados têm explicações diferentes para justificar a inexistência de voluntários. Jair Soares (PP) disse que ficou constrangido pelo fato de já ter sido relator na época da aprovação dos projetos. Vieira da Cunha (PDT) afirmou que não se ofereceu por pertencer ao Ministério Público.

- O relator não pode ser do PMDB porque se trata de um veto do governador - explicou o líder do governo, Fernando Záchia (PMDB).

Como o reajuste está dividido em seis projetos de lei, haverá mais de um relator. A distribuição será feita pelo sistema de rodízio e provocou polêmica. Jair e Vilson Covatti (PP) defenderam a nomeação de apenas um responsável, uma vez que a justificativa do veto é a mesma. Záchia, entretanto, argumentou que o processo será mais transparente ao entrar no rodízio. A Assembléia tem até 14 de junho para analisar a matéria.

Juízes pedem lista de devedores do Estado

Para ampliar a pressão contra o veto, a Associação dos Juízes (Ajuris) dá hoje duas cartadas. Pela manhã, a entidade entregará ao secretário estadual da Fazenda, Paulo Michelucci, ofício no qual solicita a lista dos 50 maiores devedores do Estado. Como a crise financeira é um dos argumentos do Palácio Piratini para barrar o aumento, a associação deseja verificar se não há como elevar a receita "combatendo de forma efetiva" a inadimplência e a sonegação.

À tarde, a associação tem uma audiência com o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Osvaldo Stefanello. O presidente da Ajuris, Carlos Rafael dos Santos Júnior, entregará as decisões da assembléia de juízes realizada na sexta-feira.

- Vamos solicitar que o Pleno do Tribunal receba o nosso pedido de intervenção federal - afirmou Carlos Rafael.

Ontem, o presidente da Assembléia, Iradir Pietroski (PTB), recebeu o procurador-geral de Justiça, Roberto Bandeira Pereira, e o presidente da Associação do Ministério Publico, Carlos Otaviano. Os procuradores entregaram documento afirmando que a decisão de Rigotto não respeita "a autonomia financeira dos órgãos e poderes".

Zero Hora


20/05/2005

Bornhausen defende punição "até na própria carne"

O presidente nacional licenciado do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), defendeu ontem, no Rio, a punição, "inclusive na própria carne", caso sejam comprovadas em eventual Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) as denúncias de corrupção nos Correios que atingiram o PTB. Bornhausen afirmou que o "toma-lá-dá-cá que se acentua na política brasileira tem de ser eliminado em nome da democracia". Ele participou de uma reunião do Conselho Diretor da Internacional Democrática de Centro (IDC).

Sobre o fato de os principais envolvidos nas acusações terem sido aliados do PFL nos últimos governos, Bornhausen disse que "não importa quem tenha sido ou quem é (aliado)". O importante, afirmou, é evitar pré-julgamentos e apurar os fatos para que, se eles forem comprovados, haja punição.

"A oposição não está fazendo e nem fará CPI contra o governo. Ela fará CPI para tornar transparente tudo aquilo que acontece no Congresso Nacional e para apurar a denúncia de que há partidos e há parlamentares que recebem do Poder Executivo, de determinados integrantes de setores do Executivo, recursos que são, de forma criminosa, retirados do governo", afirmou.

Palanque

Segundo o presidente nacional licenciado do PFL, o Legislativo seria desmoralizado se não fizesse a CPI. "Essa denúncia é grave. A grande preocupação da oposição não é palanque político, é a de não ruir o pilar do Parlamento. A democracia necessita de um Parlamento acreditado", disse.

"Se nós continuarmos tendo denúncias sobre partidos e parlamentares sem apuração, quem vai enfraquecer é a democracia. O que nós queremos é que o Parlamento possa sair de forma honrosa e respeitável perante a sociedade brasileira, punindo, se forem procedentes as acusações, inclusive na própria carne, naqueles que compõem o Parlamento e estão praticando atos de corrupção."

De acordo com Bornhausen, a administração federal deveria "mudar o seu estilo", evitando o toma-lá-dá-cá. Ele ainda atacou o aumento de juros e impostos e disse que a paralisia no Senado ocorre por duas razões: "a obstrução que o governo faz a si mesmo com um número excessivo de medidas provisórias (MPs) e a falta de entendimento na base governamental". "A oposição quer votar, e disse isto ao presidente."

Ao lado de Bornhausen na mesa, o presidente do IDC, José Maria Aznar, defendeu a invasão do Iraque e fez críticas aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e de Cuba, Fidel Castro.

Tribuna da Imprensa


20/05/2005

Disputa no Conselho de Justiça abre crise no Senado

Veto a indicação de representante da Câmara no órgão é criticado por siglas de oposição

A rejeição no Senado do nome de Alexandre de Moraes, indicado pela Câmara dos Deputados para integrar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), abriu um novo foco de atrito entre a oposição e governo federal.

A oposição e parte da base governista viram no líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), o responsável pela derrubada do nome de Moraes, ex-secretário de Justiça de São Paulo e ex-presidente da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), no conselho.

Segundo senadores governistas, Mercadante teria, desde terça-feira, conversado com aliados para votar contra o nome do ex-secretário do governo de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). O motivo seria a candidatura de Mercadante ao governo paulista nas eleições de 2006.

De imediato, o líder petista afirmou que não houve articulação política para derrubar o candidato. Logo depois, porém, subiu à tribuna do plenário para dizer que a derrota serviria de resposta para a recusa, por exemplo, ao nome de José Fantine à Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Diante da forte reação da oposição, os líderes governistas tentaram reverter a decisão, à revelia do regimento do Senado. Mercadante mudou de postura e trabalhou para que a votação fosse refeita. Não adiantou. Mesmo senadores do PFL e PSDB afirmaram que o regimento deveria ser respeitado e que a derrota estava consumada.

Zero Hora


20/05/2005

Mulher morre na porta de hospital à espera de uma ambulância

São Paulo - A polícia vai apurar a responsabilidade pela morte de Fátima Gonçalves, de 49 anos, casada com o encanador Aderson Mendes Pereira, de 65 anos. Fátima, que sofria de câncer, morreu por volta das 21h de ontem em frente ao Pronto-socorro Municipal Dr. Lauro Ribas Braga, localizado na altura do nº 943 da Rua Voluntários da Pátria, em Santana, zona norte da Capital paulista.

Os médicos que estavam de plantão na noite de ontem não haviam comparecido ao 13º Distrito Policial, da Casa Verde, para prestar depoimento à polícia.

Segundo Aderson, sua mulher morreu do lado de fora do pronto-socorro quando ambos esperavam por uma ambulância para serem levados para outro centro hospitalar. No momento em que os funcionários do pronto-socorro perceberam o desfalecimento de Fátima foram até ela e constaram o óbito.

Os médicos então colocaram o corpo da mulher em uma maca para recolhê-lo ao interior do pronto-socorro, mas os demais pacientes não deixaram e mobilizaram a Polícia Militar.

O encanador disse aos repórteres que durante sete dias consecutivos levou Fátima até o pronto-socorro, onde os médicos apenas davam soro à paciente e a liberavam depois.

Ontem à noite, segundo Aderson, os médicos não deram soro à mulher e disseram que o caso dela não tinha mais como ser tratado lá. Disseram ainda que ela deveria esperar por uma ambulância para ser levada a outro hospital. Nesse entretempo, Fátima morreu.

Estado de São Paulo


20/05/2005

Correios têm ''prejuízo potencial '' de R$ 21 milhões

CGU investiga superfaturamento em contrato com empresa de transporte aéreo

BRASÍLIA - O contrato da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) com a empresa Skymaster Airlines - que faz transportes aéreos - deu um ''prejuízo potencial'' de R$ 21 milhões ao governo federal. Este é o cálculo feito pelos auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) que analisaram as contas dos Correios.

O relatório sobre a auditoria nas contas dos Correios deve ser finalizado até o mês que vem. Os auditores estão destrinchando as contas para definir claramente a forma que os contratantes teriam utilizado para desviar recursos.

Uma das suspeitas é que a Skymaster transportou ''encomendas fantasmas'' para os Correios. A outra hipótese é que os preços foram superfaturados em relação ao que o mercado cobrava, entre 2001 e 2002.

Para especialistas que acompanham a investigação nos Correios, o esquema sugere o envolvimento de funcionários da própria ECT, que teriam concordado com a justificativa da empresa aérea para cobrar valores acima dos de mercado.

Um dos sócios da Skymaster Airlines, João Marcos Pozzetti, afirmou que vai provar que não houve superfaturamento de preços e nem transporte fantasma de encomendas.

Pozzetti acredita que o cálculo da CGU pode ter sido feito a partir de uma comparação sobre a variação dos preços dos serviços da própria Skymaster à ECT, que caíram para a metade.

O empresário afirmou que entre o fim de 2001 e 2003, a Skymaster recebia por mês R$ 8,7 milhões para recolher e distribuir encomendas em oito capitais, um valor total de R$ 208 milhões em dois anos.

Em 2004, a mesma Skymaster passou a distribuir as mesmas encomendas, no mesmo roteiro, por R$ 4,4 milhões mensais, quase a metade do valor anterior.

- A Varig baixou muito o preço no leilão público para 2004, jogou um preço predatório e tive de acompanhar a queda do valor, para manter a minha estrutura, mesmo sabendo que teria prejuízo - conta Pozzetti.

Ele afirmou que manter o contrato com a ECT era uma necessidade da companhia, para não ter de desmontar uma estrutura em várias capitais, que incluía manutenção e contratação de mecânicos. Pozzetti afirmou que a Skymaster apostava no reajuste do contrato ao longo de 2004. Ele afirmou que não impetrou ação na Justiça para tentar subir o preço ''predatório'' por ser cliente da ECT e acreditar na negociação.

O suposto ''prejuízo'' que Pozzetti alega ter tido com a prestação de serviços à ECT atinge a cifra de R$ 21 milhões, o mesmo valor adotado como ''prejuízo potencial'' para o governo, encontrado na auditoria da CGU. Pozzetti afirmou que a Skymaster colocou à disposição da ECT um Boeing 707 e um DC-8. O último contrato da empresa com a ECT foi finalizado em dezembro de 2004, mas só agora a Skymaster está analisando a hipótese de medida judicial para receber o tal prejuízo.

A Skymaster nasceu em 1995, mas seu primeiro vôo aconteceu em 1997. Quatro sócios da empresa, entre eles Pozzetti, colocaram no negócio R$ 100 mil cada. A Expresso Lucatti, o quinto sócio, entrou com R$ 150 mil, totalizando R$ 550 mil. O crescimento da empresa foi promissor, pois sete anos após seu primeiro vôo, a Skymaster tem hoje quatro aviões Boeing 707 e três DC-8. Pozzetti garante que a empresa não teve contatos com o então chefe do Departamento de Administração e Compras de Material dos Correios, Maurício Marinho, que foi filmado cobrando propinas. Ele garante ainda que a empresa nunca financiou campanhas políticas.

O primeiro contrato da Skymaster com os Correios, diz Pozzetti, foi em 2000, assinado em forma de ''emergência'', instrumento pelo qual os órgãos públicos costumam fugir das licitações. O segundo foi em 2001, em forma de pregão, e o terceiro em 2003, em licitação pública, segundo informou Pozzetti. A sede da Skymaster fica em Manaus.

Jornal do Brasil


20/05/2005

CPI dos Correios começa a se materializar

O requerimento para criação da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar denúncias de corrupção nos Correios será lido na próxima quarta-feira (25), em sessão do Congresso Nacional (Câmara e Senado). A decisão foi tomada pelos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e da Câmara, Severino Cavalcanti (PP). Segundo Cavalcanti, “os deputados e senadores que quiserem retirar as assinaturas do requerimento podem fazer isso até quarta-feira, assim como os que quiserem assinar podem fazer”. Para criação da CPMI, além da coleta de pelo menos 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores, a secretaria das Mesas da Câmara e do Senado têm de conferir a autenticidade das assinaturas. Depois disso, o requerimento terá de ser lido em sessão do Congresso e publicado no Diário Oficial da Casa. Cumpridas essas formalidades, o presidente do Senado solicitará dos líderes partidários a indicação dos parlamentares para compor a CPMI. No caso desta comissão, serão 15 deputados e 15 senadores titulares e igual número de suplentes. Depois de lido o pedido, não podem ser incluídas, nem retiradas as assinaturas.
O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia, disse que o governo está pressionando parlamentares da base aliada para que retirem sua assinatura do requerimento. Já o vice-líder do PT, Chico Alencar, alega desconhecer a pressão do governo para esvaziar a instalação da CPMI dos Correios. Dezoito deputados petistas assinaram o requerimento para instalação da CPMI.
Quatro deputados do PL já retiraram assinatura do pedido de instalação da CPMI: Inaldo Leitão (RN), Hamilton Casara (RO), Wellington Roberto (PB) e Wellington Fagundes (MT). Hoje, mais dois deputados, Álvaro Dias (PDT-RN) e Marcelo Ortiz (PV-SP), assinaram o requerimento. No Senado, assinaram ontem o pedido de abertura da CPMI Sérgio Zambiasi (PDT-RS), Marcelo Crivela (PL-RJ), Aelton Freitas (PL-MG) e Magno Malta (PL-ES), além do líder do governo no Congresso, Fernando Bezerra (PTB-RN).

Polícia Federal ouvirá envolvidos no esquema

A Polícia Federal (PF) deverá intimar para depor, ainda esta semana, Maurício Marinho, ex-chefe do departamento de contratação dos Correios, acusado de envolvimento num esquema de fraude em licitações criado por servidores públicos do alto escalão federal supostamente indicados pelo PTB. A PF deverá chamar para depor também o ex-diretor de Administração dos Correios Antônio Osório Batista, a quem Marinho estava subordinado. No decorrer da apuração, a PF decidirá se existem ou não indícios suficientes para intimar o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), apontado por Marinho como chefe do esquema de irregularidades. O Ministério Público Federal também instaurou inquérito e deverá fazer uma devassa nas declarações de renda dos servidores acusados.

Comissão investigará privatizações do governo FHC

O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), anunciou que vai instalar, na próxima terça-feira (24), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a privatização da Eletropaulo e as privatizações do setor elétrico no governo Fernando Henrique Cardoso. A CPI foi criada no ano passado, seus integrantes indicados pelas lideranças, mas até hoje não começou a funcionar. Severino resolveu instalar a CPI por pressão do PSDB e do PFL, que reagiram à declaração do vice-líder do governo, Beto Albuquerque (PSB-RS), que desafiou a oposição: se querem mesmo investigar, deveriam também apurar as privatizações do governo passado. Foi um recado para o PFL e o PSDB, que defendem a criação de CPI para apurar as denúncias de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
“Vamos instalar o mais rápido possível a CPI. Se dentro de mais alguns dias não houver o funcionamento, tomarei as medidas para que seja feita a instalação da CPI”, afirmou Severino. “Quero saber se isso (declaração do vice-líder) é uma chantagem ou se é mesmo para valer. Não vamos aceitar instrumento de chantagem”, afirmou o líder do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ), que ameaçou impedir a votação de medidas provisórias enquanto a CPI do setor elétrico não começar a funcionar. “Essa CPI do setor elétrico está criada desde o ano passado, mas a maioria dos deputados é do governo e eles não estão presentes à Comissão para dar quórum”, disse o líder do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP).
Já o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), subiu à tribuna para garantir que o governo não fez obstrução ao funcionamento da CPI do setor elétrico. “Houve oito tentativas dessa comissão se reunir e, em sete delas, a reunião foi cancelada. No dia 4 de maio foi aberta a sessão e 16 deputados da base do governo estavam presentes e apenas três da oposição apareceram. Se alguém estava fazendo obstrução não era o governo”, afirmou Chinaglia.
Em nota oficial o PFL e o PSDB afirmaram que “não se sujeitarão a qualquer manobra ou expediente de intimidação por parte do governo Lula e seus aliados, concordando, desde já, acerca da instauração de outros inquéritos parlamentares, propostos que visem elucidar fatos ocorridos em administrações anteriores.

Jornal do Comércio


20/05/2005

Chacina: Justiça aceita denúncia contra 11 PMs

A Justiça aceitou ontem a denúncia, feita pelo Ministério Público estadual, dos 11 policiais militares acusados de participação na chacina da Baixada, ocorrida em 31 de março. Eles foram denunciados por 29 homicídios duplamente qualificados: por motivo torpe e sem que as vítimas tivessem chance de defesa. Os PMs também responderão a processo por uma tentativa de homicídio duplamente qualificada — referente a um sobrevivente — e por formação de quadrilha armada.

Se todos receberem pena máxima pelos crimes, ela pode chegar a 896 anos de reclusão para cada um. À tarde, a juíza Maria Elizabeth Louro, da 4 Vara Criminal de Nova Iguaçu, decretou a prisão preventiva dos 11 acusados.

Juntamente com a denúncia do MP, foram entregues à juíza os relatórios da Polícia Civil, com 1.060 páginas, e o da Polícia Federal, com 780. O promotor Marcelo Neves explicou que todos os 11 policiais foram denunciados como autores dos crimes. Ele disse que não há como especificar a participação de cada um.

— E para a Justiça não importa. Todos contribuíram para o êxito da missão — disse Marcelo Neves, que assina a denúncia com outros três promotores.

O motivo da chacina ainda é uma incógnita. As investigações para saber se existe algum mandante continuam. Mas, segundo os promotores, o crime foi uma demonstração de força de integrantes de grupos de extermínio que atuavam na região.

— Eles se reuniram para dizer à comunidade que eram os donos da localidade — disse o promotor.

Segundo a acusação, ficou comprovado o crime de formação de quadrilha armada, já que há estabilidade na relação entre os acusados.

Quarenta pessoas foram arroladas como testemunhas no inquérito da Polícia Civil assinado pelos delegados Rômulo Vieira, da Delegacia de Homicídios, e Roberto Cardoso, da 58 DP (Nova Iguaçu). No inquérito, foram anexadas 40 armas. Mas, de acordo com exames de balística, nenhuma delas foi usada nos crimes.

Primeiro interrogatório dos réus será em 3 de junho

Com a decretação da prisão preventiva, os acusados ficarão detidos até o dia do julgamento, caso não sejam beneficiados por hábeas-corpus ou por revogação da ordem pela própria juíza. Os primeiros interrogatórios dos réus foram marcados para o dia 3 de junho, às 9h, no plenário do Tribunal do Júri de Nova Iguaçu.

Na justificativa da ordem de prisão, a juíza Elizabeth Louro disse que a própria condição de policiais dos acusados mostra a necessidade de eles ficarem detidos, para que possa haver tranqüilidade no processo.

“Não bastasse o clamor público e a hediondez dos crimes em apuração (...), a condição de policiais que ostentam os acusados encerra circunstância a evidenciar o risco a que estará sujeita a ordem pública, caso venham a ser soltos os mesmos, pelo possível descrédito a que relegaria o sistema de segurança como um todo”, diz um trecho da justificativa.

O Globo


20/05/2005

Jornada de Trabalho

O Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) realizou ontem, 18/05, audiência pública no Senado Federal com a presença de representantes dos trabalhadores e também dos empresários. O tema discutido foi a redução da jornada de trabalho.

Empresários e trabalhadores confrontaram dados que relatam experiências de redução de carga horária em outros países. Segundo os empresários, essa decisão não significa aumento real de empregos formais, o que pode realmente fazer com que aumente o número de empregos é uma reforma tributária que diminua a incidência de tributos para facilitar, via legislação, a contratação de novos empregados. Desburocratizar o sistema de contratação de trabalhadores diminuindo a incidência de impostos é o melhor caminho para o desenvolvimento do país, segundo os empresários.

Já por parte dos trabalhadores, as pesquisas são favoráveis á redução da carga horária. Segundo a representante da CUT isso pode representar a abertura de mais de dois milhões de novos empregos. Os trabalhadores entendem que a redução da carga horária não deve ser discutida visando apenas o aspecto econômico, pois tal decisão se torna um ganho ao longo do tempo, gerando inclusão social, que aumenta o consumo e provoca o desenvolvimento social do país.

Outro aspecto abordado pelos trabalhadores é a questão da hora-extra. É necessário lei que proíba ou limite a quantidade de horas-extras. Pesquisa realizada pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, mostra que com o fim das horas-extras, pode-se abrir mais de duzentos e cinqüenta mil postos de trabalho. Na mesma pesquisa é verificado que homens negros têm menores salários, baixa escolaridade, maior idade e são os que mais praticam a hora-extra. Segundo relato de representantes dos trabalhadores na reunião, a hora trabalhada no Brasil é a mal paga.

Os debates continuam hoje, 19/05, na CNTC. Foram convidados sindicalistas e parlamentares para discutirem a tramitação do PL 4554/2004, do deputado Sérgio Miranda (PCdoB/MG), que trata da regulamentação do artigo 8° da Constituição Federal, e a Proposta de Emenda Constitucional N° 369/2004, PEC da “Reforma Sindical”.

Agência DIAP


18/05/2005

Severino e líderes participam de café da manhã com Lula

O presidente Severino Cavalcanti, integrantes da Mesa Diretora e os líderes partidários da Câmara dos Deputados participam daqui a pouco de café da manhã no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sugestão da reunião foi feita pelo presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que em encontro com Lula na semana passada recomendou mais diálogo com as lideranças da Casa.
Severino pediu a Lula que o governo busque um entendimento em torno da votação da reforma tributária e pare de obstruir as votações da Câmara. Lula não apenas aceitou a idéia de buscar um diálogo institucional com a Câmara como encarregou Severino de fazer os convites.
Severino levará uma pauta de projetos que considera prioritários para a votação, como o projeto decreto legislativo que define a pergunta para o referendo sobre o comércio de armas (PDC 1274/04), e cobrará do governo uma agenda legislativa para este ano.

Jornal da Câmara dos Deputados


18/05/2005

Lula tenta conter a crise

Em dia tenso, presidente convoca lideranças petistas e da base aliada, pede unidade, apóia Jefferson e Rebelo

Em momento delicado do Governo, o presidente Lula demonstrou a tradicional habilidade política. Ele convocou almoço com todos os líderes, no Palácio do Planalto, esvaziando encontro que parlamentares da base aliada estariam articulando justamente para reclamar mais espaço na disputa interna com o PT. O objetivo de Lula foi claro: garantir unidade em um período turbulento, com denúncias de corrupção envolvendo o PTB. Ele mandou recado aos petistas: “Se alguém acha que o Governo é só PT, está enganado”.

No almoço, Lula reiterou que o ministro-chefe da Coordenação Política, Aldo Rebelo, fica no cargo e defendeu o presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), suspeito de participar de suposto esquema de cobrança de propina nos Correios. “Precisamos ter solidariedade com os parceiros”, declarou, acrescentando que não se pode condenar ninguém por antecipação. Também garantiu que a relação com o PTB não vai mudar.

Os líderes disseram que Lula não falou sobre a CPI articulada pela oposição. Presente ao almoço, Rebelo foi ao Congresso acompanhar o discurso de Jefferson, aguardado com expectativa no Planalto. A defesa foi considerada satisfatória, mas muitos entenderam que Jefferson acabou expondo o Governo à CPI, após anunciar que assinaria o pedido de instalação da comissão: “Uma CPI é sempre boa para a sociedade, mas, para o Governo, é sempre ruim”, advertiu o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP).

Ontem, Lula recebeu a doação de um milhão de litros de leite da empresa Tetra Pak para o programa Fome Zero.

O Dia


18/05/2005

Oposição consegue assinaturas para CPI

Pedido de comissão para investigar denúncias na ECT será protocolado hoje

A oposição conseguiu o número exigido de assinaturas para protocolar o pedido de criação da CPI mista dos Correios. Na Câmara, 176 deputados assinaram (eram necessárias 171) e, no Senado, 38 senadores apoiaram o pedido (de um mínimo de 27). Esses números ainda devem aumentar.

O requerimento deve ser protocolado hoje na Mesa Diretora do Congresso. Apesar do esforço do governo e do PT, que tentaram evitar a investigação parlamentar, o apoio foi conquistado com a ajuda de parlamentares da base aliada, da dissidência petista e do próprio presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), principal atingido pelas denúncias contra a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

De acordo com denúncias divulgadas pela revista Veja, Jefferson seria o suposto comandante de um esquema de cobrança de propina em negociações com fornecedores da estatal. Num discurso de 40 minutos, o presidente do PTB negou as denúncias e se disse prejudicado por empresas do setor de informática que tiveram interesses contrariados numa licitação de R$ 35 milhões que foi cancelada. "Não sou algoz. Sou vítima de um negócio que não foi feito", afirmou. Ele distribuiu cópias de dois DVDs contendo a íntegra das gravações.

Roberto Jefferson também disse que Maurício Marinho, ex-chefe do departamento de contratação e administração de material dos Correios, nunca integrou os quadros do PTB. É ele quem cita o nome de Jefferson nas gravações. Maurício Marinho apresentou uma carta em que admite várias vezes que errou e pede desculpas. Diz que não é amigo íntimo de Roberto Jefferson. "Tudo o mais que possa ter dito não passou de vaidade e uma maneira de me valorizar profissionalmente", escreveu. Marinho relatou também que os R$ 3 mil que recebeu não eram propina, mas adiantamento por uma consultoria que os empresários que o procuraram (e gravaram o vídeo) queriam firmar.

A carta de Marinho e a defesa de Roberto Jefferson não amenizaram a oposição. Para o líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), ficou reforçada a necessidade de uma CPI. "O discurso trouxe fatos novos", argumentou Aleluia. "Nós queremos saber o que aconteceu com a quadrilha que está instalada lá (ECT)", emendou o líder tucano, Alberto Goldman (SP). "O discurso foi convincente. Mas, independente disso, somos favoráveis à investigação", defendeu o líder do PTB na Casa, José Múcio Monteiro (PE), que assinou o requerimento.

Jornal de Brasília


18/05/2005

Além do Fato: Sem programa nem pudores

O Partido Trabalhista Brasileiro, batizado em 15 de maio de 1945, nasceu sob o signo da esperteza. Irmão do Partido Social Democrático, nem parentes pareciam. Mas a junção de faces opostas permitia a contemplação do rosto do pai: Getúlio Vargas. O PSD era a face direita , desenhada pelas mãos conservadoras de industriais e fazendeiros. A face esquerda era o PTB, modelado pelo proletariado emergente e por tribos de deserdados agora órfãos do grande cacique.

Imposta pelo DNA, a parceria funcionou exemplarmente. Em 1950, sem nunca desafinar, o PSD e o PTB conseguiram seguir partituras distintas, além de complicadas, que só se unificavam no desfecho da ópera da volta triunfal de Getúlio. Em 1955, provaram que haviam sobrevivido ao suicídio do pai.

Os irmãos coligados conduziram ao Palácio do Catete o pessedista mineiro Juscelino Kubitschek, candidato a presidente, e o vice João Goulart, petebista gaúcho. Atropelados por Jânio Quadros em 1960, seriam os maiores beneficiários da renúncia que resultou na posse de Jango. De novo, sobraçavam obastão de mando. A harmonia durou pouco: logo sobrevieram cotoveladas que os transformariam em irmãos desavindos. O golpe de 1964 encontrou-os em trincheiras antagônicas, prontos para disputar a sucessão presidencial que não houve. Então, o PTB já exibia cara de partido.

Tinha um rascunho de programa inspirado nas chamadas “reformas de base” endossadas pelo presidente João Goulart. Um discurso agressivamente nacionalista transformara a sigla no hasbitat perfeito para numerosos subgrupos da esquerda brasileira não-comunista.

Figurões petebistas ocupavam ministérios estratégicos. Sobretudo, comandavam o poderoso esquema sindical, manipulado com habilidade e sem escrúpulos por notórios “pelegos”. O PTB se tornara, enfim, musculoso demais para conformar-se com o papel de coajuvante.

Virara protagonista, e assim seria tratado pelos novos donos do poder. Os castigos infligidos ao PTB foram bem mais ásperos que os reservados ao PSD. Ironicamente, os irmãos escalaram juntos o cadafalso erguido, em outubro de 1965, pelo ato institucional que dissolveu as siglas existentes. E juntos sentiram o baque da guilhotina do bipartidarismo.

Na terra arrasada, só póderiam florescer a Arena governista e o MDB escalado para o papel de oposição. Os mandarins do PSD não demoraram a entender-se com os quartéis. Os sobreviventes do PTB refugiaram-se na reserva destinadas a oposicionistas dispostos a respeitar fronteiras claramente demarcadas.

Em 1978, quando o ritmo da abertura política anunciou a iminente restauração do pluripartidarismo, os velhos partidos continuaram na tumba. Com uma única exceção: havia sinais de vida no jazigo do PTB. A exumação constatou que, em 1965, a cabeça não fora separada do pescoço, mas dividida em duas metades que sobreviveram em estado vegetativo. E a ressurreição se consumou.

As duas metades voltaram à vida já de olho no poder. Uma mostrava a face de Leonel Brizola, ex-governador gaúcho. Na outra se reconhecia a ex-deputada paulista Ivete Vargas. Com a ajuda do general Golbery do Couto e Silva, principal articulador do governo do general-presidente João Figueiredo, Ivete venceu a disputa judicial pela sigla ressuscitada. Ao ganhar a cara de Ivete, o PTBperdeu a alma.

Sem programa nem pudores, tem no deputado Roberto Jefferson sua mais perfeita tradução. O currículo do atual presidente se afina notavelmente com o perfil de um partido disposto a qualquer negócio para alojar-se em lucrativos gabinetes federais.

Jefferson comandou a "tropa de choque" de Fernando Collor com uma agilidade espantosa para quem pesava mais de 150 quilos. Uma cirurgia reduziu-lhe a silhueta, não o apetite pelo poder. Apoiou todos os governos seguintes. Hoje é Lula desde criancinha.

O PTB voltou do Além em forma de zumbi insaciável. Tem o chefe que merece.

Jornal do Brasil


18/05/2005

Palocci defende a política monetária do BC

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, justificou ontem que o criticado conservadorismo da política monetária por parte do Banco Central ocorre para evitar que o País tenha uma situação difícil de ser revertida, no futuro. “É preciso compreender o esforço nesta área, pois muitas vezes fala-se que o Copom (Comitê de Política Monetária) é radical, excessivamente conservador, mas é preciso olhar o comportamento efetivo da inflação. Se o BC não tiver uma postura concreta e objetiva sobre o comportamento da inflação, sabemos que isto dará custos ao País, custos, muitas vezes, difíceis de serem revertidos depois se o descuido ocorrer, no momento em que a inflação pressiona”. Segundo ele, o País terá ganhos no longo prazo, resultado este que garante a manutenção das metas de investimentos.
Na avaliação do ministro, a gradual elevação da taxa básica de juros, a Selic, para os atuais 19,50%, índice que pode ser alterado hoje, no segundo dia de reunião do Copom, não deve implicar em mudanças nas projeções de investimentos do empresariado. “Não acredito que o esforço da política monetária faça o empresário, que avalia a política do longo prazo, desistir de investimentos porque ele vê que esse procedimento de ajustes busca o equilíbrio macroeconômico e controle da inflação”. Palocci acrescentou que o “que dá consistência ao investimento é saber que no futuro o Brasil estará equilibrado”.
O ministro da Fazenda defendeu também o câmbio flutuante que, para ele, é a melhor política para as contas externas. “O diabo é que o danado flutua, certamente não vai agradar a todos”, disse. Palocci referia-se às queixas dos empresários exportadores em relação à depreciação do dólar em relação ao real. Para o ministro essa é também a melhor política para os demais países. “Ela é adotada em praticamente todos o mundo, salvo algumas exceções, mas penso que isso será positivo para o andamento da economia nacional”, analisou.
Pelo seu raciocínio, o próprio mercado irá ordená-lo, corrigindo-o para um patamar diferente. “É preciso observar que de 2004 para cá, alguns fenômenos afetaram as cotações”, disse. Uma delas, segundo Palocci, foi a mudança do patamar em relação às outras moedas e a outra foi o efeito do princípio de isonomia em torno da introdução da alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as importações. “Era um absurdo o produto importado não pagar Cofins e o produto nacional ter que fazê-lo. Mas essa correção não é uma mudança de preço natural do processo econômico, é uma correção de impostos que estavam desajustados e o câmbio responde a isso também”, esclareceu.
Palocci deu as informações, logo após discursar para uma platéia de investidores luso-brasileiros, na sede da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). No pronunciamento, ele mencionou os vários números positivos da evolução econômica do país como a recuperação da poupança bruta, que passou de 20,4% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2003, para 23,2%, em 2004. Observou que, inicialmente, os grandes alimentadores do crescimento era a demanda externa por produtos agrícolas e minerais, além de produtos semimanufaturados e de origem agroindustrial, mas que nos últimos trimestres, o desempenho da indústria de transformação e do comércio superou a evolução registrada pela agricultura. O ministro sinalizou também que os empréstimos consignados (aqueles com desconto direto em folha) devem ser mantidos.

Brasil tem o juro mais alto do mundo

Mesmo que a taxa básica de juros (Selic) caia hoje, o Brasil continua liderando o ranking das maiores taxas de juros do mundo. Os juros reais brasileiros atuais são de 13,3% ao ano, bem acima do segundo colocado, a Turquia (6,6%). Os dados foram divulgados ontem pela consultoria GRC Visão. “Para que os juros brasileiros se equiparassem ao da Turquia, seria preciso que a Selic caísse hoje para 12,4%, o que é impossível”, diz o economista da GRC Visão, Alexsandro Agostini. Sua projeção é de que na reunião do Copom de hoje, o colegiado decida por mais um aumento de 0,25.

IGP-10 de maio tem variação zero e é o menor dos últimos 22 meses

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) de maio registrou variação zero (0%) ante alta de 1,17% em abril, o menor resultado em quase dois anos (22 meses). A inflação de maio contou com uma queda forte nos preços no atacado. “Houve uma forte queda dos preços dos produtos agrícolas, de -3,37%, que foi a mais intensa desde maio de 1999”, explicou o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.
Mesmo com o bom resultado geral, a inflação do varejo ainda preocupa, pois atingiu em maio o maior resultado desde abril de 2003, com o Índice de Preços ao Consumidor-10 (IPC-10) passando de 0,75% em abril para 0,93%. Não foi suficiente para mudar o saldo total, já que o IPA-10, que tem maior peso no cálculo, passou de alta de 1,43% em abril para queda de 0,43% em maio, também o menor resultado desde julho de 2003. O período de coleta do IGP-10 foi do dia 11 de abril a 10 de maio.
Para Quadros, entre os fatores que levaram ao recuo na inflação estão a apreciação do frente frente ao dólar, que puxou para baixo preços de produtos direta ou indiretamente relacionados à moeda norte-americana, e o término do “choque dos preços agrícolas” no atacado, causado por problemas climáticos. “Mas o fator preponderante no recuo foi provocado mesmo pelos agrícolas”, avaliou. O economista da FGV explica que os preços nesse setor passam por um ajuste, visto que subiram demais na época em dominavam o noticiário as notícias da forte estiagem na região Sul, que prejudicou várias lavouras. Como exemplo, citou o caso da soja, cujos preços passaram de alta de 12,77% em abril para queda de 8,40% em maio. “Com o fim do choque dos agrícolas na inflação do atacado, os efeitos favoráveis do câmbio na inflação, que já estão ocorrendo há algum tempo, vão ganhar mais destaque”, disse.

Analistas prevêem queda de investimentos se o Copom aumentar a Selic hoje

O investimento produtivo em máquinas e equipamentos e construção civil (Formação Bruta de Capital Fixo - FBCF), que parece já estar caindo há dois trimestres consecutivos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), pode sofrer um novo desestímulo se o Banco Central aumentar a Selic mais uma vez hoje. A preocupação é com os efeitos de uma nova alta na taxa de juros básica, a Selic, de 19,50% para 19,75%. “Acredito que isso desestimula o investimento por dois motivos: primeiro que para valores grandes como são os desses investimentos, em termos absolutos, 0,25% não é tão pouco assim. Segundo, porque sinaliza um aperto monetário mais longo”, disse Estevão Kopschitz, do Ipea.

Jornal do Comércio


18/05/2005

Senado busca solução para crise em Rondônia

Denúncias de corrupção nos Correios e em Rondônia mobilizam parlamentares. Todos defendem a apuração rigorosa dos fatos. Plenário aprova criação de comissão externa de senadores que ajude a solucionar crise naquele estado

Após a invasão e o quebra-quebra promovidos na Assembléia Legislativa e no Palácio do Governo por manifestantes em Rondônia, o Senado aprovou requerimento da senadora Fátima Cleide (PT-RO) para a criação de uma comissão externa de cinco senadores que ajude a solucionar a crise institucional no estado. A revolta foi motivada por denúncias de extorsão envolvendo deputados estaduais e o governador Ivo Cassol, divulgadas pela TV Globo.

De acordo com a senadora, a Assembléia Legislativa de Rondônia não tem condições éticas e morais para conduzir a retomada da normalidade institucional no estado. Pelo menos dez deputados estariam envolvidos com a cobrança de propina mensal de R$ 50 mil para garantir governabilidade. Fátima Cleide sugere a realização de eleições para governador e deputado estadual.

A senadora negou que quatro deputados estaduais do PT tenham assinado o pedido para impedir a veiculação da reportagem no estado. Conforme sustentou, os petistas teriam ingressado, na verdade, com medida cautelar para resguardar a exibição.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) apoiou a criação da comissão e manifestou interesse em participar dela. Virgílio também disse que, se Cassol tiver culpa, será expulso do PSDB.

Romeu Tuma (PFL-SP) sugere intervenção federal no estado, mas Demostenes Torres (PFL-GO) considera a medida inconstitucional. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) defende novas eleições em Rondônia.

Jornal do Senado


18/05/2005

Deputados retiram ação que censurava reportagem

PORTO VELHO - Depois da péssima repercussão da censura imposta à TV Globo, os deputados de Rondônia retiraram ontem a ação judicial que impedia a emissora de veicular no Estado a reportagem que mostra parlamentares pedindo propina ao governador Ivo Cassol (PSDB) em troca de apoio. A própria Globo já havia recorrido à Justiça, para que pudesse exibir o material.

A proibição irritou principalmente estudantes. Em muitas escolas a reportagem foi exibida na última segunda-feira, nos auditórios, e ontem à tarde alunos foram liberados para que pudessem participar do protesto na Assembléia e na sede do governo. Diversas entidades de classe, como a OAB, divulgaram notas oficiais reclamando da decisão.

Vinte e um dos 24 deputados foram apontados como autores da ação, mas nem todos entregaram a procuração ao advogado Adriano Jennes de Araújo Moreira. Os que não entregaram disseram que nada tinham a ver com a proibição. Ontem cedo deputados enviaram correspondência à TV Globo se explicando.

Argumentavam que a intenção era "garantir a lisura" da apuração das acusações e asseguraram que as denúncias que aparecem na reportagem serão apuradas e que a lei será cumprida, mesmo que isso represente a perda de mandatos.

Por último, deputados pedem ajuda para moralizar a política em Rondônia, mostrando a situação de Cassol, que foi denunciado pelo Ministério Público Federal ao Superior Tribunal de Justiça por formação de quadrilha, fraude a licitações e contrabando de diamantes da Reserva Indígena Roosevelt.

Tribuna da Imprensa


16/05/2005

Reforma Sindical

Com a participação do DIAP, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB/BA) vai realizar hoje, segunda-feira, 16/05, seminário para debater a reforma sindical e seu impacto sobre a organização dos trabalhadores.

O Diretor de Documentação do Departamento, Antônio Augusto de Queiroz vai representar o órgão nesse seminário, que ser realizado no auditório da Escola de Administração da Ufba (Universidade Federal da Bahia), às 9h.

Agência DIAP


16/05/2005

Infraero diz que aeroportos do País funcionam normalmente

Brasília - A Infraero divulgou em seu portal na Internet nota do presidente da empresa, Carlos Wilson Campos, afirmando que os 66 aeroportos do País sob sua administração funcionam normalmente, sem problemas operacionais, apesar da paralisação de 48 horas anunciada pelo Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina). "Os vôos nacionais e internacionais estão no horário", diz a nota.

Até o momento, o Sina não tem uma avaliação da paralisação nos aeroportos. Além do Aeroporto de Cumbica, em São Paulo, o Juscelino Kubitschek, em Brasília opera normalmente, segundo informações da Infraero naquele terminal. Nem as partidas nem as chegadas estão atrasadas, informam os técnicos, o que indicaria normalidade de operação também nos outros terminais.

Carlos Wilson está em Recife, de onde reafirmou que o governo desistiu de promover qualquer forma de privatização de seu capital. "Como todas as empresas estatais brasileiras, a Infraero também foi convocada a participar do esforço para o aumento do superávit primário, meta primeira do Ministério da Fazenda. Neste sentido fomos obrigados a promover fortes cortes de custeio, o que nos obrigou a buscar formas de capitalizar a empresa", afirma Campos.

"Por orientação do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estudamos uma forma de aporte do Fundo Nacional de Desenvolvimento, que já é sócio da empresa (11,2%)". O Tesouro Nacional é o acionista majoritário, com 88,8%.

Carlos Wilson informa que ainda negocia com o governo a aplicação do novo plano de cargos e salários reivindicado pela categoria, mas não dá nenhum sinal de que vá negociar ou avançar em outras das exigências como a mudança da data-base para 1º de maio.

Estado de São Paulo


16/05/2005

Servidores pressionam para derrubar veto ao reajuste

Sindicato da categoria ameaça recorrer ao Supremo para acelerar a votação

OSindicato dos Servidores do Legislativo e do Tribunal de Contas da União (Sindlegis) marcou para esta semana encontro com os presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para pressionar pela derrubada do veto presidencial ao reajuste de 15% para o funcionalismo do Legislativo. Os sindicalistas ameaçam, como último recurso, entrar na Justiça exigindo a apreciação do veto.

"Nosso foco central é fazer com que esse veto seja derrubado", afirmou Ezequiel Nascimento, presidente do sindicato. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou, na quarta-feira, os projetos de aumento. O argumento é que isso poderia causar um efeito cascata em outros segmentos que resultaria em um gasto extra de R$ 11 bilhões ao governo, além da falta de verba no Orçamento destinada ao reajuste.

Para derrubar o veto presidencial são necessários os votos de 257 dos 513 deputados e de 41 dos 81 senadores. Há mais de 400 vetos presidenciais na fila aguardando deliberação no Congresso. "Estamos estudando entrar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal assim que for convocada uma sessão do Congresso", disse Ezequiel.

ImpactoO Ministério do Planejamento estima que o impacto nas contas públicas do aumento salarial para os servidores do Legislativo seria de R$ 1,3 bilhão até o final do mandato de Lula. Os dados, divulgados pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), calculam em R$ 577 milhões o custo para este ano, subindo, em 2006, para R$ 590 milhões, devido à implementação do plano de reestruturação de carreira do TCU, além de R$ 132 milhões retroativos a 2004.

"Não havendo previsão de receita para essa despesa continuada, o aumento não pode, constitucionalmente, ser autorizado", declarou Mercadante.

Senadores preparam levantamento sobre quantos projetos do governo criaram despesas que não estavam previstas no Orçamento como forma de rebater o argumento usado para o veto.

Além disso, a Câmara está retomando as discussões sobre a implantação do plano de carreira de seus funcionários, cuja implantação o governo ficou de estudar. O plano chegou a ser esboçado, mas foi descartado porque sairia mais caro que o reajuste.

Jornal de Brasília


16/05/2005

Reforma pára e velhos costumes não mudam

Mudanças no sistema político hibernam na Comissão de Constituição e Justiça

BRASÍLIA - Congresso parado, projetos importantes emperrados, relações políticas costuradas em cima da troca de favores são o retrato fiel de um sistema político-partidário que se esgotou. Todos os atores envolvidos propagam, aos quatro ventos, a necessidade de uma reforma política para reconstruir esse cenário.

As idéias centrais do projeto que foram ventiladas até agora no Parlamento propõem lista fechada, fim das coligações proporcionais, cláusula de barreira para evitar partidos de aluguel e financiamento público de campanha. A solução, contudo, é quase utópica, já que a reforma hiberna na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, com chances quase nulas de ser votada.

- As pessoas têm medo de perder o poder que ostentam hoje. Reforma política só se faz com o confronto - resumiu o deputado Chico Alencar (PT-RJ).

Como toda mudança estruturante, os efeitos concretos seriam visíveis apenas ao longo do tempo. Mas poderiam ser decisivos na formação das alianças eleitorais com vistas às eleições majoritárias. Os partidos que selassem o pacto de união teriam que se manter fiéis um ao outro e, mais importante, aos princípios norteados por programas e idéias, durante toda a gestão vitoriosa nas urnas.

Esse compromisso político seria fundamental para que os governos pudessem, de fato, colocar em prática as promessas de campanha. E por outro lado, mexer em estruturas consideradas ultrapassadas como o sistema de tributos, do Judiciário e leis trabalhistas, por exemplo.

O presidente eleito teria consciência do tamanho da sua base de apoio, que não ficaria suscetível a ser desmantelada por qualquer crise circunstancial de relacionamento como ocorre no momento com Lula.

- É uma questão de governabilidade - definiu o cientista político David Fleischer.

Segundo ele, enquanto o país tiver um modelo partidário e eleitoral estruturado em cima de personalidades ou caciques políticos, como é hoje, as relações entre Executivo e Legislativo serão sempre instáveis.

- É preciso que haja um sistema construído em cima de programas e fidelidade à legenda, ou os partidos não terão controle sobre os parlamentares - acrescenta o professor Fleischer.

Um retrato fiel é a luta para a aprovação da reforma tributária no Congresso. O governo reuniu os 27 governadores, levou-os ao Congresso com as alterações propostas embaixo do braço e, passados mais de dois anos de mandato, o impasse persiste.

O PMDB, que se diz aliado do Planalto, deixa seus governadores fecharem um acordo para apoiar uma proposta defendida pela oposição. Outras reformas, como a trabalhista, sequer chegam ao Parlamento, tamanha a confusão que provocam entre os partidos de sustentação de Lula.

A reforma política também protegeria o eleitor em sua condição essencial ao exercício da cidadania: a legitimidade do voto. Hoje o eleitor não exerce mais controle sobre os caminhos do voto depositado na urna, entende a cientista política Lúcia Hipólito.

As distorções na vontade do eleitor são freqüentes e estão presentes de Norte a Sul do país. Com o voto proporcional, por exemplo, o eleitor corre o risco de votar na deputada comunista Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e eleger o diametralmente oposto, em idéias e concepção política, deputado Jair Bolsonaro (PFL-RJ). Com a lista fechada e o fim das coligações proporcionais, essa distorção seria corrigida.

A atual crise em que está mergulhada a articulação política do governo com o Congresso também é reflexo dessa salada partidária, cujas cores e sabores dependem do humor de quem está negociando nos dois lados do balcão. Na maioria das vezes, o que está em questão é o que o detentor da caneta tem a oferecer, em emendas parlamentares ou em cargos.

- Do jeito que funciona o modelo brasileiro, o presidente tem sempre de estar adubando a sua base. Tem gente que chama isso de fisiologismo - brinca Fleischer.

Jornal do Brasil


16/05/2005

Flagrante em Rondônia

O flagrante de deputados estaduais negociando propinas com um governador de Estado foi exibido ontem pelo programa Fantástico, da Rede Globo. Dizendo-se refém de uma acirrada disputa política motivada por esquemas de corrupção, o governador de Rondônia, Ivo Cassol (PSDB), utilizou uma câmera escondida para gravar as propostas feitas por deputados que lhe fazem oposição na Assembléia Legislativa daquele Estado e o acusam de não repassar verbas previstas no orçamento de 2004 para os poderes estaduais. O governador, que está ameaçado de impeachment, apresentou as imagens e afirmou que todos os governadores sempre foram reféns da Assembléia.

Nas imagens, sete parlamentares aparecem pedindo propina para amenizar a oposição ao governador. Eles pedem um pagamento mensal de R$ 50 mil.

Zero Hora


16/05/2005

Marcha Nacional pela Reforma Agrária

O papel de conscientização política da Marcha Nacional

Debater e estudar temas importantes relacionados à Reforma Agrária e à soberania nacional. Este também é o papel da Marcha Nacional pela Reforma Agrária. Todas as manhãs, os participantes caminhavam rumo à Brasília. Já no acampamento, depois do almoço, um descanso para repor as energias e no período da tarde, debates e estudos. Divididos em grupos, homens e mulheres se colocam para refletir e discutir assuntos imprescindíveis para a conscientização política.

Cartilhas, documentos e palestrantes são os instrumentos usados para o estudo. Os convidados falavam na rádio Brasil em Movimento por volta de 40 minutos, colocando ao final da exposição uma questão para o debate. Depois disso, os participantes se organizavam em grupos para discutir o assunto. Nos dias em que não havia a presença de convidados, são usadas cartilhas e documentos.

Segundo Adelar Pizetta, coordenador do setor de formação, a rádio tem um papel extremamente importante em todo este processo. “Se não tivéssemos a rádio, não conseguiríamos realizar atividades para esta quantidade de pessoas. Foi um aprendizado para todos nós, perceber como o rádio pode cumprir um papel extremamente importante na conscientização política”.

Os documentos sobre a Reforma Agrária (tanto os do governo como os dos movimentos sociais) e os porquês da realização da Marcha Nacional já foram discutidos. “Nosso objetivo é mostrar aos trabalhadores e trabalhadoras as diferentes propostas que existem sobre a Reforma Agrária”. A proposta da elite para o campo, o agronegócio também foi estudado, assim como transgênicos, Alca, IV Semana Nacional Brasileira, imperialismo, meio ambiente, água, conjuntura política nacional e Projeto Popular.

Pizetta conta que existem outros momentos de formação, idealizados já com a Marcha em curso. “Introduzimos na parte da manhã, enquanto os marchantes estão caminhando, programas curtos com temas relacionados ao próprio MST e também de sua organização”.

“Já percebemos que o nível de consciência e de participação dos marchantes cresceu. Nos chamou a atenção também a disposição dos trabalhadores e trabalhadoras em desenvolver as atividades da Marcha”. Esta disposição pode ser comprovada na vivência do dia a dia das caminhadas e do acampamento. “Estou muito feliz de ter participado deste trabalho da Marcha. Estou aprendendo muito nos momentos de formação”, afirmou a trabalhadora rural da Paraíba, Maria de Nazaré Nascimento, que acampada, espera seu pedaço de terra há dois anos.

Fonte: Site do MST


11/05/2005

Cúpula América do Sul-Países Árabes mobiliza debates

Deputados de vários partidos destacaram em plenário a reunião de cúpula entre países da América do Sul e do mundo árabe, que teve início na segunda-feira, em Brasília. O deputado Jamil Murad afirmou que a reunião revela a disposição do Brasil em romper com o imperialismo norte-americano e que sua rea-lização é uma vitória da nova política externa brasileira, “cuja mudança consiste em sair da tutela americana e em ter relações privilegiadas com países em desenvolvimento, procurar alternativas, novos caminhos”.
Pelo PSDB, o deputado Jutahy Junior protestou contra o fato de o Congresso não ter funcionado ontem, lembrando que não se tratava de uma reunião de chefes de estado, mas de uma reunião comercial. Para ele, a política externa do atual governo é feita de forma “amadorística, vinculada a um sentimento de exibicionismo”.
Em resposta a Jutahy, o deputado Maurício Rands disse que, ao longo do Governo Fernando Henrique Cardoso, “a política externa não se caracterizou pela altivez nem pela inserção soberana”. “O Brasil hoje não dialoga ajoelhado diante das nações industrializadass, o diálogo não é apenas norte-sul. A Cúpula América do Sul- Países Árabes é parte de uma nova estratégia, um diálogo sul a sul”, acrescentou.
As atividades do Congresso foram suspensas ontem em atendimento a um pedido feito pelo presidente da República aos presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti, e do Senado, Renan Calheiros. No âmbito do Executivo, o ponto foi facultativo em Brasília em razão do forte esquema de segurança montado para a cúpula, que criou dificuldades no acesso à Esplanada dos Ministérios e ao Congresso. Em conseqüência, o Jornal da Câmara não circulou no dia de ontem.

Jornal da Câmara dos Deputados


11/05/2005

Veneno em pizza foi de brincadeira

Jovem confessa crime e pede pizza mista na hora do almoço

Elisângela Maria de Araújo, a Milica, 21 anos, ex-namorada de Cosme Pereira, confessou ontem à polícia, ter mandado as pizzas que intoxicaram nove pessoas no Colégio Jatobá, em Petrolândia, PE. Ela afirmou ter tido uma desilusão amorosa, pois Cosme não queria reatar o namoro. Mas em novo depoimento afirmou que tudo foi uma brincadeira. Elisângela teve prisão temporária decretada pela Justiça.

A ex-namorada mandou uma pizza para Paulo Henrique da Silva, de 16 anos, acompanhada de um bilhete de amor para despistar. As duas pizzas foram compradas num supermercado. Ela misturou o veneno – um pesticida agrícola – na maionese e espalhou sobre o recheio. “Foi uma resenha, né”, disse ao ser questionada sobre as intoxicações.

Ontem, na hora do almoço, Milica pediu aos policiais uma pizza mista de mussarela, frango e calabresa. “Essa é boa porque não tem gosto de veneno”, comentou rindo. A polícia acha que ela está encobertando alguém já que a letra dela não é a mesma do bilhete.

O Dia


11/05/2005

Um dia marcado por protestos

Protestos marcaram o primeiro dia da Reunião de Cúpula América do Sul - Países Árabes. Na cerimônia de abertura do evento, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, aconteceu uma manifestação em apoio à luta pela liberdade de expressão de mulheres árabes. À tarde foi a vez de um grupo de homossexuais de Brasília deixar o seu recado.

O ato organizado por ONGs que participam da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, realizado na manhã de ontem, envolveu além dos coordenadores do protesto, oito mulheres vestidas com burcas pretas, roupas típicas das mulheres árabes. Em silêncio e segurando faixas, elas pediam o fim da opressão às mulheres dos países árabes. O protesto terminou com elas queimando três burcas ao lado do Centro de Convenções, sob os olhos atentos de um verdadeiro aparato de guerra montado pela segurança do evento. Helicópteros, policiais militares, Cavalaria e seguranças particulares cuidaram para que as manifestantes não invadissem a área que dá acesso ao Centro de Convenções.

Por voltas das 17h30, o Grupo Homossexual Estruturação, que tem sede em Brasília, organizou um apitaço em frente ao Palácio do Itamaraty. De acordo com o presidente da entidade, Welton Trindade, a intenção não era protestar contra os acordos comerciais entre os países, mas sim, contra a falta de apoio e de política do governo brasileiro em relação aos homossexuais .

terrorO Centro Simon Wiesenthal, ONG judaica dedicada a combater o anti-semitismo, vê margem para interpretações favoráveis ao terrorismo nos discursos apresentados pelos participantes da Cúpula América do Sul-Países Árabes. Representantes da ONG estão em Brasília como observadores anônimos e têm mantido contato com chefes de governos participantes para modificar o tom dos discursos oficiais na cúpula.

"O discurso que estou ouvindo aqui é perigoso", diz o argentino Sergio Widder, que está em Brasília desde segunda-feira.

Jornal de Brasília


11/05/2005

Mercosul assina acordo com países do Golfo

Documento formaliza interesse em parcerias econômicas

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assinou ontem pela manhã o Acordo-Quadro de Cooperação Econômica entre Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo. O documento formaliza o interesse dos dois blocos em parcerias nas áreas econômica, comercial, técnica e de investimentos.

- É um grande e pioneiro acordo. Muitos países querem assinar parcerias com o Golfo, por motivos óbvios, e o Mercosul é o primeiro a fazê-lo - afirmou o ministro.

Amorim disse acreditar que os países do Golfo - Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Iêmem e Omã - firmaram o acordo pois o Mercosul é uma união aduaneira, com tarifas comuns negociáveis.

Se as negociações dos blocos se mostraram promessa de bons negócios para o Brasil, a Feira de Investimentos, que acontece em paralelo à Cúpula, enfrentou mais um dia de esvaziamento.

O que era para ser um ponto de encontro de empresários, acabou se transformando em cartão de apresentação de nações. Pouco mais de 50 pessoas passeavam pelos stands, a maioria funcionários de embaixadas e do Itamaraty. Das cinco salas reservadas no Centro de Convenções Ulisses Guimarães para apresentação de propostas de investimentos, apenas três tinham quorum, e mesmo assim muito baixo, entre 10 e 30 participantes.

Mesmo com os corredores vazios, árabes e latino-americanos viram a iniciativa brasileira com bons olhos. Charbel Haddad, presidente da Câmara Brasil-Líbano, disse que tanto a Cúpula de chefes de Estado e governo, como a Feira de Investimentos, puderam aproximar o conhecimento do brasileiro, que é um primeiro passo para o investidor.

- Não se investe naquilo que não se conhece. O Líbano tem US$ 3 trilhões para investir, em função de negócios desfeitos, e o Brasil se mostrou um país sério que merece mais atenção da nossa parte - afirmou.

Haddad disse que seus ''irmãos de pátria'' tinham uma visão equivocada da situação brasileira, que só pôde ser modificada com a visita.

- Esta é uma primeira aproximação. Eles conheciam do Brasil apenas futebol e carnaval. Agora, puderam ver que é um país sério e que pode ser atraente nos negócios. E o melhor: que está aberto para tomar mercados de quem desfez negócios com o Líbano - disse.

Hoje, as exportações brasileiras participam de pouco menos de 5% dos US$ 10 bilhões importados anualmente pelo Líbano. Na lista de compras daquele país estão café, carne, frango, madeira e produtos odontológicos.

Jornal do Brasil


11/05/2005

Maciel pede mais integração entre países do Mercosul

A importância do Mercosul para o Brasil e a necessidade de aumentar a cooperação entre os países que o integram foram ressaltadas ontem pelo senador Marco Maciel (PFL-PE). Ele pediu que a diplomacia brasileira procure se espelhar nos exemplos do Barão do Rio Branco – que foi ministro das Relações Exteriores durante 12 anos no início do século 20 –, a fim de que esse objetivo seja alcançado e para que o projeto do Mercosul não fracasse.

– Espero que o governo confira ao Mercosul a relevância que ele tem para o nosso país e para o processo de integração regional – declarou, recordando que o Barão do Rio Branco, "ao estabelecer os paradigmas da política externa brasileira, determinou como um de seus fundamentos a atenção ao Rio da Prata".

Ele destacou que a criação do Mercosul, iniciada em 1988, gerou a expectativa de produzir um processo de integração entre os países-membros, trazendo benefícios políticos, econômicos, sociais e culturais. O senador ressalvou que essa integração parece estar ameaçada pelo descaso do atual governo em relação à região.

Maciel comparou a história das relações entre os países platinos com as relações entre os países europeus. Para ele, nos dois casos, a posse de rios e pedaços de terra às vezes provocava grandes rivalidades, mas também tinham "o potencial de proporcionar uma integração efetiva e profícua".

Jornal do Senado


11/05/2005

Lula comedido, Chávez à vontade

Estrela de uma cúpula histórica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o encontro entre líderes sul-americanos e árabes com uma retórica até tímida para o tom da festa. Na cerimônia, destacaram-se a polêmica nos discursos árabes, a antipatia do argentino Néstor Kirchner e o alarde provocado pelo venezuelano Hugo Chávez, único a levantar a platéia.

Lula fez o discurso mais curto. E para não fugir ao tom cuidadosamente planejado, surpreendeu ao deixar de lado as improvisações. Leu todo o texto, que destacava o caráter político do encontro e a necessidade de uma mudança na geografia do poder mundial. Foi aplaudido pelo menos cinco vezes, inclusive quando disse que a América do Sul compartilha com o mundo árabe uma série de valores, como "a tolerância e o culto à diversidade". Lula falou três vezes em democracia, ao lado de representantes de países que não prezam com tal zelo o significado desta palavra.

Alto escalão do Planalto compareceu em peso

Se o brasileiro parecia comedido, Chávez estava à vontade. Enquanto as outras autoridades eram chamadas pelo microfone, ele ria e cochichava com o representante do Catar, sentado ao seu lado, o emir Hamad bin Al-Thani.

Além de deixar claro que cúpulas não combinam com sua personalidade, Kirchner também evidenciou que a irritação com o protagonismo brasileiro não é mera retórica. Diante dos elogios ao Brasil, Kirchner era o único a não aplaudir. Enquanto o presidente do Peru, Alejandro Toledo, discursava, o argentino se levantou e desceu do palco. O motivo? Ir ao banheiro, despistaram assessores. Na platéia, autoridades do Itamaraty cochicharam e exibiram desconforto. O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, levantou-se, falou ao telefone e, por fim, também começou a circular na platéia. Kirchner voltou a tempo de ouvir Toledo dizer que a cúpula reflete a liderança de Lula. Todos aplaudiram, menos o argentino, que apoiava o rosto nas mãos. A reunião não parece tê-lo agradado. À tarde, Kirchner fez as malas e foi embora.

O alto escalão do Planalto compareceu em peso ao evento. Sentados nas primeiras filas, eles reagiram com discrição às críticas desferidas pelos árabes a Israel. Do outro lado, a claque de Chávez aplaudia, em especial quando o presidente interino da Liga Árabe, o argelino Abdelaziz Bouteflika, declarou:

- Há um direito do povo palestino de ter um Estado soberano, com capital em Jerusalém. E Israel deve se retirar dos territórios ocupados.

Zero Hora


10/05/2005

Ponto facultativo para Poder Legislativo e TCU

Os presidentes da Câmara e do Senado atenderam ao pedido formulado pelo Poder Executivo e decidiram cancelar o expediente desta terça-feira.

A dispensa decorre da impossibilidade de se chegar às dependências do Congresso Nacional em razão do bloqueio imposto pela segurança da Cúpula América do Sul - Países Árabes, evento que se inicia às 9 horas, em Brasília.

A previsão é de que a partir de quarta-feira o funcionamento de ambas as Casas volte a ser normal, inclusive com votações em plenário.

No Tribunal de Contas da União também será ponto facultativo nesta terça-feira.

Os atendimentos realizados nas salas do Sindilegis localizadas na Câmara, SEEP e TCU serão centralizados na Sede do sindicato - telefone 225-3060.

Fonte: Sindilegis - VM


10/05/2005

Presidente da CPI das armas pede mudanças no sistema prisional

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), pediu uma reformulação nas leis que regem o sistema penitenciário. A defesa foi feita na semana passada, após depoimentos de presidiários cariocas aos membros da CPI. Na audiência, os deputados constataram que, mesmo atrás das grades, os criminosos comandam o tráfico de armas e drogas e interferem na distribuição de condenados pelos presídios do Rio de Janeiro. Segundo ele, a CPI vai propor várias medidas para que as secretarias de Justiça ou de Supervisão Penitenciária possam retomar o controle das penitenciárias.
Dos quatro presidiários ouvidos, dois chamaram a atenção da CPI. Um deles, o traficante Marco Antônio Tavares, o Marquinho Niterói, está no presídio de segurança máxima Bangu I, de onde fez uma encomenda de 400 fuzis AK-47, de alto poder de fogo, para abastecer várias favelas. Ele chegou a admitir que os agentes penitenciários são coniventes com a entrada de armas e drogas. “Se o presídio não der maconha aos presos, não tem tranqüilidade”, afirmou. No entanto, o criminoso irritou os deputados com um comportamento cínico e irônico diante das perguntas, disse sofrer de amnésia e negou envolvimento com o tráfico.
Já Osvaldo Ferreira Oliveira, também preso no Complexo Penitenciário de Bangu, é acusado de comprar armas no Paraguai para abastecer a facção criminosa Terceiro Comando. Ele também negou envolvimento com o crime organizado, mas admitiu ter sido levado para um presídio onde só existem presos do Terceiro Comando. Segundo o detento, esse procedimento é comum no Rio de Janeiro, onde os condenados são distribuídos para os presídios de acordo com a facção a que pertencem.
Outro depoimento foi de Wilson Vasconcellos, preso no Complexo de Bangu sob a acusação de fornecer para traficantes de drogas arma e munição provenientes do Paraguai, do Uruguai e da Argentina. A polícia investigou também sua participação na venda de drogas em Portugal, em um esquema para trazer armas de lá para o Brasil. Vasconcellos afirmou que só participava da venda de drogas. “Cometi um deslize, mas nunca faria nada envolvendo arma nem munição”, disse à CPI.
O presidente da CPI avaliou que o depoente demostrou ser um sujeito frio e despreocupado com as instituições. “Ele fala até com desprezo, porque tem certeza de que daqui a quatro anos estará solto”, observou. Torgan declarou que o papel da CPI é assegurar que isso não ocorra.

Jornal da Câmara dos Deputados


10/05/2005

PM captura 27 foragidos da Febem Tatuapé

São Paulo - Somente à 1h30 da madrugada desta terça-feira o clima voltou à normalidade no complexo Tatuapé da Febem, na zona leste da Capital. Durante todo o dia de ontem, houve muita tensão e, à noite, a cena que se via era de uma praça de guerra. A Tropa de Choque da PM permaneceu no interior de algumas das unidades até o início da madrugada.

Segundo informações de policiais militares da 4ª Companhia do 8º Batalhão, apesar de não ter ocorrido uma fuga em massa, por volta das 21h de ontem, a Tropa de Choque teve de agir com muito rigor. Um total de 27 adolescentes, entre 15 e 17 anos, havia sido recapturado até às 3 horas de hoje.

Os PMs usaram balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. A polícia também informou que houve reféns, mas o número ainda não foi divulgado. Um dos internos foi visto em um terreno baldio na Avenida Salim Farah Maluf, após conseguir escapar da Unidade 4 por um bueiro.

O menor disse que estava tomando banho quando teve início a confusão nas Unidade 1 e 4. O tumulto se espalhou para as Unidades 19 e 23. O clima de tensão no complexo foi gerado por uma revista geral feita pela PM. Foram encontrados com os adolescentes 21 celulares 14 carregadores, 2 martelos, 1 alicate, 7 chaves de fenda, 65 naifas (facas improvisadas) e 20 barras de ferro.

Estado de São Paulo


10/05/2005

ACM diz em TV da Bahia que "Lula sempre foi enganador"

Para ele, "a política econômica está ótima, mas apenas para os banqueiros

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), chamou, ontem, em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "enganador", numa entrevista ao vivo concedida ao programa "Balanço Geral", da TV Itapuã (afiliada à Rede Record de Televisão), um dos líderes de audiência ao meio-dia na capital baiana. ACM usou o termo ao se referir também aos deputados federais do PT do Estado, que estariam "enganando" os eleitores por causa do atraso na liberação de verbas pelo governo federal para o metrô da cidade.

"Quando o Lula engana, não surpreende, pois sempre foi enganador, mas, quando esses que estão junto dele querem enganar não sabem fazer como ele (Lula): ele, realmente, engana e engana bonito com aquele palavreado que o povo acredita e tal e não faz nada", atacou, desafiando os petistas a apontar "alguém do povo brasileiro que esteja satisfeito com o governo Lula". Para ACM, a política econômica do governo está ótima, mas apenas para os banqueiros. Uma outra suposta "enganação" atribuída ao presidente por ele é o projeto de transposição do Rio São Francisco. "Lula dizia que isso era coisa de picareta e é mesmo é para dar dinheiro a empreiteiro", disse, insinuando que esses empresários, em troca, ajudariam na campanha da reeleição do presidente. "Não só do Lula como aqueles que o acompanham", reforçou.

perdãoO apresentador do programa, Raimundo Varella, confessou ter votado no presidente por influência de ACM, o que o fez lhe pedir desculpas.

"Nós dois erramos, mas você errou por minha causa e, por isso, quero pedir desculpas, pois já pedi ao povo brasileiro: ninguém esperava que (a administração federal) fosse tão ruim. "Apesar das críticas, o presidente da CCJ do Senado afirmou que, como presidente da comissão, não prejudicará o Poder Executivo federal, "mas não vou beneficiar como ele deseja", observou, acusando Lula de pretender parar a Câmara e o Senado com as medidas provisórias (MPs) e depois culpar deputados e senadores pelo "marasmo" do Congresso.

As declarações de Antônio carlos Magalhães acirram ainda mais o clima de campanha que se instalou no País. Políticos de todos os partidos já trabalham com a possibilidade de lançar candidaturas para o pleito de 2006.

Jornal de Brasília


10/05/2005

Maciel pede mais integração entre países do Mercosul

A importância do Mercosul para o Brasil e a necessidade de aumentar a cooperação entre os países que o integram foram ressaltadas ontem pelo senador Marco Maciel (PFL-PE). Ele pediu que a diplomacia brasileira procure se espelhar nos exemplos do Barão do Rio Branco – que foi ministro das Relações Exteriores durante 12 anos no início do século 20 –, a fim de que esse objetivo seja alcançado e para que o projeto do Mercosul não fracasse.

– Espero que o governo confira ao Mercosul a relevância que ele tem para o nosso país e para o processo de integração regional – declarou, recordando que o Barão do Rio Branco, "ao estabelecer os paradigmas da política externa brasileira, determinou como um de seus fundamentos a atenção ao Rio da Prata".

Ele destacou que a criação do Mercosul, iniciada em 1988, gerou a expectativa de produzir um processo de integração entre os países-membros, trazendo benefícios políticos, econômicos, sociais e culturais. O senador ressalvou que essa integração parece estar ameaçada pelo descaso do atual governo em relação à região.

Maciel comparou a história das relações entre os países platinos com as relações entre os países europeus. Para ele, nos dois casos, a posse de rios e pedaços de terra às vezes provocava grandes rivalidades, mas também tinham "o potencial de proporcionar uma integração efetiva e profícua".

Jornal do Senado


10/05/2005

Oposição protesta contra ponto facultativo por causa de Cúpula

BRASÍLIA - Sob protestos da oposição, o Congreso não funcionará hoje devido à Reunião de Cúpula América do Sul-Países Árabes. O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, divulgou nota oficial informando que será ponto facultativo também para os funcionários públicos da Casa. Antes, a decisão de tornar facultativo o expediente de hoje para os funcionários da Câmara havia sido divulgada em nota do presidente da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE). Nos termos de um acordo entre as presidências da Câmara e do Senado, apenas os serviços essenciais do Congresso, como os de limpeza e manutenção, deverão funcionar hoje.

Amanhã, o horário de funcionamento voltará ao normal. Apesar de hoje ser um dia de pouca atividade no Congresso, oposicionistas protestaram no Senado contra o ponto facultativo, adotado a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), qualificou a decisão de "provincianismo" e disse que manter as atividades seria "uma oportunidade" para chefes de Estado que governam países em regime ditatorial "aprenderem" com a democracia brasileira. "Imagine se Nova York parasse toda vez que chefes de Estado fossem para lá", comparou. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que o ponto facultativo é "mais um mau exemplo" do Congresso, que tem "baixo prestígio" com a população.

Tribuna da Imprensa


10/05/2005

Brasília está blindada

O governo adotou medidas extraordinárias de segurança para a Cúpula América do Sul-Países Árabes, que se inicia hoje

LETÍCIA SANDER / Agência RBS/Brasília

Disposto a reduzir ao máximo o risco de possíveis atentados terroristas aos participantes da Cúpula América do Sul-Países Árabes, hoje e amanhã, em Brasília, o governo federal adotou medidas de segurança jamais vistas na Capital Federal.

O espaço aéreo de Brasília, pela primeira vez na história da cidade, fundada em 1960, foi fechado ontem. Só são permitidos na área vôos acima de 3 mil metros de altura. Amanhã, quando as delegações começam a se despedir, o esquema será repetido.

- É o primeiro evento dessa magnitude em Brasília. A quantidade de chefes de Estado, de autoridades e de delegações passou a exigir essa preocupação - explicou na tarde de ontem o general Orlando Pamplano, coordenador da segurança do evento.

Além da segurança brasileira, cada delegação teve direito de trazer um número determinado de seguranças e de armas - o que não impediu pelo menos um mal-entendido. As armas dos seguranças do presidente do Iraque, Jalal Talabani, foram retidas na Base Aérea de Brasília, porque não haviam sido registradas na organização do evento.

A delegação iraquiana também detonou outra polêmica. Fontes da Polícia Federal (PF) dizem que Talabani veio acompanhado de cinco agentes do FBI, a polícia federal americana. O governo dos Estados Unidos havia pedido ao Brasil para enviar um observador ao evento, mas o Itamaraty negou a solicitação.

Em outra medida preventiva contra ataques terroristas ou tentativas de tumultuar a cúpula, a Polícia Federal rejeitou o credenciamento de mais de cem pessoas, entre elas 20 estrangeiros, interessadas em prestar serviços durante a reunião. Todos os integrantes do grupo respondem a inquéritos ou processos por crimes. A suspeita é de que alguns estariam tentando infiltrar-se no quadro de prestadores de serviço para atacar líderes da cúpula.

Alertas sobre supostos terroristas chegam à PF

A Polícia Federal vem recebendo, há mais de um mês, alertas de agências estrangeiras de inteligência e até do FBI sobre o deslocamento para o Brasil de pessoas supostamente vinculadas a grupos terroristas. Alguns desses suspeitos já foram localizados e estão sendo acompanhados pela PF.

Desde sábado, os engarrafamentos viraram rotina em Brasília. Hoje, a cidade vai parar. Por conta da confusão no trânsito, o governo decretou ponto facultativo nas repartições públicas. Congresso, os ministérios e o Judiciário não deverão funcionar.

Desacostumados a enfrentar engarrafamentos, os brasilienses demonstram irritação com os batedores da Polícia Rodoviária Federal, que interrompem o trânsito constantemente para permitir o deslocamento das delegações, que só circulam escoltadas. Também por segurança, as delegações nunca andarão em comboios.

Com a chegada, no final da manhã de ontem, de algumas delegações que eram aguardadas logo cedo, o bairro do Lago Sul ficou ilhado. As três pontes que ligam a área habitacional mais nobre da cidade, onde residem ministros de Estado e embaixadores de vários países, foram bloqueadas por mais de uma hora, impedindo que os moradores deixassem o bairro.

Hoje, para chegar até o centro de eventos onde ocorre a abertura da cúpula, jornalistas e convidados terão de deixar os carros a uma distância de 500 metros do prédio. O perímetro será fechado com arame farpado e blindados. A última vez que Brasília viu tantos militares nas ruas foi em 25 de abril de 1984, quando o governo federal impôs medidas de emergência na capital durante a votação da emenda das eleições diretas para presidente.

Zero Hora


04/05/2005

Serviço público

Segundo informações da Agência Informes do PT, o deputado Orlando Fantazzini (SP) apresentou projeto alterando a Lei Complementar nº 101/00, para que os gastos com provimento de cargos em comissão e de livre provimento não sejam superiores a 5% do somatório dos gastos com pessoal efetivo. Na opinião do parlamentar, a criação desenfreada de cargos comissionados na administração pública está permitindo que se incentive o nepotismo em todas as esferas do Poder Público.

"A ausência de uma política clara para o serviço público brasileiro tem gerado vícios e práticas contrárias aos princípios constitucionais", entende o parlamentar. Fantazzini acredita que é preciso que a administração pública federal, assim como a dos estados e municípios, adotem e reforcem o sistema de carreira como regra geral de provimento. "Nos países europeus e desenvolvidos essa prática tem se mostrado como a mais benéfica para a gestão do Estado", afirmou.

Segundo dados do SIAPE - Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos, em torno de 40% dos cargos de direção e assessoramento são providos por indivíduos sem qualquer vinculação permanente com o serviço público. Hoje também há quase a metade de cargos comissionados em relação ao número de cargos efetivos.

Fantazzini ressaltou que com o percentual sugerido será possível limitar esses cargos para o preenchimento somente com poucos cargos de direção, confiança e assessoramento. "Evitaremos assim o preenchimento aleatório e clientelista que, infelizmente, tem se tornado prática comum no serviço público brasileiro", disse ele.

Agência DIAP


04/05/2005

Pedro Fernandes diz que excesso de impostos compromete eficiência

O descontrole de gastos e o excesso de impostos comprometem a eficiência do Governo do PT, na avaliação do deputado Pedro Fernandes (PTB-MA). Em sua opinião, o Governo existe para servir à sociedade e não para servir-se dela, como está ocorrendo. Para Fernandes, o avanço da democracia depende da relação do Governo com a sociedade, relação que já se desgastou com o governo petista.
A causa do desgaste, a seu ver, está no volume excessivo da carga tributária, de quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de tudo que é produzido no País. “A carga tributária chegou ao limite de sua legitimidade social e política”, enfatizou. Apesar de uma elevada arrecadação, as receitas do Governo são insuficientes para pagar despesas, honrar dívidas e promover investimentos, o que leva o Governo a financiar o equivalente a 3% do PIB para pagar contas mensalmente, acrescentou.
Para o deputado, a carga tributária prejudica a todos os brasileiros, pois impede a geração de empregos e o crescimento econômico do País. “Cada recorde de arrecadação significa mais aperto para a s famílias brasileiras, que deixam de suprir suas necessidades básicas para pagar mais impostos”, reforçou.
Fernandes disse que a carga tributária brasileira é digna de países escandinavos, mas com serviços públicos dos países africanos mais pobres. Além disso, segundo ele, quanto mais cresce a arrecadação, mais se multiplicam os gastos do Governo.
Pedro Fernandes informou que, em dois anos e meio, o governo do PT criou mais de 2 mil funções gratificadas para os altos escalões do Executivo, sem que isso representasse nenhum avanço nos serviços públicos. “Pelo contrário, emperraram ainda mais a burocracia estatal”, disse. “Enquanto isso, o cidadão que paga todas as despesas fica desassistido, sem nenhum benefício social, sem escola, sem hospitais, sem respeito e sem dignidade”, arrematou.
O parlamentar acredita que a solução para reduzir os gastos do Governo é modernizar a administração pública e aperfeiçoar os modelos de gestão.

Lobbe Neto protesta contra juros altos
O deputado Lobbe Neto (PSDB-SP) citou o lucro do banco Itaú no primeiro trimestre para protestar contra a política de juros altos praticada pelo Governo Federal. O banco teve resultado de R$ 1,140 milhão entre janeiro e março deste ano. Para Lobbe Neto, quem ganha com os juros altos são apenas os banqueiros. A população, segundo o deputado, não encontra crédito mais barato no sistema financeiro. Por isso, Lobbe Neto condenou a declaração do presidente Lula, que afirmou que a classe média não procura bancos que ofereçam taxas mais baixas. O deputado criticou também a política de câmbio adotada pelo Governo. Ele alertou que vários empresas exportadoras da área de metalurgia sofrem prejuízos a cada vez que o câmbio em relação ao dólar é rebaixado.

Julio Semeghini critica política econômica
Ao lembrar a recente entrevista coletiva do presidente Lula, o deputado Julio Semeghini (PSDB-SP) criticou a postura do presidente da República que, em sua opinião, atribuiu a si os bons resultados do Governo e pôs a culpa pelos seus fracassos no povo brasileiro, “esquecendo que é ele quem nomeia os membros do Conselho Monetário Nacional e que é dele a responsabilidade de encontrar outras formas de combater a inflação e diminuir os gastos públicos.”
Semeghini lembrou o quinto aniversário de aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal pelo Congresso Nacional, que, em sua opinião, contribuiu para a melhoria dos índices econômicos do País, como a redução do Risco Brasil e a confiança dos empresários e investidores. A seu ver, o momento é oportuno para o País avaliar os avanços na responsabilidade da administração pública e para a estabilidade da economia brasileira, mas o mérito não é exclusivo do Governo Federal.
Ele destacou o engajamento de prefeitos e governadores, como é o caso do governo e das prefeituras do estado de São Paulo. Segundo ele, na gestão de Mário Covas e de Geraldo Alkmin, houve significativa contribuição, sobretudo no que se refere à política de equilíbrio fiscal, com redução de gastos públicos e sem aumento de impostos.
O parlamentar acrescentou que o estado de São Paulo, que enfrentava problemas de receita, a partir das administrações Covas e Alckmin, alcançou equilíbrio fiscal. “A diminuição dos tributos e maior eficiência na arrecadação fizeram com que receita tributária aumentasse mais de 60% no estado”, reiterou.
Semeghini destacou também os avanços na área social no seu estado, como a implantação do programa de microcrédito, melhorias nos serviços públicos de saúde, educação, habitação e saneamento, além de investimentos em ciência e tecnologia.
Em sua avaliação, ao contrário do estado de São Paulo, que busca a diminuição da carga tributária, o Governo Lula “procura, a todo custo, o aumento de tributos, criando diversas formas de aumentar os impostos, como por exemplo, a Medida Provisória 232, que tanto desgaste provocou ao Governo”. Julio Semeghini salientou que falta autocrítica ao presidente, que, em sua opinião, precisa reavaliar sua política e assumir suas responsabilidades.

Jornal da Câmara dos Deputados


04/05/2005

ELEIÇÕES
PSDB se une para atacar Lula


Indecisos sobre o candidato à sucessão presidencial, caciques tucanos se concentram em Brasília, sob comando de Fernando Henrique, para cobrar respeito do governo à Lei de Responsabilidade Fiscal

A cúpula do PSDB tem um encontro marcado, hoje, em Brasília, para comemorar os cinco anos da Lei de Responsabilidade Fiscal. “O encontro também é uma oportunidade para cobrar do governo Lula o cumprimento da lei”, anuncia o presidente nacional do partido, senador Eduardo Azeredo. O seminário será bem mais do que isso: os tucanos estão numa encruzilhada eleitoral, em que o candidato considerado a bola da vez para a disputa da Presidência da República, o governador Geraldo Alckmin (SP), não decola nas pesquisas de opinião; para o confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato das ruas é José Serra, hoje amarrado à cadeira de prefeito de São Paulo.

O dilema dos tucanos já havia sido detectado antes, pela equipe do governador paulista, preocupada com o fato de que a candidatura de Alckmin à presidência da República estava sendo alavancada quase exclusivamente pelo prestígio do governador em seu próprio estado. O problema agravou-se depois da derrota sofrida pelo PSDB na eleição para a presidência da Assembléia Legislativa de São Paulo, quando a bancada petista apoiou a eleição de um candidato do PFL, deputado Rodrigo Garcia, até então aliado do governador.

Como o vice-governador Claudio Lembo é do PFL — partido que lançou previamente candidato próprio à Presidência da República, o prefeito carioca Cesar Maia —, tucanos paulistas alojados no Palácio dos Bandeirantes começam a especular que talvez seja melhor o governador desistir da candidatura e concentrar seu esforço na escolha do sucessor. A definição do candidato tucano a governador é outra complicação, pois pleiteiam a vaga os secretários de Educação, Gabriel Chalita, e de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, o vereador da Capital José Aníbal e o secretário de governo de José Serra na Prefeitura de São Paulo, Aloisio Nunes Ferreira.

As conversas nos corredores do Palácio dos Bandeirantes sobre as dificuldades da candidatura de Alckmin serviram apenas para colocá-la em xeque no próprio partido, inibindo-a e confinando-a ainda mais. Na cúpula do PSDB, o problema é minimizado com o argumento de que o partido esbanja candidato. “Não precisamos ter pressa, temos excelentes nomes para disputar a eleição, como os governadores Geraldo Alckmin e Aécio Neves e o senador Tasso Jereissati”, sustenta o senador Eduardo Azeredo, presidente do PSDB..

O resultado do imobilismo de Alckmin está surgindo nas pesquisas de opinião realizadas pelos tucanos em todo o país: o melhor nome para enfrentar o presidente Lula com chance de derrotá-lo é o de José Serra. Principal adversário do PT nas eleições passadas, o prefeito paulista aparece quase sempre em segundo lugar nas pesquisas, à frente de Anthony Garotinho, do PMDB, e Cesar Maia, do PFL; em alguns municípios, bate o presidente Lula. É por isso que a cúpula petista, inclusive, evitou divulgar detalhes da pesquisa que realizou recentemente e resolveu tocar “reunir”. A divisão petista pode resultar num desastre eleitoral para o presidente Lula.

O prefeito José Serra avalia que deixar a prefeitura de São Paulo para ser candidato a presidente é um suicídio. Por isso, o PSDB ouvirá hoje de Fernando Henrique a afirmação de que precisa afinar o discurso e colocar o bloco na rua logo, para viabilizar uma candidatura competitiva à Presidência, aproveitando a estrutura poderosa que o partido tem em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Paraíba, Ceará, Goiás, Pará e Rondônia, além de candidaturas competitivas no Amazonas e em Tocantins. Para FHC, a melhor opção ainda é o governador paulista Geraldo Alckmin sair da toca, com apoio de todos. A não ser que o governador mineiro Aécio Neves resolva entrar na disputa pra valer.

Não precisamos ter pressa, temos excelentes nomes, como os governadores Geraldo Alckmin e Aécio Neves e o senador Tasso Jereissati

Senador Eduardo Azeredo (MG), presidente do PSDB

Festa pela preservação do discurso

O encontro de hoje dos tucanos de alta plumagem com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília, tem também um objetivo imediato: impedir que o PSDB perca o seu discurso de campanha, pois bandeiras do partido que levaram o presidente Fernando Henrique Cardoso duas vezes ao Palácio do Planalto estão sendo assimiladas pelo PT. Uma é a defesa do real, que o presidente Lula encampou ao pregar com toda ênfase o combate à inflação; outra, a responsabilidade fiscal, isto é, o esforço de governo para gastar menos do que arrecada.

A continuidade da política econômica de Fernando Henrique e seus fundamentos pela equipe do ministro petista Antônio Palocci, da Fazenda, sempre foi tratada com ironia pelos tucanos, mas agora virou um problema eleitoral para a cúpula do partido. Fica mais difícil atacar o governo Lula. Ou seja, os tucanos estão sem discurso de campanha no terreno que lhe garantiu duas vitórias eleitorais: o econômico.

É por isso que a paternidade da Lei de Responsabilidade Fiscal , criada durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, ganhou tanta importância. A lei tem como objetivo estabilizar a dívida pública e disciplinar as finanças governamentais, servindo de paradigma de competência administrativa. Vinha sendo o divisor de águas entre tucanos e petistas no Congresso, na medida em que há um acordo tácito entre ambos quando o assunto é política monetária.

Não foi à toa, por exemplo, que o líder da bancada no Senado, Arthur Virgílio, escolheu o ministro José Dirceu, da Casa Civil, como inimigo principal, ao mesmo tempo em que trata o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, como se fosse um grande aliado. Em sua palestra de hoje, Fernando Henrique vai destacar a importância da LRF para o país; já os economistas José Roberto Afonso e Martus Tavares, os dois outros palestrantes, tentarão mostrar que o governo Lula não está fazendo o dever de casa. (LCA)

Partidos bloqueiam referendo

O interesse eleitoral dos partidos gerou ontem uma vítima: o referendo popular sobre o porte de armas. Em uma tumultuada sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, tanto o PT como a oposição utilizaram o projeto de referendo como moeda para negociar a votação do projeto que propõe o fim da verticalização, regra que obriga a reprodução nos estados das coligações feitas na eleição presidencial. Com a intensa briga regimental, nada foi votado na comissão e o embate deve se repetir da reunião de hoje.

Na semana passada, por um pedido do PT, a votação do projeto sobre coligações eleitorais foi adiado para ontem. Os petistas, que já foram contra a medida, acreditam agora que verticalizar as coligações ajudará na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por isso tentam manter a regra. Os demais partidos querem acabar com obrigação. Como há uma preocupação com o prazo para realização do referendo sobre porte de armas, o PT utilizou o tema como mais uma forma de evitar o fim da verticalização. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP), relator do projeto sobre porte de armas, pediu prioridade para votação da proposta na CCJ. Mas o pedido foi rejeitado.

Muitos parlamentares avaliam que só o PT lucrará politicamente com a aprovação da data para realização da consulta popular sobre a proibição do porte de armas. E já previam a utilização, pelo PT, da proposta de referendo como manobra para adiar a votação do projeto sobre coligações eleitorais. Por isso, a oposição propôs um acordo para tentar forçar a votação do fim da verticalização. O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) sugeriu votar o projeto sobre armas em primeiro lugar, e em seguida o texto que disciplina as alianças eleitorais. Mas o PT não aceitou o acordo. Com isso, oposição e boa parte da base aliada derrubou a idéia de priorizar o projeto de referendo.

“A culpa é do PT, que não quer votar a verticalização e com isso impediu o referendo”, acusou ACM Neto. “O PT queria votar o referendo. O projeto é que foi utilizado como refém por aqueles que pretendem derrubar a verticalização”, rebateu João Paulo. A avaliação do coordenador da área de controle de armas do Viva Rio, Antonio Rangel, porém, é de que a responsabilidade é de todos os parlamentares. “Nenhum dos lados tem razão. Os dois são culpados. Ninguém deu prioridade para a segurança”, acusou.

A proposta de consulta popular sobre porte de armas está inscrito como número 39 da pauta da CCJ. Apesar do atraso, João Paulo avalia que, por enquanto, não há prejuízos para a votação do referendo. O projeto precisará ser votado no plenário, que está trancado por dez Medidas Provisórias (MPs). Além disso, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), marcou para hoje o pedido de cassação do deputado André Luiz (sem partido-RJ) e para a próxima semana as indicações para ministros do Tribunal de Contas da União (TCU). “Avalio que o plenário estará liberado em duas semanas. Precisamos apenas na CCJ ter o pulso do plenário”, analisou o petista.

Já em relação ao fim da regra de verticalização, não há sinal de prazo para votação na CCJ. Para evitar a análise da proposta, após utilizar como obstrução o projeto de referendo , os petistas usaram o projeto de reforma política. Com diversas manobras regimentais, tentaram votar, em primeiro lugar, o conjunto de projetos com alterações no sistema político-partidário. “O PT não quer votar a verticalização em separado da reforma política”, justificou o petista José Eduardo Cardozo (PT-SP). Com a confusão, os integrantes da comissão não conseguiram chegar a um consenso sobre o que votariam ontem.

CorreioWEB


04/05/2005

Emenda pior que soneto

Severino tenta explicar declarações sobre estupro, mas recebe críticas. Bancada vai fazer manifestação

Renata Giraldi

Em nome de homens e mulheres, a Bancada de Deputadas e Senadoras, que reúne 53 parlamentares, fará manifestação formal contra a declaração do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), de que “estupro é acidente”. Pegou mal o comentário dele, mesmo depois de uma tentativa de conserto ontem: “Acidente é a moça ser pega desprevenida. Se não entenderam isso, que entendam agora”, tentou explicar o parlamentar, no dia seguinte à primeira declaração.

Apesar do remendo de Severino, os parlamentares e as entidades de defesa dos direitos das mulheres não aceitaram a definição do crime de violência sexual dada por ele. “É lamentável a incontinência verbal do presidente da Câmara. Há casos em que a palavra é um mau veículo. Mas eu pergunto: será que os homens pensam assim quando a vítima é a filha, a mãe ou a mulher?”, reagiu a deputada Denise Frossard (PPS-RJ).

Bancada quer votar projeto sobre violência doméstica

Já a deputada Iara Bernardi (PT-SP) acrescentou que o empenho da Bancada das Mulheres será votar até o fim do ano o projeto que qualifica como crime a violência doméstica, punindo rigorosamente os responsáveis: “Essa será a nossa resposta para uma declaração tão infeliz e ridícula como a do presidente”.

Ana Maria Wilhein, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria, organização não-governamental, defende a punição de Severino. “É deplorável um representante público se posicionar dessa maneira. Comentários repletos de preconceitos e ignorância”. Advogado criminalista há mais de 30 anos, o deputado Vicente Cascione (PTB-SP) também condenou Severino. “Acompanhei vários casos de vítimas de estupro. A pessoa nunca mais se recompõe”.

O Dia


04/05/2005

Cargos no governo ainda dividem aliados

Base reage a atraso nas nomeações planejadas para o segundo escalão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou no mês passado um acordo com o presidente do PTB, Roberto Jefferson, como forma de compensar a reforma ministerial planejada, mas não executada. Pelas negociações, o partido teria direito a indicar apadrinhados para diretorias de empresas estatais, entre elas Furnas e Correios.

O presidente do partido, conforme informaram lideranças ligadas ao Palácio do Planalto, disse a Lula que os integrantes da legenda eram fiéis nas votações, que ele não cobrou um outro ministério na reforma e mesmo assim não tinha um contrapartida. Em resposta, o presidente teria feito uma lista de reivindicações que seriam imediatamente aceitas.

No entanto, até agora, o acordo não foi cumprido. Um parlamentar do PTB tentou indicar um diretor para uma estatal hierarquicamente controlada pelo Ministério das Comunicações, mas o titular da pasta, Eunício Oliveira, disse que, mesmo sendo um compromisso do presidente Lula, esperaria a resolução de problemas com PMDB, que também não ficou satisfeito com as mudanças nos ministérios, para depois levar as indicações adiante. O mesmo está acontecendo com os demais cargos.

PP e PMDB Depois de resolvido o problema com o PTB, o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), será chamado a indicar o diretor de Exploração da Petrobras, hoje ocupada por um petista.

Um congressista governista que tem acompanhado as negociações afirmou que o governo tem deixado claro que a indicação é da cota pessoal do presidente da Câmara, e não do PP, o que pode acarretar um problema semelhante ao vivido pelo governo para indicar Roseana Sarney.

Jornal de Brasília


04/05/2005

‘Acidente horrendo’
Isabel Braga e Maria Lima
BRASÍLIA

A Câmara dos Deputados comemorou ontem o Dia do Parlamento oferecendo um pacote indigesto à opinião pública: a Mesa Diretora da Casa arquivou pedido de sindicância contra o deputado Pedro Corrêa (PE), presidente do PP, partido do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PE). Corrêa é acusado de envolvimento com a máfia dos combustíveis e de contrabando de cigarros. A decisão ainda abriu caminho para a possível absolvição, hoje, do deputado André Luiz (sem partido-RJ), acusado de ter tentado extorquir R$ 4 milhões do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Para piorar, o deputado Ronivon Santiago, também do PP de Severino, cassado ano passado, continua no cargo com todos os benefícios de um parlamentar.

Severino, que na véspera causara polêmica ao chamar o estupro de “acidente horrendo”, negou ontem interferência na decisão da Mesa que livrou Corrêa de uma investigação e de um processo que poderiam resultar na cassação de seu mandato. Neste caso, foi de caso pensado:

— A Mesa Diretora tem seis deputados. Todos votaram sim (pelo arquivamento). Eu não votei. Será que tenho um poder tão grande assim? Apenas respeitei a decisão da maioria.

Cinco votaram pelo arquivamento

O parecer pelo arquivamento foi assinado por cinco deputados da comissão que analisou as denúncias: Osmar Serraglio (PMDB-MG), Paulo Rocha (PT-PA), Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), Ricarte de Freitas (PTB-MT) e Nilton Capixaba (PTB-RO). Segundo Capixaba, a comissão teve acesso apenas a um trecho da fita — hoje em poder do Supremo Tribunal Federal — em que há um diálogo entre duas pessoas que comprometeria Corrêa.

— Como vamos indiciar alguém quando só temos um trecho de uma fita de uma pessoa comentando sobre eles? Faltaram provas — disse Capixaba, segundo-secretário da Mesa.

— Não há como fazer um julgamento político diante de um parecer técnico contrário assinado por vários deputados, inclusive o líder do PT (Paulo Rocha) — acrescentou o quarto-secretário João Caldas (PL-AL).

Apesar de favoráveis ao arquivamento, quatro integrantes da Mesa — três com direito a voto — fizeram ontem apelo para adiar a apreciação do relatório sobre Corrêa. Queriam evitar que a decisão pudesse contaminar a votação, hoje, do processo de cassação do deputado André Luiz.

A questão foi levantada pelo primeiro vice-presidente, José Thomaz Nonô (PFL-AL), e apoiada por Capixaba, Mário Hering (PDT-MG) e Geraldo Resende (PPS-MS).

Ao sair do Palácio do Planalto, onde participou de reunião com os ministros Antônio Palocci (Fazenda) e Aldo Rebelo (Coordenação Política), Corrêa disse que a Mesa da Câmara fez justiça ao arquivar o processo contra ele.

‘Não há quase virgens’, diz relator

É com meses de atraso que o plenário da Câmara vota hoje o processo de cassação do deputado André Luiz. O clima ontem entre parlamentares do Rio e também no gabinete do relator do processo, Gustavo Fruet (PSDB-PR), era de desânimo. O relator diz que são fortes as articulações para salvá-lo, principalmente por parte da bancada evangélica e de integrantes do PMDB ligados ao ex-governador Anthony Garotinho.

— Uma soma de fatores nos leva a acreditar que a cassação está em risco. Há em alguns setores um forte receio de que ele caia atirando, de que ele tenha até outras gravações comprometendo mais gente. Nos depoimentos, o tempo todo André Luiz lançou insinuações intimidatórias contra o Carlos Rodrigues e o pessoal do Garotinho. O Severino que me perdoe, mas não há quase virgens nem quase quebra de decoro. Um deputado pediu dinheiro para influenciar em uma CPI. Se o plenário não cassá-lo, está liberando a extorsão no Legislativo — disse o relator Gustavo Fruet.

Nos bastidores, a informação ontem era de que foi feito um arranjo dos aliados de André Luiz que, temendo retaliações, teriam prometido aprovar o nome de Augusto Nardes (PP-RS) para o Tribunal de Contas da União em troca do apoio do PP contra a cassação.

Hoje, antes da sessão, André Luiz participa de um culto evangélico ministrado pelos deputados pastores na Câmara. A família dele — mulher, irmãos e filhos — está desde o início da semana procurando os deputados e fazendo forte apelo emocional para que não votem pela perda do mandato. Há ainda receio de o quórum baixo impedir a aprovação do pedido de cassação, já aprovado por unanimidade no Conselho de Ética.

— Se ele não for cassado, a Câmara terá de conviver com um fantasma da ópera perambulando pelos corredores. O que vão fazer com o relatório suculento de provas incontestáveis, com pedido de cassação aprovado por unanimidade na Comissão de Ética? — diz a deputada Denise Frossard (PSDB-RJ).

André Luiz parecia tranqüilo ontem. Negou o acerto com Garotinho e ironizou as noticias de que estaria intimidando parlamentares. Mas vários deputados do Rio, que preferiram o anonimato, admitiram que têm medo do conterrâneo, acusado, em outro processo parado na Mesa da Câmara, de assassinatos.

— Não precisam ficar com medo de mim não, nunca fiz mal a ninguém . Acham que sou marginal para dizer que vou matar os 512 deputados que votarem pela minha cassação? — reagiu, dizendo que no processo em que é acusado de assassinato, nada deve. — Não pode ter crime sem cadáver.

O deputado Chico Alencar (PT-RJ), estranhou, ao se inscrever para falar na sessão de hoje, que não houvesse ninguém inscrito para defender a cassação. Segundo o relator Fruet, passado tanto tempo quase ninguém sabe exatamente porque André Luiz seria cassado nesse processo de extorsão.

O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) acha que as provas são irrefutáveis, mas com o voto secreto, tudo é imprevisível. Para que a votação ocorra é preciso quórum mínimo de 257 deputados e que a maioria dos presentes decide pela cassação ou não.

— Será uma desmoralização para a Câmara se ele escapar. Mas depois que inocentaram o Calazans no Rio e elegeram o Severino com voto secreto, tudo é possível — disse Bittar.

O Globo


04/05/2005

Alckmin critica "custo PT" para o País

PORTO ALEGRE - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), criticou ontem o "custo PT" para o País, durante a participação no 18º Fórum da Liberdade, em Porto Alegre. O evento é promovido, anualmente, pelo Instituto de Estudos Empresariais e, tradicionalmente, reúne pré-candidatos a presidente para discutir temas econômicos, como, desta vez, o futuro do trabalho.

Para Alckmin, a taxa de juros alta e o câmbio podem ser interpretados como o custo PT. "Em tudo, a dose tem de ser maior para dar o mesmo resultado", avaliou, afirmando também que o País tem tido dificuldades para aproveitar o bom momento da conjuntura internacional.

Embora evitasse falar sobre a possível candidatura a presidente em 2006, ele fez um discurso ao gosto dos 2 mil participantes do evento, identificados com ideais liberais.

Lembrou que o governo de São Paulo não tem déficit fiscal desde 1995 e que a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do álcool, de 25% para 12%, resultou em aumento de 7% na arrecadação referente ao produto. Foi aplaudido. Desde abril, o Rio Grande do Sul cobra 5% a mais de ICMS sobre energia, combustíveis e telecomunicações.

Cláudia

Alckmin avisou que não tinha ainda um substituto para a ex-secretária da Cultura do Estado Cláudia Costin. O governador de São Paulo disse que os motivos para a saída dela do governo foram pessoais. "Ela é uma pessoa absolutamente preparada e fez um bom trabalho", elogiou, comparando a troca a uma corrida de revezamento em que um dos participantes cumpriu a etapa.

Tribuna da Imprensa