26/01/2005
- 14h45
Eleições
Câmara e Senado
A disputa
pela Presidência da Câmara ganha mais um componente no
PT. Neste final de semana o candidato dissidente, deputado
Virgílio Guimarães (MG), realizou ato político em Belo
Horizonte com participação de cerca de 3,5 mil
participantes. Ou seja, a disputa extrapolou as fronteiras
do Congresso. Pela forma como vem atuando, o parlamentar
mineiro promete levar às últimas conseqüências a
disputa. Parece que o fenômeno Luiziane Lins, prefeita
eleita de Fortaleza, enfrentando a decisão da direção
nacional do PT, que optou por apoiar o nome do deputado Inácio
Arruda (PCdoB/CE), ganha força nas fileiras petistas.
No Senado, até o momento o processo corre pacífico. Se a
disputa na Câmara não contaminar os senadores, o nome de
consenso para presidir, pelos próximos dois anos o Senado
Federal, é o do atual líder do PMDB, Renan Calheiros
(AL). Se agora o céu é de brigadeiro para Renan
Calheiros, antes não era assim. Para construir esse
consenso, o líder peemedebista enfrentou muitas turbulências
na base de apoio do governo e principalmente com atual
presidente da Casa, José Sarney (PMDB/AP).
Sarney apostou suas fichas na PEC da reeleição e foi
derrotado. Isto produziu efeitos e conseqüências
negativas para o governo. Mas, pelo temperamento de
Sarney, pouco afeito a confrontos e hábil negociador,
resolveu recuar e apoiar Calheiros. O que lhe valeu
dividendos políticos. Sua filha, a senadora Roseana
Sarney (Sem partido/MA), rompeu com o PFL e deve migrar
para um partido da base de apoio do governo para assumir
um Ministério, provavelmente o das Cidades.
Agência
DIAP
26/01/2005
- 14h40
Presidência
da Câmara tem cinco candidatos
A Câmara
dos Deputados terá cinco candidatos à sucessão do
presidente João Paulo Cunha, na eleição que ocorrerá
em meados de fevereiro para escolher a nova Mesa Diretora
durante o biênio 2005-2007. Além de Luiz Eduardo
Greenhalgh (PT-SP), que representa o maior partido da
Casa, e José Carlos Aleluia (PFL-BA), cujas candidaturas
já estavam oficializadas, na semana passada foram lançadas
as candidaturas avulsas dos deputados Severino Cavalcanti
(PP-PE), Virgílio Guimarães (PT-MG) e Jair Bolsonaro
(PTB-RJ). Candidato oficial do PT, o advogado Greenhalgh
foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania. O oposicionista Aleluia, que é engenheiro e
professor, é líder de seu partido e já presidiu a
Comissão de Orçamento. Lançado pelo movimento “Uma Câmara
para todos”, Severino Cavalcanti ocupa atualmente o
cargo de 2º secretário da Mesa Diretora, onde já foi 2º
vice-presidente e 1º secretário em legislaturas
passadas. O economista Virgílio Guimarães, do movimento
“Câmara Forte”, foi relator da Reforma Tributária e
é vice-líder do governo no Congresso. Militar do Exército,
Jair Bolsonaro cumpre o quarto mandato de deputado federal
consecutivo.
Jornal da
Câmara dos Deputados
26/01/2005
- 14h35
Lula, o
mensageiro
Presidente
posa de carteiro, critica os pessimistas
e conta que soube da morte do pai através de carta
Aparecida
de Goiânia, GO - Com boné e camisa de carteiro, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu em discurso,
ontem, em Aparecida de Goiânia (GO), mensagens otimistas
misturadas a recados aos pessimistas, que seriam um
“bando de madona chorona”, críticas a políticos que
enriquecem com a indústria da seca e o discurso segundo o
qual “os de cima” ficam incomodados com a ascensão
dos pobres. “Toda vez que o pobre começa a ter o mínimo
de atenção, aparecem os de cima para fazer críticas”,
afirmou.
Ao
inaugurar centro de triagem dos Correios, no Dia do
Carteiro, atacou analistas econômicos que não teriam
previsto a redução do índice de desemprego abaixo de
10%. Do lado de fora, manifestantes exibiam cartazes e
faixas contra o Poder Executivo. Ao comentar as críticas,
Lula avaliou que alguns reclamam com razão e outros por
serem oposição: “Mas, na política, a gente não pode
perder o juízo e o bom senso”.
O
presidente sugeriu à platéia que assistissem aos filmes Central
do Brasil e O Carteiro e o Poeta – sobre o exílio
do poeta chileno Pablo Neruda. Em tom emocionado, afirmou
que se aproximou dos carteiros durante uma greve em 1979.
“Pode ter e-mail, pode ter Internet; a carta é
insubstituível e sagrada, a pessoa escreve do próprio
punho e, às vezes, tem até uma lágrima”, disse. Para
exemplificar a importância dos Correios, citou carta que
recebeu informando sobre a morte do pai: “Recebi a notícia
da morte de meu pai por uma carta, depois de 13 dias que
ele tinha morrido”.
Lula
ainda abraçou a carteira Eliene Alves, conhecida como
Ligeirinha, afirmou que tem compromisso com a história e
a origem dele no movimento sindical. “Deus não elege
sempre um pernambucano de Caetés ou um metalúrgico para
a Presidência da República”.
Ainda no evento, o presidente garantiu que que não gosta
de ver políticos “tratando com dó” as pessoas que
enfrentam problemas de seca, referindo-se ao ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, que teria prometido fazer a
transposição do Rio São Francisco: “Esse tipo de político,
que costuma enricar com o problema da seca, nem deveria
existir”.
O Dia
26/01/2005
- 14h30
Líderes
mundiais estarão na Suíça
Com a
presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que
embarca amanhã à tarde para a Suíça, o Fórum Econômico
Mundial (FEM) deverá reunir cerca de dois mil líderes
dos mais diversos países que vão participar de cinco
dias de debates sobre a economia global. Segundo os
organizadores do evento, eles vão abordar diferentes
temas das áreas de negócios, política e educação.
Este ano, o tema central do fórum será "Assumindo
Responsabilidade por Escolhas Difíceis".
A polícia suíça reforçou a guarda nas entradas e saídas
da cidade para evitar problemas de segurança durante o
evento, mas ainda não houve manifestações de protesto,
como as registradas em edições anteriores do fórum.
Os organizadores do evento acreditam que o frio de – 10ºC
na cidade, famosa pelas suas estações de esqui, afaste
manifestantes e evite possíveis conflitos com a polícia.
Os maiores protestos na cidade são esperados apenas para
amanhã, quando tem início o Fórum Aberto de Davos, um
evento antiglobalização que ocorre paralelamente ao Fórum
Econômico. Na "Davos Aberta", serão discutidos
temas como a ética econômica e as conseqüências da
globalização.
Cerca de 25 chefes de Estado devem participar do Fórum
Econômico. O presidente Lula deverá ser o único chefe
de Estado da América do Sul presente em Davos neste ano.
Ele chega à cidade na próxima sexta-feira (28),
provenitente de Porto Alegre, onde participará do Fórum
Social Mundial.
Jornal de
Brasília
26/01/2005
- 14h25
Lula
chama pessimistas de ''madonas choronas''
Presidente
critica políticos que enriquecem com ''indústria da
seca''
APARECIDA
DE GOIÂNIA, GO - O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva reuniu num único discurso, ontem, mensagens
otimistas mescladas com recados aos pessimistas, que
chamou de um ''bando de madona chorona'', críticas aos
políticos que enriquecem com a ''indústria da seca'' e o
aos ''de cima'' que se incomodam com a ascensão dos
pobres.
Ao falar
para uma platéia de carteiros, empresários e políticos,
em cerimônia de inauguração do novo Centro de
Tratamento de Cartas e Encomendas dos Correios, em
Aparecida de Goiânia, Lula disse que não há razão para
acreditar que as coisas não vão melhorar.
- É
preciso que a gente acredite e redesenhe, na nossa cabeça,
o Brasil que nós queremos construir, porque se a gente
ficar como um bando de madona chorona, que levanta todo
dia achando que nada vai dar certo, é melhor nem sair de
casa. É melhor levantar de bom humor. Se não acreditarem
no presidente, pelo menos acreditem em vocês e façam o
Brasil do tamanho que vocês esperam que ele seja - pediu.
Para
Lula, as reclamações, sejam ou não da oposição, fazem
parte da natureza humana, ''mas, na política, não se
pode perder o juízo nem o bom senso''. Sem citar
explicitamente Fernando Henrique Cardoso, Lula criticou,
novamente, o tucano. Contou uma história da campanha
presidencial de 1994, quando FHC teria prometido fazer a
transposição do Rio São Francisco, um dos projetos
prioritários do atual governo.
- Em 1998
voltei lá (ao Ceará) e perguntei se alguém já tinha
bebido um copo da água que meu adversário tinha
prometido levar. Estou muito à vontade porque nunca
prometi.
Ao
defender os projetos do seu governo para o Nordeste, Lula
criticou os políticos que enriquecem com a ''indústria
da seca''.
- A seca
virou uma indústria para enricar determinado tipo
de político que nem deveria existir, que utiliza a miséria
para poder crescer.
Em
setembro passado, Lula já havia criticado os políticos
do Norte e do Nordeste. Ele aposta na transposição do São
Francisco e na adoção do biodiesel como projetos para
ajudar a desenvolver o Nordeste. Na semana passada, o
Conselho Nacional de Recursos Hídricos aprovou o projeto
de integração das bacias do rio.
O
presidente entrou na polêmica sobre o volume de água que
será usado na transposição. De acordo com o Plano Hídrico
do São Francisco, aprovado em outubro, projetos para uso
humano e econômico não podem ultrapassar uma vazão de
360 m³ por segundo. Mas 335 m³ já estão concedidos a
empresários e governos estaduais e municipais. Os 63 m³
que seriam disponibilizados após a transposição
ultrapassam a cota.
Ao dizer
que há pessoas que não têm acesso à água ''desde a época
em que Dom Pedro era imperador'', Lula afirmou que ''o rio
não vai ficar menor se tirar 60 metros de água por
segundo''.
Hoje,
Lula irá a São Paulo participar de evento do ProUni,
programa do governo que prevê isenção fiscal para as
universidades particulares que concederem bolsas. O
presidente falou ontem sobre o projeto e as diferenças de
interesses entre os pobres e ''os de cima''.
- Vocês
já começam a ver críticas em alguns meios de comunicação
porque no Brasil é assim: toda vez que o pobre começa a
ter um mínimo de ascensão, aparecem os de cima e começam
a fazer crítica. Para eles, pobre tem que ser pobre a
vida inteira.
No fim,
voltou a citar suas origens:
- Deus não
elege um pernambucano de Caetés todo ano para presidente
da República. Não elege um metalúrgico todo ano. Eu sei
da minha responsabilidade.
Jornal do
Brasil
26/01/2005
- 14h20
Lula
diz que em política não se pode perder o juízo
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que, na
política, não se pode perder o juízo nem o bom senso,
ao falar sobre as críticas às políticas adotadas pelo
governo. “Alguns reclamam com razão, outros reclamam
porque são de oposição. Outros reclamam porque reclamam
por qualquer coisa”, afirmou o presidente, durante a
inauguração do novo Centro de Tratamento de Cartas e
Encomendas dos Correios em Aparecida de Goiânia, em Goiás.
Lula citou as conquistas obtidas em dois anos de governo,
como o Programa Universidade para Todos (ProUni). “Toda
vez que o pobre começa a ter o mínimo de ascensão
aparecem os de cima que começam a fazer críticas porque,
para eles, pobre tem que ser pobre a vida inteira”,
ressaltou. O presidente aproveitou para conclamar a platéia
- repleta de carteiros - a acreditar no potencial do
Brasil. “Se a gente ficar como um bando de madonas
choronas, é melhor nem sair de casa. É melhor levantar
de bom humor. Se não acreditam no presidente, acreditem
em vocês. Façam o Brasil do tamanho que vocês esperam
que ele seja”, destacou.
Usando boné e camisa de carteiro, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou que pessoas do “andar de cima”
criticam projetos sociais do governo, como o Programa
Universidade para Todos (Prouni), pois não querem que os
pobres melhorem de vida. Ao inaugurar um centro de triagem
dos Correios em Aparecida de Goiânia, na região
metropolitana de Goiânia, Lula também criticou analistas
econômicos que não teriam previsto a redução do índice
de desemprego abaixo de 10% e apostou que o País baterá
novos recordes, até mesmo no aumento das importações,
com a compra de equipamentos industriais. “Importar uísque
não, mas importar máquina significa que estamos fazendo
a nossa indústria crescer”, disse. “Não há razão
para a gente não acreditar que o Brasil terá um ano
extraordinário.”
Ele, dirigindo-se a centenas de carteiros, reclamou das críticas
ao Prouni divulgadas em “alguns” meios de comunicação.
“No Brasil, é assim: toda vez que o pobre começa a ter
o mínimo de atenção, aparecem os de cima para fazer críticas”,
afirmou. Lula observou que o projeto da administração
federal em parceria com faculdades privadas tornará possível
que 112 mil estudantes carentes ganhem bolsas integrais
(64%) ou parciais (36%) para fazer um curso superior.
Manifestantes exibem cartazes com críticas ao governo
Do lado de fora da Central de Tratamento de Cartas e
Encomendas dos Correios, espaço que custou R$ 37 milhões,
manifestantes ligados ao Sindicato Nacional dos
Trabalhadores dos Correios (Sintec) exibiam cartazes e
faixas com críticas ao Poder Executivo federal. Uma das
faixas dizia: “Abaixo as contra-reformas do governo
Lula/FMI.” Depois de abraçar a carteira Eliene Alves,
mais conhecida como “Ligeirinha”, e vestir o boné e a
camisa amarela, que foi autografada pelos funcionários
dos Correios, o presidente afirmou, no discurso
improvisado, que tem um compromisso com a história e a
origem dele no movimento sindical. “Eu não vou jogar
fora essa oportunidade. Deus não elege sempre um
pernambucano de Caetés ou um metalúrgico para a Presidência
da República”, disse.
Ao comentar as críticas recebidas pelo Executivo, Lula
avaliou que alguns reclamam com razão e outros por serem
oposição. “Mas, na política, a gente não pode perder
o juízo e o bom-senso”, disse. O presidente prometeu
que 2005 será o ano do desenvolvimento e dos
investimentos em infra-estrutura. “O Brasil passou sete
anos tendo déficit na balança comercial e chega agora a
um superávit”, observou. “Se Deus quiser, vamos
continuar a bater recordes atrás de recordes.” Lula
voltou a salientar que o País começa a colher o que
plantou.
“Temos experiência de vida; tudo que se constrói não
começa do dia para a noite, é preciso um processo de
maturação”, disse. “Poucos analistas econômicos
acreditaram que o Brasil cresceria como cresceu no ano
passado e poucos acreditaram que o desemprego ficaria
abaixo de 10%.” Na análise dos números, Lula afirmou
que, em todas as atividades econômicas, o País deu
demonstrações de um “vigoroso” crescimento econômico.
Jornal do
Comércio
26/01/2005
- 14h15
Projeto
de Roseana Sarney proíbe auditoria no período da
propaganda eleitoral gratuita
Projeto
de lei da senadora Roseana Sarney (PFL-MA) que proíbe,
durante a veiculação da propaganda eleitoral gratuita no
rádio e na televisão, auditorias sobre recursos
transferidos pela União ou pelos estados (PLS 369/04) será
analisado em caráter terminativo na Comissão
de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A
proibição refere-se apenas às auditorias internas do
Executivo, não impedindo o controle externo realizado
pelos tribunais de contas.
De
acordo com a parlamentar, o expediente da auditoria,
"travestido de procedimento de busca da moralidade pública",
tem sido freqüentemente utilizado para fazer política
partidária e propaganda eleitoral, assim como para
constranger os adversários do partido que está no poder.
-
Assim, inicia-se uma auditoria no período eleitoral sobre
os recursos transferidos a uma prefeitura de outra
corrente política, sabendo-se que isso dará grande
material para a mídia, mesmo que, ao final das contas, não
exista irregularidade.
O
projeto, que Roseana apresentou antes de licenciar-se, no
mês passado, também proíbe a divulgação do resultado
dessas auditorias em período eleitoral. De acordo com a
parlamentar, na difusão desses resultados, com freqüência
"se amplificam falhas formais, cujo esclarecimento
vai ocorrer apenas após os pleitos".
Na
justificação da proposta, Roseana observa que deseja
restringir esse procedimento em nome da lisura das eleições,
sublinhando que não pretende absolutamente impedir a
realização de auditorias ou o controle das despesas públicas.
De
acordo com a senadora, a vedação estabelecida em seu
projeto se dará em período bastante curto, ou seja,
apenas nos 47 dias que antecedem as eleições e
justamente na época em que as administrações já estarão
sob a rígida vigilância da imprensa e da sociedade
civil.
O
projeto acrescenta dispositivo ao art. 73 da Lei Eleitoral
(Lei 9.504/97) para proibir aos agentes públicos a
seguinte conduta: "determinar, desde o início da
propaganda eleitoral gratuita, no rádio e na televisão,
até a realização do pleito, a realização, por órgão
de controle interno do Poder Executivo, de auditoria sobre
a gestão de recursos transferidos pela União aos
estados, Distrito Federal e municípios, ou pelos estados
aos municípios, ou divulgar os respectivos
resultados".
Jornal do
Senado
26/01/2005
- 14h10
Garotinho
anuncia pacote de tributos para "proteger" Rio
BRASÍLIA
- O secretário de Governo e Coordenação do Rio de
Janeiro, Anthony Garotinho, disse ontem que o Estado lançará
um pacote tributário para se "proteger" da
guerra fiscal. A divulgação de que o governo prepara um
conjunto de leis a ser encaminhado à Assembléia
Legislativa do Rio (Alerj) em fevereiro ocorre uma semana
depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministro Nelson Jobim, derrubar um benefício fiscal
concedido pelo governo fluminense.
A decisão
de Jobim foi mais um capítulo da guerra fiscal entre os
estados. A pedido do governador de Minas Gerais, Aécio
Neves, o ministro concedeu uma liminar em ação direta de
inconstitucionalidade suspendendo os efeitos de um decreto
de Rosinha que reduzia a base de cálculo do Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pago sobre
o café produzido no Rio de Janeiro. Jobim acolheu os
argumentos do governo mineiro, de que o decreto impunha
barreiras fiscais no território nacional. Garotinho falou
sobre o pacote tributário ao sair do STF.
Ele se
encontrou com Jobim para consultá-lo sobre a decisão da
governadora do Rio, Rosinha Matheus, de encaminhar o
pacote de legislações à assembléia. "Fiz essa
consulta porque o Rio tem de criar leis que não sejam
alvo de ações argüindo a inconstitucionalidade",
afirmou Garotinho. O secretário de Governo do Rio de
Janeiro não quis, no entanto, dar detalhes sobre as leis.
Segundo
Garotinho, Jobim disse, na conversa, que concedeu a
liminar em favor de Minas Gerais com base nas leis
vigentes. Na liminar, o presidente do Supremo afirma que o
Rio, ao reduzir a base de cálculo do ICMS do café
torrado, praticou uma ilegalidade, porque infringiu o
artigo 152 da Constituição que veda essa distinção na
cobrança do imposto.
Na semana
passada, o governo fluminense sofreu outra derrota no
Supremo. Por meio de uma liminar, Jobim suspendeu uma lei
do Rio que impôs condições para o pagamento de crédito
de ICMS aos exportadores a pedido da Confederação
Nacional da Indústria (CNI).
Congresso
Garotinho
disse que veio ao STF a pedido da governadora, que não pôde
viajar porque ainda se recupera de um acidente de carro.
Ele informou também que hoje vai se encontrar com o
deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), para declarar seu
apoio à pré-candidatura do parlamentar mineiro à presidência
da Câmara.
O secretário
do Rio afirmou que um grupo de 30 parlamentares do PMDB e
do PSC votarão em Virgílio contra a candidatura do
deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), apoiado pelo Palácio
do Planalto. "O governo não é confiável, tem
hostilizado o Rio de Janeiro e, por isso, não dá para
apoiar Greenhalgh, que está sendo prejudicado.
Tribuna
da Imprensa
26/01/2005
- 14h05
Presidente
chega hoje ao Estado
Com a
chegada a Porto Alegre antecipada para a noite de hoje, e
não mais na quinta-feira, como era previsto, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva inicia sua agenda se reunindo
com os representantes do Fórum Social Mundial, às 21h.
O encontro deverá ocorrer no próprio Hotel Plaza São
Rafael, onde Lula ficará hospedado. O objetivo do
presidente é dar explicações sobre seu governo aos
principais representantes de organizações da esquerda
mundial. Das 129 entidades que compõem o conselho, 70
tinham aceitado até ontem o convite para a reunião com
Lula.
– Achamos o convite de Lula muito simpático e democrático
– disse Cândido Grzybowski, membro do conselho.
Pela manhã, o presidente irá com os ministros que o
acompanham – Dilma Roussef (Minas e Energia), Tarso
Genro (Educação) e Nilmário Miranda (Direitos Humanos)
– para o lançamento da campanha Chamada Global Contra a
Fome e a Pobreza, no Gigantinho.
O presidente deverá permanecer cerca de 12 horas em Porto
Alegre. Ele chegará à Capital hoje à noite e, depois do
meio-dia, viajará para a Suíça, onde participa do Fórum
Econômico Mundial, em Davos.
Na Capital, Lula se hospeda na suíte presidencial do
hotel Plaza São Rafael, no 16° andar. Uma equipe enviada
pela Presidência já está no hotel desde o início da
semana preparando o local.
De acordo com o gerente do Plaza, Roberto Snel, a Polícia
Federal e policiais do Grupo de Ações Táticas (GAT) já
estiveram no prédio e estudaram a planta da construção,
além de vasculharem possíveis locais onde pessoas possam
se esconder ou montar atentados. Hoje, a vigilância no
local será redobrada e haverá policiais nos prédios da
redondeza para reforçar a segurança do presidente e de
sua comitiva.
Grupos mais radicais, como PSTU, Psol e estudantes,
afirmam que pelo menos 2 mil manifestantes estão
preparados para vaiar Lula. Sem-terra e sindicalistas
pretendem utilizar o Fórum para pressionar o governo e
negociar mudanças.
Zero Hora
21/01/2005
- 16h
CÂMARA
Temer libera votos dos rebeldes
Caciques peemedebistas que se opõem
ao governo decidem que cada deputado do grupo poderá
votar em quem quiser para a presidência da Casa.
Tendência da maioria é apoiar o dissidente Virgílio
Guimarães (PT-MG)
Uma
nova dificuldade para a candidatura oficial do deputado
Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) à presidência da
Câmara. Em reunião ontem no Rio de Janeiro, a ala
independente do PMDB, que deseja que o partido se afaste
do governo, resolveu que ficará neutra na disputa pela
sucessão de João Paulo Cunha (PT-SP). Cada deputado do
grupo poderá votar em quem quiser para presidente da
Câmara. Há duas semanas, Greenhalgh teve uma reunião em
São Paulo com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer
(SP), e ficara com a impressão de que Temer apoiaria a
candidatura oficial. Ontem, Temer, que participa da ala
independente, explicou que a divisão interna do próprio
PT dificulta uma tomada de posição em seu partido.
A opção pela neutralidade foi tomada por
Temer, pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia,
pelo ex-governador do Rio Anthony Garotinho, pelo
presidente do PMDB de Minas, deputado Saraiva Felipe, e
pelo vice-presidente do partido, deputado Eliseu Padilha
(RS), em encontro no Palácio das Laranjeiras, sede do
governo fluminense. Ficou claro que a decisão tem também
por objetivo criar dificuldades para o governo. ‘‘Como
há disputa do PMDB com o governo, há uma tendência de
que não haja votação no candidato oficial’’,
explicou Temer. Liberados os deputados do grupo, o
provável, segundo as contas de Temer, é que a maioria
fique com o candidato avulso, Virgílio Guimarães
(PT-MG). O presidente do PMDB, porém, provoca:
‘‘Virgílio Guimarães (PT) é um nome que está
aparecendo bastante, mas não estamos descartando outros,
como José Carlos Aleluia’’. Aleluia (PFL-BA) é um
dos candidatos da oposição à presidência da Câmara.
Na verdade, a decisão de não fechar o apoio
a Greenhalgh é motivada principalmente pela posição de
Garotinho e do PMDB do Rio. Muitos dos deputados da
bancada fluminense estão engajados na campanha de
Virgílio. ‘‘A bancada do Rio fechou posição em
favor de Virgílio’’, disse Garotinho. ‘‘Com a
interferência indevida do PT e do governo no PMDB e com a
forma discriminatória que vem sendo tratado o Rio de
Janeiro, não temos condições políticas de votar no
candidato do governo. Já não estou mais na idade de
acreditar em Papai Noel, embora eu seja Garotinho’’,
ironizou.
Além da opção pela neutralidade, o grupo
independente resolveu também que lançará um candidato
à liderança do partido na Câmara. A ala governista
tentará a reeleição de José Borba (PR).
Prefeito
apela, mas critica o PT
A pressão da cúpula do
PT e do governo para demover o deputado Virgílio
Guimarães (PT-MG) da sua candidatura avulsa permanece.
Agora, um dos principais caminhos tentados é dividir a
unidade de Minas Gerais, um dos pontos em que Virgílio
apóia sua candidatura. Ontem, o prefeito de Belo
Horizonte, Fernando Pimentel, e a prefeita de Contagem,
Marília Campos, ambos do PT, encaminharam carta a
Virgílio pedindo a ele que retire sua pretensão em favor
da candidatura oficial de Luiz Eduardo Greenhalgh.
A carta não chega a ser um apoio entusiasmado
a Greenhalgh. Começa com elogios a Virgílio e com
críticas ao processo pelo qual seu nome foi escolhido.
Após uma primeira votação em que os deputados da
bancada votaram em três nomes (e na qual Virgílio teve o
maior número de lembranças), forçou-se a retirada das
demais candidaturas, para que Greenhalgh fosse aclamado
por unanimidade. ‘‘Nós, que somos militantes do
Partido dos Trabalhadores, assim como você, gostaríamos
que o processo de sucessão da presidência da Câmara dos
Deputados tivesse transcorrido na mais perfeita harmonia.
Infelizmente, não foi o que aconteceu‘‘, inicia a
carta.
Concluído, porém, o processo de escolha,
Pimentel e Marília consideram que ‘‘o mais
sensato’’ seja agora aceitar o resultado e apoiar
Greenhalgh, em nome da unidade partidária. ‘‘Os
desafios do nosso governo estão acima de qualquer outra
questão, e nosso papel é somar na construção deste
processo. Tomamos a liberdade de pedir-lhe que evite
disputar com o candidato do PT’’, conclui o texto.
Aposta
nos líderes
Enquanto o prefeito de
Belo Horizonte, Fernando Pimentel. envia carta ao deputado
Virgílio Guimarães (PT-MG) pedindo que reconsidere sua
candidatura avulsa, o grupo que o sustenta aposta no apoio
de outros líderes mineiros. De acordo com o deputado João
Leão (PL-BA), um dos principais cabos eleitorais de Virgílio,
o governador de Minas, Aécio Neves, e seu vice, Clésio
Andrade, deverão estar no ato de lançamento da campanha
avulsa, no sábado, em Belo Horizonte.
Diante da constatação de que Virgílio não
deverá recuar de sua candidatura a partir da pressão,
diminui no PT ligado à candidatura oficial de Luiz
Eduardo Greenhalgh (PT-SP) a idéia de puni-lo. Para o líder
do partido na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), agir assim
poderia contribuir para transformá-lo numa espécie de
‘‘mártir’’.
Para Chinaglia, uma estratégia de punição,
em vez de reverter votos, poderia até consolidar um
sentimento de solidariedade a ele. O caminho, então,
segundo o líder, é deixar claro para os demais partidos
que a única candidatura do PT é a de Greenhalgh. ‘‘Não
haverá dois candidatos do PT. Ou seja: politicamente,
vamos cada vez deixar mais claro que o candidato que o PT
apresenta é o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, se é que
alguém ainda tem dúvida disso’’, acrescentou.
Bloco
novo. E já rachado
Um novo bloco de partidos
já nasce dividido com relação à disputa pela presidência
da Câmara. Cinco partidos — PPS, PSB, PDT, PCdoB e PV
— passam a formar agora a terceira bancada da Câmara,
com 68 deputados. Só perderiam em tamanho para o PT (90
deputados) e o PMDB (77). De acordo com o líder do PSB,
Renato Casagrande (ES), a idéia ao formar o bloco foi de
conquistar cacife para reivindicar posições melhores nas
presidências das comissões temáticas e na Mesa da Câmara.
Porque, com relação à forma como votará, não há
unidade no bloco. O PDT, por exemplo, faz oposição ao
governo. E sobre a votação para presidente da Câmara, o
bloco tende a não fechar também uma posição unitária.
‘‘Conversamos sobre a questão da presidência
da Câmara. Decidimos que vamos nos reunir novamente na próxima
semana. Mas é difícil que tenhamos uma posição única’’,
disse Casagrande. ‘‘A própria divisão do PT
fragiliza uma tomada de posição unitária nos outros
partidos’’, comenta o líder do PCdoB, Renildo
Calheiros (AL). ‘‘O manifesto da bancada (no qual 87
dos 90 deputados diz apoiar Greenhalgh) ajuda, mas ainda não
dá o assunto por encerrado’’, conclui Renildo. O
PCdoB fechou apoio ao candidato oficial, Luiz Eduardo
Greenhalgh (PT-SP). Mas há dois líderes no bloco que apóiam
o candidato avulso Virgílio Guimarães (PT-MG), Júlio
Delgado (PPS-MG) e Pompeu de Mattos (PDT-RS).
Na avaliação feita pelos líderes do novo
bloco durante a reunião, Virgílio hoje tem a maioria dos
votos entre os deputados. Se a eleição fosse hoje,
ganharia. Mas os líderes avaliam que, daqui para a
frente, a tendência é que Greenhalgh cresça. Virgílio
já estaria no limite dos seus votos.
Embora as posições no bloco sejam
divergentes quanto aos candidatos na disputa, os líderes
parecem concordar num ponto: os problemas decorrentes da
eleição na Câmara são conseqüência da insistência
na tentativa de aprovação da emenda que permitiria a
reeleição das Mesas do Congresso. ‘‘A reeleição
inibiu o amadurecimento da discussão sucessória, que só
foi começar quando a Câmara já estava praticamente em
recesso’’, critica Renildo. ‘‘Esse foi o grande
problema’’, concorda Casagrande.
Na reunião de criação do bloco, alguns líderes
chegaram a sugerir a retirada das duas candidaturas do PT
em favor de um terceiro nome. Na avaliação desses líderes,
somente em uma situação em que Greenhalgh também
desistisse seria possível agora demover Virgílio da
disputa.
A formalização do novo bloco deve ser feita
na próxima semana, com o recolhimento de assinaturas de
todos os líderes e da maioria de suas bancadas. O
documento seria apresentado ao presidente da Câmara, João
Paulo Cunha (PT-SP). Apesar de a idéia declarada dos líderes
desses partidos é obter mais força na distribuição dos
cargos, já há um problema a ser contornado. Em dezembro,
o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP)
respondeu uma questão de ordem em que estabeleceu o dia
15 de dezembro como prazo para verificação do tamanho
dos blocos e bancadas na Câmara. ‘‘Nós vamos falar
com João Paulo na próxima semana para reavaliar essa
questão de ordem. Nós entendemos que o prazo não é dia
15 de dezembro e sim o dia 15 de fevereiro’’, disse o
líder do PPS, Júlio Delgado (MG).
Mesmo que não consiga cargos na Mesa, a tendência
dos partidos, segundo Casagrande, é mesmo assim formar o
bloco. ‘‘Nossas bancadas são pequenas, mas juntas
poderemos aumentar nosso poder de articulação e ter uma
força razoável’’, avalia o líder do PSB.
Outro problema na formação do bloco é que
ele já começou a gerar discussão na bancada do PPS.
Eternos adversários, o presidente do PPS, deputado
Roberto Freire (PE), desautorizou a ação de Delgado de
se integrar aos demais partidos para formar a bancada
conjunta. ‘‘Esse Delgado só faz trapalhada. Esse
bloco não foi discutido pelo partido’’, reagiu
Freire.
personagem
da notícia
O oposto de Freire
Dois dos maiores adversários
hoje na Câmara dos Deputados curiosamente pertencem ao
mesmo partido. O presidente do PPS, deputado Roberto
Freire (PE), e o líder do partido na Câmara, Júlio
Delgado (MG), dificilmente concordam em alguma coisa.
Freire busca aproximar-se do PSDB e faz um discurso de
oposição. Delgado está com o ministro da Integração
Nacional, Ciro Gomes, e defende incondicionalmente o
governo. Freire imagina uma fusão com o PDT para criar um
partido oposicionista de esquerda, e é criticado por
Delgado. Que, no entanto, forma um bloco com o mesmo PDT,
numa operação desautorizada por Freire.
É por conta da fidelidade governista de Júlio
Delgado que alguns aliados do candidato oficial à presidência
da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), estranharam o
apoio declarado que o líder do PPS deu a seu conterrâneo,
o candidato avulso Virgílio Guimarães (PT-MG). Mas,
outra vez, a coisa em parte pode ser explicada pela
rivalidade com Roberto Freire. ‘‘Não é justamente a
parte oposicionista do PPS que está apoiando o
Greenhalgh?’’, comenta Delgado. ‘‘Meu apoio a Virgílio
é justamente no sentido de ajudar o governo’’,
afirma.
No raciocínio de Delgado, o desenrolar da
campanha vem demonstrando que é Virgílio, e não
Greenhalgh, o candidato do PT com chances de vitória.
‘‘Virgílio é que é o candidato da base governista.
Greenhalgh é candidato da cúpula do PT’’, afirma
ele. Para Delgado, não é correto o raciocínio dos que
afirmam que a candidatura de Virgílio enfraquece os líderes
e os partidos por desrespeitar a posição oficial do PT.
‘‘A leitura correta é a inversa. Os líderes foram
ignorados na escolha feita pelo PT. Sendo o candidato
nascido da decisão apenas de um partido, como Greenhalgh
garantirá o respeito dos demais líderes? Virgílio, sim,
é que representa o sentimento da Casa. Sua eleição é
que vai garantir a governabilidade.’’
CorreioWEB
21/01/2005
- 15h50
As
tsunamis como exemplo
Lula
rebate críticas à área social e usa maremoto da Ásia
para dizer que é mais fácil destruir
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu ontem à
tragédia que varreu boa parte do continente asiático
para rebater críticas ao Programa Bolsa-Família. O
contra-ataque, sem citar nomes, foi desferido na
solenidade de apresentação da Rede Pública de Fiscalização
do projeto. “É mais fácil destruir do que construir. O
último exemplo foi o maremoto que teve na Ásia”, disse
Lula para uma platéia que incluía Maria Ferreira da
Silva, uma das beneficiadas pelo programa.
Apesar do convite, Maria não ficou à vontade na
solenidade, no Palácio do Planalto. Mesmo com os elogios
de Lula e as fotos que tirou com o presidente e ministros,
ela não demonstrou muito entusiasmo pela festa. Ao
receber o convite para conhecer Lula, respondeu com
simplicidade que iria, mas desde que não demorasse muito
porque tinha que trabalhar.
Maria, o marido, Davi, e cinco dos 11 filhos do casal
foram levados à cerimônia para dar uma cara real ao
programa. A família, de Ceilândia – cidade-satélite
de Brasília – é a estrela do material de divulgação
do programa do ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome. Ela ganha R$ 90 do Bolsa-Família.
Em discurso, Lula respondeu as críticas à política
social do Governo e disse que “a verdade engantinha e a
mentira corre”, ao referir-se às denúncias de pouca
fiscalização feitas ao programa no ano passado. E
lembrou que herdou o cadastro do Governo Fernando
Henrique.
Lula defendeu as contrapartidas exigidas pelo Governo aos
beneficiados pelo Bolsa-Família, como manutenção de
crianças na escola e acompanhamento médico. A Rede Pública
de Fiscalização tem agora parceria com Ministérios Públicos
Estaduais e Federal, Tribunal de Contas da União e
Controladoria Geral da União.
O Dia
21/01/2005
- 15h40
Carro-bomba
mata pelo menos 13 pessoas em Bagdá
Bagdá
- Um
carro-bomba explodiu em frente a uma mesquita xiita em
Bagdá nesta sexta-feira. Pelo menos 13 pessoas morreram e
40 ficaram feridas.
A explosão
ocorreu quando os fiéis saíam da mesquita de al-Taf,
onde os xiitas celebravam uma das mais importantes
festividades islâmicas, o Eid al-Adja - Festa do Sacrifício
-, que coincide com a peregrinação anual a Meca, na Arábia
Saudita.
Esse foi
o segundo ataque a uma mesquita xiita nesta semana. Uma série
de carros-bomba explodiram na quarta-feira perto de uma
delas antes das orações de meio-dia, mas ninguém ficou
ferido.
A poucos
dias das eleições de 30 de janeiro, os ataques a xiitas
aumentaram. Eles apóiam a realização da votação
enquanto alguns membros da minoria sunita têm pedido o
boicote às urnas.
Estado de
São Paulo
21/01/2005
- 15h30
Oposição
até no PMDB
O grupo
do PMDB que propõe a saída do governo deve votar contra
o candidato oficial do PT à presidência da Câmara dos
Deputados, Luiz Eduardo Greenhalgh. A tendência foi
discutida em reunião no Palácio das Laranjeiras, da qual
participou o presidente do partido, deputado federal
Michel Temer (SP). O grupo ainda não decidiu o nome que
deve apoiar e não descarta Virgílio Guimarães (PT-MG),
José Carlos Aleluia (PFL-BA) e Severino Cavalcanti
(PP-PE).
Na reunião, também se falou na forte probabilidade de
que a ala dissidente do PMDB lance candidato próprio à
liderança do PMDB, contra José Borba (PR). Além de
Temer, participaram do encontro os presidentes da legenda
em São Paulo, Orestes Quércia; no Rio de Janeiro,
Anthony Garotinho; e em Minas Gerais, deputado Saraiva
Felipe; e ainda dos deputados Eliseu Padilha (RS), Moreira
Franco (RJ) e Eduardo Cunha (RJ).
Garotinho criticou o fato de o governo tratar de forma
desrespeitosa o PMDB. Sobre os investimentos do governo
para o Rio, ele se mostrou cético. "Já passei da
idade de acreditar em Papai Noel, apesar de ser
Garotinho".
Jornal de
Brasília
21/01/2005
- 15h20
PMDB
pede alto e Lula retarda mudanças
Partido
quer mais uma pasta e uma estatal. Reforma fica para
fevereiro
BRASÍLIA
- No dia em que o chefe da Casa Civil, José
Dirceu, voltou a operar na articulação política, a cúpula
do PMDB pediu alto ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva: cobrou mais um ministério e mais uma presidência
de estatal. Ouviu que o partido será contemplado com uma
pasta com mais ''capilaridade e investimentos'' na reforma
ministerial. As mudanças serão concluídas ''apenas
depois das eleições para as Mesas da Câmara e Senado'',
segundo o presidente.
A
conversa não foi conclusiva. Como na audiência da semana
passada, Lula ouviu mais do que falou. Embora tenha
garantido aos líderes do PMDB no Senado e Câmara, Renan
Calheiros e José Borba (PMDB-PR), e ao presidente do
Senado, José Sarney (PMDB-AP), que a legenda terá
tratamento de ''aliado preferencial'', não se sabe ainda
se o PMDB terá um terceiro ministério ou se substituirá
uma pasta atual por outra mais robusta de verba e cargos.
O que
deixou os peemebistas ressabiados foi o fato de Lula ter
deixado transparecer na conversa, segundo um dos
presentes, que dificilmente vai atender a todas as
reivindicações do partido. Hoje a sigla controla os
ministérios da Previdência Social e das Comunicações,
além da Transpetro, estatal do Sistema Petrobrás. Sonha
ainda com os ministérios das Cidades ou Integração
Nacional e com a Infraero, estatal que controla os
aeroportos em todo o país. O PMDB já até indicou dois
nomes ao presidente. Para ocupar uma pasta, o senador
Romero Jucá (RR), e para a estatal, o deputado Henrique
Eduardo Alves (RN).
Conforme
antecipou o Jornal do Brasil, as estatais também
entrarão no rateio da reforma. Uma nova presidência de
empresa seria uma forma de contemplar a bancada do PMDB na
Câmara, mais precisamente o líder José Borba, com a
perspectiva de os senadores virem a ser agraciados com o
almejado terceiro ministério. Mas Lula resiste à idéia
por considerar que seria conferir ''muito poder à
legenda'', segundo relato de interlocutores do Planalto.
- O
presidente não disse quantos ministérios. Apenas
reafirmou que quer nos prestigiar, quer colocar o PMDB
numa pasta que comporte mais investimentos, ampliar o espaço
do partido - afirmou Calheiros após o encontro no Palácio
do Planalto, que durou quase duas horas e meia.
Calheiros
deixou o encontro com a impressão de que o presidente já
tem a reforma pronta na cabeça. Uma mudança não só
para o PMDB mas todos os partidos da bancada governista,
teria dito Lula segundo relato do senador. A pasta para a
senadora Roseana Sarney (PFL-MA) ainda não foi anunciada.
Roseana é encarada como cota pessoal de Lula. E está
cotada para ocupar os ministério da Previdência,
Turismo, Comunicações ou até Cidades.
Segundo
Calheiros, a questão será definida num próximo
encontro. O tema acabou não entrando na pauta da reunião
de ontem por causa da presença inesperada de Borba.
Sarney prefere tratar do assunto mais reservadamente,
tendo como testemunha apenas Lula e Renan. O deputado José
Borba foi convidado na última hora graças a articulação
política do ministro José Dirceu. A reunião já havia
sido agendada com os dois senadores desde anteontem, mas o
convite não incluía Borba.
Tão logo
tomou conhecimento de que ficaria de fora do encontro, o
deputado ameaçou não reconhecer qualquer eventual acordo
caso a Câmara não fosse representada. Na manhã de
ontem, horas antes da reunião, um telefonema de Dirceu
ampliou o convite.
Sobre a
eleição na Câmara, Calheiros reiterou que o partido vai
seguir o princípio da proporcionalidade, apesar de o
presidente da sigla, deputado Michel Temer, não ter
garantido o voto no candidato do PT, Luiz Eduardo
Greenhalgh (PT-SP).
Jornal do
Brasil
21/01/2005
- 15h10
Tensão
pós-Copom
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ontem o
ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do
Banco Central (BC), Henrique Meirelles, para dar explicações
sobre a quinta alta consecutiva dos juros básicos da
economia (a taxa Selic). O aumento, de 17,75% para 18,25%
ao ano, foi decidido na última quarta-feira pelo Comitê
de Política Monetária (Copom). Em reunião que durou
toda a manhã no Palácio do Planalto, Lula manifestou
irritação e desconforto com a elevação — querendo
ser convencido de que ela era necessária — e suas
repercussões, como o fato de o Brasil ter se tornado o país
com a maior taxa de juro real (acima da inflação) do
mundo. Ele chamou para o encontro o presidente da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando
Monteiro, com o objetivo de discutir alternativas para a
política monetária.
Nas palavras de um assessor, o presidente sofreu uma
“tensão pós-Copom”. Mas, ao fim do encontro, Lula
convenceu-se da necessidade do aumento de juros para
garantir a estabilidade dos preços e deu sinal verde a
Palocci para fazer uma defesa pública veemente da decisão.
Crítico ferrenho da política monetária — na
quarta-feira, disse que a nova alta era lamentável por
frear a atividade econômica — Monteiro, como
representante do setor produtivo, foi convidado a
apresentar propostas e modelos de como os empresários
poderiam ajudar na queda dos juros. Foi a primeira vez que
Lula levou alguém de fora do governo para debater o
controle da inflação com os dois principais integrantes
da equipe econômica.
Ciclo de altas estaria perto do fim
Segundo um ministro, Meirelles teria assegurado na
conversa que o ciclo de alta dos juros estaria perto do
fim. Mas não foi feita previsão se haveria ou de quanto
seria um aumento do juros na próxima reunião do Copom,
em fevereiro. A explicação de Meirelles teria sido uma
resposta à angústia demonstrada por Lula com a elevação
“constante e persistente” da taxa de juros. Meirelles
também teria justificado o fato de o Copom decidir por
unanimidade a elevação dos juros como um simbolismo
externo importante de unidade dos integrantes do BC.
Na agenda oficial de Lula só estava registrada, ontem, a
audiência com Palocci. A convocação do presidente do
Banco Central teria sido feita de última hora. Segundo um
assessor de Lula, o próprio presidente teria achado
conveniente a presença de Meirelles para entender as razões
que levaram o BC a subir a Selic. Para mais de um
interlocutor, Lula chegou a manifestar seu
descontentamento com os juros reais do Brasil, que
chegaram a 11,9%, bem acima da Turquia, que hoje tem taxa
real de 9%, a segunda maior do mundo. Nos últimos meses,
o presidente tem questionado de forma reservada a
necessidade de uma taxa tão elevada.
— O presidente Lula está na situação semelhante à de
alguém que vai visitar um parente na UTI e fica sabendo
que o médico prescreveu o aumento da dosagem de antibiótico.
Ou seja, Lula sabe que o remédio é ruim, mas necessário
— explicou ontem um ministro petista com livre trânsito
no Palácio do Planalto.
Política econômica divide governo
A justificativa de Meirelles para o aumento dos juros,
segundo uma fonte do Palácio, foi baseada na expectativa
da variação dos preços este ano. Por isso, o Banco
Central teria de demonstrar de forma veemente seu empenho
em perseguir a meta de inflação de 5,1% para 2005.
No núcleo político do governo existe uma divisão clara
sobre a condução da política econômica. Um grupo
influente de ministros — entre eles o chefe da Casa
Civil, José Dirceu, e os titulares do Desenvolvimento,
Luiz Fernando Furlan, e da Integração Nacional, Ciro
Gomes — têm contestado a condução da política monetária.
Mas Lula externou mais uma vez ontem, depois das explicações
que recebeu de Meirelles e Palocci, sua confiança total
no modelo atual da política econômica. Um ministro
lembra que Lula tem desafiado com freqüência cada vez
maior os críticos da política econômica a apresentarem
um modelo alternativo eficaz para a economia brasileira.
Foi neste contexto que o convite a Monteiro, da CNI, foi
feito.
Nessas conversas, o presidente costuma argumentar que,
mesmo com todas as críticas feitas por esse grupo no início
de 2004, a economia brasileira fechou o ano passado com
todos os índices positivos, como é o caso do crescimento
do PIB, que deve ficar acima de 5%. Ontem, assessores do
Palácio que conversaram com Palocci observaram que o
humor do ministro estava muito melhor do que na
quarta-feira, quando o Copom anunciou o aumento dos juros.
O Globo
21/01/2005
- 15h
Reforma
ministerial só depois do Carnaval
BRASÍLIA
- Depois de duas horas de reunião com dirigentes do PMDB,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou que só
pretende deflagrar a reforma ministerial depois da eleição
dos novos presidentes da Câmara e do Senado, no dia 14.
Lula acredita que antecipar a definição dos novos
ministros pode atrapalhar a eleição do petista Luiz
Eduardo Greenhalgh (SP) para a presidência da Câmara e
do pemedebista Renan Calheiros (AL) para o comando do
Senado.
Segundo
Calheiros, Lula deixou claro que pretende prestigiar o
PMDB, entregando ao partido um ministério com maior
capilaridade de investimento, como a pasta de Cidades,
hoje com o petista Olívio Dutra, ou Integração
Nacional, ocupada por Ciro Gomes, do PPS.
Nesse
caso, o partido manteria os Ministérios das Comunicações
e da Previdência Social, e a terceira pasta iria para a
senadora maranhense Roseana Sarney, que deixaria o PFL
para entrar no PMDB. O partido deseja ainda ocupar o
comando de pelo menos uma estatal, tendo preferência pela
Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária
(Infraero).
"A
conversa não foi conclusiva, mas tive a impressão que o
presidente Lula já tem na cabeça a reforma ministerial
que quer fazer", afirmou Calheiros, depois, do
encontro com o presidente.
Além de
trabalhar nos bastidores para ter a presidência da
Infraero na reforma ministerial, o PMDB movimenta-se até
para ganhar cargos que nem sequer foram criados, como uma
nova diretoria da Petrobras no segmento de gás.
Um
interlocutor de Lula explica que o PMDB passou a sonhar
com o controle da distribuição de gás líquido no País
desde que foi informado de que o governo quer intensificar
o uso deste combustível, assim que entrar em operação,
na Bacia de Santos, a maior reserva de gás descoberta em
território nacional.
Mas o
interesse do partido pelo cargo é pragmático: a cúpula
peemedebista já sabe que a nova diretoria vai administrar
um orçamento mais gordo do que o da maioria dos ministérios,
movimentando recursos na faixa do bilhão de reais.
Na
verdade, o partido já fincou pé na Petrobrás desde a
reforma ministerial realizada há um ano, quando o
ex-senador Sérgio Machado ganhou a presidência da
Transpetro. Agora, Calheiros pode apadrinhar o novo
diretor da Petrobras.
Segundo
um peemedebista que acompanha cada lance das negociações
entre o partido e o Planalto, o nome mais cotado nos
bastidores para ocupar o cargo é Henrique Melo, que já
dirigiu as companhias de eletricidade do Espírito Santo e
de Alagoas e, atualmente, trabalha com Machado na
Transpetro.
A
iniciativa da reunião com o PMDB foi de Lula, que na
semana passada propôs ao presidente do Congresso, José
Sarney (PMDB-AP), e a Calheiros, que se encontrassem para
falar de reforma ministerial.
Além de
Sarney e Calheiros, também participou do encontro o líder
na Câmara, José Borba (PR). O deputado, porém, só foi
convidado à última hora. A reunião já havia sido
confirmada aos dois senadores desde a véspera, pelo próprio
Planalto, mas o convite não incluíra Borba.
Assim que
soube da exclusão ainda na noite de quarta-feira, o
deputado tratou de avisar aos convidados do Senado que a
bancada da Câmara não acataria nenhum eventual acerto
com o Planalto, se não tivesse um representante seu na
conversa de ontem.
Como o
aviso incluía não só a reforma ministerial como os
interesses do governo na eleição do candidato oficial do
PT à presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh
(SP), Sarney movimentou-se para contornar o incidente.
Acionou o ministro da Casa Civil, José Dirceu, que,
diante do mal-estar político, telefonou ontem cedo para
Borba, estendendo-lhe o convite oficial.
Depois de
ter sido praticamente descartado do Ministério da Previdência
por setores do governo e do PMDB, o ministro Almir Lando
(PMDB-RO) poderá permanecer no cargo.
Segundo
um dirigente nacional do partido, na audiência que teve
esta semana com o presidente, Lando pediu-lhe autorização
para viajar em fevereiro ao exterior, para negociar
parcerias com o Bird (Banco Mundial) e o Fundo Monetário
Internacional (FMI).
E de
acordo com o relato do próprio ministro ao correligionário,
Lula não só teria autorizado a viagem como dado um
conselho a seu ministro: "Amir, pare de ler jornal, e
vamos trabalhar."
Tribuna
da Imprensa
19/01/2005
- 15h
Câmara
Dividido, PL apóia Greenhalgh
Vice-presidente José Alencar e cúpula
do Partido Liberal decidem apoiar candidatura oficial do
PT por fidelidade ao governo. Decisão pretende atenuar
pressão mineira e evitar adesões a Virgílio Guimarães
O
vice-presidente da República e ministro da Defesa, José
Alencar, integrou-se ontem à ofensiva do Palácio do
Planalto para eleger o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh
(PT-SP) presidente da Câmara. Pressionado na véspera por
uma delegação mineira, que lhe entregou três manifestos
em defesa da candidatura de seu conterrâneo Virgílio
Guimarães, Alencar anunciou o apoio da bancada do PL a
Greenhalgh, candidato oficial do PT. A decisão foi tomada
durante uma reunião com o presidente do partido, Valdemar
Costa Neto, o líder na Câmara, Sandro Mabel, e o
ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que tem
influência entre os deputados.
Um sinal claro do vice-presidente era necessário
para superar dois focos de problemas. O primeiro, o fato
de Alencar ser mineiro. A bancada de Minas Gerais insufla
a candidatura dissidente de Virgílio Guimarães (PT-MG),
que ameaça disputar contra Greenhalgh no plenário da Câmara.
A posição a favor de Greenhalgh, de um dos mineiros mais
influentes no governo, provoca um racha entre os
representantes do estado.
O apoio ao nome oficial do PT também era
fundamental para conter o número de rebeldes que podem
surgir na bancada do PL. Os deputados do partido, João Leão
(BA) e João Caldas (AL), estão na linha de frente do
movimento ‘‘Câmara Forte’’, que coordena a
candidatura de Virgílio. O aviso público de Alencar, de
que seguirá a decisão do PT, e a entrada em campo do
ministro dos Transportes, são a senha para os deputados
do partido de que devem seguir a orientação do Planalto.
‘‘Não queremos ser problema para o PT’’, resumiu
Valdemar Costa Neto.
Fidelidade
O vice-presidente, que participa do núcleo político mais
próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou
claro que a decisão se deve à fidelidade ao presidente.
Ele reforçou que o partido faz parte do governo e voltou
a repetir que o PL tem o segundo cargo da República
porque Lula venceu a eleição. ‘‘O povo brasileiro
vota no titular. Sou vice-presidente graças à eleição
do presidente Lula’’, justificou. O partido tem cargos
no governo e poderia pô-los em risco no caso de uma
dissidência em massa na bancada de deputados.
Alencar também argumentou que o PL precisa
seguir o princípio da proporcionalidade, pelo qual o
maior partido tem o direito de indicar o presidente da Câmara.
‘‘É um acordo tácito que funcionou até no período
militar’’, lembrou.
Apesar da decisão, ele não escondeu a
dificuldade em ter ficar contra o amigo Virgílio Guimarães.
Lembrou que, em 1990, como presidente da Federação das
Indústrias de Minas Gerais, apoiou a candidatura do
petista ao governo do estado. Em 2002, reforçou, chegou a
ir a Curvelo, cidade natal de Guimarães, para apoiar a
candidatura do petista a deputado federal. ‘‘Ele é um
rapaz primoroso do ponto de vista do comportamento e tem título
para ser o que quiser no Brasil’’, elogiou. ‘‘Mas
não significa que não temos de ter consideração pelo
partido a que ele pertence. Se ele for o candidato do PT,
vamos apoiá-lo’’.
Os dirigentes do partido deixaram a reunião
com a tarefa de conversar com cada um dos 47 deputados da
legenda e convencê-los a votar no nome oficial do PT.
Para o presidente do PL, será possível garantir a
fidelidade de 80% da bancada. Aos dissidentes, porém, não
haverá castigo. Como o voto para presidente é secreto,
será difícil verificar quem seguiu a orientação do
partido. ‘‘É normal ter dissidência entre os
partidos. Se há dissidência no PT, é natural ter no
PL’’, minimizou Mabel.
Petistas pedem socorro a Roriz
Luiz Carlos Azedo
Da equipe do Correio
O governador do Distrito Federal,
Joaquim Roriz (PMDB), garantiu o seu apoio ao deputado
federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) à presidência da
Câmara, prometendo mobilizar parlamentares de Brasília e
também de Goiás e Tocantins. Greenhalgh reuniu-se com
Roriz na residência do governador, na final da tarde de
ontem, acompanhado dos deputados petistas Wasny de Roure e
Maninha, ambos do Distrito Federal. O governador estava
acompanhado do deputado Tadeu Filippelli (DF), da
executiva nacional do PMDB.
Segundo a assessoria de Roriz, o governador
indagou ao candidato petista se ele era mesmo o candidato
oficial do governo Lula. Ao obter uma resposta afirmativa,
disse-lhe que apoiaria Greenhalgh por dois motivos:
primeiro, porque a contrapartida era o apoio do PT ao
candidato do PMDB no Senado; segundo, porque defende um
bom relacionamento entre o governo federal e o governo do
Distrito Federal. O deputado federal Sigmaringa Seixas
(PT-DF), vice-líder do governo e um dos coordenadores da
campanha de Greenhalg, não compareceu ao encontro, mas
justificou a ausência.
‘‘O governador defendeu o princípio da
proporcionalidade na eleição das mesas da Câmara, onde
o PMDB apoiará o PT, e do Senado, onde o PT votará no
candidato do PMDB’’, disse Greenhalgh. O candidato
petista fez questão de assinalar que ‘‘a conversa não
tratou das querelas locais’’, apesar de estar
acompanhado de dois deputados petistas de Brasília.
Greenhalg fez um breve relato de sua campanha e defendeu o
fortalecimento dos partidos. Também garantiu a Roriz que
tem o apoio efetivo do presidente Lula e das principais
lideranças petistas.
A deputada Maninha, adversária figadal de
Roriz, foi a primeira a chegar à casa do governador, mas
não quis entrar antes da chegada de Greenhalg. Ficou
esperando no portão da residência até que o candidato
petista chegasse, dirigindo o próprio carro, com o
deputado Wasny de Roure de carona. Enquanto esperava,
Maninha conversou com jornalistas e justificou o encontro.
‘‘É a primeira vez que vou entrar na casa
de Roriz; da outra vez que estive aqui foi para fazer uma
manifestação de protesto, quando era presidente do
Sindicato dos Médicos do Distrito Federal’’,
destacou. Maninha defendeu o acordo com Roriz — ‘‘na
Câmara a relação entre os partidos é diferente, o PMDB
faz parte da base do governo’’ — e disse que a
candidatura de Virgílio Guimarães é conservadora.
‘‘O PT de Minas Gerais é mais atrasado, é menos
preparado ideologicamente’’, disparou.
Registro em cartório
Rei do baixo clero, como
é conhecido o contingente de deputados anônimos com
interesses paroquiais que formam a maioria da Câmara, o
deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) lançou ontem sua
candidatura avulsa à presidência da Câmara. Fez o lançamento
com a apresentação de um compromisso ‘‘inarredável’’,
registrado no cartório do 4o. Ofício de Notas, de manter
a candidatura até o dia 14 de fevereiro — data da eleição
do novo presidente da Câmara. Em caso contrário,
Cavalcanti promete renunciar ao mandato de deputado.
A providência do registro do compromisso com
firma reconhecida em cartório tem uma razão. Em 2001, o
deputado do PP também se lançou candidato avulso à
presidência da Câmara contra o hoje governador de Minas
Gerais, o tucano Aécio Neves. Mas acabou desistindo da
candidatura e fechou um acordo com Aécio para ocupar a
primeira-secretaria da Câmara. ‘‘É preciso acabar
com essa história de que minha candidatura é temporária’’,
disse Cavalcanti, ao negar qualquer acordo em prol da
candidatura do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG). Os
dois trafegam no mesmo eleitorado.
Na presença de cerca de dez parlamentares e
ao lado de sua mulher, Amélia, Cavalcanti garantiu também
que não está entrando na disputa da Câmara
porque‘‘está atrás de cargos‘‘. No discurso de
lançamento da sua campanha, o atual segundo-secretário
da Câmara não fez referências a promessas de aumentos
salariais para os deputados — assunto que o transformou
em uma espécie de líder sindical da Câmara.
Cavalcanti preferiu prometer uma atitude de
independência da Câmara em relação ao Executivo
federale com o objetivo de ‘‘não subjugar os
deputados aos caprichos do Palácio do Planalto e dos
ministros’’. Ao registrar o compromisso de renunciar
ao mandato, se desistir da disputa, o deputado do PP
desafiou os concorrentes a fazer o mesmo.
‘‘É preciso afastar qualquer sombra que
possa retirar a transparência do processo eleitoral nesta
Casa’’, justificou Severino. ‘‘Julgo estar dando
uma contribuição para a democracia, fazendo com que a
clareza e a coerência sejam as premissas básicas do
processo de escolha do presidente’’
CorreioWEB
19/01/2005
- 14h50
Brasil,
o problema é a pobreza
Relatório
da ONU sobre as metas do milênio diz que o País tem 13
bolsões com Índice de Desenvolvimento Humano igual ao de
Uganda
O Brasil
é apontado mais uma vez em relatório divulgado pela
Organização das Nações Unidas (ONU) como um país de
contrastes. Ao mesmo tempo em que é citado entre nações
de renda média, capazes de serem doadoras de verba e
tecnologia para regiões pobres, tem destaque pelos bolsões
de pobreza: são 13, envolvendo 600 municípios e uma
população de 26 milhões de pessoas que vivem em locais
com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) equivalente ao
de Uganda.
Para
atingir as oito metas do milênio – fixadas pela ONU
para o fim da pobreza extrema até 2015 –, o país terá
que dar atenção a esses bolsões. “O Brasil tem condições
de tirar todos os 600 municípios da pobreza porque tem
dinheiro e tecnologia. O que não quer dizer que não
precisa também receber recursos internacionais para políticas
específicas”, afirmou José Carlos Libânio,
coordenador de Avaliação de Políticas e Desenvolvimento
Local do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD). Libânio não incluiu no mapa as
regiões metropolitanas, que, segundo ele, também têm
bolsões de pobreza próprios. Citou como exemplo o Rio de
Janeiro: “Dentro do município há índices de
desenvolvimento comparados à Espanha, mas também à
Suazilândia”.
Preparado
por equipe internacional de 265 especialistas, o relatório
Investindo no Desenvolvimento: Um Plano Prático para
Alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio traz
recomendações para que os países alcancem as metas do
milênio. Foi apresentado ontem, em Brasília, e cita
entre “regiões atrasadas notáveis” o Nordeste
brasileiro, classificado como “onerado pela
vulnerabilidade à seca e uma longa história de grande
concentração da posse da terra”. A avaliação da ONU
é a de que o Brasil deve alcançar as metas.
O Dia
19/01/2005
- 14h40
São
pelo menos 12 os mortos em onda de atentados em Bagdá
Bagdá
- Uma
onda de atentados com carros-bomba atingiu a capital do
Iraque, matando pelo menos 12 pessoas. Rebeldes
intensificam sua campanha para impedir a realização das
eleições previstas para 30 de janeiro. Outros atentados
ocorreram no norte e no sul do país. A principal
autoridade enviada pela ONU para assessorar as eleições
iraquianas disse que apenas um "massacre
continuado" poderá impedir o pleito.
Militares
americanos estimam o número de vítimas da violência no
dai de hoje em 26, mas o número baseia-se em informes
preliminares, e outras fontes citam cifras menores.
Autoridades iraquianas dizem haver 12 vítimas dos
carros-bomba e mais uma pessoa morta num tiroteio contra a
sede de um partido político curdo.
A
Al-Qaeda no Iraque responsabilizou-se pelo primeiro
atentado, contra a embaixada australiana em Bagdá. Um
caminhão carregado de explosivos explodiu do lado de fora
das barreiras de concreto diante da embaixada, matando
duas pessoas e ferindo diversas outras. Meia-hora mais
tarde, outro carro-bomba matou seis pessoas num posto
policial próximo a um hospital, na zona leste da cidade.
O
terceiro carro-bomba explodiu junto ao portão principal
de uma guarnição militar iraquiana, no centro da cidade.
Segundo o Ministério da Defesa, três iraquianos foram
mortos. No sudoeste de Bagdá, outro carro-bomba explodiu
matando dois guardas iraquianos, informam militares dos
EUA. Um quinto veículo foi detonado no norte da cidade,
perto de uma mesquita xiita. Uma pessoa morreu.
Carlos
Valenzuela, principal conselheiro eleitoral da ONU no
Iraque, disse que a intimidação de mesários e outros
funcionários envolvidos nas eleições por guerrilheiros
é "alta e muito séria". Mas Valenzuela disse
que apenas um massacre continuado ou a renúncia em massa
de funcionários eleitorais poderá impedir o pleito
nacional.
Estado de
São Paulo
19/01/2005
- 14h
30
Virgilio
oficializa candidatura
A
oficialização da candidatura avulsa a presidente da Câmara
do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) deve acontecer na
tarde de hoje. Um telegrama assinado pelo movimento Câmara
Forte, que apóia a candidatura de Virgílio, foi
encaminhado ontem para todos os parlamentares. O movimento
diz ter a adesão de 296 deputados, mais que o suficiente
para a vitória do petista mineiro.
Ontem, o deputado Severino Cavalcante (PP-PE) lançou sua
candidatura com o discurso de independência do
Legislativo. O pernambucano registrou um documento em cartório
assumindo o compromisso de manter a candidatura ou, caso
contrário, renunciar ao mandato. Com isso, Severino tenta
rebater os boatos de que desistiria da candidatura em
troca de um cargo na Mesa Diretora.
Jornal de
Brasília
19/01/2005
- 14h
20
Miséria
do país se concentra nas metrópoles
Estudo da
ONU aponta para bolsões de pobreza nas grandes cidades
brasileiras
BRASÍLIA
- Um estudo da Organização das Nações Unidas
(ONU) diz que as grandes metrópoles concentram a miséria
no Brasil, ao contrário do que intuiu o governo federal
ao dar prioridade a pequenas cidades do interior na
implantação de programas sociais, como o Fome Zero.
Divulgado ontem em Brasília com o título ''Investindo no
Desenvolvimento: um plano prático para atingir os
objetivos do desenvolvimento do milênio'', o documento da
ONU afirma que o país precisa melhorar a qualidade de
vida nas favelas para cumprir as metas do milênio, entre
elas a redução da fome pela metade e da mortalidade
materna em 75% até 2015.
- É
preciso garantir que investimentos essenciais, em
infra-estrutura, capital humano e administração pública,
sejam canalizados para as regiões atrasadas, inclusive
para favelas e grupos sociais excluídos do processo político
e dos benefícios econômicos - diz o estudo da ONU,
elaborado por 265 especialistas e coordenado pelo
economista e professor da Universidade de Columbia Jeffrey
Sachs.
O
coordenador de Políticas Públicas do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil, José
Carlos Libânio, ratificou a sugestão. Ele lembrou que os
índices de desenvolvimento humano em cidades como Rio e São
Paulo equivalem aos de primeiro mundo em bairros nobres e
aos de países pobres, por exemplo, nas favelas. O
coordenador-residente do Sistema ONU no Brasil, Carlos
Lopes, sugeriu que o Brasil adote em 600 municípios, com
população de 26 milhões de pessoas, medidas constantes
no Projeto de Milênio das Nações Unidas, também
divulgado ontem.
É o caso
do desenvolvimento de programas de nutrição, com a
distribuição de alimentos, de combate à evasão escolar
por meio de transferência de renda e de ampliação dos
serviços de saneamento. O estudo revela ainda que os países
desenvolvidos terão de investir até três vezes mais nos
países pobres e em desenvolvimento para que as metas do
milênio sejam alcançadas. Em 2002, os países ricos
teriam destinado US$ 65 bilhões para a empreitada. Os
recursos seriam insuficientes para atender às carências
nas áreas de renda, saúde, educação, entre outras.
Segundo o estudo, é necessário que o investimento chegue
a US$ 135 bilhões em 2006 e US$ 195 bilhões em 2015 para
que as metas do milênio sejam atingidas.
- A exigência
de dobrar a ajuda oficial ao desenvolvimento atual para
US$ 135 bilhões em 2006, aumentando para US$ 195 bilhões
em 2015, não é tão significativa quando comparada à
riqueza dos países de alta renda e ao orçamento militar
mundial de US$ 900 bilhões por ano - diz o texto.
Conforme
reportagem publicada ontem pelo JB, eles afirmam
que bastaria um investimento de 0,54% do PIB dos países
desenvolvidos em ajuda internacional - percentual inferior
ao 0,7% do PIB prometido há 35 anos em assembléia da ONU
e ratificado em cúpula realizada em 2002 na cidade de
Monterrey (México) - para que as metas sejam alcançadas.
Em 2003, a ajuda dos países ricos teria sido, em média,
de só 0,25% do PIB.
- Só
honrando compromissos já adotados: bons governos,
financiamento adequado, livre intercâmbio, acesso global
à ciência e à tecnologia, é que poderemos pôr fim à
extrema pobreza no planeta daqui a uma geração (2025) e
reduzi-la à metade até 2015 - disse Jeffrey Sachs,
anteontem, em Nova York.
Representante
do FMI, Max Alier resumiu as dificuldades: ''Não há remédio
mágico''.
Jornal do
Brasil
19/01/2005
- 14h
10
‘Tem
muita coisa para pagar’
O prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem
que o endividamento deixado pela administração Marta
Suplicy (PT) não tem precedente na história da cidade:
— Tem muita, mas muita coisa para pagar, como nunca
aconteceu na história de São Paulo — afirmou Serra.
Ontem, o Diário Oficial publicou edição especial com os
8.202 empenhos cancelados no apagar das luzes da gestão
anterior. O levantamento mostra que o maior calote a
fornecedores da prefeitura nos últimos quatro meses da
administração de Marta foi dado pela Secretaria de Serviços
e Obras. Dos cerca de R$ 594 milhões que deveriam ser
pagos a prestadores de serviço, em todas as áreas, R$
220,5 milhões não teriam sido honrados.
Em seguida, entre as pastas que manteriam dívidas com
fornecedores entre setembro e dezembro de 2004, está a
Secretaria de Transporte: R$ 134,2 milhões. A pasta da
Habitação também teria deixado um rombo de R$ 24,9 milhões.
Serra deu prazo até 31 deste mês para que fornecedores
provem a prestação de serviços que não foram pagos. Em
princípio, cada empresa ou pessoa física terá de
apresentar cópias da nota de empenho, do instrumento
contratual e da nota fiscal ou fatura. Só aí Serra poderá
ter a dimensão da dívida da prefeitura com prestadores
de serviços na administração anterior.
PT acusa Serra de manipular informações
O Ministério Público investiga os cancelamentos, pois
muitos dos empenhos cancelados dizem respeito a serviços
prestados. Segundo o promotor Saad Mazloum, as empresas
podem cobrar da prefeitura na Justiça os valores não
pagos acrescidos de multas e indenizações.
Se for comprovado prejuízo aos cofres públicos, Marta
pode ser enquadrada na Lei de Responsabilidade Fiscal,
conforme o promotor.
Segundo os tucanos, a dívida deixada por Marta é de no mínimo
R$ 1,9 bilhão e pode chegar a R$ 2,5 bilhões, e a dívida
com fornecedores deixada pelo ex-prefeito Celso Pitta
seria hoje de R$ 530 milhões.
O PT municipal rejeita as contas dos tucanos e acusa Serra
de manipular informações. Segundo nota assinada pelo
ex-secretário de Finanças Luís Carlos Fernandes Afonso,
a administração petista deixou R$ 376 milhões em caixa
para o pagamento de R$ 375 milhões. “Além disso, há
outras receitas, que somam R$ 166 milhões provenientes do
exercício de 2004”, diz a nota.
Serra reagiu à nota dizendo que as alegações petistas são
“trololó” e “conversa fiada”. Ele usou um exemplo
prático. O prefeito foi abordado ontem por ex-jogadores
de futebol integrantes da cooperativa Craques de Sempre,
contratados pela prefeitura para dar aulas de futebol em
escolas da periferia. Eles estão sem receber desde
setembro de 2004.
— Vocês podem constatar aqui. Os atletas não recebem
desde setembro. O resto é trololó, conversa fiada. Vocês
podem ver como é história essa coisa de “deixamos
dinheiro, registra isso, registra aquilo”. Despesa feita
em um ano tem que ser registrada no mesmo ano. Não pode
ir para o seguinte.
Túnel inaugurado por Marta é interditado
Serra enfatizou o exemplo da saúde. Segundo o prefeito,
Marta deixou apenas um terço do dinheiro necessário para
pagar serviços e compras realizadas na área da saúde no
fim da gestão petista.
— Sem dúvida, isso dificulta a vida da prefeitura —
disse Serra.
Perguntado se espera ajuda do governo federal, a exemplo
do que aconteceu na primeira semana de janeiro, quando o
Ministério da Fazenda deixou de bloquear bens da
prefeitura em função do não pagamento de uma parcela da
dívida municipal, Serra foi enfático:
— Não.
O prefeito disse que a saída é otimizar os recursos e
voltou a atacar Marta.
— Uma obra mal feita, como é o caso da Rebouças, custa
duas vezes — disse ele.
O túnel sob a Avenida Rebouças, feito a toque de caixa
por Marta às vésperas da eleição, já inundou duas
vezes devido a falhas de execução e ontem foi
interditado para obras.
No PT, ninguém comentou as declarações de Serra. A
assessoria se limitou a enviar cópia da nota de
anteontem. Além de reafirmar que deixou dinheiro em caixa
para pagar os contratos, o ex-secretário Afonso diz que o
cancelamento de empenhos é um expediente “corriqueiro
utilizado, por exemplo, pelo governo do PSDB no Estado e
pelo governo Fernando Henrique Cardoso”. Segundo ele, é
uma fórmula técnica “necessária para contabilizar de
maneira precisa as contas da administração, não
existindo nada de imoral ou ilegal nela”.
O Globo
19/01/2005
- 14h
Para
presidente do Sebrae, relação pessoal com Lula ajuda
BRASÍLIA
- O novo presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas (Sebrae), Paulo Okamotto, admitiu ontm
que as relações pessoais com os integrantes do governo
ajudarão na administração da entidade. Ex-sindicalista,
ex-metalúrgico e ligado ao PT paulista, Okamotto é amigo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo
reconhecendo a proximidade como um facilitador, o novo
presidente do Sebrae tentou relativizar o assunto.
"Também não vou despachar o tempo todo com o
presidente", afirmou.
"A
gente tem relacionamentos pessoais que podem facilitar os
contatos, como os outros presidentes da entidade também
os tinham, mas o Sebrae e os pequenos empresários já são
reconhecidos por sua importância", completou, poucas
horas antes de tomar posse na presidência do serviço.
Okamotto
disse que também aposta nos contatos com empresários e
parlamentares como facilitadores da promoção das políticas
de ajuda aos pequenos empreendedores.
Okamotto
chegou ao comando do Sebrae como diretor de Administração
e Finanças, em janeiro de 2003, cargo que ocupou até
agora. O governo Lula tentou negociar a condução dele
para a presidência do órgão logo no início da
administração do PT, mas o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso preferiu manter a indicação de Silvano
Gianni, um ex-assessor do então ministro da Casa Civil,
Pedro Parente.
Uma das
prioridades dos dois anos de gestão, segundo Okamotto,
será a melhoria do atendimento do Sebrae aos pequenos
empreendedores.
"Uma
das coisas que nos incomoda é que ainda pouca gente
procura o Sebrae", destacou, ao citar uma pesquisa
realizada em 2004 que mostrou que mais de 50% das pequenas
empresas fecham as portas com apenas dois anos de abertura
e, desse universo, só 3% dos empresários procuraram o
Sebrae para ter orientações antes de abrir o negócio.
Outro
desafio do novo presidente será pressionar o Executivo
pela adoção de uma lei geral das micro e pequenas
empresas que pretende reduzir a burocracia para o setor e
incentivar o empreendedorismo no País.
Tribuna
da Imprensa
18/01/2005
- 12h10
PT
vai à luta contra dissidente
Líder do governo, Professor Luizinho
(PT-SP) anuncia campanha agressiva em favor de Luiz
Eduardo Greenhalgh e prepara manifesto para caracterizar
Virgílio Guimarães como candidato anti-Planalto
A
campanha do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) para
a presidência da Câmara passou a tratar como fato
consumado a candidatura do deputado Virgílio Guimarães
(PT-MG) e a trabalhar inclusive com o cenário de uma eleição
a ser decidida em dois turnos. Virgílio receberá
tratamento de adversário — e a coordenação de
Greenhalgh começou a traçar estratégias para
neutralizar o deputado mineiro.
Uma das primeiras providências será o lançamento
de um manifesto da bancada do PT pró-Greenhalgh, que começou
a ser articulado ontem pelo líder do governo da Câmara,
deputado Professor Luizinho (PT-SP). O objetivo dos
coordenadores da campanha é conseguir a adesão dos 90
deputados petistas, para tentar demonstrar que a
candidatura do deputado paulista é a oficial e a única
com o aval do Palácio do Planalto.
‘‘Vamos ser mais agressivos na defesa da
candidatura de Greenhalgh’’, anunciou Professor
Luizinho. ‘‘A candidatura do Virgílio será tratada
como a de um ex-petista’’, acrescentou o deputado
Paulo Pimenta (PT-RS). Um dos sinais do novo ânimo dos
coordenadores de Greenhalgh foi dado ontem pelo líder do
governo ao se encontrar no Salão Verde da Câmara com o
deputado João Leão (PL-BA), principal cabo eleitoral de
Virgílio.
Ao se abraçarem diante das câmeras de TV e dos fotógrafos,
Luizinho alfinetou Leão. ‘‘Vice-líder de partido da
base aliada do governo vota no candidato oficial da
bancada’’, provocou o líder do governo. Contrariado,
Leão se desfez do abraço, até então amistoso, e disse
que, se era assim, ele iria entregar a vice-liderança do
PL. ‘‘Isso é problema do PL’’, retrucou Luizinho.
Luta federativa
Além de carimbar a candidatura de Virgílio como
anti-Planalto, a campanha de Greenhalgh quer esvaziar o
discurso de que ele seria o candidato de São Paulo e
evitar que o debate sobre a sucessão na Câmara vire uma
discussão federativa.
Com esse objetivo, Greenhalgh pretende lançar
uma ofensiva em Minas Gerais para mostrar que sua
candidatura tem aliados inclusive no território do adversário.
Nos próximos dias, deverão ser procurados, entre outros,
o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), o
prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e o
vice-presidente José Alencar, que manifestaram simpatia
por Greenhalgh.
Outros governadores tucanos também estão na
mira de Greenhalgh. Na quinta-feira, o deputado pretende
atrair para um ato da sua campanha, em Goiânia, o
governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Na lista de
convidados para o almoço, estão também o prefeito de
Goiânia, Iris Resende (PMDB), o senador Maguito Vilela
(PMDB-GO), e o ex-prefeito Pedro Wilson.
Roteiro
Pela agenda definida ontem na reunião da coordenação de
campanha de Grenhalgh, o deputado seguirá de Goiânia
para Cuiabá (MT) para um jantar com a bancada federal
matogrossense e o governador Blairo Maggi (PPS). A rodada
de viagens de Greenhalgh será completada na sexta-feira e
no sábado com idas a Campo Grande (MS), Florianópolis
(SC) e Curitiba (PR)/
Nesses capitais, estão previstas também novas
reuniões de Greenhalgh com deputados e os governadores de
Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, de Santa Catarina, Luiz
Henrique (PMDB), e do Paraná, Roberto Requião (PMDB).
Mote para Greenhalgh
Equilíbrio, respeito e diálogo.
Esse é o mote publicitário da campanha do deputado Luiz
Eduardo Greenhalgh para tentar superar as resistências no
plenário à sua eleição para a presidência da Câmara.
As peças foram aprovadas ontem durante a reunião da
coordenação da campanha de Greenhalgh.
O Correio teve acesso a algumas das peças que
começam a ser distribuídas oficialmente hoje. Um dos
slogans da campanha será ‘‘Para a Câmara continua
mudando’’. Com esse lema, serão produzidos pôsters,
banners e adesivos, que serão espalhados pelos salões,
corredores e plenários da Câmara.
A campanha de Greenhalgh vai invadir também
as portas dos gabinetes dos deputados. Nas maçanetas, serão
pendurados adereços com o seguinte chamado: ‘‘Portas
abertas para as idéias’’. Serão produzidas ainda peças
especiais para os almoços e jantares de campanha nos
Estados. Nesses encontros, as mesas vão ser enfeitadas
com toalhas e guardanapos que carregarão os dizeres:
‘‘Diálogo à Mesa’’.
O trinômio equilíbrio, respeito e diálogo
foi cunhado para caracterizar a candidatura de Greenhalgh
como suprapartidária, e não como meramente petista. Um
dos objetivos da campanha é tentar demonstrar que o
deputado petista, embore vinculado ao Palácio do
Planalto, também é o melhor nome para a Câmara afirmar
uma certa postura de independência frente ao Executivo
federal.
Ao colocar a capacidade de diálogo como uma
das qualidades de Greenhalgh, a campanha também pretende
combater as resistências que o deputado petista enfrenta
na bancada ruralista. Embora tenha se notabilizado como
advogado de causas de interesse do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), uma das prioridades
de Greenhalgh é se mostrar como um político capaz também
de estabelecer uma interlocução com os ruralistas. (GE)
SLOGANS DE CAMPANHA
Portas abertas para as idéias
Diálogo à Mesa
João
Paulo manda distribuir carta
Da Itália, onde está em
viagem para um encontro promovido pela Igreja Católica, o
presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP),
telefonou ontem para o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh,
durante a reunião da coordenação da sua campanha. João
Paulo estará de volta ao Brasil nesta quinta-feira.
Prometeu chegar a tempo de participar do jantar de
Greenhalgh em Cuiabá com o governador Blairo Maggi e a
bancada matogrossense.
Uma carta de João Paulo também começou a
ser distribuída a todos os deputados em que ele pede
votos para o candidato oficial do PT. No texto, João
Paulo enche Greenhalgh de elogios. ‘‘Ele é um
profundo e dedicado defensor da palavra e dos acordos,
valores que nos são caros no exercício da política. Será
o primeiro a levantar-se contra quaisquer ameaças à
integridade de um mandato ou de nossa liberdade de
legislar’’.
Na correspondência, João Paulo pede também aos
parlamentares sugestões para a campanha de Greenhalgh.
‘‘Meu amigo, peço seu voto para que possamos ter o
Luiz Eduardo Greenhalgh na liderança desta Casa, à qual
dedicamos nossas vidas. Esta instituição nos é cara.
Empenhamos aqui as nossas biografias’’, escreveu o
presidente da Câmara. ‘‘Greenhalgh merece isso. Tanto
ele quanto eu sentimo-nos honrados com a sua participação
neste processo de construção de uma candidatura ampla e
consensual. Sob a liderança de Greenhalgh, a Câmara
estará em boas mãos’’.
O engajamento do presidente da Câmara está
sendo considerado um trunfo valioso pela coordenação da
campanha de Greenhalgh agora que está claro que haverá
uma disputa contra outro petista pelo comando da Casa. Na
disputa interna na bancada do PT, João Paulo foi o
principal aliado do deputado mineiro para ganhar a indicação—
e não escondeu seu aborrecimento com a aclamação de
Greenhalgh como o candidato oficial.
Quando as resistências ao nome do deputado
paulista começaram a aflorar, João Paulo submergiu. No
final de ano, partiu de férias para o Rio Grande do Norte
e só reapareceu na semana passada para o ato de lançamento
da candidatura de Greenhalgh. Disse que ia entrar de cabeça
na campanha como coordenador, mas logo partiu para a Itália
com alegação de que a viagem estava pré-agendada.
A disputa entre Greenhalgh e Virgílio
valoriza o passe de João Paulo não só como um dos
principais cabos eleitorais na disputa entre os dois
petistas. Aliados do presidente da Câmara avaliam também
essa será uma ótima oportunidade para mostrar ao Palácio
do Planalto o seu peso como articulador político — se
ele conseguir pavimentar uma vitória do candidato oficial
do PT.
Um dos objetivos dos aliados de João Paulo é
emplacar seu nome na próxima reforma ministerial que será
feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos
lugares cobiçados pelo presidente da Câmara é o ministério
da Coordenação Política, comandado hoje por Aldo
Rebelo.
CorreioWEB
18/01/2005
- 12h
ONU
diz que ricos podem tirar 500 milhões da pobreza
Nova
York - Mais
de 500 milhões de pessoas podem escapar da pobreza
absoluta na próxima década e dezenas de milhares de
mortes podem ser evitadas. Isso se países desenvolvidos,
como EUA e Japão, cumprirem a promessa de aumentar a
ajuda dada aos países pobres.
A afirmação
faz parte de um relatório de 3 mil páginas divulgado
hoje, na sede das Nações Unidas, em Nova York, que
mostra o tamanho do investimento necessário para que os
membros da ONU atinjam os Objetivos de Desenvolvimento do
Milênio, oito metas contra a pobreza, a fome, a
discriminação e as epidemias para 2015.
Segundo a
ONU, cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com menos de US$
1 por dia e 1,8 bilhão com apenas US$ 2, principalmente
nas nações africanas e asiáticas. "O sistema não
está funcionando. Vamos ser claros", disse o
badalado economista Jeffrey Sachs, que coordenou o
trabalho de 265 especialistas. "Há um imenso
desequilíbrio no enfoque dado a questões como guerra e
paz, e menos à morte e ao sofrimento dos pobres."
O relatório
foi entregue por Sachs ao secretário-geral da ONU, Kofi
Annan, durante uma cerimônia na sede da organização.
Annan disse que usará os dados para preparar sua própria
recomendação aos membros da ONU na próxima Assembléia
Geral, em setembro.
O
documento, chamado "Investindo no Desenvolvimento: Um
Plano Prático para Atingir os Objetivos do
Desenvolvimento do Milênio" , indica que investir no
cumprimento das metas contra a pobreza é factível com
uma economia de US$ 30 trilhões comandada pelos países
ricos, dos quais US$ 12 trilhões estão nas mãos
americanas.
Em 1970,
as nações desenvolvidas concordaram em destinar 0,7% do
Produto Interno Bruto (PIB) para ajuda humanitária. Até
agora, apenas cinco delas cumpriram o prometido:
Dinamarca, Holanda, Luxemburgo, Noruega e Suécia. Outros
seis países (Bélgica, Espanha, Finlândia, França,
Irlanda e Reino Unido) disseram que atingirão a meta
apenas em 2015. Os EUA, os mais ricos do planeta, gastam
somente 0,15% de seu PIB com esse tipo de auxílio -
apesar de o presidente George W. Bush ter se comprometido
com um aumento na verba.
Infra-estrutura
- Para Sachs, que coordena o Instituto da Terra, na
Universidade Columbia (EUA), o acesso à infra-estrutura básica
de saúde seria suficiente para inverter o quadro
negativo. Como exemplo, cita a instalação de redes para
proteger camas e manter distantes mosquitos vetores de
doenças, como a malária e a dengue, e o acesso à água
potável e a sistemas de saneamento adequados. Também
comenta a necessidade de se investir em pesquisa e
desenvolvimento de tecnologias mais baratas e eficientes.
"Temos
a oportunidade de cortar a pobreza mundial pela
metade", disse o pesquisador. "Bilhões de
pessoas podem aproveitar os frutos da economia global.
Dezenas de milhões de vidas podem ser salvas."
Estado de
São Paulo
18/01/2005
- 11h
50
AGU
quer reduzir ações movidas por servidor
Segundo
o órgão, de cada 10 processos movidos contra a União,
sete são impetrados por funcionários públicos
Sete em
cada dez ações que chegam à Justiça contra a União são
movidas por servidores. O dado é da Advocacia-Geral da
União (AGU), que estuda medidas para reduzir o volume de
processos do funcionalismo público contra o governo.
Entre as possibilidades está a criação de um conselho
ou tribunal administrativo que serviria para orientar os
servidores sobre os seus direitos e obrigações antes que
eles recorram à Justiça.
A idéia está sendo amadurecida por um grupo da própria
AGU e pode sair do papel ainda este ano. A Advocacia-Geral
da União acredita que o conselho ou tribunal
administrativo (o nome ainda não está definido) pode
solucionar questões de interesse do servidor nas suas
relações profissionais com a União. Na prática,
segundo representantes do funcionalismo público, a medida
pode servir para desestimular o servidor a buscar seus
direitos na Justiça.
"Pode ser mais um fórum, uma instância, que tentará
fazer com que o servidor desista de recorrer à Justiça
para recorrer seus direitos. Pode ser mais uma
armadilha", observa Sérgio da Silva, diretor da
Secretaria de Imprensa e Comunicação da Confederação
Nacional dos Servidores Públicos Federais.
correções
Segundo
dados da AGU, no ano passado, a administração direta do
governo federal foi parte em pelo menos 468 mil processos
na Justiça. Estima que 70% das ações em que a União é
parte envolvem questões relacionadas aos servidores. As
correções de planos econômicos são as reclamações
mais comuns. "O governo tem como evitar a enxurrada
de ações. Basta cumprir a lei. Neste sentido, a AGU pode
contribuir orientando a União a não descumprir a
lei", afirma Ramiro Lopez, coordenador-geral da
Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário.
Um levantamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
realizado no ano passado, mostra que a União é ré em
mais da metade – 50,53% – das ações que chegam ao
tribunal. Em segundo lugar, vem o Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS).
A AGU estuda, ainda, a criação de um comitê consultivo
que vai servir para orientar seus advogados, por exemplo,
a não entrarem com determinado recurso quando já tiver
jurisprudência firmada contra a União. Neste caso, o
advogado-geral pode expedir súmulas que, na prática,
reconhecerão o direito estabelecido dos trabalhadores.
A prática demonstra que, mesmo em casos perdidos, a AGU
continua recorrendo na Justiça durante anos para ganhar
tempo. O órgão também estuda a criação de uma Câmara
de Conciliação, que teria o objetivo de reduzir os
conflitos judiciais entre os diversos órgãos e esferas
do governo federal.
Jornal de
Brasília
18/01/2005
- 11h
40
PF
prende fornecedor do PCC
BRASÍLIA
- A Polícia Federal e a secretaria paraguaia de
combate ao narcotráfico prenderam os traficantes Nilton César
Antunes Verón, Luiz Antunes Duarte e Rosalino Baldonado
Aguero. O grupo é considerado o maior fornecedor de
drogas do Primeiro Comando da Capital, o PCC, facção
criminosa de maior penetração nos presídios do estado
de São Paulo, sendo ligada à organização de várias
rebeliões de detentos paulistas.
A prisão
foi realizada na casa de Luiz Antunes Duarte, vulgo
Pica-Pau, na cidade paraguaia de Pedro Juan Cabalero.
Foram apreendidos 104 quilos de cocaína. Os criminosos
foram encaminhados para a cidade de Assunção. O
traficante Nilton César Veron, principal contato do grupo
com o crime organizado em São Paulo, é foragido do presídio
de Ponta Porã (MS), e acusado de vários homicídios e
ameaças de morte a autoridades brasileiras e paraguaias.
Em Brasília,
a ação contra o tráfico de entorpecentes teve uma ponta
de repercussão no Supremo Tribunal Federal. A ministra
Ellen Gracie negou ontem o pedido de Habeas Corpus
encaminhado em favor do empresário Paul Lir Alexander,
naturalizado brasileiro, acusado de envolvimento com redes
internacionais de narcotráfico, e encaminhou os autos do
processo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O
traficante internacional pediu Habeas Corpus para obter a
revogação do pedido de prisão preventiva decretado pela
Justiça brasileira. Alexandar está preso em Miami, nos
Estados Unidos, e já foi condenado nesse país por
importação e distribuição de drogas. Ele também
responde a processo criminal no Brasil.
Jornal do
Brasil
18/01/2005
- 11h
30
Rigotto,
Lula e Palocci discutem novo fundo para Lei Kandir
O
governador Rigotto tratou com Lula e Palocci dos
ressarcimentos da Lei Kandir aos estados exportadores.
O
governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB),
saiu otimista de uma reunião que teve ontem à tarde com
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro
da Fazenda, Antonio Palocci, no Palácio do Planalto, para
tratar dos ressarcimentos da Lei Kandir aos estados
exportadores. Segundo Rigotto, no encontro, foi debatida a
idéia de criar-se, de imediato, um grupo de trabalho
integrado por esses estados e representantes da área econômica
para discutir a criação de um novo fundo para substituir
o previsto pela Lei Kandir, cuja vigência expirou em
2002, mas que foi prorrogado.
Nas novas regras, seriam beneficiados aqueles estados que
tivessem melhor saldo na balança comercial. É o caso do
Rio Grande do Sul, que, pelas estimativas do governador,
deve ter tido, no ano passado, um superávit de US$ 5 bilhões
no comércio exterior.
Rigotto relatou que o encontro de ontem foi acertado com
Lula na semana passada, por ocasião da inauguração de
uma hidrelétrica no Rio das Antas (RS). Na oportunidade,
o governador reclamou das perdas que o Estado vinha tendo
com os ressarcimentos da Lei Kandir.
Segundo ele, no ano passado, o governo gaúcho pagou cerca
de R$ 1 bilhão em ressarcimentos da lei e só recebeu do
governo federal R$ 430 milhões. “Estou fazendo tudo o
que posso, mas a perda que estamos tendo, como maior
exportador per capita do País é muito grande”,
queixou-se Rigotto a Lula, segundo relato do governador. O
presidente, então, lhe disse: “Vamos fazer uma reunião
com o Palocci” - e convidou-o para um encontro em Brasília,
que ocorreu ontem. “Senti muita compreensão com o Rio
Grande”, disse Rigotto, por telefone, à saída da reunião
de ontem. Segundo ele, a conversa em torno do assunto avançou.
“Palocci acha que não dá mais para esperar. Tem de
criar um fundo que leve em conta a exportação e a
importação, o saldo da balança”, afirmou. “Agora,
isso significaria a necessidade de uma transição e que
os estados tivessem um apoio do governo federal no período
de transição”, disse. Segundo Rigotto, é preciso
evitar o que ocorreu no ano passado, quando se chegou ao
fim do ano e teve de correr atrás para conseguir pôr no
Orçamento da União os recursos para os ressarcimentos
previstos pela Lei Kandir.
O governador admite que a reforma Tributária poderá
ajudar os estados exportadores. Mas pondera que também
ela deverá ter um período transição. O fundo a ser
criado poderia ser o início dessa transição, que deverá
ocorrer posteriormente, quando a reforça Tributária for
aprovada. No fim-de- semana, Palocci disse que a reforma
é prioridade e deverá entrar em pauta no Congresso, logo
que reiniciadas as atividades legislativas após o recesso
parlamentar.
Jornal do
Comércio
18/01/2005
- 11h
20
ONU:
pobreza tem solução
Os números são dramáticos: mais de um bilhão de
pessoas no mundo vive com menos de US$ 1 por dia, 11 milhões
de crianças morrem a cada ano de doenças que poderiam
ter sido perfeitamente evitadas, 840 milhões de pessoas
vivem com fome crônica e outro bilhão não tem acesso à
água potável. Este é o quadro traçado por 265
especialistas em desenvolvimento no maior estudo já feito
sobre a pobreza no mundo: “Investindo no
Desenvolvimento”, divulgado ontem na Organização das
Nações Unidas (ONU), em Nova York.
No documento de três mil páginas, encadernadas em 13
livros, eles concluíram que esta desgraça está longe de
ser inexorável: se os países ricos cumprissem a promessa
de investir 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em ajuda
ao desenvolvimento — percentual acordado em 1970 —
mais de 500 milhões de pessoas poderiam sair da miséria
e dezenas de milhares escapariam da morte na próxima década.
Ações simples, como colocar mosquiteiros na cama de
crianças, bastariam para salvar a vida de milhares que vão
morrer por causa da malária na África e na Ásia.
— O mundo tem tecnologia e know-how para acabar
com a pobreza. Sejamos claros: o sistema não está
funcionando direito. Existe uma enorme preocupação com a
paz e a guerra, mas uma preocupação muito menor com a
pobreza e com os necessitados — disse Jeffrey Sachs,
diretor do Instituto da Terra da Universidade de Columbia
e diretor do Projeto Milênio da ONU.
Sachs lembra tsunami da fome
O grupo de Sachs foi encarregado em 2002 pelo secretário-geral
da ONU, Kofi Annan, de propor ações para que seja alcançado
o objetivo de reduzir à metade a pobreza do mundo até
2015, uma das Metas do Milênio estabelecidas em 2000.
— Não é nada utópico, é perfeitamente realizável
— disse Annan, informando que vai preparar um relatório
para ser apresentado na reunião de chefes de Estado em
setembro, quando será feito um balanço das ações de
combate à pobreza.
— Não estamos sugerindo que os países dêem um centavo
a mais do que já se comprometeram. Não estamos exigindo
nenhuma promessa nova. Se for cumprido o combinado, a
nossa geração pode acabar com a miséria no mundo —
disse Sachs.
Só cinco dos 22 países ricos estão aplicando 0,7% do
PIB em ajuda às nações mais pobres: Dinamarca,
Luxemburgo, Noruega, Holanda e Suécia. Outros seis — Bélgica,
Espanha, Finlândia, França, Grã-Bretanha e Irlanda —
se comprometeram a alcançar esta meta em 2015. Japão,
Estados Unidos e Alemanha, para citar apenas alguns, estão
longe de investir o prometido. Apesar de serem os mais
ricos do mundo, os americanos só investem 0,15% de seu
PIB em ajuda aos pobres.
— Os US$ 135 bilhões necessários em 2006 para cumprir
os objetivos das Metas do Milênio empalidecem frente aos
US$ 30 trilhões movimentados na economia das nações
desenvolvidas, sendo US$ 12 trilhões só nos EUA —
disse Sachs, argumentando que só deveriam ter assento no
Conselho de Segurança da ONU as nações que cumprissem o
compromisso de destinar 0,7% do PIB ao combate à pobreza.
Segundo a ONU, os países de renda média, como Brasil,
China, Malásia, México e África do Sul, têm condições
de acabar sozinhos com seus bolsões de miséria e ainda
podem ajudar Ásia e África. Ernesto Zedillo,
ex-presidente do México, que também participou da
elaboração do estudo, concorda:
— Tanto México quanto Brasil não precisam de uma ajuda
considerável dos outros países, porque têm riquezas e
estão na fronteira entre os ricos e pobres. Precisam é
um comércio internacional mais aberto.
Para Sachs, a tragédia na Ásia do fim do ano passado
mostrou que há compaixão no mundo:
— Agora é a hora de os países ricos se mobilizarem
contra a tsunami silenciosa que mata milhões: a fome, a
pobreza, a falta de acesso à água potável e doenças
ligadas à falta de saneamento e educação.
O Globo
18/01/2005
- 11h
10
Cunha
envia cartas pedindo votos para Greenhalgh
BRASÍLIA
- O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), começa
esta semana a enviar cartas a todos os deputados, pedindo
votos para o candidato oficial do PT a presidente da Casa,
Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).
No texto,
João Paulo, que está na Itália, elogia Greenhalg e
assegura: "Ele é um profundo e dedicado defensor da
palavra e dos acordos, valores que nos são caros no exercício
da política. Será o primeiro a levantar-se contra
quaisquer ameaças à integridade de um mandato ou de
nossa liberdade de legislar."
Ao fim da
correspondência, antes de pedir aos parlamentares sugestões
para a campanha do candidato oficial do PT a presidente da
Câmara, João Paulo diz: "Meu amigo, peço seu voto
para que possamos ter o Luiz Eduardo Greenhalgh na liderança
desta Casa, à qual dedicamos nossas vidas. Esta instituição
nos é cara. Empenhamos aqui as nossas biografias.
Greenhalgh merece isso. Tanto ele quanto eu sentimo-nos
honrados com a sua participação neste processo de
construção de uma candidatura ampla e consensual. Sob a
liderança de Greenhalgh, a Câmara estará em boas mãos."
A viagem
de Cunha foi vista com desconfiança pelos petistas. Mesmo
encontrando com Greenhalgh na semana passada e dando seu
apoio, alguns parlamentares pensavam, antes da divulgação
da carta, que o atual presidente da Câmara poderia estar
por trás da candidatura avulsa de Virgílio Guimarães, o
que foi negado veementemente por Cunha.
Tribuna
da Imprensa
18/01/2005
- 11h
Lula
vai ao Amazonas para relançar Projeto Rondon
Presidente
usa pela primeira vez amanhã avião adquirido por US$
56,7 milhões
Atendendo
a uma solicitação da União Nacional dos Estudantes
(UNE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva relança
amanhã, em Tabatinga (AM), o Projeto Rondon.
A iniciativa deverá levar 200 estudantes e professores
selecionados entre 33 instituições de Ensino Superior a
13 municípios do Amazonas com a missão de elaborar diagnósticos
dos principais problemas da região. A data marca os 47
anos de morte do Marechal Cândido Rondon, militar e
sertanista que realizou expedições no Interior.
Os integrantes do projeto deverão visitar um dos pontos
mais remotos da Amazônia, a chamada Cabeça do Cachorro,
na fronteira com a Colômbia. A região é refúgio de
narcotraficantes e guerrilheiros colombianos. A nova versão
do projeto recebeu investimento de R$ 2 milhões do
governo, apoio das Forças Armadas e coordenação do
Ministério da Defesa.
Além de desenvolver ações sociais no Amazonas, as
equipes irão passar por um treinamento na selva e visitarão
o Instituto de Pesquisa na Amazônia (Inpa), a Embrapa, o
Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e o Parque
Industrial.
- Diferentemente do outro Projeto Rondon, que tinha um caráter
mais assistencialista, o atual fará um diagnóstico para
pressionar o presidente Lula a adotar medidas permanentes
para resolver os graves problemas sociais dessa região -
disse Gustavo Petta, presidente da UNE.
Será a estréia do novo avião presidencial
A ida de Lula ao Estado marcará também a primeira viagem
oficial do novo avião presidencial. Apelidado de AeroLula,
a aeronave apresenta projeto interno personalizado, com
quarto de casal, banheiro com chuveiro, uma sala para o
presidente e capacidade para até 55 passageiros,
incluindo a tripulação.
A alta tecnologia do novo avião, que reduz o custo dos
deslocamentos oficiais do presidente da República -
segundo a Aeronáutica, em relação ao Boeing 707, o
Sucatão, a economia por hora será de US$ 5,2 mil (cerca
de R$ 14 mil) -, foi o principal argumento apresentado
pelo governo federal para justificar a compra da aeronave,
que custou US$ 56,7 milhões (R$ 153 milhões).
Zero Hora
17/01/2005
- 15h05
Pressão
menor contra candidatura avulsa
Os
aliados da candidatura oficial do deputado Luiz Eduardo
Greenhalgh (PT-SP) não deverão mais centrar seus esforços
na tentativa de retirar da disputa o candidato avulso Virgílio
Guimarães (PT-MG). Até a semana passada, demover Virgílio
era a prioridade da campanha. A partir de agora,
Greenhalgh tratará de buscar adesões à sua candidatura,
sem pressionar mais pela desistência de Virgílio.
A equipe de Greenhalgh avaliou que a campanha
perdia tempo com esses esforços. Além disso, Virgílio,
apesar de toda a pressão, manteve-se candidato. O que se
avalia agora é que o candidato avulso até poderá
desistir de disputar no plenário com Greenhalgh. Mas o
momento de fazer isso é algo que está na cabeça apenas
de Virgílio. Greenhalgh não pode esperar que isso aconteça
para intensificar sua campanha. Até porque o tempo é
curto. A eleição para presidente da Câmara acontece em
menos de um mês, no dia 14 de fevereiro.
Ao mesmo tempo, a intenção dos aliados do
candidato oficial é evitar agressões a Virgílio. Assim,
caso ele desista, pode aderir à campanha. Está claro que
Virgílio tem consideráveis apoios na Câmara, que não
podem ser desprezados. Além disso, a estratégia
anterior, que incluía ameaças de expulsão, poderia
estar gerando efeito contrário. Acuava Virgílio. Se o
deputado sentisse que não havia mais caminho de retorno
no PT, nada mais teria a perder. Aí é que resolveria
mesmo levar sua candidatura até o fim.
Consolidar adesões
A nova estratégia, portanto, será buscar consolidar adesões.
Nesse sentido, o grupo de Greenhalgh insiste no presidente
da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Seu posicionamento
quanto a quem prefere como sucessor é importante. Até
porque João Paulo, no processo interno de escolha no PT,
era partidário de Virgílio. Amanhã ou na terça-feira,
os deputados deverão receber uma carta de João Paulo.
Trata-se de uma espécie de despedida do cargo. João
Paulo agradecerá o apoio que recebeu dos parlamentares.
Dirá, porém, que não deseja falar do passado, fazer um
balanço de suas realizações. Falará, sim, do futuro.
‘‘E o futuro é Luiz Eduardo Greenhalgh’’, dirá a
carta. Finalmente, pedirá então que os deputados votem
no candidato oficial do PT e do governo.
O material de campanha de Greenhalgh deverá
ficar pronto também esta semana. Ainda discute-se o
slogan da campanha. Mas a filosofia do discurso que está
sendo montado para Greenhalgh resume-se no trinômio
‘‘equilíbrio, diálogo e respeito’’. Uma forma de
tentar unir a imagem de Greenhalgh, de respeitabilidade,
com uma forma de desfazer a idéia de que é radical e que
conversa pouco com os demais parlamentares.
A agenda de viagens da semana ainda será
discutida. Mas é certo que Greenhalgh estará em Porto
Alegre, para o Fórum Social Mundial, repetindo o que fez
João Paulo em sua campanha em 2003. Salvador, Manaus, Belém,
São Paulo e Rio de Janeiro são outros destinos certos do
candidato oficial em sua campanha.
CorreioWEB
17/01/2005
- 15h
Palocci
e Meirelles defendem política econômica
São
Paulo - Neste
fim de semana que antecedeu a semana do primeiro Copom de
2005, a política econômica do governo recebeu a firme
defesa do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do
presidente do BC, Henrique Meirelles. Em entrevista ao
Canal Livre, exibido pela TV Bandeirantes, Palocci
disse que até o presidente foi consultado sobre
se a condução da política econômica deveria ser
mudada. A resposta do presidente, de acordo com ele, foi
"absolutamente".
Meirelles,
por sua vez, como o entrevistado das páginas amarelas da
edição de "Veja" desta semana, partiu para o
ataque contra os críticos da política monetária do BC.
Em um trecho, chegou a afirmar que "o que os críticos
não dizem é que baixar os juros drasticamente equivale a
dar um calote nos investidores que têm papéis do
governo, inclusive nos domésticos, que perfazem 70% da dívida
pública". "Alguns críticos não admitem, mas a
única alternativa que sugerem é o calote",
enfatizou Meirelles.
Meirelles
admitiu que as taxas são altas "e isso é
ruim", mas condicionou a queda do custo do dinheiro
à inflação. "Temos de aplicar as taxas que sejam
adequadas para o País em cada momento. À medida que a
política monetária for bem aplicada, que a inflação
estiver consistentemente na meta e o endividamento do País
declinar, certamente as taxas vão cair", afirmou.
O
presidente do BC disse não ser verdade que os juros são
excessivamente elevados. "Isso não é verdade, pois,
como se sabe, uma taxa de juros excessivamente elevada
traria as expectativas de inflação para um patamar
abaixo da meta, o que não está ocorrendo", disse.
A política
cambial foi defendida pelo ministro da Fazenda, Antonio
Palocci . O ministro negou que as compras de dólares
feitas pelo Banco Central fossem para conter a queda da
moeda e ponderou que o momento não é de desespero.
Palocci disse ainda não acreditar que a queda do dólar
no mercado externo, pressionada para baixo pelos déficit
fiscal e comercial dos EUA, vá perdurar.
Estado
de São Paulo
17/01/2005
- 14h50
Encontro
entre Sarney e Lula fica para amanhã
BRASÍLIA,
17 de janeiro de 2005 - Foi adiado, em mais um dia, o início
do ciclo de discussões do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva com os partidos sobre a reforma ministerial. O
encontro com o presidente do Senado Federal, José Sarney
(PMDB-AP), e os líderes pemedebistas, previsto para hoje,
deve ocorrer apenas amanhã.
A informação
é do gabinete da Presidência do Senado Federal, que
ainda não possui o horário oficial da reunião.
Inicialmente, o encontro estava previsto para acontecer
ainda na semana passada mas, por motivos de saúde, Sarney
pediu a alteração da data. O presidente do Senado operou
de catarata.
A reunião
com o PMDB deve abrir oficialmente as discussões sobre a
reforma ministerial. As expectativas são de que a reforma
aconteça apenas depois do Carnaval. É quase certo que o
PMDB ganhará mais um ministério para garantir a permanência
do partido na base aliada ao governo. Atualmente, os
ministérios das Comunicações e da Previdência estão
sob a batuta do PMDB.
Gazeta
Mercantil
17/01/2005
- 14h40
Semana
decisiva para a sucessão de João Paulo
Esta
semana será decisiva em relação à corrida pela presidência
da Câmara dos Deputados. Hoje, o candidato oficial do
Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Eduardo Greenhalgh
(SP), reúne os coordenadores de campanha para definir o
calendário de atividades para os próximos cinco dias e
fazer um balanço das viagens realizadas a Sergipe, Piauí
e Ceará. Nestes estados, o parlamentar manteve encontros
com os governadores e as bancadas federais na tentativa de
angariar votos para a sua candidatura. A eleição do
sucessor de João Paulo Cunha (PT-SP) à presidência da Câmara
está prevista para 14 de fevereiro.
Esta semana, também, o deputado Virgílio Guimarães
(PT-MG) deve decidir se lança ou não candidatura avulsa
para concorrer ao pleito. O grupo chamado Câmara Forte,
liderado pelo deputado João Leão (PL-BA), articula o lançamento
oficial da candidatura independente do deputado mineiro
para amanhã.
Já o líder do PFL, José Carlos Aleluia (BA), que também
se lançou candidato, pretende dar encaminhamento sozinho
às atividades de campanha.
Jornal de
Brasília
17/01/2005
- 14h30
Os
novos vôos do Fórum Social Mundial
Às vésperas
da 5ª edição, organizadores planejam realizar o
encontro simultaneamente em várias regiões do planeta a
partir de 2006
BRASÍLIA
e PORTO ALEGRE - A quinta edição do Fórum Social
Mundial (FSM), de 26 a 31 de janeiro, em Porto Alegre,
tende a ser a última no atual formato. A organização
estuda realizar o evento em diversas regiões do planeta,
de forma simultânea, a partir de 2006. Um dos objetivos
é fazer com que o encontro seja menos elitista. O outro
tem cunho logístico. O fórum não ''cabe'' mais em
apenas uma cidade. Cerca de 150 mil pessoas devem
participar das discussões na capital gaúcha, contra 20
mil da primeira edição.
- Esta
proposta, que não é a única, será discutida pelo
conselho internacional do evento, nos dias 24 e 25 - diz Cândido
Grzybowski, diretor geral do Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas (Ibase), umas das entidades
organizadoras do FSM.
O evento
seria intercalado por um encontro fixo, a cada dois anos,
para recarregar as baterias. O de 2007 tem tudo para ser
na África, o continente que apresentou menor participação
nos encontros até agora, tendo Marrocos como forte
candidato a sede. Mas países do Leste Europeu, da América
Central e do Oriente Médio também têm interesse em
receber o FSM.
Fica a dúvida
sobre a volta do Fórum para o Brasil, e também para
Porto Alegre. As especulações indicam que, com a derrota
do PT nas últimas eleições municipais na capital gaúcha,
outras cidades poderiam sediar o FSM. As mais cogitadas são
Belo Horizonte e Recife, ambas com administrações
petistas.
No
entanto, o secretário municipal de Coordenação
Política e Governança Local de Porto Alegre, Cesar
Busatto, diz que a prefeitura quer garantir a realização
do evento na cidade nas próximas edições.
- O fórum
é uma conquista do município e queremos que Porto Alegre
seja a cidade de referência, seja qual for o partido no
poder - pondera o secretário.
Outra
discussão diz respeito às conclusões do evento. Uma ala
pretende que o fórum, hoje apenas um espaço de discussão,
tenha mecanismos que resultem em propostas e ações a
serem apresentadas à sociedade. Outros dizem que a tarefa
de encontrar um consenso planetário é praticamente
impossível. Melhor deixar como está.
O diretor
executivo da Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits),
Paulo Lima, diz que possíveis alterações e são conseqüência
de uma ''crise de sucesso'' do evento. E todas serão
bem-vindas.
- O fórum
nasceu grande, num momento em que a solidariedade mundial
está em alta. É um evento em construção, que vai se
beneficiando das experiências enriquecedoras dos anos
anteriores - diz Lima.
Este ano,
aliás, já vai apresentar uma ''cara nova'' em relação
às edições anteriores. Foram três encontros no Brasil
- de 2001 a 2003, e um em Mumbai, na Índia, em 2004. Para
começar, as discussões ocorrerão ao longo de quatro
quilômetros da orla do rio Guaíba, e não mais nas
dependências da Pontifícia Universidade Católica (PUC).
Além
disso, as chamadas grandes atividades, como conferências,
painéis e mesas de diálogo e controvérsia, que antes
eram sugeridas pelo comitê internacional, foram definidas
a partir de consultas.
Entre
maio e julho de 2004, 1.860 organizações responderam,
pela internet, quais os temas que gostariam de ver
debatidos. A preferência foi, disparado, para discussões
sobre direitos humanos. Das 2,5 mil atividades, 600 estão
relacionadas a este assunto.
As mudanças
visam diminuir a elitização do evento, detectada após
pesquisa feita pelo Ibase na Índia, com 3,5 mil
participantes. Desse total, 63% possuíam grau superior
completo, contra 37% registrados em Porto Alegre. Dos 71
mil delegados, 91% eram indianos e de países vizinhos. Em
relação às outras regiões, o Brasil compareceu com a
maior delegação, 854 pessoas, seguido pelos Estados
Unidos (772).
- Somos a
elite das organizações e movimentos sociais. Se as
pessoas não têm dinheiro para ir ao fórum, o fórum terá
de ir às pessoas - diz Grzybowski, justificando a realização
de eventos simultâneos.
Este
processo vai começar já em Porto Alegre, com a mudança
de local. A PUC, segundo Grzybowski, estava muito
identificada como um espaço de elite, em termos de custo
e gestão por parte dos organizadores.
- A
população das vilas e favelas de Porto Alegre,
acostumada a discussões coletivas, como o Orçamento
Participativo, não aparecia nos eventos - comenta
Grzybowski, acrescentando que o FSM vai servir, a este público,
20 mil refeições por dia.
A
organização do FSM também não vai gastar nem um tostão
com passagens e estadias de convidados ilustres -valor que
girava em torno de US$ 500 mil. Este dinheiro será
utilizado de outra forma.
Grzybowski
informa que uma parte, por exemplo, custeará a vinda ao
Brasil de indígenas da América do Sul e Norte. Outros
US$ 35 mil serão usados para trazer indianos e
paquistaneses ao evento. De todas as capitais brasileiras
sairão ônibus subsidiados em direção ao Rio Grande do
Sul. O orçamento para a parte administrativa do evento é
de R$ 14 milhões.
Os números
do Fórum Social Mundial são um show à parte. A começar
pela comunicação. Para que a babel de participantes
oriundos de mais de 120 países possam conversar entre si,
um batalhão de 1.200 tradutores, todos voluntários, já
está a postos.
Outros
800 trabalhadores da agroindústria e do setor de
hortifrutigrajeiros vão garantir o abastecimento de
alimentos, com produtos da agricultura familiar e da
economia solidária. E serão realizadas mais de mil
atividades, entre oficinas, encontros e palestras.
Jornal do
Brasil
17/01/2005
- 14h20
PMDB
promove debate e projeta o futuro
A
consolidação do PMDB nas eleições municipais, a garra
da militância e o apoio do partido perante as decisões
na administração do Estado foram os itens destacados
pelo governador Germano Rigotto na abertura do primeiro
encontro regional de 2005 do “Fala PMDB”, realizado em
Torres, no sábado, dia 15. Além do governador, foram
palestrantes o presidente regional do PMDB, senador Pedro
Simon; o diretor-presidente do Banrisul, Fernando Lemos; o
deputado federal, Eliseu Padilha; a prefeita de Miraguaí,
Fátima Fink e o vereador de São Leopoldo, Daniel Daudt
Schaefer, que falaram para um público de mais de 300
pessoas.
Antes da abertura oficial do encontro Pedro Simon anunciou
que o evento percorrerá diversas cidades do Estado. Já
confirmados, os encontros acontecem no dia 29 de janeiro
em Tramandaí, e 15 de fevereiro em Rio Grande. Simon
enfatizou que esse é um momento de reflexão e discussão
sobre o futuro do partido. “Vamos aproveitar este ano
que não é eleitoral para resgatarmos as nossas bandeiras
de luta”, argumentou.
Em seu discurso, o Rigotto atribuiu a consolidação do
partido às bases. “Em todos os processos eleitorais
contamos com apoio de nossa militância”, disse. O
governador ressaltou o resultado positivo das eleições
com a conquista da prefeitura de Caxias do Sul e o apoio
do PMDB aos prefeitos eleitos de Porto Alegre e Pelotas.
Sobre a convenção nacional, que discutiu a retirada de
cargos do governo federal, Rigotto avaliou que a ala gaúcha
do partido teve um comportamento “exemplar e
positivo”, e que apesar da indefinição jurídica sobre
a convenção, as bases do PMDB decidiram a saída do
Governo Lula, o que não está sendo respeitado pelo cúpula
nacional. “De graça estamos sendo taxados de
fisiologistas, mas essa identificação cabe não ao
partido, mas a interesses individuais que não
correspondem a vontade coletiva do PMDB. Cabe ao PMDB do
Rio Grande do Sul ser o balizador dessa busca de
identidade”, argumentou. Rigotto disse ainda que o lançamento
de candidatura à presidência da República é conseqüência
do trabalho e da definição das bandeiras do partido.
Ele também agradeceu o apoio do seu partido nas horas
boas e difíceis de sua administração e garantiu que as
últimas medidas adotadas só ocorreram porque não
existiam outras alternativas. Rigotto argumentou que,
apesar dos poucos recursos do Estado, comprometidos 52%
com o pagamento de aposentados e pensionistas e 18,7% com
o pagamento da dívida com a União, a atual administração
vai permitir que o próximo governador tenha uma situação
mais tranqüila. “Mesmo com a dívida de curto e médio
prazo que herdamos da gestão passada, demos a volta por
cima e encontramos caminhos na busca de investimentos.
Sempre mantivemos a austeridade e os cuidados com os
recursos públicos, essa é a marca do nosso governo e
deve ser a marca de todos os governos do PMDB”, disse
Rigotto.
Jornal do
Comércio
17/01/2005
- 14h10
Acordo
com PMDB incluirá presidência de estatal
BRASÍLIA
- O novo acerto do PMDB com o governo vai custar, no máximo,
a presidência de uma estatal para contemplar a bancada do
partido na Câmara e fortalecer a ala afinada com o
governo. É o que a ala governista do partido vai pedir ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião agendada
para hoje.
Além da
estatal, os peemedebistas querem manter os dois ministérios
que já ocupam (Comunicações e Previdência Social) e
garantir um terceiro para a senadora Roseana, filha do
presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que deve
deixa o PFL e se filiar ao partido.
O
presidente vai ouvir que o PMDB tem pressa de fechar o
acordo com o governo, mas não de efetivá-lo. Segundo um
dos peemedebistas que participará da reunião, a idéia
é definir a "sinceridade das intenções e ajustar o
timing das mudanças". Tudo de acordo com a conveniência
do próprio governo, que enfrenta resistências para
eleger o petista Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) presidente
da Câmara.
Depois do
racha da convenção nacional de dezembro, em que a ala de
oposição ao Planalto obteve uma vitória que está sendo
questionada na Justiça, o grupo governista quer ter
segurança de que o Planalto está disposto a fortalecer o
grupo. Eles sabem que um partido dividido vale menos nas
negociações, mas vão argumentar que precisam ser
prestigiados internamente, até para conseguir virar o
placar desfavorável a eles (e ao governo) na convenção
nacional do partido e obter o apoio da maioria dos
convencionais.
Como o
racha é maior na Câmara, onde o presidente nacional do
partido, deputado Michel Temer (SP), se destaca na liderança
dos rebeldes, a oferta do comando de uma estatal à
bancada de deputados pode pacificar a bancada de deputados
do partido e se mostrar útil ao governo.
Time
Estão
escalados para a conversa com Lula os ministros Amir
Lando, da Previdência, e Eunício Oliveira, das Comunicações,
o senador Sarney e os líderes na Câmara, José Borba
(PR), e no Senado, Renan Calheiros (AL). Com o apoio de
Sarney para sucedê-lo no comando do Congresso, Renan está
à frente da articulação para dar um ministério à
senadora Roseana Sarney (PFL).
A equação
do ingresso de Roseana no governo não é simples. Sondada
para o Planejamento, ela resistiu à idéia, temendo ser
tutelada pelos ministros petistas da Fazenda, Antônio
Palocci, e da Casa Civil, José Dirceu, e acabar sem
autonomia, cumprindo um papel de "rainha da
Inglaterra" no ministério.
Seu sonho
de consumo, para fazer política no Maranhão e enfrentar
a oposição do governador José Reinaldo Tavares (PTB),
é o ministério do Turismo, que Lula não pretende tirar
do ministro Walfrido Mares Guia (PTB).
O PMDB,
que espera filiar Roseana nos próximos meses, gostaria de
comandar o ministério das Cidades, mas já arquivou este
sonho por várias razões. Além da resistência do PT,
que quer manter o ministro Olívio Dutra, o Planalto
avalia bem o trabalho que vem sendo feito na área, de
modo a conter os movimentos sociais urbanos, como o dos
sem-teto, que não têm dado trabalho ao governo. Os
peemedebistas também temem herdar uma estrutura infestada
de petistas.
O PMDB
quer manter a Previdência, mesmo sabendo da insatisfação
geral com o desempenho do ministro Amir Lando. O cotado
para sucedê-lo é o senador Romero Jucá (RR), que ganhou
a simpatia do PT e do Planalto como relator do Orçamento
da União de 2005. Com um ou outro o PMDB almeja ganhar a
Secretaria de Previdência Complementar, que cuida dos
fundos de pensão e tem à frente Adacir Reis, indicado
pelo ministro Luiz Gushiken, da Comunicação de Governo.
Entre os
governistas, a aposta é que Eunício Oliveira continuará
à frente das Comunicações. Ele já se recompôs com a
bancada da Câmara e tem apoio de Lula. Além disso, a
ordem no PMDB do Senado é "não fazer marola",
para não complicar a eleição do líder Renan Calheiros.
Tribuna
da Imprensa
17/01/2005
- 14h
CIA
inclui Brasil entre novas potências
Estudo
do governo norte-americano faz projeções até 2020
A emergência
de quatro países - China, Índia, Brasil e Indonésia -
como influentes atores globais e uma potencial aliança
entre eles farão surgir não apenas um novo e poderoso
bloco como também provocarão transformações
significativas na geopolítica mundial nos próximos 15
anos.
Segundo um estudo sobre o Panorama Global em 2020 feito
pelo Conselho Nacional de Inteligência - o setor de análises
da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) -,
neste período a hegemonia americana sofrerá desgastes,
tornando-se mais vulnerável ao que acontecer em outros países
na medida em que se aprofundarão as conexões no comércio
global.
A Europa terá de adaptar sua força de trabalho, sob o
risco de enfrentar prolongada estagnação econômica. E
instituições como Nações Unidas, Fundo Monetário
Internacional e Banco Mundial correrão o risco de se
tornar obsoletas se não se ajustarem às mudanças.
O estudo foi realizado para indicar ao governo americano
os riscos que tem pela frente e sugerir maneiras de lidar
com a nova ordem mundial. Identifica este momento da história
como o de maior mudança potencial das formas e da
natureza dos alinhamentos internacionais desde a formação
da Aliança Ocidental contra o comunismo, em 1949.
China e Índia são apontados como os dois principais
fatores das mudanças que já estão se desenvolvendo, e
que culminarão numa reviravolta sócio-político-financeira.
Zero Hora
14/01/2005
- 12h50
Virgílio repensa candidatura
Dissidente petista autoriza baixo
clero a preparar ato de lançamento de seu nome à presidência
da Câmara, mas antes de deixar Brasília negociou com
Lula as condições para uma possível desistência
O
deputado
Virgílio Guimarães (PT-MG) resolveu retirar-se de cena
até o início da próxima semana para repensar sua
candidatura avulsa à presidência da Câmara. Na conversa
que teve quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e o presidente da Câmara, João Paulo Cunha
(PT-SP), Virgílio chegou a negociar as condições que
poderiam levá-lo a desistir. Obteve dos dois a garantia
de que terá os gestos públicos de apreço que considera
indispensáveis para declinar de sua candidatura. Mas não
foi afirmativo quanto ao que fará. Ao mesmo tempo, antes
de embarcar para uma praia na Bahia, onde vai se recolher,
Virgílio autorizou o deputado João Leão (PL-BA) a
continuar tocando sua candidatura. Leão pretende lançar
a candidatura oficialmente na terça-feira.
A amigos, Virgílio disse que fará esse
retiro para dar uma ‘‘repensada’’, diante dos
argumentos ouvidos na conversa com Lula e João Paulo. No
encontro, Virgílio exigiu gestos explícitos de apoio,
vindos tanto de Lula quanto do presidente do PT, José
Genoino. Os gestos teriam de funcionar claramente como uma
espécie de pedido de desculpas aos vetos que sofreu de
ambos.
Ao presidente, disse que só aceitaria retirar
sua candidatura caso Lula afirmasse publicamente apreço e
respeito por ele. Ele quer gesto semelhante de Genoino,
que também o vetou. De Genoino, exige até mais, porque
desde que o assunto estava em dicussão na bancada o
presidente do PT empenhou-se pessoalmente em obter apoios
para Greenhalgh.
Virgílio reclama da forma como se deu o
processo de escolha de Greenhalgh. Inicialmente, havia um
compromisso de que nenhuma tendência no PT votaria em
bloco em algum candidato, como forma de deixar os
deputados livres para escolherem. Numa primeira votação,
os deputados votaram em três nomes, que seriam submetidos
a uma espécie de segundo turno. Virgílio foi o que
obteve mais votos, 47. Na noite da primeira votação, porém,
ocorreram os vetos, e o campo majoritário do PT resolveu
fechar em bloco em favor de Greenhalgh.
No dia seguinte, a cúpula petista conseguiu que todos os
demais candidatos retirassem suas candidaturas, de modo a
consagrar Greenhalgh por unanimidade. Logo, retiraram suas
candidaturas o deputado Paulo Delgado (PT-MG) e o líder
do PT, Arlindo Chinaglia (SP). O líder do governo,
professor Luizinho (PT-SP), declinou em seguida. Virgílio
foi o último a aceitar essa situação.
Rebelião
A escolha gerou reação no baixo clero. Na noite de votação
do Orçamento na comissão mista do Congresso, o grupo que
se auto-entitula Movimento Câmara Forte convenceu Virgílio
a retomar sua candidatura. Diante dos apelos, Virgílio
aceitou. Por duas semanas, líderes do PT e do governo
tentaram demovê-lo. Até o próprio Lula tentou. Em vão.
O primeiro aceno nesse sentido — mesmo assim, não
conclusivo — aconteceu na segunda conversa com Lula, na
quarta-feira.
No primeiro gesto de afago combinado, Lula terá
de dizer que Virgílio é um quadro importantíssimo do
PT. E pedirá ao deputado mineiro que se incline pela
unidade do partido e do governo, apoiando a candidatura
oficial de Greenhalgh. Em seguida, Genoino terá de
reconhecer que houve erros e atropelos na forma de escolha
do candidato oficial. Pedirá desculpas por isso e, como
Lula, pedirá a Virgílio um gesto em favor da unidade do
partido. Virgílio declinaria da sua candidatura em
respeito a esses apelos.
Na verdade, porém, o que Virgílio pretende
até o início da semana é acompanhar o desenrolar dos
acontecimentos. Primeiro, verá se os gestos combinados
virão mesmo. Em seguida, avaliará os efeitos dos
movimentos que farão aqueles que apóiam sua candidatura.
Especialmente em Minas Gerais. Gestos de apoio vindos de
políticos mineiros podem transformar sua candidatura em
um pleito mineiro, algo maior que uma pretensão pessoal
apenas de Virgílio ou do grupo que o apóia. Há quem
aposte que, em nome desse levante mineiro, Virgílio
estique a corda pelo menos até a véspera da disputa no
plenário. ‘‘O que ele ganha desistindo agora? Nada.
Ao contrário, se mantiver a candidatura terá ganhos políticos
indiretos com a exposição que está obtendo’’, disse
um importante petista mineiro
Virgílio resolveu recolher-se em uma praia
justamente para ficar livre das pressões de ambos os
lados. A intenção não é desaparecer por muito tempo.O
deputado deverá estar de volta a Brasília na próxima
terça ou quarta-feiras. Para, então, anunciar sua decisão
final.
PSB também cobra acordo entre
petistas
O presidente nacional do
PT, José Genoino, disse ontem, depois de participar de
uma reunião da bancada do PSB na Câmara, que a tendência
do partido aliado é apoiar o candidato oficial do PT a
presidente da Casa, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP). Para
fechar sua posição, no entanto, o PSB quer esperar as
definições que poderão acontecer na próxima semana,
uma vez que se articula a desistência da candidatura
avulsa do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG).
‘‘A reunião foi muito boa. Não temos
muitos contenciosos com o PSB. É um partido com o qual
temos identidades históricas‘‘, disse Genoino, que
estava acompanhado do secretário de Finanças do PT, Delúbio
Soares. Delúbio tem participado de todas as conversas que
Genoino vem tendo com os partidos em torno da composição
da nova Mesa da Câmara.
Genoino afirmou aos parlamentares do PSB que
trabalha uma solução interna no PT, referindo-se à
possibilidade de retirada da candidatura de Virgílio.
Como acontecera nas reuniões anteriores que Genoino teve
com líderes de outros partidos, cobrou-se do próprio PT
o imbróglio que fez surgir duas candidaturas no partido.
E, como já fizera antes, Genoino voltou a admitir que o
problema é mesmo do PT, e que será dentro do PT que será
resolvido.
Ao mesmo tempo, segundo Genoino, o PT dialoga com todos os
partidos para fortalecer a candidatura de Greenhalgh.
‘‘A campanha de Greenhalgh está a todo vapor’’,
afirmou Genoino. Ele disse que, na próxima semana,
Greenhalgh se reunirá com a bancada do PSB. Ontem,
Greenhalgh esteve em Aracaju, na primeira viagem da sua
campanha. Foi recebido pelo prefeito Marcelo Déda, do PT,
e teve encontros com parlamentares do estado. Hoje, estará
no Piauí e em Pernambuco. O secretário de Finanças do
PT informou que as despesas das viagens de Greenhalgh nos
estados são custeadas pelo partido.
‘‘O PT vai garantir toda a estrutura’’, garantiu
Soares, lembrando que o partido fez o mesmo na campanha do
presidente João Paulo Cunha (PT-SP), há dois anos, para
a presidência da Câmara. Ele não revelou o valor das
despesas. Mas pode-se imaginar o custo a partir do orçamento
declarado pelo deputado João Leão (PL-BA) para a
campanha avulsa de Virgílio Guimarães: R$ 150 mil.
Além das viagens, Greenhalgh negocia apoios.
Ontem, ele conversou com o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso. E, segundo ele, Fernando Henrique garantiu o
apoio do PSDB à sua candidatura. ‘‘Ainda ontem
conversei com o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso’’, disse Greenhalgh. ‘‘O PSDB tem dito,
reiteradamente, através de seus líderes, que vai
respeitar o princípio da proporcionalidade e tende a
votar no candidato oficial do Partido dos
Trabalhadores.’’
Senado
segue mau exemplo
O Senado deve aproveitar a
iniciativa da Câmara dos Deputados e também aumentar a
chamada verba indenizatória. Os deputados aumentaram essa
verba de R$ 12 mil para 15 mil. Membros da Mesa Diretora
do Senado já contam com pressões para reajustar o benefício
concedido aos senadores. Uma decisão, porém, só deverá
sair depois da eleição da nova Mesa, no dia 14 de
fevereiro. O atual presidente, José Sarney (PMDB-AP), não
deseja o desgaste político, em final de mandato,
provocado por uma decisão impopular como essa.
O líder do PMDB, senador Renan Calheiros
(AL), que deve ser o novo presidente do Senado, por
enquanto descarta a possibilidade de reajustar a verba
indenizatória, que também é de R$ 12 mil. ‘‘Não
está tramitando nada disso, então não está em questão’’,
desconversou. A verba é utilizada para ressarcir despesas
como combustível, divulgação de mandato parlamentar e
manutenção de escritórios nos estados de origem. Os
parlamentares efetuam os gastos e apresentam notas fiscais
para serem ressarcidos.
Além do aumento da verba indenizatória, que está em
vigor desde o dia 1º de janeiro, a Mesa da Câmara
elaborou um projeto de resolução com o reajuste da verba
de gabinete de R$ 35 mil para R$ 45 mil. O texto aumenta
ainda de 20 para 25 o número de cargos nos gabinetes. Os
integrantes tentaram implantar a medida apenas por um ato
administrativo, mas foram dissuadidos pelos técnicos.
Correio
WEB
14/01/2005
- 12h40
MP
indicia bingos e Waldomiro
Promotores
consideraram ilegal relação entre Loterj e casas de
jogos
e pede improbidade de ex-presidentes de autarquia e
confederações
Raphael
Gomide
O Ministério
Público do Estado do Rio, em uma operação conjunta das
promotorias de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania,
moveu 20 ações civis públicas por improbidade
administrativa contra a Loterj (Loteria do Estado do Rio
de Janeiro), três ex-presidentes da autarquia –
Waldomiro Diniz, Rogério Vargas (atual secretário
estadual de Administração) e Daniel Homem de Carvalho
– e mais 43 entidades, a maioria bingos, federações e
confederações de esporte. No total, foram 47 as pessoas
e associações indiciadas pelo MP. A medida foi anunciada
no dia em que o caso Waldomiro completou 11 meses.
Waldomiro
Diniz, ex-subchefe da Casa Civil, é investigado pela Polícia
Federal por suposta extorsão e corrupção. Ele foi
presidente da Loterj entre fevereiro de 2001 e dezembro de
2002, período em que a maior parte das irregularidades na
concessão de autorizações para o funcionamento de casas
de bingo e na sua fiscalização ocorreu.
O principal instrumento usado pelos promotores foi um
relatório de auditoria do Tribunal de Contas do Estado,
segundo o qual as ilegalidades aconteceram também nas
gestões de Rogério Vargas e Daniel Homem de Carvalho,
embora tenham sido mais evidentes no período Waldomiro.
Segundo o TCE, a Loterj, com os três presidentes que
antecedem a Kelly Mattos, a atual, permitiu o
funcionamento ilegal dos bingos e concedeu licenças sem
os requisitos exigidos.
Lei
estadual facilitou as irregularidades em bingos
As
irregularidades foram facilitadas por lei do Rio, que
atribui ao estado a exploração e o controle de loterias.
A Loterj realizava esse trabalho. Em 2003, o MP considerou
a lei inconstitucional e moveu ação contra a Loterj e as
casas de jogos beneficiadas. A Polícia Federal verificou
que confederações recebiam dos bingos percentuais
menores do que os estipulados.
Os
indiciados podem ter de ressarcir os danos; estão
sujeitos à perda da função pública, suspensão dos
direitos políticos por até 10 anos, a pagamento de multa
de até três vezes o acréscimo patrimonial e ser
proibidos de contratar com o Poder Público ou receber
incentivos fiscais por 10 anos. O DIA deixou recado
para o advogado de Waldomiro, Luís Guilherme Vieira, e a
Loterj, mas não teve retorno. Rogério Vargas está
viajando.
Após 11
meses, delegado sai do caso
Uma força-tarefa
vai passar a comandar o inquérito da Polícia Federal
sobre o caso Waldomiro Diniz, com o objetivo de acelerar a
apuração. O delegado Antônio César Nunes, titular do
inquérito ainda sem solução há 11 meses, perdeu a
atribuição depois de sucessivos atropelos nas investigações.
Esta semana, a Justiça devolveu o inquérito pela segunda
vez por
deficiência nas investigações.
A decisão de substituir Nunes foi da Direção Geral da
Polícia Federal, que o transferiu para a Bahia, onde
assumiu a superintendência da PF.
Como conhece o caso a fundo, o delegado vai atuar como
colaborador permanente.
A
investigação sigilosa apura o envolvimento de Diniz em
atos de corrupção e tráfico de influência. Homem de
confiança do ministro José Dirceu, Waldomiro foi
demitido após a divulgação de uma fita de vídeo em
que, supostamente, aparece negociando propina com o empresário
de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, do
Rio.
O
Dia
14/01/2005
- 12h30
Gastos
do governo Lula deixam TCU em alerta
O governo
deve evitar correr o risco de afrouxar o controle dos
gastos públicos. Este foi o alerta feito ontem pelo
ministro Ubiratan Aguiar, do Tribunal de Contas da União
(TCU), sobre as despesas da administração federal com
reformas nos Palácios da Alvorada e do Jaburu e a compra
de carros novos. Os dispêndios são estimados em R$ 5,8
milhões. "Se o governo não prestar atenção onde e
como gasta, vai perder a essência do seu programa",
afirmou Aguiar, um dos responsáveis pela fiscalização
dos gastos do Orçamento da União.
Ele, que foi deputado, sugeriu cuidado com a definição
das despesas. "O governo terá de avaliar com cuidado
o que é mais importante para os seus gastos, se educação,
saúde, obras ou obras", afirmou. Fazendo ressalvas
de que cada um dos poderes da República pode e deve
decidir como e em que gastar os orçamentos.
Jornal de
Brasília
14/01/2005
- 12h20
Lula
elogia o controle de gastos públicos feito por Palocci
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem, na cerimônia
de sanção do Programa Universidade para Todos (ProUni),
no Palácio do Planalto, novos elogios ao ministro da
Fazenda, Antonio Palocci, e defendeu a forma “dura”
como ele controla os gastos públicos. “Se o Palocci não
for duro, cada deputado, cada senador, cada ministro, acha
que é só chegar lá e pedir, gastando 20 aqui, 30 ali ou
40, e ele é obrigado a regular isso”, justificou Lula.
No discurso, de improviso, ele agradeceu ainda ao ministro
da Educação, Tarso Genro, que também elogiou Palocci.
Genro e o ministro da Fazenda travavam uma queda-de-braço
e Palocci cedeu nas pretensões do ministro da Educação
de permitir que mesmo as universidades inadimplentes com o
INSS e a Receita Federal, possam participar do Prouni e
receber incentivo do governo para conceder bolsas na
universidade a alunos carentes, desde que acertem as dívidas.
“O Palocci compreendeu a magnitude do problema”, disse
Lula, acrescentando que, neste caso do Prouni, o ministro
“foi de uma grandeza incomensurável, ao reconhecer que
este seria o grande programa do nosso governo para a educação”.
O presidente sugeriu aos demais ministros que apresentem
outros projetos semelhantes, “capazes de sensibilizar
esse coração nobre que você (Palocci) tem”. Ainda
justificando a atitude do ministro de conter os gastos,
Lula afirmou: “Quando vocês montarem um clube que tiver
tesoureiro, alguém que cuida do dinheiro, vocês vão
perceber que este cara vai ser duro para liberar
dinheiro.”
Apesar de ter alfinetado os parlamentares e ministros que
vivem brigando por mais verbas, ele amenizou o tom da
fala, agradecendo os deputados e senadores que têm
respondido às demandas da administração federal,
aprovando as propostas de interesse do Poder Executivo.
“Eu tenho dito, durante esses dois anos de mandato, que
todo presidente da República vem à tribuna e critica o
Congresso, dizendo que a coisa não vai, que o Congresso
é lerdo, que o Congresso não funciona”, afirmou,
acrescentando que todas as vezes que precisou do
Legislativo, ele respondeu à altura, até mesmo no caso
do Prouni.
“Poder demorar um pouco mais ou um pouco menos é questão
do debate, da convivência democrática lá dentro”,
declarou. “Afinal de contas, aquilo não é um clube de
amigos, aquilo é um centro representativo da sociedade
brasileira, de aspectos ideológicos diferenciados, mas,
em nenhum projeto de interesse nacional, o Congresso
faltou com o governo e com o povo brasileiro nesses dois
anos e o Prouni é o exemplo mais vivo do comportamento do
Congresso”, completou, agradecendo aos parlamentares que
fizeram este papel na Câmara e no Senado.
Para ministro do TCU, o gasto público tem que ser
controlado
O governo deve evitar correr o risco de afrouxar o
controle dos gastos públicos. Este foi o alerta feito
ontem pelo ministro Ubiratan Aguiar, do Tribunal de Contas
da União(TCU), sobre as despesas da administração
federal com reformas nos Palácios do Alvorada e do Jaburu
e a compra de carros novos. Os dispêndios são estimados
em R$ 5,8 milhões.
“Se o governo não prestar atenção onde e como gasta,
vai perder a essência do seu programa”, afirmou Aguiar,
um dos responsáveis pela fiscalização dos gastos do Orçamento
da União. Ele, que foi deputado, sugeriu cuidado com a
definição das despesas. “O governo terá de avaliar
com cuidado o que é mais importante para os seus gastos,
se educação, saúde, obras ou obras”, afirmou.
Fazendo ressalvas de que cada um dos poderes da República
pode e deve decidir como e em quê gastar os orçamentos,
Aguiar lembrou que uma das maiores preocupações do
legislação é com a qualidade do gasto público, que
deve ser feito levando em consideração às necessidades
mais urgentes.
O ministro do TCU recordou a tese defendida por outro
ministro do tribunal, o ex-presidente Valmir Campelo, que
cunhou a expressão “lei de responsabilidade social”.
Esta lei, ainda hipotética, é uma espécie de bandeira
de Campelo para que Executivo, Judiciário e Legislativo dêem
prioridade a obras que possam trazer bem estar à
sociedade.
“O objetivo do Estado são as atividades-fins. Os gastos
com atividades-meio não podem vir à frente de
investimentos com saúde e educação, por exemplo”,
disse Aguiar.
A advertência do ministro do TCU foi feita porque na
quarta-feira a presidência da República havia anunciado
que estima gastar nas próximas semanas um total de R$ 5,8
milhões em carros zero-quilômetro e numa reforma nos palácios.
As mudanças nos gabinetes e residências do governo
incluem forro nos tetos, paredes de gesso, isolamento acústico,
móveis e divisórias. Nos últimos dois dias, o “Diário
Oficial” da União (DOU) publicou uma série de
contratos firmados ao longo de dezembro e início de 2005
para melhorias nos órgãos da presidência - Palácios do
Planalto, Alvorada e Jaburu, Residência Oficial do Torto
e Bloco A da Esplanada dos Ministérios, onde funcionam
secretarias de Estado.
Jornal do
Comércio
14/01/2005
- 12h10
Procuradores
acusam subchefe da Casa Civil do Planalto
BRASÍLIA.
O Ministério Público Federal entrou com ação civil pública
contra o subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil
José Antônio Dias Toffoli. Os procuradores da República
no Distrito Federal Ronaldo Pinheiro Queiroz e Luciano
Sampaio Rolim acusam Toffoli de exercer ilegalmente
advogacia em benefício de particulares. Para o Ministério
Público, ao ocupar o cargo com função de consultor jurídico,
o assessor da Casa Civil estaria impedido de participar de
ações judiciais de terceiros.
Os procuradores pedem que sejam anuladas as permissões da
Ordem dos Advogados do Brasil para Toffoli exercer
advocacia privada enquanto estiver ocupando cargo público.
Para os procuradores, as autorizações são ilegais e
violam o estatuto da OAB. As investigações dos
procuradores comprovaram que Toffoli participaria de ações
judiciais para terceiros, incluindo o PT. Toffoli está
viajando e sua assessoria não comentou a ação dos
procuradores.
O Globo
14/01/2005
- 12h
Ministro
lança suspeitas contra Dataprev
Sofrendo
um processo de fritura no governo, o ministro da Previdência
Social, Amir Lando (PMDB), disse que há grupos dentro do
governo "empenhados em derrubá-lo do cargo por causa
de sua batalha contra as fraudes na Dataprev (Empresa de
Tecnologia e Informações da Previdência Social)".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não escondeu o
aborrecimento pelas queixas de Lando e, no final da tarde
de ontem, cobrou explicações do ministro em reunião no
Planalto. O encontro contou com a participação do
ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Por conta do impacto das reclamações, até
representantes da cúpula governista do PMDB dão como
certa a demissão de Lando na reforma ministerial que o
presidente deverá fazer até o início de fevereiro.
Segundo um ministro com trânsito no gabinete
presidencial, Lula está aborrecido com Lando por ele ter
acusado o Planalto de promover a fritura. Lando ainda
teria afirmado em conversas públicas que a "fritura
vinha do Japão". A interpretação do Planalto foi a
de que o senador estava se referindo ao ministro da
Comunicação de Governo, Luiz Gushiken (PT). Com isso, o
interlocutor de Lula acredita que Lando comprou briga com
quem não devia e sairá derrotado.
A aposta geral é de que Lula não vai precipitar a demissão
de Lando. Como a substituição envolve um xadrez político,
líderes do PMDB avaliam que o ideal é que seja tratada
no contexto mais amplo da reforma.
Zero Hora
13/01/2005
- 15h
DISPUTA
Um impasse rumo ao plenário
Resistência de Virgílio Guimarães
à pressão de Lula e de líderes petistas, para que
desista de concorrer à presidência da Câmara, leva
aliados de Luiz Eduardo Greenhalgh a preverem decisão no
voto
Os aliados do candidato oficial do
governo e do PT à presidência da Câmara, Luiz Eduardo
Greenhalgh (PT-SP), já começam a avaliar como concreta a
hipótese de que tenham de enfrentar em plenário o
candidato avulso Virgílio Guimarães (PT-MG). Ontem, pela
manhã, falhou nova tentativa do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e do presidente da Câmara, João Paulo
Cunha (PT-SP), de demover Virgílio. Depois da conversa
com Lula e João Paulo, Virgílio voltou para o hotel onde
se hospeda em Brasília e continuou tocando normalmente
sua campanha, telefonando para aliados.
Nos cenários que estavam montados na
segunda-feira, quando Greenhalgh reuniu mais de 30
deputados num ato de apoio à sua candidatura, inclusive
os líderes de todos os partidos aliados, era dada como
certa a renúncia de Virgílio esta semana. O tempo
passou, a semana termina e Virgílio prossegue candidato.
E de forma cada vez mais explícita. Se antes o deputado
mineiro qualificava a sua pretensão de presidir a Câmara
como ‘‘uma possibilidade’’, agora já tem material
de campanha pronto e a intenção de iniciar, na semana
que vem, viagens aos estados para reuniões com os
parlamentares.
Diante desse quadro, aliados de Greenhalgh já
começaram a admitir, em conversas com outros
parlamentares, que a candidatura Virgílio está bem mais
difícil de ser removida do que se imaginava. E que talvez
tenha mesmo de vir a ser derrotada no voto. Além disso,
avalia-se que a possibilidade de uma disputa entre dois
candidatos do PT seria uma hipótese melhor do que contra
os outros pretendentes colocados para o cargo (o
oposicionista baiano José Carlos Aleluia, do PFL, ou o
represente pernambucano do baixo claro, Severino
Cavalcanti, do PP). Em entrevista ontem na Câmara, João
Paulo Cunha não chegou a dizer isso claramente. Mas
deixou pistas desse sentimento.
Europa
João Paulo disse que ‘‘não importa’’ se haverá
ou não uma eventual campanha avulsa de Virgílio Guimarães.
‘‘O que importa é a campanha de Luiz Eduardo
Greenhalgh, que está bem, está crescendo, vai se
consolidar e ser vitoriosa’’, completou. Há uma
substancial diferença para o que disse o mesmo João
Paulo na segunda-feira. Na ocasião, quando largou suas férias
no Rio Grande do Norte para se engajar à campanha de
Greenhalgh, João Paulo disse que conversaria com Virgílio.
E que o convenceria a desistir. ‘‘Para desgosto dos
jornalistas’’, chegou a brincar.
Da segunda-feira para cá, João Paulo
conversou com Virgílio pelo menos duas vezes. Tentou
demovê-lo na terça-feira. Não conseguiu. Ontem, estava
no Palácio do Planalto para a conversa de Lula com Virgílio.
Também a segunda reunião do presidente com o candidato
avulso (os dois já tinham se encontrado na semana
passada). De acordo com aliados de Virgílio, Lula não
chegou a ser explícito no pedido para que Virgílio
retirasse a candidatura. Disse apenas que o processo não
poderia levar ao risco de uma derrota do governo e do PT
na disputa pela Câmara. E que esse era o temor que tinha
quanto à divisão interna do partido. Virgílio não
considera que represente esse risco. Ao contrário, acha
mesmo que a sua permanência é que pode ser uma garantia
de vitória do PT contra as demais candidaturas.
Sem a esperada desistência de Virgílio,
Greenhalgh começa hoje a sua campanha pelos estados.
Estará em Aracaju (SE). Amanhã, segue para o Ceará e
Pernambuco. Na terça, quando a primeira agenda de viagens
foi divulgada, os aliados de Greenhalgh contavam com a
presença na delegação de João Paulo Cunha. Na segunda,
o presidente da Câmara apresentou-se prometendo que
mergulharia ‘‘de cabeça’’ na campanha do
candidato oficial. Mas enquanto Greenhalgh estiver voando
para Sergipe, João Paulo Cunha estará embarcando para a
Europa. Mais precisamente para a Itália.
Segundo João Paulo, a viagem já estava
agendada há tempos e não havia possibilidade de adiá-la.
O presidente da Câmara fará uma palestra em Gênova e
visitará o Parlamento italiano. Ficará uma semana fora.
Voltará apenas na próxima quinta-feira. Na segunda, João
Paulo dissera que ‘‘mesmo que Greenhalgh não
quisesse, seria seu cabo eleitoral número um’’.
Todos
alertam Genoino
O presidente do PMDB,
deputado Michel Temer (SP), alertou o presidente do PT,
José Genoino, para o risco de uma surpresa na disputa
pela presidência da Câmara. Temer repetiu o que dissera
na véspera o prefeito de São Paulo, José Serra, e o que
já alertara na semana passada o presidente do PTB,
deputado Roberto Jefferson (RJ), ao mesmo Genoino: se o PT
não resolver o problema interno que gerou o surgimento de
duas candidaturas no partido para o cargo, o resultado da
eleição na Câmara pode ser imprevisível. Hoje, o PT
tem um candidato oficial (o paulista Luiz Eduardo
Greenhalgh) e um avulso (o mineiro Virgílio Guimarães).
‘‘Enquanto o PT tiver dois candidatos, ninguém na Câmara
vai se decidir’’, alertou Temer.
‘‘Voto secreto é sempre secreto’’,
disse Temer. Ou seja, nenhum compromisso que possa o
governo, o PT ou Greenhalgh assumir com as cúpulas partidárias
pode ser totalmente garantido quanto ao comportamento dos
parlamentares na eleição. A base aliada pode resistir a
votar em um oposicionista como José Carlos Aleluia
(PFL-BA). Mas pode se sentir à vontade de trocar o
petista oficial pelo petista avulso.
Genoino saiu da reunião com Temer dizendo-se
consciente do problema. ‘‘Esse é um problema do PT. O
PT é que tem que resolver’’, reconheceu. Genoino está
percorrendo os gabinetes dos presidentes dos partidos de
forma a ajudar a consolidar a candidatura de Luís Eduardo
Greenhalgh. Sua intenção é estabelecer acordos que
permitam a divisão proporcional entre os partidos dos
cargos no Congresso, de modo a garantir apoio maciço à
candidatura oficial do partido. Depois de Temer, ele
esteve no final da tarde no gabinete do presidente do PFL,
senador Jorge Bornhausen (SC). De Temer, obteve a garantia
de que seu partido não tem objeções ao nome de
Greenhalgh. De Bornhausen, porém, nada conseguiu. O
presidente do PFL afirmou que seu partido estará com seu
candidato à presidência da Câmara, José Carlos
Aleluia.
CorreioWEB
13/01/2005
- 14h50
Briga
por aposentado baixa juro
Bancos
que oferecem empréstimo com prestações descontadas no
contracheque do INSS abrem guerra inédita por clientes
Raquel
Abrantes
Nunca se
emprestou tanto dinheiro no Brasil e, diante de tamanha
oferta, os aposentados do INSS estão levando vantagem.
Segundo a consultoria Partner,
de 1970 até o ano passado, o volume emprestado passou de
R$ 11,9 bilhões para R$ 121,6 bilhões. Nesse volume, o
empréstimo com prestações descontadas no contracheque
passou a ser vedete e os segurados da Previdência, as
estrelas. Há até banco que se compromete a cobrir os
juros oferecidos pelos concorrentes, promoção inédita
no setor.
Segundo a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações
da Previdência Social), nove bancos oferecem a modalidade
de empréstimo: Banco Bonsucesso, BGN, BMC, BMG, Banco
Cacique, Banco Cruzeiro do Sul, Banco Pine, Caixa Econômica
e Paraná Banco. Outros seis estão em fase de testes
(Banco Matone, Banco Mercantil do Brasil, Banco Schahin,
Banco Panamericano, BNB e RS Crédito). Mais quatro estão
em negociação para participar da concorrência (Alpha,
Banco Paulista, Crefisa e Sul Financeira).
“Se o aposentado encontrar juros mais baixos que os
nossos, faremos a operação pela taxa do concorrente. Se
preferir, o cliente também pode cancelar a negociação
conosco, sem nenhum ônus”, garante o vice-presidente
executivo do BMG, Roberto Rigotto.
O BMG detém 48% do mercado de crédito consignado para
segurados do INSS e já concedeu mais de 500 mil empréstimos
no valor de R$ 1 bilhão nesta modalidade, desde que
assinou o convênio, em setembro. Perde apenas para a
Caixa Econômica: primeiro banco a oferecer o crédito com
desconto em folha, em maio, encerrou o ano com 845 mil
operações, no valor de R$ 1,8 bilhão.
O BMG também realiza a operação pelo 0800-2833-100, com
o crédito do valor no dia seguinte na conta indicada pelo
aposentado ou pensionista. É preciso apenas ter em mãos
o comprovante de pagamento do benefício do INSS e o número
do CPF.
Em média, as taxas dos bancos que fazem empréstimo com
desconto na folha do INSS variam de 1,75% a 2,8% ao mês,
no prazo máximo de 36 meses. Até o dia 17 de dezembro, a
Dataprev registrou R$ 2,2 bilhões concedidos a 778.494
segurados do INSS pelo crédito consignado. Contudo, esses
aposentados e pensionistas
correspondem a apenas 4,2% dos 18,489 milhões de beneficiários.
Isto significa que ainda há demanda suficiente para o
surgimento de mais bancos oferecendo a linha de empréstimo.
O
levantamento da Dataprev indica que os segurados que mais
recorreram ao crédito consignado foram os que recebem um
salário mínimo (R$ 260). Eles responderam por 35,58% das
operações de empréstimo realizadas até o mês passado.
O Dia
13/01/2005
- 14h40
Ataques
matam assistente de líder xiita e mais 11 no Iraque
Bagdá
- Um
representante do influente clérigo xiita iraquiano aiatolá
Ali Sistani foi assassinado juntamente com quatro
guarda-costas e seu filho. Em um segundo ataque, em um
hotel de Bagdá, outras seis pessoas morreram. O atentado
contra o xeque Mahmoud al-Madahaini ocorreu depois das
preces noturnas da quarta-feira, na cidade de Salman Pak.
Al-Madahaini chefiava o escritório de Sistani na cidade
de maioria sunita que fica ao sul da capital, Bagdá.
Este é o
mais recente de uma série de ataques lançados pelos
insurgentes majoritariamente sunitas com o objetivo de
prejudicar a realização das eleições marcadas para 30
de janeiro. O xeque Al-Madahaini já havia recebido ameaças
de morte de opositores às eleições.
O aiatolá
Sistani não é candidato, mas deu seu endosso à Aliança
Unida Iraquiana, uma coalizão formada principalmente por
partidos políticos xiitas.
Hotel
Em um
outro incidente, homens armados mataram seis pessoas e seqüestraram
um empresário turco em uma emboscada na frente de um
hotel em Bagdá. Pelo menos dez homens abriram fogo contra
um microônibus que tinha vindo pegar o empresário
Abdulkadir Tanrikulu no Hotel Bakhan.
A polícia
disse que as vítimas do ataque eram funcionários turcos
de Tanrikulu que viajavam no microônibus. Vários
estrangeiros foram seqüestrados no Iraque desde o ano
passado.
Estado de
São Paulo
13/01/2005
- 14h30
Reformas
política e urbana são prioridade
As
reformas política e urbana são algumas das prioridades
do Senado neste ano, na avaliação do presidente do
Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), e dos líderes
do governo na Casa, Aloízio Mercadante (PT-SP), e do
PMDB, Renan Calheiros (AL).
Eles reuniram no Senado, logo após a reunião de Sarney e
Calheiros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além
desses dois pontos, eles consideram também fundamental a
definição de um novo ritmo para tornar ágil a tramitação
das medidas provisórias (MPs) e a reforma do processo orçamentário.
Segundo Mercadante, o objetivo da reforma ministerial
planejada, é consolidar uma maioria estável que o Poder
Executivo jamais teve no Senado.
"Mas ter segurança política não é o único
objetivo. O presidente também vai trabalhar no sentido de
dar mais eficiência ao governo e melhores resultados às
políticas públicas", acredita.
Jornal de
Brasília
13/01/2005
- 14h
20
Roseana
se aproxima do governo e se afasta do PFL
Lula
decide nomear senadora maranhense para ministério a ser
definido
BRASÍLIA
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou
ontem a decisão política de nomear a senadora Roseana
Sarney (PFL-MA), filha do presidente do Congresso, senador
José Sarney (PMDB-AP), para um ministério.
Segundo
um ministro do governo, Lula bateu o martelo depois de
receber ontem pela manhã em audiência no Palácio do
Planalto o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o próprio
Sarney. Restaria decidir a pasta, por isso o presidente
teria resolvido adiar o anúncio oficial provavelmente
para a próxima segunda-feira, quando fará nova reunião
com Sarney e Calheiros. Especulam-se o ministério do
Turismo e o das Cidades.
Também já
estariam praticamente sacramentadas, segundo
interlocutores do presidente nos últimos dias, a permanência
dos ministros Aldo Rebelo, na Coordenação Política,
Agnelo Queiroz (PCdoB), nos Esportes, e a ida do deputado
Pedro Henry (PP) para um ministério ainda a ser definido.
Ontem,
depois do encontro com o presidente Lula, Calheiros não
quis confirmar, mas deixou transparecer que o PMDB dá
como certa a entrada de Roseana no governo:
- Não
sabemos que espaço será dado ao PMDB. Sabemos que é
fundamental abrir espaço para que a senadora Roseana
Sarney (PFL-MA) integre o governo - afirmou, confirmando
para segunda um novo encontro com o presidente quando,
segundo Calheiros, será definida a nova fatia do partido
na reforma ministerial.
Sarney,
dizendo-se constrangido, preferiu não comentar a
possibilidade. Despistou:
- Ela
(Roseana) é uma política que tem brilho próprio e
caminha pelos próprios pés.
O líder
do governo no Senado, Aloisio Mercadante (PT-SP), que também
participou da reunião com Lula, se derramou em elogios à
senadora maranhense. Em sua avaliação, Roseana é ''um
quadro politicamente importante, tem uma bela experiência
administrativa e tem tido papel fundamental do ponto de
vista das alianças no Senado''.
Além de
Sarney e Calheiros, Mercadante é um dos principais
fiadores da nomeação que deve ser encarada como cota
pessoal de Lula. A articulação para que Roseana se
tornasse ministra recrudesceu na última semana. Há 15
dias, o presidente ainda se mostrava reticente em incorporá-la
ao governo. Convencido de que a nomeação da senadora será
importante para o triunfo do chamado ''governo de coalizão'',
com vistas às eleições de 2006, Lula definirá nos próximos
dias em que pasta pretende acomodá-la. Por intermédio de
interlocutores, Roseana deixou claro seu desejo por um
ministério com poder político. Sua intenção é
retornar ao governo do Maranhão em 2006.
Tão logo
seja oficializada no ministério, Roseana Sarney deve
comunicar ao PFL sua desfiliação do partido. Com isso,
existiriam duas hipóteses, ainda em avaliação pela
senadora: ficar sem partido até meados de 2006, quando
ingressaria num partido de sua escolha para se candidatar
ao governo do Maranhão. Ou filiar-se imediatamente ao
PMDB, de onde já recebeu sinais de que seria muito bem
recebida.
Ontem, o
presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (PFL-SC),
afirmou que Roseana terá que deixar o partido caso
confirme seu desembarque no governo. Questionado sobre a
necessidade de a senadora se desligar do PFL para entrar
no governo, Calheiros respondeu que esse assunto deve ser
tratado depois de definida a reforma.
-
Acredito que a filiação de Roseana ao PMDB será uma
conseqüência da reforma ministerial. Não podemos
inverter os papéis - afirmou.
Na audiência
no Planalto, Sarney também informou a Lula a conclusão
do acordo para a sucessão no Senado, segundo o qual
Calheiros será o próximo presidente da Casa. Para
assegurar uma eleição sem sobressaltos, Calheiros está
disposto a abrir espaço na Mesa Diretora para a oposição.
Jornal do
Brasil
13/01/2005
- 14h
10
Planalto
gasta R$ 2,2 milhões com novos veículos
BRASÍLIA. O governo federal vai gastar R$ 2,2 milhões
para renovar a frota do Palácio do Planalto. Serão
comprados 40 veículos, incluindo carros de passeio com
quatro portas e movidos a álcool, caminhões, ônibus,
microônibus e motocicletas. O contrato para compra dos
automóveis foi publicado ontem no Diário Oficial da União.
Os veículos serão usados para transporte de pessoas,
cargas, documentos e objetos diversos.
O veículo mais caro é um ônibus Mercedes-Benz, zero
quilômetro, ano 2004, na cor azul, com potência mínima
de 170 cavalos, que custará R$ 170 mil. A compra inclui
12 carros tipo sedan, com quatro portas, na cor preta e
movidos a álcool, da General Motors, que sairão por R$
72 mil cada. No total, esse lote custará R$ 866.952.
Carros desse tipo, normalmente, são usados para
transporte de autoridades.
Lula continuará usando o mesmo carro oficial
Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai continuar
usando o mesmo carro oficial. Logo após assumir, Lula
passou a usar um Ômega, da General Motors, cedido pela
empresa no sistema de comodato. O carro recebeu
equipamentos especiais de segurança, como blindagem, película
escura nos vidros e travas para janelas e portas. A nova
frota deve ser usada por outros integrantes do governo.
Há ainda mais dois lotes de carros de passeio: oito sedan
de cores diversas (menos vermelho, preto e branco) por R$
370.912, e dez brancos, sedan ou hatch, por R$ 239.800.
Todos são a álcool e da General Motors. O Planalto vai
comprar também três caminhões ao custo total de R$ 258
mil.
A lista de compra inclui ainda dois microônibus, no valor
total de R$ 282 mil e quatro motos, no valor de R$ 28.980.
Tantos os microônibus como as motos são da cor azul. Na
semana passada, um microônibus foi usado para levar do
Itamaraty ao Palácio do Planalto um grupo de 49
embaixadores brasileiros que atuam no exterior e que
tiveram um encontro com o presidente.
A nova frota se soma à renovação de ambulâncias à
disposição do Planalto. O governo vai pagar R$ 253.450
na compra de duas ambulâncias com UTI-móvel. Segundo
assessores de Lula, as ambulâncias são necessárias
porque hoje há falta de veículos desse tipo para atender
às necessidades da Presidência.
Uma das ambulâncias servirá ao vice-presidente
A idéia é que, com a aquisição das ambulâncias, o
vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, passe
a contar com um veículo desse tipo em seu comboio.
Em cada deslocamento terrestre, Lula é acompanhado por
dois carros de segurança e uma ambulância. Mas o cortejo
do vice não tem ambulância. Além disso, é preciso ter
uma ambulância no Serviço Médico da Presidência e uma
acompanhando a equipe de seguranças em seus exercícios.
Atualmente, quando há falta, a segurança recorre a ambulâncias
do Exército ou da Aeronáutica. Para equipar essas duas
ambulâncias, serão gastos R$ 71.802. Além da compra de
equipamentos para essas duas UTIs móveis, o Planalto está
comprando novos produtos médico-hospitalares e odontológicos
no valor de R$ 874.917.
Segundo a Casa Civil, essa licitação tem por objetivo a
compra de materiais e equipamentos médicos, farmacêuticos
e odontológicos para dotar a Coordenação de Saúde da
Presidência da República "de meios necessários e
essenciais ao cumprimento da sua missão específica no
atendimento dos servidores da Presidência e de seus órgãos".
Ministros e funcionários também são atendidos
Além do Gabinete da Presidência, são atendidos pelo
Serviço Médico autoridades e funcionários dos ministérios
que funcionam no Planalto, como a chefia da Casa Civil, a
Secretaria Geral, a Coordenação Política e o Gabinete
de Segurança Institucional.
O Globo
13/01/2005
- 14h
Bornhausen
exige que Roseana deixe PFL
BRASÍLIA
- Quase dois anos depois de ter rompido com o governo em
solidariedade a Roseana Sarney, o presidente do PFL,
senador Jorge Bornhausen (SC), afirmou ontem que ela terá
de se desligar do partido antes de aceitar o convite do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar um
ministério. Bornhausen afirmou que a senadora maranhense
tem dado declarações de que vai se desligar, mas que até
agora não conversou com os dirigentes pefelistas sobre a
sua saída.
Ele
adiantou que seu desligamento em nada vai alterar o
procedimento da bancada, visto que ela sempre atuou como
uma dissidente, votando a favor do governo. "Não
estamos preocupados com número (de senadores) e, sim, na
coerência de atuar como uma oposição responsável e
fiscalizadora", afirmou.
Bornhausen
procurou ser sucinto ao tratar do assunto. Disse que não
iria fazer comentários sobre a decisão de Roseana,
preferindo não falar sobre o apoio que ela teve do
partido em 2002, quando sua pré-candidatura à Presidência
da República implodiu depois de a Polícia Federal ter
apreendido R$ 1,34 milhão no escritório da Lunus,
empresa de consultoria pertencente a ela e ao marido Jorge
Murad.
Em março
de 2002, Bornhausen anunciou que o partido se afastaria do
governo de Fernando Henrique Cardoso em solidariedade à
Roseana. A decisão foi embasada na suspeita de que a
invasão da Lunus teria sido planejada com o apoio do
Planalto para favorecer a candidatura do tucano José
Serra. Na época, Roseana obteve ainda do PFL o direito de
aparecer em 240 comerciais na tevê, tempo este que não
foi superado por nenhum outro dos demais candidatos.
Tribuna
da Imprensa
12/01/2005
- 14h30
Eles brigam, o contribuinte paga
Compromissos exigidos por
parlamentares aos candidatos à presidência da Câmara
podem custar quase R$ 100 milhões por ano ao Tesouro.
Nenhum dos concorrentes se opõem ao aumento de despesas
A
disputa pela presidência da Câmara ameaça custar aos
cofres públicos R$ 98,4 milhões por ano. Em lugar de
compromissos políticos, os deputados fazem exigências
bem concretas aos candidatos. Querem ver assumida pelo
novo presidente a votação no plenário do projeto de
resolução 188. O texto aumenta de R$ 35 mil para R$ 45
mil a verba de gabinete, com a qual contratam
funcionários em Brasília. A bondade custaria R$ 60
milhões a mais por ano nas contas da Casa. Eles também
exigem receber o mesmo salário pago ao ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF), que hoje é de R$
19.115,19. Os parlamentares recebem R$ 12.847 de
subsídio. O aumento causaria mais um impacto de R$ 38,4
milhões nas despesas da Câmara.
Em tempo de campanha, nenhum dos candidatos
ousa falar contra a exigência. O nome oficial indicado
pelo PT, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), preferiu
desconversar. Abriu a possibilidade de pôr em votação o
projeto que aumenta a verba de gabinete, mas preferiu não
assumir um compromisso aberto. ‘‘O que for legítimo,
justo, constitucional e, se o plenário quiser, eu não me
furtarei, mas vou analisar’’, avisou. O mesmo fez o
candidato do PFL, José Carlos Aleluia (BA). Para ele, o
assunto está fora do debate eleitoral. ‘‘Levantar
esse assunto tem o objetivo de desqualificar o debate em
torno da presidência da Câmara. Não discutirei esse
tema agora. Só após a eleição, reunida a Mesa e
ouvidos os líderes’’, respondeu.
Um dos candidatos, porém, não tem nenhum
pudor em levantar, decidido, a bandeira do reajuste. O
deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), segundo secretário
da Câmara, é o único a avisar que, se eleito,
trabalhará para aumentar a verba de gabinete e o salário
dos deputados. ‘‘Essa medida tem o requisito da
moralidade e o farei’’, anuncia. ‘‘Imoral é
roubar, é desviar recursos públicos, é se locupletar
com o poder’’, rebate. Para ele, que já foi primeiro
secretário da Casa, espécie de prefeito da Câmara, o
aumento de gastos não prejudicará o país. ‘‘Tudo é
questão de eficiência. Quando fui primeiro secretário,
devolvi R$ 51 milhões aos cofres públicos’’,
argumenta.
Há pelo menos seis meses, Cavalcanti circula
pelos corredores da Casa com a reivindicação do aumento
salarial embaixo do braço, que é a sua principal
plataforma de campanha. O segundo secretário é o ícone
das exigências fisiológicas no Congresso. Enquanto a
maioria dos deputados trata com reservas assuntos de
repercussão negativa, o deputado pernambucano não tem
problema em defender abertamente o aumento salarial.
Orientação técnica
Por pressão dele e dos demais integrantes da Mesa
Diretora, o aumento de R$ 10 mil na verba de gabinete já
estaria em vigor, como adiantou ontem a coluna
Brasília-DF.‘‘A verba de gabinete é usada para pagar
os funcionários. Se é justo que o funcionário público
tenha aumento, é claro que os funcionários dos gabinetes
de deputados precisam de um aumento’’, defendeu o
presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). A
Câmara aprovou projeto com reajuste para os servidores da
Casa, que só depende de votação no Senado.
O reajuste da verba de gabinete só não está
em vigor por orientação técnica e por exigências da
Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Os técnicos
argumentaram que a medida não poderia ser feita por um
ato da Mesa Diretora, mas por projeto de resolução, que
precisa ser aprovado no plenário. Como o texto também
prevê aumentar de 20 para 25 o número de funcionários
dos gabinetes, só na próxima gestão o projeto poderá
ser votado. A lei proíbe a criação de novos cargos nos
seis últimos meses de mandato de um administrador
público. João Paulo Cunha deixará o posto em fevereiro.
A Mesa Diretora conseguiu aumentar, por ato
administrativo, porém, a verba indenizatória de R$ 12
mil para R$ 15 mil. O valor é pago para o deputado manter
um escritório no estado de origem, com a apresentação
de notas fiscais. Poucos foram os deputados que criticaram
a decisão. Para o deputado Chico Alencar (PT-RJ), o ato
da Mesa deve ser ‘‘a ante-sala para o aumentos
salarial’’. ‘‘Vamos sofrer mais um golpe em nossa
imagem com uma decisão totalmente impopular’’.
reclamou.
Os números da farra
Verba indenizadora
Criada para manter um gabinete no estado de origem. Pode
ser utilizada para contratação de funcionários, gastos
com combustível e material de escritório. Exige
apresentação de notas fiscais. Já está em vigor.
Quanto era antes - R$ 12 mil
Quanto é hoje - R$ 15 mil
Verba de Gabinete
Utilizada para contratar funcionários em Brasília
Quanto é hoje - R$ 35 mil
Quanto prevê o projeto - R$ 45 mil
Número de servidores hoje - 20 por gabinete
Número previsto no projeto - 25 por gabinete
Greenhalgh vai à luta
Rudolfo Lago
Da equipe do Correio
A campanha do candidato
oficial do governo e do PT à presidência da Câmara,
Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), começará por Sergipe,
amanhã. Ontem, o comando da sua candidatura começou a
detalhar a agenda de viagens que o deputado fará pelo
país, angariando votos. A intenção de Greenhalgh é ir
primeiro aos estados nos quais sua candidatura é mais
forte, para consolidar apoios e desfazer os possíveis
problemas.
‘‘Vamos receber Greenhalgh como candidato
oficial. Iremos ao governador (João Alves, do PFL, que
tem candidato à presidência, o baiano José Carlos
Aleluia), e depois faremos um almoço com a bancada’’,
planeja Déda, que ontem participou da reunião com o
comando da campanha de Greenhalgh. Na sexta-feira, o
candidato oficial visitará o Piauí e o Ceará.
Déda acredita que Virgílio será convencido
a retirar sua candidatura. ‘‘Virgílio tem tradição
no PT. Então, ele conhece a cultura petista. Conhece os
riscos de um enfrentamento como esse. E sabe que ele deixa
seqüelas terríveis’’, insinuou Déda. De acordo com
assessores do governo, na conversa que Déda teve com o
ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, avaliou-se que
a insistência de Virgílio em se manter candidato já
ultrapassou ‘‘o limite do aceitável’’.
Nas viagens que fará começando por Sergipe,
Greenhalgh terá a companhia de um grupo de parlamentares
que buscará conferir o caráter institucional da sua
candidatura. Viajarão com ele o presidente da Câmara,
João Paulo Cunha (PT-SP), o líder do governo, professor
Luizinho (PT-SP), o líder do PT, Arlindo Chinaglia (SP),
e o alto comando da sua candidatura: Sigmaringa Seixas
(DF), Paulo Delgado (MG), José Eduardo Cardozo (SP),
Walter Pinheiro (BA), entre outros.
Os maiores problemas de Greenhalgh estão nas bancadas de
Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. A
intenção do deputado paulista é deixar esses estados
por último. Greenhalgh só pretende visitá-los depois de
resolvido o problema interno no PT, ou seja, após
conseguir a retirada da candidatura de Virgílio. Em
Minas, porém, principal reduto de Virgílio, Greenhalgh
começou a buscar minar a candidatura do adversário a
partir do PSDB. Em entrevista ontem em Belo Horizonte, no
Palácio das Mangabeiras, sede do governo estadual, o
presidente do PSDB de Minas, Nárcio Rodrigues, disse que
o apoio do partido a Virgílio acabou a partir do momento
em que ele perdeu na discussão interna no PT. ‘‘É
claro que se nós estivéssemos falando apenas de Minas,
Virgílio estaria eleito. Mas não é a bancada de Minas
que vai eleger o presidente da Câmara’’.
Serra condiciona apoio tucano
O prefeito de São Paulo,
José Serra, recomendou ao presidente do PT, José Genoino,
que o partido resolva seus problemas internos para que
obtenha apoio dos tucanos na disputa pela presidência da
Câmara, ontem, durante encontro na Prefeitura paulistana.
Apresentado por Serra como o novo presidente do PSDB, o
senador Eduardo Azeredo (PSDB) chegou a alertar para
riscos da candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP),
caso a de Virgílio Guimarães (PT-MG) seja mantida.
‘‘Existe muita resistência ao nome de
Greenhalgh. E a decisão final é dos deputados’’,
avisou Azeredo. Também presente ao encontro no gabinete
de Serra, o secretário de Governo de São Paulo, Aloysio
Nunes Ferreira, disse que o PSDB ‘‘vai apoiar a
candidatura do partido. Agora, há um problema interno que
é do PT’’. O PSDB não pode ser o avalista do
candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na
avaliação da cúpula tucana.
Acompanhado do tesoureiro do partido, Delúbio
Soares, o próprio Genoino abordou o assunto, reafirmando
que discorda do comportamento do PT na eleição de
Roberto Tripoli para a presidência da Câmara Municipal.
Segundo Azeredo, Genoino voltou a condenar o estímulo à
dissidência dentro do PSDB. ‘‘Somos adversários.
Não inimigos’’, disse Genoino, segundo relato de
Azeredo. Em retribuição, Serra afirmou que não quer
‘‘uma relação conflituosa’’. Genoino e Serra
discutiram uma aliança para a aprovação da reforma
política. A união incluiria o presidente do PFL, Jorge
Bornhausen (SC), com quem Genoino deverá se encontrar
hoje.
PMDB
escolhe secretaria
Enquanto o PT ainda busca o consenso
sobre a candidatura à presidência da Câmara, o PMDB,
segundo maior partido na Casa, já definiu qual espaço
quer ocupar na nova mesa diretora. Segundo fontes
peemedebistas, o partido quer a primeira secretaria geral
da mesa e o indicado para ocupar o cargo será o deputado
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Por ter a segunda maior
bancada, o PMDB poderia ficar com a primeira vice-presidência
da Câmara. Este, no entanto, não é o interesse da direção
partidária.
A primeira secretaria funciona como a ‘‘prefeitura da
Câmara’’ e por ela passa toda a administração
financeira da Casa. Atualmente, o PMDB já ocupa a
primeira secretaria com o deputado Geddel Vieira Lima
(BA). O primeiro vice-presidente da Câmara cuida apenas
dos requerimentos de informação. O cargo só ganha
visibilidade quando o presidente se ausenta e então o
primeiro vice assume o cargo interinamente. Ele também é
o primeiro vice-presidente do Congresso. O segundo
vice-presidente da Câmara acumula a corregedoria da Casa.
O segundo secretário cuida principalmente do
credenciamento de funcionário e da emissão de passaporte
para os congressistas.
CorreioWEB
12/01/2005
- 14h25
Furlan
aposta na alta do dólar
Ministro
diz a exportadores que forte valorização do real
preocupa o Governo e promete medidas
São
Paulo - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse ontem a
empresários que vale a pena apostar em um dólar mais
alto este ano: “Eu arriscaria dizer que vale a pena
fazer uma aposta numa taxa de câmbio melhor do que o
patamar atual (R$ 2,70) porque só assim nós vamos
consolidar um espaço conquistado no mercado externo e, ao
mesmo tempo, continuar desenvolvendo o País”.
Furlan reafirmou que o nível ideal para as exportações
brasileiras seria que a cotação da moeda americana
ficasse entre R$ 2,90 e R$ 3. “Mas nem sempre é possível
a gente ter o que quer”, ressaltou, ao participar em São
Paulo da Couromoda, feira do setor calçadista.
O
ministro destacou que o valor atual do dólar é um dos
mais baixos dos últimos anos, o que atrapalha as exportações
– os produtos brasileiros ficam mais caros. Segundo ele,
a forte valorização do real preocupa: “O Governo está
cuidando do assunto”. Entre as medidas que considera
possíveis para estimular a alta da moeda, está a compra
de dólares pelo Governo para recompor as reservas do País,
o que já vem acontecendo. Furlan disse que o atual nível
do câmbio está diretamente ligado à melhora do Risco-País
e das contas externas, sem esquecer o fato de o dólar
estar se desvalorizando frente a outras moedas.
Aos
exportadores, prometeu novos investimentos em
infra-estrutura, logística e portos, além de redução
da burocracia.
O Dia
12/01/2005
- 14h20
PFL
vai à justiça contra MP do Imposto de Renda
Brasília
- O
presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, anunciou que
hoje à tarde o partido dará entrada, no Supremo Tribunal
Federal (STF), a uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade (Adin) contra a Medida Provisória
(MP) que corrigiu em 10% a tabela do Imposto de Renda da
Pessoa Física.
Bornhausen
disse que o alvo da ação são dois artigos da proposta.
Um deles é o aumenta a carga tributária para empresas
prestadoras de serviço. O partido questionará também o
fato do governo editar uma MP em 2004, a qual terá parte
de seus efeitos em 2006. Segundo o senador, isso demonstra
a falta de necessidade do uso de uma MP, que só deve ser
adotada em caso de urgência e relevância.
O senador
anunciou ainda que o PFL vai apresentar emenda à medida
provisória para elevar a correção da tabela do Imposto
de Renda de 10% para 17%, o que corresponde ao aumento da
inflação no governo Lula. Ele disse que enquanto aguarda
a decisão da Justiça sobre a Adin, o partido vai tentar
suprimir no Congresso os artigos que considera
inconstitucionais.
Estado de
São Paulo
12/01/2005
- 14h15
Candidatos
evitam falar sobre o tema
O aumento
da verba indenizatória e a discussão em torno do
reajuste da verba de gabinete acontecem no mesmo momento
em que a Câmara se prepara para eleger o novo presidente
da Casa. Mas os dois candidatos declarados ao cargo
fugiram à polêmica sobre o tema.
"O que está feito, está feito", disse o
candidato oficial do PT, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP),
sobre o aumento para R$ 15 mil da verba indenizatória,
lembrando que essa foi uma decisão da atual Mesa, sobre a
qual não irá interferir. Também não entrou em detalhes
a respeito do projeto que aumenta a verba de gabinete.
"O que for legítimo, justo, constitucional e se o
plenário quiser eu não me furtarei, mas vou
analisar".
Em outra ocasião, Greenhalgh disse que irá cumprir o que
estabelece a Constituição no tocante ao salário dos
deputados. Projeto elaborado pelo Supremo Tribunal Federal
(STF) estabelece o teto salarial de R$ 21 mil. Hoje, o salário
dos deputados federais e senadores é de R$ 12.720.
O candidato independente José Carlos Aleluia (PFL-BA)
adotou o mesmo discurso. "Não devo interferir nesse
assunto, não acho que seja ético", analisou, também
dizendo que foi uma determinação da atual Mesa. Se irá
colocar o projeto em votação, caso eleito, Aleluia
comentou. "Antes de colocar em votação, vou ouvir
os integrantes da nova Mesa. Não tomarei uma decisão
monocrática".
Os servidores que trabalham nos gabinetes recebem entre o
piso de R$ 261,34 e o teto de R$ 5.226,76. O vice-líder
do PFL, Pauderney Avelino (AM), afirmou que os reajustes não
são necessários e ele é contra. "Os gabinetes
funcionam muito bem com a atual verba", disse
Pauderney. Mas não é o que pensa o segundo
vice-presidente da Câmara, Luiz Piauhylino (PDT-PE),
signatário das duas propostas. ""Este aumento
vai ajudar a manter o nível do trabalho
parlamentar", afirmou. "Nós precisávamos
atualizar o valor", justificou.
O deputado Chico Alencar (PT-RJ) suspeita que o aumento
das verbas seja uma "ante-sala" para o aumento
salarial. Alencar é contrário aos reajustes e diz que
qualquer reajuste só é defensável dentro do índice de
inflação.
Jornal de
Brasília
12/01/2005
- 14h10
AGU
economiza R$ 6 bi para o governo federal
Valor
impugnado é 36,4% maior que o investimento em saneamento
BRASÍLIA
- A União concordou em pagar no ano passado R$
2,53 bilhões de R$ 8,67 bilhões executados contra ela na
Justiça, o que corresponde a apenas 29,17% do total. O
dado é do Departamento de Cálculos e Perícias da
Advocacia-Geral da União (AGU). Os R$ 6,14 bilhões
restantes foram impugnados porque os procuradores federais
consideraram superestimadas as faturas apresentadas. Os
recursos serão liberados apenas se houver uma decisão
judicial nesse sentido.
O valor
impugnado é 36,4% maior do que os R$ 4,5 bilhões que o
governo federal promete investir em saneamento este ano,
segundo o Ministério das Cidades.
- É um
trabalho criterioso que vem obtendo importantes resultados
para o patrimônio público, com a economia de bilhões de
reais que poderiam ser pagos indevidamente - diz o titular
da AGU, ministro Alvaro Augusto Ribeiro Costa.
Entre
1995 e 2004, a União aceitou pagar R$ 16,64 bilhões de
R$ 51,68 bilhões - 32,20% do total. O melhor resultado
nos últimos 10 anos foi registrado em 2003, quando a União
concordou em desembolsar 28,64% (R$ 2,46 bilhões) dos R$
8,61 bilhões executados. O desempenho em 2004 ocupa a
terceira colocação no ranking, atrás também do
verificado em 2001. No ano passado, a AGU conseguiu, por
exemplo, liminar no Tribunal Superior do Trabalho (TST)
suspendendo o pagamento de precatório de R$ 57 milhões
em favor do Sindicato Nacional dos Servidores da Educação
Federal de 1º e 2º graus.
O valor
devido seria de apenas R$ 6,65 milhões. Segundo a
Procuradoria-Geral Federal, órgão vinculado à AGU, a
diferença a mais decorreria da aplicação incorreta de
índice de reajuste salarial. Outra liminar do TST
suspendeu o pagamento de precatório de R$ 7 milhões pela
Universidade Federal do Piauí. O ministro Ronaldo Leal
aceitou a alegação de irregularidades na lista de
beneficiários, filiados ao Sindicato Nacional dos
Docentes das Instituições de Ensino Superior.
Os dois
processos ainda dependem de decisão definitiva, segundo a
AGU. Perícias em precatórios são apenas um pequeno
passo na longa caminhada da União para impedir gastos
irregulares com recursos públicos, angariados à custa da
cobrança de tributos. Conforme reportagem publicada na Folha
de S.Paulo de domingo, um estudo do Ministério do
Desenvolvimento Agrário diz que o governo pagou entre 30%
e 40% a mais pela desapropriação de 3,9 milhões de
hectares de terra, em 11 estados, entre 1993 e 2000.
O
superfaturamento teria respondido por entre R$ 450 milhões
e R$ 600 milhões dos R$ 1,5 bilhão desembolsados. O
texto cita o exemplo da Gleba Confresa/Roncador. Foi
avaliada pelo Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária (Incra) em R$ 56 milhões. Para sorte do
erário, o valor foi reduzido para R$ 14 milhões pelo
juiz Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara Federal de
Cuiabá (MT).
- Os
peritos, sejam do Incra ou judiciais, costumam ser pródigos.
Preferem fazer eles mesmos a pesquisa de mercado. E acabam
ignorando dados objetivos, como escrituras lavradas em
cartório e informações da Fazenda Pública - declarou o
juiz ao jornal paulista.
O Incra,
em resposta, disse que os critérios de avaliação de preço
usados no governo Lula são corretos, mas admitiu aperfeiçoá-los.
Jornal do
Brasil
12/01/2005
- 14h
Lula
prepara "pacote de oportunidades"
Cerimônia
de inauguração de usina hidrelétrica na Serra é a nona
visita do presidente em dois anos ao Estado
Não
passou em branco o símbolo de parceria entre o poder público
e a iniciativa privada representado pela inauguração da
usina de Monte Claro. Ontem, em Veranópolis, logo depois
de acionar a primeira turbina da hidrelétrica, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que vai
apresentar, em março ou no início de abril, um
"pacote de oportunidades" para investimentos
privados em infra-estrutura.
- Vamos fazer um encontro de empresários nacionais e
estrangeiros para mostrar um pacote de oportunidades de
parcerias: quais são as estradas, as pontes, as hidrelétricas,
os gasodutos.
Diante do presidente do conselho de administração do
Bradesco, Lázaro Brandão, sentado na primeira fila da
platéia formada por empresários e executivos, Lula fez
mais do que um apelo:
- Desafiamos os empresários a começar a discutir os
projetos de infra-estrutura do país, os 11 principais
portos do país. Acabamos de aprovar as PPPs (Parcerias Público-Privadas),
depois de um ano e dois meses.
Bradesco, Votorantim e Camargo Corrêa, grupos com alta
capacidade de investimento, são os controladores da CPFL
Geração, por sua vez principal acionista da Companhia
Energética Rio das Antas (Ceran), responsável pela
construção de Monte Claro e outras duas hidrelétricas
do complexo inaugurado ontem. Mesmo na correria da visita
de duas horas e meia, Lula não poupou a garganta. Leu
partes do pronunciamento escrito, mas deixou o essencial
para o improviso:
- Na realidade, não ia nem ler, o que quero falar não
está no discurso.
Ao chegar, às 11h40min, poupou o fôlego. Em vez de
descer 80 degraus, percorreu de van o túnel da usina até
a área de montagem, no subterrâneo, onde acionou a máquina.
Um equipamento foi deslocado da sala de controle para o
local - muito pequeno -, para permitir o acesso das
autoridades. Depois, dirigiu-se ao palanque coberto por um
toldo montado para a cerimônia, do lado do Rio das Antas,
de onde ouviu o presidente da CPFL Geração, Wilson
Ferreira Júnior, o governador Germano Rigotto e a
ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Miguel
Rossetto, ministro do Desenvolvimento Agrário, também
acompanhou a visita.
O dia quente e o toldo que cobria a área fizeram Lula
transpirar muito e brincar com o fato de os ventiladores
estarem voltados para o público, e não para o palanque.
Traçou perspectivas otimistas para este ano antes de se
retirar, às 14h10min.
- Vocês não se arrependerão de fazer investimentos de
que o país precisa, de acreditar nas PPPs, nas parcerias
que pretendemos fazer - prometeu aos empresários.
Zero Hora
11/01/2005
- 11h50
Pesquisa aponta alta rejeição a
Greenhalgh
Candidato oficial do PT e do governo
tem menos apoio na base aliada do que qualquer de seus
eventuais adversários, segundo levantamento encomendado
pelo grupo que apóia Virgílio Guimarães
Levantamento
realizado pelo Instituto Sensus, de Belo Horizonte (MG),
mostra que o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (SP),
escolhido pelo PT para disputar a presidência da Câmara
dos Deputados, perde na preferência dos deputados para
todos os outros eventuais candidatos ao cargo. Realizada
entre os dias 5 e 7 sob encomenda do grupo Câmara Forte,
que dá sustentação à candidatura do deputado Virgílio
Guimarães (PT-MG), a pesquisa foi respondida por 230
deputados de todos os partidos, à exceção do PT.
Em todas as simulações feitas pelo Instituto
Sensus com diferentes cenários sobre a corrida para a
presidência da Câmara, Greenhalgh perdeu para outros
deputados. Foram feitas simulações de disputas entre o
deputado paulista entre o líder do PFL, deputado José
Carlos Aleluia (PFL-BA), o líder do PTB, deputado José Múcio
Monteiro (PE), o 2º. secretário da Câmara, deputado
Severino Albuquerque (PP-PE), e o presidente do PMDB,
deputado Michel Temer (SP). Entre esses parlamentares,
Aleluia já anunciou a pretensão de entrar na disputa —
e Temer disse que está fora.
Segundo o Sensus, o melhor desempenho de
Greenhalgh se deu no confronto com Temer. Na simulação
de embate entre os dois parlamentares paulistas, Temer
obteve 28,7% das preferências dos deputados entrevistados
contra 27% do petista. Greenhalgh perdeu para Aleluia por
38,3% a 24,8%; para Severino Cavalcante por 40,4% a 23%; e
para José Múcio Monteiro por 34,3% a 25,2%.
De acordo com a pesquisa, testados os mesmos
cenários com a candidatura de Virgílio no lugar de
Greenhalgh, o deputado mineiro se saiu bem melhor. No
confronto contra Temer, Virgílio obteve o melhor
desempenho: 56,5% das preferências contra 11,3% do
peemedebista, que já presidiu a Câmara por dois
mandatos. Essa vantagem se estreitou, mas se manteve
igualmente larga na simulação de disputa entre o
deputado mineiro e Aleluia (52,6% a 16,1%); e entre Virgílio
e Severino Cavalcante (53,5% a 13,5%).
O Sensus também testou a preferência dos
deputados em simulações com três candidaturas no plenário.
No confronto entre Greenhalgh, Severino Cavalcante e José
Carlos Aleluia, o deputado pernambucano, conhecido como o
rei do baixo clero e das reivindicações por aumentos
salariais no Congresso, saiu na frente: 26,% das preferências
contra 19,1% de Aleluia, e 16,1% de Greenhalgh. Quando
Virgílio entrou na disputa no lugar de Greenhalgh, numa
confirmação de que os dois trafegam no mesmo eleitorado,
Severino caiu para o terceiro lugar: 10,4% das preferências,
contra 12,2% de Aleluia e 43,5% de Virgílio.
Exceção
Outra medição feita pelo Sensus foi sobre qual seria o
melhor candidato do PT — Greenhalgh ou Virgílio — por
bancada dos partidos que dão sustentação ao governo
Lula na Câmara. Na amostra colhida pelo instituto
mineiro, Greenhalgh só se saiu melhor do que Virgílio no
PCdoB, que é o mais à esquerda e tem 9 deputados (80% a
20%). Nos demais partidos, do centro para a direita, o
mineiro venceu em todos: no PP (56 deputados), por 85% a
15%; no PL (46 deputados), por 90 a 10%; no PTB (51
deputados), por 89% a 11%; no PPS (23 deputados), por 67%
a 33%; no PSB (18 deputados), por 63% a 37%; e no PMDB (77
deputados), por 86% a 14%.
Virgílio Guimarães tem, além disso, a menor
taxa de rejeição pessoal entre os deputados
entrevistados pelo instituto (9,6%). O campeão da
antipatia, segundo o Sensus, é Michel Temer (41,7%).
Nesse quesito, Greenhalgh fica em segundo lugar (39,1%),
à frente de Aleluia (36,5%), José Múcio (35,7%) e
Severino Cavalcante (27,8%).
A margem de erro da pesquisa, segundo o Sensus,
é de 3,7%. Entre os 424 parlamentares que constituíram o
universo do levantamento — todos os deputados à exceção
dos petistas —, 264 foram contactados pelo instituto. Além
dos 230 entrevistas, mais 34 se recusaram a responder à
enquete. 140 deputados não foram localizados, sendo que
20 estavam fora do País na semana passada. O Sensus
costuma fazer pesquisas periódicas sobre a popularidade
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encomendadas
pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).
Embate petista
VIRGÍLIO X GREENHALGH
PL
Virgílio — 90%
Greenhalgh — 10%
PP
Virgílio — 85%
Greenhalgh — 15%
PTB
Virgílio — 89%
Greenhalgh — 11%
PPS
Virgílio — 67%
Greenhalgh — 33%
PSB
Virgílio — 63%
Greenhalgh — 37%
PMDB
Virgílio — 86%
Greenhalgh — 14%
PCdoB
Virgílio — 20%
Greenhalgh — 80%
Os confrontos simulados
CENÁRIO PT X ALELUIA
COM GREENHALGH COMO CANDIDATO
ALELUIA — 38,3%
GREENHALGH — 24,8%
DEPENDE DA DECISÃO DO PARTIDO — 18,3%
INDECISOS, BRANCOS E NULOS — 14,8%
OUTROS — 3,9%
COM VIRGÍLIO COMO CANDIDATO
VIRGÍLIO — 52,6%
ALELUIA — 16,1%
DEPENDE DA DECISÃO DO PARTIDO — 19,6%
INDECISOS, BRANCOS E NULOS — 10,4%
OUTROS — 1,3%
CENÁRIO
PT X SEVERINO
COM GREENHALGH COMO CANDIDATO
SEVERINO — 40,4%
GREENHALGH — 23%
DEPENDE DA DECISÃO DO PARTIDO — 17,8%
INDECISOS, BRANCOS E NULOS — 15,7%
OUTROS — 3%
COM VIRGÍLIO COMO CANDIDATO
VIRGÍLIO — 53,5%
SEVERINO — 13,5%
DEPENDE DA DECISÃO DO PARTIDO — 18,3%
INDECISOS — 13,9%
OUTROS — 0,9%
Pressão reforçada
A pressão do governo e do PT para que o
deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) retire a candidatura à presidência da
Câmara continua forte — mesmo com os números a seu favor mostrados pela
pesquisa Sensus. Quem entrou ontem no movimento para fazer Virgílio desistir
foi o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT).
Chamado ao Palácio do Planalto para uma reunião com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, Pimentel, ao chegar para o encontro, anunciou que
se reunirá hoje com Virgílio e tentará convencê-lo a sair do páreo.
‘‘O deputado tem todo o direito de postular sua candidatura, mas o momento
já passou. A hora é de ter cautela e buscar a unidade do partido para ter um
presidente da Câmara de consenso’’, disse Pimentel.
Ao falar sobre o encontro de hoje com Virgílio, Pimentel
manifestou confiança em que saberá convencer o deputado mineiro a descartar
um enfrentamento contra Greenhalgh. ‘‘Tenho certeza de que ele vai fazer
jus à sabedoria mineira e vai repensar a sua decisão’’, disse o prefeito
de Belo Horizonte.
Bandeira
A posição de Pimentel retira um apoio importante que Virgílio poderia ter
para sustentar a sua posição rebelde e a candidatura — contra a vontade do
Planalto e da direção nacional do PT. Um dos argumentos a favor da
candidatura de Virgílio é uma suposta união dos mineiros em torno do seu
nome para quebrar o predomínio político dos paulistas.
Sem o respaldo do prefeito, Virgílio perde a bandeira da
mineiridade. Depois de conquistar a reeleição no primeiro turno da eleição
municipal, Pimentel se tornou uma estrela em ascensão no PT e a principal
expressão do crescimento dos petistas em territórios fora de São Paulo e do
Rio Grande do Sul, onde o partido tradicionalmente é muito forte.
Renan articula no Senado
Rudolfo Lago
Da equipe do Correio
Ao
contrário do que ocorre na Câmara, a situação no Senado está tão tranqüila
que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) só vai oficializar sua candidatura à
sucessão de José Sarney (PMDB-AP) algumas horas apenas antes de ser eleito,
no dia 14 de fevereiro. Renan marcou para as 10h da manhã do dia 14 a reunião
da bancada do partido que o lançará candidato à presidência do Senado. Às
16h, os senadores se reunirão em plenário para elegê-lo. Não há outro
candidato lançado para disputar o cargo com Renan.
Renan optou por não fazer a reunião antes porque não quer
atrapalhar as férias de seus colegas de bancada. Como não há perigos
aparentes, o senador resolveu não correr o risco de marcar uma reunião e ela
resultar vazia. Justamente a falta de necessidade de reafirmar sua candidatura
poderia levar alguns peemedebistas a julgarem que não precisavam se deslocar
a Brasília. Não há riscos de lançamentos de candidaturas avulsas. As
tentativas que surgiram (Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará, ou Edison Lobão,
do PFL do Maranhão) foram abortadas. Principalmente porque envolviam Sarney
na articulação. E o presidente do Senado reconciliou-se com Renan, e espera
compensações pela derrocada da emenda que permitiria a sua reeleição na
reforma ministerial. Há chances inclusive de sua filha, a senadora Roseana
Sarney (PFL-MA), tornar-se ministra.
Assim, Renan corria o risco de passar pelo constrangimento de ter
de desmarcar a reunião ou de fazer uma eleição pouco representativa. No dia
18, a bancada se reunirá novamente para escolher seu novo líder e os
presidentes e vices das comissões permanentes que caberão ao partido. O novo
líder peemedebista deverá ser Ney Suassuna (PB).
Apesar da tranqüilidade aparente, porém, o candidato ao Senado não
descuida da sua sucessão. Pela manhã, tomou café com Sarney e com o
presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Ele e Sarney colocaram-se à
disposição para ajudar a resolver qualquer problema no PMDB com relação à
eleição na Câmara. Renan mantém-se em contato diário com o líder do PMDB
na Câmara, José Borba (PR), monitorando o comportamento do partido. O
senador teme que alguma insubordinação peemedebista na Câmara possa trazer
também complicadores para a sua candidatura.
Ao mesmo tempo, trata de garantir os apoios oposicionistas. Ontem
à noite, ele jantou com os líderes do PSDB e do PFL no Senado, Arthur Virgílio
(AM), e José Agripino (RN).
CorreioWEB
11/01/2005
- 11h40
Receita libera 1º lote da
malha fina
Consulta a restituições de
2004
A Receita Federal liberou
ontem consulta à lista dos contribuintes incluídos no primeiro lote da malha
fina do Imposto de Renda da Pessoa Física de 2004. A relação está disponível
no site http://www.receita.fazenda.gov.br
e no Receitafone (0300-780300). O dinheiro do imposto a restituir vai estar
liberado para saque na segunda-feira (dia 17). O valor da restituição do IR
será corrigido em 11,23%, correspondentes à variação da taxa Selic de maio
a dezembro de 2004 e de mais 1% referente a este mês.
SPC – O Serviço de
Proteção ao Crédito constatou que mais de três milhões de brasileiros se
preocuparam em reabilitar o crédito no mês passado. Foram apuradas 3.321.778
exclusões de registros da base de dados do SPC Brasil.
BALANÇA – O saldo
da balança comercial da primeira semana de janeiro foi de US$ 376 milhões,
segundo o Governo. As exportações somaram US$ 1,798 bilhão e as importações,
US$ 1,422 bilhão.
PREVIDÊNCIA – Balanço
feito pelo setor de previdência complementar confirmou a liderança dos Vida
Geradores de Benefício Livre (VGBLs) na preferência do poupador brasileiro.
Até o penúltimo mês de 2004, as reservas desse tipo de plano subiram
106,3%.
O Dia
11/01/2005
- 11h30
Acusado de
participar de fraude assume vaga no Senado
Brasília - Preso
em novembro último pela Polícia Federal, sob a acusação de fraudar licitações
públicas no Amapá, o empresário Fernando Flexa Ribeiro (PSDB) assume hoje,
em grande estilo, a vaga de senador pelo Pará. Na solenidade de posse, às 17
horas, é aguardada a presença do governador do Pará, Simão Jatene, e do
prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB), de quem Flexa Ribeiro era o primeiro
suplente, além da maioria de seus colegas da bancada tucana.
O empresário foi detido e
algemado sob a suspeita de ser um dos envolvidos no esquema desbaratado pela
chamada Operação Pororoca, da Polícia Federal. De acordo com a PF, a
fraude, que atingiu 17 obras construídas com recursos federais, consistia
supostamente no acordo de empresas - entre elas a Construtora Engeplan, de
Flexa Ribeiro - de aumentar o valor das obras e depois retirar-se do processo
licitatório, num acerto previamente combinado. O processo era rotativo,
favorecendo a todas as empresas que disputaram licitações no valor total de
R$ 103 milhões.
Flexa Ribeiro também é
citado na base de dados da CPI do Banestado como beneficiário de cinco depósitos,
no valor de US$180 mil, feitos entre junho de 2000 e junho de 2001 por meio de
uma offshore suspeita. Em 2003, o empresário fez três outras operações,
no total de US$ 700 mil, via MTB Bank de Nova York. Somados os depósitos,
chega-se à conclusão de que ele teria manipulado US$ 880 mil no exterior por
meio de doleiros.
O futuro senador foi
procurado ontem pelo Estado, mas estava em trânsito para Brasília, e
não retornou a mensagem deixada em seu celular. Para o senador Eduardo
Siqueira Campos (PSDB-TO), Flexa Ribeiro foi acusado injustamente pela Polícia
Federal. "Não quero entrar no mérito, mas a informação que temos é
que a acusação contra ele consiste no fato dele ter comprado um edital de
licitação e depois desistido de participar", alegou. Segundo-vice
presidente do Senado, Siqueira Campos preferiu falar da ligação do colega
com o partido. Segundo ele, o empresário, um dos fundadores do PSDB, "é
muito querido na bancada".
"Estamos felizes com a
sua posse, trata-se de um homem honesto e trabalhador", afirmou. Siqueira
disse também que Flexa Ribeiro não está indiciado em nenhum inquérito e
que está de posse de todos os seus direitos políticos. "Daí, porque não
há nada que pese contra ele, o Fernando é um homem correto", assegurou.
Flexa Ribeiro é formado em
engenharia civil. Ele atua, hoje, no Conselho Temático de Integração
Nacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e no Conselho Fiscal
da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). Com a sua chegada,
a bancada do PSDB passa a ter 13 integrantes, o mesmo número dos petistas, o
que dá ao partido o direito de disputar mais uma vaga na Mesa Diretora que
comanda o Senado.
Estado de São Paulo
11/01/2005
- 11h20
Ação do PDT tenta
barrar correção de tabela do IR
O aumento atingirá 500
mil empresas e dois milhões de profissionais com um impacto de 35%
O aumento da base de cálculos
de Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
para os prestadores de serviços, prevista na Medida Provisória 232, de 30 de
dezembro de 2004, já está sendo questionado na Justiça. O Partido Democrático
Trabalhista (PDT) entrou, ontem, com uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender
a correção da base de cálculo dos impostos, que passou de 32% para 40%
sobre o faturamento das empresas do setor.
Esta pode ser apenas uma de uma série de ações que devem chegar à Justiça
contra a medida. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) admite a possibilidade
de entrar com ação na Justiça contra a medida. De outro lado, o Partido da
Frente Liberal (PFL) promete derrubar os efeitos da MP no Congresso Nacional.
impactoO Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que o
aumento vai atingir 500 mil empresas e dois milhões de profissionais e terá
um impacto no custo entre 25% e 35% para o setor. O Instituto está
mobilizando os representantes do segmento, também para tentar reverter os
efeitos da MP .
Amanhã, o IBPT vai tentar, em conjunto com as entidades representantes do
setor, traçar uma estratégia política e jurídica contra a MP. O encontro
será em Curitiba. "Queremos sobretudo mostrar à opinião pública o
impacto desta medida", afirma Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT.
O aumento da base de cálculo do IR e da CSLL das prestadoras de serviços é
considerado pela Força Sindical como uma "traição" do governo
contra os sindicalistas que, no final do ano passado, negociaram com o
Executivo federal a correção da tabela do Imposto de Renda. "Me sinto
traído, pois em nenhum momento o governo disse que ia aumentar
impostos", ressalta Paulo Pereira da Silva, presidente da Força e do
PDT/SP.
O partido entende que o aumento não poderia ser instituído por meio de MP,
por não ter caráter de urgência. O PDT acredita também que a medida fere o
princípio da isonomia tributária, pois pesa a carga de impostos para uns em
detrimento de outros. O STF só vai analisar a Adin em fevereiro.
Jornal de Brasília
11/01/2005
- 11h10
Governo vai combater cartéis
da infra-estrutura
Ministério da Justiça
definiu medida como prioridade para este ano
BRASÍLIA - A
Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça definiu como
prioridade para 2005 a prevenção e o combate aos cartéis no setor de
infra-estrutura. A escolha não é à toa. O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva anunciou que este será o ano do investimento em áreas como energia,
rodovias e portos, a fim de diminuir os gargalos que podem atrapalhar o
crescimento sustentado da economia.
O Orçamento Geral da União
reserva R$ 21 bilhões em investimentos públicos, ante uma proposta inicial
de apenas R$ 11 bilhões. Neste ano, o governo apresentará à iniciativa
privada os primeiros editais de licitação para contratação de Parceria Público-Privada
(PPP). O Ministério do Planejamento selecionou 23 projetos que estão no
Plano Plurianual (PPA) para avaliar a possibilidade de tirá-los do papel por
meio de PPP.
O investimento para realizá-los
é estimado em R$ 13 bilhões. O titular da SDE, Daniel Krepel Goldberg,
promete acompanhar de perto os empreendedores interessados no setor de
infra-estrutura para impedir que eventuais cartéis possam lesar o erário. São
muitos os casos recentes em que acertos entre concorrentes resultaram em divisão
de mercado entre eles e encarecimento de produtos e serviços vendidos à
administração pública.
No caso de PPP, por exemplo,
a formação de cartel pode implicar aumento da remuneração paga pela União
ao parceiro privado e do período de vigência da contrapartida pública.
- Vamos olhar de perto o
setor de infra-estrutura, que é um dos gargalos para o crescimento. É a
nossa pequena contribuição ao país - afirma Goldberg.
Ele promete dar agilidade à
análise de ''seis ou sete'' investigações em curso sobre infrações à
ordem econômica na área de portos. Não diz as estratégias que serão
utilizadas para coibir os cartéis, mas dá uma pista sobre pelo menos uma
delas.
- Temos um estoque de operações
de busca e apreensão - lembra Goldberg.
Essa arma foi utilizada pela
primeira vez em 2003, quando a prioridade da SDE era colaborar com o controle
da inflação. A inédita operação de busca e apreensão resultou na
abertura de processo administrativo contra o Sindicato da Indústria de Mineração
de Pedra Britada do Estado de São Paulo (Sindipedras) e 23 empresas.
Com base em documentos
apreendidos na sede do Sindipedras, a SDE recomendou ao Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a condenação do suposto cartel,
que teria dividido mercado e superfaturado obras públicas, entre elas a do
Rodoanel Mário Covas, a principal obra viária do Estado de São Paulo. A Lei
de Defesa da Concorrência (8.884/94) prevê como punição para cada um dos
envolvidos o pagamento de multa entre 1% e 30% do faturamento bruto anual.
No governo atual, os órgãos
de defesa da concorrência decidiram priorizar o combate aos cartéis, para
proteger o erário e o bolso dos consumidores. Em 2003, a SDE recomendou ao
Cade a condenação dos 20 maiores laboratórios farmacêuticos do país,
acusados de tentar definir uma atuação conjunta da indústria em relação
à entrada dos medicamentos genéricos no mercado nacional. A SDE sugeriu a
adoção de pena mínima, pois as estratégias estudadas não teriam sido
colocadas em prática.
No ano passado, a secretaria
abriu processo administrativo para investigar o suposto cartel desbaratado
pela Operação Vampiro, da Polícia Federal, que teria descoberto fraudes em
licitações realizadas pelo Ministério da Saúde para a compra de
hemoderivados. Em dezembro passado, também pediu ao Cade punição a empresas
acusadas de cartel e de tentar fraudar licitações para operação de três
linhas de ônibus no município do Rio de Janeiro.
Jornal do Brasil
11/01/2005
- 11h
Lula pede a Pimentel que
convença Virgílio a desistir
BRASÍLIA - O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva pediu ontem ao prefeito de Belo Horizonte, Fernando
Pimentel, para convencer o deputado mineiro Virgílio Guimarães (PT) a
desistir da candidatura avulsa à presidência da Câmara. Pimentel deverá
ter um encontro hoje com Virgílio em Brasília.
"Acho que o deputado tem
direito de postular uma candidatura, mas há interesse do governo no nome de
Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP)", disse o prefeito, que esteve ontem no
Palácio do Planalto para conversar com Lula. "Eu sei que muita gente vai
me crucificar, mas temos de ser leais ao presidente."
Pimentel fez elogios a Virgílio,
mas avaliou que já passou o momento de escolha do candidato do PT à presidência
da Câmara. Ele ressaltou que é hora de "cautela" e "unidade
partidária". "Tenho certeza de que o deputado vai fazer juz à
sabedoria mineira", afirmou. "Minas tem outros espaços que podem
ser pleiteados", disse, insinuando que Virgílio pode pleitear algum
cargo no governo em troca de apoio a Greenhalgh.
A uma pergunta sobre reforma
ministerial, o prefeito de Belo Horizonte disse que o PT deve ceder para
ampliar a base aliada do Planalto no Congresso. "O PT tem de dar o
exemplo e estar disponível numa eventual reforma ministerial", afirmou.
Pimentel disse, no entanto,
que vai se esforçar para que nenhum ministro mineiro perca o emprego na
Esplanada. "Todos estão fortalecidos", completou. Fazem parte da
chamada "cota mineira" no governo os ministros Luiz Dulci
(Secretaria-Geral), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Nilmário
Miranda (Direitos Humanos).
Além deles, nasceram em
Minas Gerais José Alencar (vice-presidente e ministro da Defesa), José
Dirceu (Casa Civil) e Dilma Roussef (Minas e Energia).
Tribuna da Imprensa
10/01/2005
- 14h
40
Dança
das cadeiras
A segunda reforma
Lula começa hoje a definir a terceira equipe ministerial,
novamente inspirado pela intenção de melhorar o desempenho do governo e de
construir uma coalizão sólida para os embates no Congresso e as eleições
Um
mês e meio depois de substituir o presidente do BNDES, Carlos Lessa, pelo então
ministro do Planejamento, Guido Mantega, como primeiro passo para uma nova
reforma no primeiro escalão do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva deverá anunciar hoje, em reunião com a coordenação política, quem
será o sucessor de Mantega e, assim, o primeiro nome escolhido para a segunda
equipe ministerial.
Na primeira reunião que manteve neste ano com a coordenação, na
semana passada, alguns ministros ainda estavam de férias e por isso Lula
preferiu aguardar a presença de todos para iniciar as consultas políticas em
torno das trocas nos ministérios. Lula dedica-se, em resumo, a uma nova
tentativa para melhorar o desempenho administrativo de algumas pastas e
consolidar, com o maior amplitude possível, a base política do governo,
tanto para os embates no Congresso quanto para as eleições de 2006.
Esses dois objetivos simultâneos inspiraram a troca de comando do
BNDES, na segunda quinzena de novembro de 2004, que acabou por se refletir no
Ministério do Planejamento. O baixo nível de investimentos do BNDES sob a
presidência de Carlos Lessa e a ostensiva oposição dele à política econômica
levaram Lula a recorrer a Mantega, auxiliar disciplinado e de sua inteira
confiança.
Desde novembro o Ministério do Planejamento está sob a gestão
interina do secretário-executivo Nelson Machado. E na semana passada o
presidente concluiu que a interinidade já se estendeu demais. Lula anunciou
à coordenação política que decidiria durante o fim de semana a sucessão
no Planejamento.
Em gabinetes palacianos e no PT é atribuída ao presidente a
intenção de nomear alguém que, disciplinado como o petista Mantega, atenda
também a conveniência de representar outro partido ou segmento aliado — a
parcela governista do PMDB, o pluripartidário grupo sarneysista, o PTB ou o
PP. Roseana Sarney, sondada, não se interessou. Ela torce para que o
presidente lhe conceda o comando do Ministério das Cidades, hoje exercido por
Olívio Dutra.
Anúncio público
A exemplo do que ocorreu durante os meses que antecederam, em 2003, a reforma
ministerial que Lula executou no início de 2004, o petista Olívio Dutra é
novamente citado agora em todas as listas que indicam ou apenas especulam
quais ministros serão demitidos. Contudo, no círculo mais próximo ao
presidente ninguém se anima a garantir que, na segunda dança das cadeiras,
Lula poupará outra vez Olívio ou o demitirá do cargo.
A senadora Roseana Sarney está longe de ser a única a cobiçar o
comando do Ministério das Cidades — que é, em tese, a pasta que dá as
cartas nos programas e nas verbas federais para os setores de habitação,
saneamento, transporte público e trânsito. Segmentos do PT, instalados
dentro e fora do governo, e peemedebistas fiéis ao Planalto também sonham
com a perspectiva de explorar o potencial do ministério para conquistar e
multiplicar votos.
Diferentemente do que aconteceu antes da reforma de 2004, as
pretensões dos que desejam a substituição de Olívio Dutra foram
alimentadas, agora, por manifestação pública do presidente Lula. Em jantar
com senadores do PMDB, em dezembro, ele tomou a iniciativa de incluir o Ministério
das Cidades entre as pastas de que se dispunha a lançar mão para contemplar
aliados na reforma da equipe.
A declaração ao PMDB e a tendência do presidente em mexer no
comando do Ministério das Cidades são atribuídas, por parlamentares e
fontes governamentais, à insatisfação de Lula com o desempenho da pasta e
à necessidade política de transferir para setores ou partidos aliados uma
parcela mais expressiva de gabinetes ocupados pelo PT na Esplanada.
Caso decida demitir Olívio, o presidente deverá convidá-lo para
a embaixada brasileira no Uruguai. Lula e Olívio são amigos do novo
presidente uruguaio, Tabaré Vasquez, que tomará posse em março. A presença
de Olívio no país vizinho facilitaria as relações entre os dois governos.
Força ao PMDB aliado
A conveniência de ampliar o espaço dos aliados poderá provocar ainda a
substituição de outro petista: Humberto Costa, ministro da Saúde. Apesar do
apoio do prefeito reeleito do Recife, João Paulo, a possível saída de Costa
é associada por fontes do governo à intenção do presidente Lula em
fortalecer a corrente governista do PMDB. Para isso, Lula deslocaria Eunício
Oliveira (PMDB) do Ministério das Comunicações para o da Integração
Nacional e entregaria a Ciro Gomes (PPS), hoje titular da Integração, o
Ministério da Saúde. Ciro ainda reluta em assumir o Ministério da Saúde
por considerar a Integração Nacional um posto com forte presença na região
Nordeste, reduto dos interesses eleitorais de Ciro. Nos próximos dois anos,
com o início da transposição das águas do rio São Francisco o ministério
será uma vitrine que nenhum político quer perder. Pesa contra o nome de Ciro
a resistência de setores do PT que são contra a presença de um quadro de
fora do partido na pasta.
Terceiro ministro
Amir Lando, segundo ministro nomeado para a Previdência, deverá perder o
cargo. O governo deseja manter a pasta na cota do PMDB, mas quer alguém que
exerça influência na bancada e que tenha trânsito no Congresso. Nos
corredores do Palácio, um dos nomes cogitados é do líder do PMDB, deputado
José Borba (PR). Além de um nome que traga votos para o governo em votações
importantes no Congresso, Lula quer do novo ministro pulso firme no combate as
fraudes nos benefícios concedidos e uma guerra contra os sonegadores. O
primeiro ministro da pasta na gestão Lula, Ricardo Berzoini, teve atuação
destacada durante a reforma da Previdência, mas cometeu uma grave falha ao
submeter aposentados a um recadastramento que levou milhares de idosos, muitos
deles doentes, a formar filas quilométricas nos postos de atendimento do
INSS.
Amir Lando, que sucedeu Berzoini, não cometeu deslizes, mas tem
sido até o momento um ministro sem expressão e com pouca visibilidade. O
ministério, que já causou algumas dores de cabeça a Lula, pode tornar-se
uma espécie de Ministério da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso,
em que a cada ano havia troca de ministros.
Promessa
O ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz (PCdoB-DF) deverá perder o cargo.
Lula quer utilizar a pasta para que o PP tenha um assento na Esplanada.
Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o presidente Lula já
havia prometido um ministério ao líder do PP na Câmara, Pedro Henry (MT). O
partido apoiou o governo em votações importantes e assim credenciou-se para
ganhar uma vaga na esplanada.
Com a provável ida de Henry para a pasta de Esportes, Lula
acomodorá um importante aliado e, ao mesmo tempo, dará uma resposta a
setores do PT que reclamam que o PCdoB, devido a sua pequena bancada, não
merece ter dois ministérios. Com a saída de Agnelo, o Distrito Federal, que
em 2003 tinha dois ministros, ficará sem representantes no primeiro escalão
do governo. O senador Cristovam Buarque, o outro representante do DF, foi
demitido por Lula no final de 2003.
Caso PTB
Em um dos cenários traçados pelo Palácio do Planalto, o ministro do
Turismo, Walfrido Mares Guia (PTB), poderia ser deslocado para o Ministério
do Planejamento. Lula o considera discreto e bom executivo, perfil que agrada
ao ministro Palocci para o Planejamento. Mares Guia vê com bons olhos sua
transferência para um ministério mais importante. Porém, o líder do PTB na
Câmara, deputado Roberto Jefferrson (RJ) tem dito que prefere Mares Guia no
Turismo, pasta com maior possibilidade de distribuição de emendas e cargos.
De acordo com Jefferson, Mares Guias teria que cortar verbas ao invés de
distribuí-las.
7 é o número de partidos representados na atual equipe ministerial
9 é o total de ministérios comandados por legendas aliadas ao
governo, excluído o PT
15 petistas exercem o cargo de ministro
CorreioWEB
10/01/2005
- 14h
30
Virgílio
pretende trocar Câmara pelo PT
Deputado
aceitaria, segundo políticos ligados a ele, desistir de
candidatura avulsa e disputar presidência do partido
Deve ser
alta a fatura a ser cobrada pelo deputado Virgílio Guimarães
(PT-MG) para desistir da candidatura avulsa à presidência
da Câmara. Segundo amigos e políticos ligados ao petista
mineiro, Virgílio pretende desistir da disputa ao cargo,
mas, em troca, tentará a presidência do PT, enfrentando
o atual presidente da sigla, José Genoino. A idéia dele
é formar uma chapa de oposição forte, agregando os
insatisfeitos de todas as correntes do partido. A eleição
está marcada para setembro de 2005.
Na última quinta-feira, dia 5, Virgílio concedeu uma
longa entrevista coletiva. Nela, em vários momentos,
deixou brechas sobre suas pretensões. Sem mencionar nomes
ou fazer referências diretas, disse que tinha recebido
informações de interferências no processo de escolha do
candidato do PT à presidência da Câmara. Essas informações,
afirmou, o deixaram "estupefato". No entanto,
ele não trataria delas agora, mas somente no segundo
semestre.
Disputa O nome petista foi decidido em dezembro, após
dois dias de reunião da bancada do partido. Inicialmente,
11 deputados disputavam a indicação. O número foi
reduzido para sete e depois, quatro: além de Virgílio, o
líder do governo na Casa, deputado Professor Luizinho
(SP), o líder da bancada, Arlindo Chinaglia e Luiz
Eduardo Greenhalgh (SP), escolhido como o candidato à
sucessão do atual presidente João Paulo Cunha (SP). Virgílio
era um dos favoritos; a opção por Greenhalgh, que não
aparecia entre os mais cotados, surpreendeu.
Virgílio responsabiliza José Genoino pela derrota. O
mineiro não gostou da decisão do presidente do PT de
garantir o fechamento de questão entre os deputados da
Articulação (a maior das tendências do PT, a qual
pertence o presidente Lula).
No entendimento de Virgílio, isso inviabilizou a disputa
na bancada. Sua mágoa se estende a companheiros como o próprio
João Paulo Cunha, Professor Luizinho (SP) e o deputado
Paulo Rocha (PT-PA), pois entende que eles deveriam ter
enfrentado Genoino e evitado o fechamento de questão.
Mas, sem apoio, Virgílio retirou sua candidatura.
Segundo assessores palacianos, a crise aberta por conta da
sucessão na Câmara é reflexo da interferência direta
do presidente Lula e de José Genoino nas decisões da
bancada. Segundo eles, o nome de Greenhalgh foi imposto
pela direção petista, que obedecia a uma ordem de Lula.
Nessa última semana, Virgílio Guimarães teve encontros
com Genoino e, depois, com o presidente Lula. Nelas,
queixou-se do modo como foi feita a escolha do PT. Em
nenhuma delas, foi convencido de desistir da candidatura
avulsa. De Genoino, ouviu que o processo foi
"adequado e legítimo"; de Lula, o apelo pela
união da bancada.
Abraço Ao sair da reunião com Genoino, Virgílio fez
questão de abraçá-lo em público para mostrar que não
há insatisfações entre os dois. Oficialmente, o mineiro
nega que seja candidato e afirma que o maior apoio que
poderia dar a Greenhalgh foi ter desistido da disputa. No
entanto, ao mesmo tempo em que nega ser candidato, não a
descarta.
Em um artigo publicado no site do PT, José Genoino fez
duras críticas ao método da candidatura avulsa. "As
candidaturas avulsas incidem negativamente sobre a coerência
e a estabilidade do jogo político democrático no
interior do Legislativo", afirma.
Jornal
de Brasília
10/01/2005
- 14h
20
Novos
mapas derrubam mitos
Diagnóstico
do governo aponta para regiões brasileiras em franco
desenvolvimento no Nordeste e estagnação econômica no
Sul
Nem o
''Sul maravilha'' nem um Nordeste infértil. Diagnóstico
realizado pelo Ministério da Integração Nacional
derruba mitos e aponta para uma nova geografia brasileira,
onde as áreas de estagnação e de promessa de
desenvolvimento não se encontram sempre nas regiões
esperadas. As dinâmicas demográficas e de crescimento do
Produto Interno Bruto (PIB) indicam que, além de estar
ocorrendo uma lenta interiorização da população nas
duas últimas décadas, identificam-se áreas
economicamente promissoras em regiões tidas como
infecundas e outras, em estado de inércia ou decadência,
presentes em regiões tradicionalmente consideradas ricas
e desenvolvidas.
Para o
ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, o diagnóstico,
concluído no fim de 2004, servirá para orientar as ações
do Plano Nacional de Desenvolvimento Regional. Apenas a
renda média da população em cada microrregião,
argumenta o ministro, levaria a uma visão estática e a
possíveis falhas na definição do espaço prioritário
para ação.
O novo
mapa da situação de desenvolvimento microrregional no país
foi traçado com base em informações extraídas dos
Censos Demográficos do IBGE de 1991 e 2000 e as
estimativas do PIB dos municípios, realizadas pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para 1990
e 1998. O resultado do cruzamento de dados foi a
identificação de áreas pobres, sim, mas em franco
desenvolvimento econômico. Outras, aparentemente
abastadas, apresentaram baixíssimos índices de
crescimento do PIB.
Estas últimas,
classificadas como média renda e baixo crescimento
produtivo, se dispersam por todo território brasileiro
evidenciando um problema de estagnação, conclui
documento elaborado pelo ministério para pôr em discussão
uma proposta de Polícia Nacional de Desenvolvimento
Regional (PNDR). As microrregiões correspondem ''àquelas
que, de certa forma, já apresentaram alguma dinâmica de
crescimento passado, refletida nos seus padrões médios
de renda, mas que estão atualmente estagnadas ou com
baixo dinamismo'', definiu o Ministério da Integração.
As áreas
dinâmicas de menor renda são, ao contrário, microrregiões
em expansão econômica, embora o rendimento médio da
população ainda seja baixo. Enquanto a presença dessas
áreas nas regiões Sul e Sudeste é rarefeito, elas são
mais freqüentes no Centro-Oeste e também no Nordeste
brasileiro, contrariando a percepção de que nesta última
região não há desenvolvimento.
''A
interpretação dos dados dessa tipologia leva a crer que
se trata de um processo de transformação no período
recente, sendo relativamente fácil para a PNDR apoiar as
iniciativas existentes'', aponta o documento do Ministério
da Integração.
Além
dessas duas situações - de estagnação/média renda e
expansão/baixa renda - foram localizadas áreas de alto
rendimento e, além disso, em expansão econômica. Essas
não são consideradas prioritárias em termos de
investimento do governo federal. A última categoria de
microrregiões é, no outro extremo, a mais carente de ações
governamentais: são as de baixo crescimento e baixa renda
e se concentram ainda nas regiões Norte e Nordeste do país.
Essas áreas, admite o Ministério da Integração,
apresentam um quadro em que convergem baixos indicadores
de renda aliados ao pouco dinamismo de sua base produtiva,
''o que resulta em espaços problemáticos no que se
refere aos desequilíbrios inter e intrarregionais''.
No
documento de proposta da PNDR, o ministério considera que
a atuação do governo requer, nesse conjunto territorial,
''melhoria da articulação entre pastas'', em especial
com aqueles que lidam diretamente com a questão da
pobreza. Nas subregiões de renda baixa e pouco dinamismo
econômico, afirma, ''se faz necessária forte articulação
da Política Nacional de Desenvolvimento Regional com as
políticas sociais, uma vez ser insuficiente a ação
unilateral da política regional, decorrente das precárias
condições de vida nessas sub-regiões''.
O texto
sustenta que no cenário do fim do século 20, com a
valorização da dimensão regional e das respectivas políticas
a ela dirigida, grandes corporações e pequenas e médias
firmas passaram a se beneficiar dos ''meios socioculturais
mais adequados aos seus anseios de expansão e lucro''.
Esse seria o caso recente do Seridó Norte-Riograndense,
aponta o ministério. A partir do estímulo à habilidade
da mão-de-obra local para fabricar bonés, produtos
alimentares e cerâmicos, foi possível alterar
sensivelmente o quadro sócio-econômico negativo antes
existente, gerando emprego e renda par a população de
seu principal centro urbano. O complexo de confecções de
Toritama/Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste
Pernambucano, seria outro exemplo no Brasil atual.
Jornal
do Brasil
10/01/2005
- 14h
10
Medo
de arrastão esvazia praia
Uma troca de tiros entre traficantes no Morro Chapéu
Mangueira, no Leme, provocou um tumulto ontem entre
banhistas nas praia do Leme e de Copacabana. Os tiros
disparados pelos bandidos no alto da favela, por volta das
14h30m, assustaram os banhistas, que pensaram ser um
arrastão. As pessoas deixaram a praia às pressas, entre
os postos 1 e 4, ao longo de 3.200 metros. A confusão
durou cerca de meia hora. O comandante do 19 BPM
(Copacabana), coronel Dario Cony, garantiu que não houve
arrastão. Segundo ele, as pessoas que estavam na areia,
próximo ao canto do Leme, ouviram os disparos e, para se
proteger, correram ao mesmo tempo para a rua e pontos de
ônibus. Ninguém ficou ferido, mas a confusão causou
retenções no trânsito.
O comandante da Polícia Militar, coronel Hudson de Aguiar
Miranda, disse que traficantes do morro estão brigando
entre si desde sábado, quando o líder do tráfico na
favela, Roberto Matos de Medeiros, de 28 anos, foi
assassinado dentro de casa, no alto do Chapéu Mangueira.
Desde então, os traficantes estariam travando uma briga
interna de poder.
Policiais ocupam favela após tumulto
Após o tumulto, policiais do 19 BPM ocuparam os acessos
ao Chapéu Mangueira, para evitar novos tiroteios. Por
volta das 15h30m, três carros da Coordenadoria de
Recursos Especiais (Core), seis carros dos batalhões de
Copacabana e Botafogo, cerca de 20 policiais e o Caveirão
do Batalhão de Operações Especiais (Bope) subiram o
morro. Um helicóptero também sobrevoou a área. Por
tempo indeterminado, segundo a PM, cerca de 30 homens do
Grupamento Especial Tático-Móvel (Getam), da Core e do
Bope vão ocupar a favela.
A banhista Ana Margarida Martins ouviu os tiros da água:
— Pareciam ser na areia. Saí correndo apavorada. Todos
deixaram a praia ao mesmo tempo e ficou um engarrafamento
terrível. Isso estragou o meu domingo. Não sinto mais
confiança em morar no Rio.
O comerciante Carlos Zacarias, mora há 40 anos na Rua
General Ribeiro da Costa, em frente à subida do Chapéu
Mangueira, estava revoltado com o que ocorreu.
— Antes, não havia essa violência aqui. Hoje é esse
absurdo. Estava com meu filho, de 7 anos, na praia, na
altura do restaurante Fiorentina, na hora dos tiros e da
correria. Minha reação foi abraçá-lo. Moro num dos
IPTUs (Imposto Predial e Territorial Urbano) mais caros do
Rio e vivo um dia de cão atrás do outro.
A aposentada Ana Lúcia Barroso, de 69 anos, passou mal e
se refugiou no Forte do Leme:
— Estava no bar Cantinho do Leme, quando ouvi mais de
cinco tiros, um atrás do outro. Foi terrível, porque uma
coisa é ver isso pela televisão, outra é estar lá. Meu
coração acelerou e cheguei a passar mal. Teve muita
gente, principalmente crianças, chorando. Não havia
nenhum policial na praia na hora, nem carro da polícia
nas ruas. Corri para o Forte e o guarda me deixou entrar,
junto com outras dez pessoas. Depois, outros quiseram
entrar também, mas os guardas não deixaram mais.
Uma turista de Fortaleza, que preferiu não se
identificar, contou que veio passar o réveillon no Rio e
foi surpreendida com a confusão. No momento do
corre-corre, ela estava com o namorado na varanda de um
edifício, próximo ao Copacabana Palace:
— Quando olhei para baixo, achei que era arrastão. As
pessoas saíam da areia e corriam para as ruas e os
prédios. Parecia uma onda de gente fugindo sem direção.
Depois de um tempo, a polícia chegou. Não ouvimos os
tiros e, por isso, não entendíamos o motivo da
confusão.
Ontem, todo o efetivo do 19 BPM estava de plantão para
garantir o retorno da praia, segundo o coronel Dario Cony.
Voluntários da Paz também ajudavam no patrulhamento das
praias do Leme e de Copacabana.
Na 12 DP (Leme), a partir das 15h, foi grande o movimento
de banhistas para registrar casos de furtos ocorridos
durante a confusão. Pessoas aproveitaram a correria para
roubar. No entanto, até o fim da tarde de ontem, a
delegacia ainda não tinha um balanço do número de
registros de ocorrências.
De acordo com as investigações do 19 BPM, a disputa
entre traficantes no Chapéu Mangueira começou quando um
bandido, conhecido como Xandão, foi expulso pelo chefe do
tráfico local. O traficante expulso teria voltado no
sábado para assassinar Roberto Medeiros e estaria agora
tentando retomar o poder. O comandante do batalhão disse
que não há guerra de traficantes de facções rivais no
Morro do Chapéu Mangueira e Babilônia, mas uma rixa
entre bandidos da mesma facção criminosa.
Por volta das 14h, cerca de 50 jovens também chamaram a
atenção de PMs, ao se reunirem na entrada do Canal do
Jardim de Alah, em Ipanema. Os policiais e agentes da
Guarda Municipal ficaram observando o grupo mergulhar nas
águas do canal.
Também ontem, um arrastão assustou banhistas na Praia de
Icaraí, em Niterói, por volta das 15h, mas ninguém foi
preso. Em setembro de 2004, um arrastão assustou
banhistas na Praia do Leblon.
O Globo
10/01/2005
- 14h
Reunião
definirá destino de arquivos de ex-ministro
Após
organizar documentos, Ministério Público convocou
entidades para encontro na quarta-feira
O destino
da documentação pertencente ao ex-ministro da Educação
Tarso Dutra, encontrada abandonada em dezembro em um sítio
em Eldorado do Sul, deve ser definido na quarta-feira.
A Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos do Ministério
Público Estadual (MP) convocou uma reunião em Porto
Alegre com entidades envolvidas no processo, entre elas a
Advocacia-Geral da União (AGU), a Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB) e a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia
Legislativa.
Separados em caixas, depois de uma triagem, os arquivos
referentes ao período militar (1964-1985) estão mantidos
guardados em uma sala do MP, com vigilância na porta.
Durante 10 dias, a equipe da Promotoria de Direitos
Humanos realizou uma seleção do material.
Usando máscaras para se proteger do cheiro forte e da
poeira, o grupo separou o que era papéis pessoais do
ministro que morreu em 1983 - como boletins escolares dos
filhos - de relatórios e fichas, muitos dos quais com o
carimbo de reservado ou sigiloso.
- Não foi uma triagem com cunho histórico. A intenção
foi sistematizar de maneira informal, porque os papéis
foram encontrados em péssimas condições - explica a
promotora de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, Míriam
Villamil Balestro.
O trabalho terminou pouco antes do Ano-Novo. A maioria da
documentação trata de informações sobre a movimentação
e o controle em universidades, de professores e
estudantes, durante o período militar, envolvendo várias
regiões do Brasil. Nomes de pessoas hoje destaques na
vida pública figuram nos papéis, entre eles os dos
deputados Alceu Collares (PDT) e Cézar Schirmer (PMDB). Míriam
adianta que até o momento, oficialmente, nenhuma entidade
ou órgão público solicitou essa documentação.
- Queremos resolver a questão do destino dos arquivos da
maneira mais democrática possível, com um debate dentro
da comissão formada para tratar do assunto. É uma
documentação com peso histórico muito importante -
afirma a promotora.
Em Brasília, a idéia do governo federal é criar um
grupo formado por historiadores para analisar arquivos
referentes ao período da ditadura militar de uma maneira
geral. A Comissão de Averiguação e Análise de Informações
Sigilosas teria requisitado também a documentação que
está no Rio Grande do Sul, mas até ontem o Ministério Público
Estadual não confirmava a chegada de qualquer pedido.
Zero Hora
07/01/2005
- 14h
Virgílio mantém dissidência
Primeira conversa de Lula com
candidato do baixo clero não remove principal obstáculo
à eleição do petista Luiz Eduardo Greenhalgh para a
presidência da Câmara. Novo encontro ocorrerá na semana
que vem
O
deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) entrou no Palácio
do Planalto, na quarta-feira à noite, como ameaça à
eleição de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) à presidência
da Câmara. Depois de uma longa conversa com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, Virgílio continua a ser um
obstáculo à vitória do colega petista. Ontem o mineiro
avisou que mantém a possibilidade de lançar a
candidatura avulsa à presidência da Câmara, pelo menos
até a próxima semana, quando terá novo encontro com o
presidente. Até lá, ele espera convencer Lula e a equipe
palaciana de que é a melhor opção para salvar o partido
de um vexame no plenário na Câmara.
Na conversa com Virgílio, Lula não pediu a
ele para retirar seu nome da disputa pela presidência da
Câmara. Limitou-se a apresentar as dificuldades que ele
estaria criando ao nome oficial do PT. Lula preferiu ouvir
mais do que falar. Virgílio relatou as mágoas contra o
processo de escolha na bancada do PT, principalmente
contra o presidente da legenda, José Genoino. ‘‘O
acerto era de que a escolha seria algo próprio da
bancada, não havia vetos. Fiquei estupefato com as
interferências, surpreso e estupefato’’, disse ontem
Virgílio.
Na véspera da escolha do candidato da bancada
do PT — quando quatro nomes restavam no processo que
começou com sete candidatos — Virgílio acreditava ter
chances reais de vitória. Havia um compromisso de que as
correntes internas não fechariam posição em torno de um
nome. O campo majoritário (do qual fazem parte quase 50
dos 90 deputados do PT), porém, votou em bloco a favor de
Greenhalgh e resolveu a eleição da bancada. A decisão
foi influenciada diretamente por Genoino, que manifestou
preferência por Greenhalgh. Segundo petistas, Genoino
teria até ameaçado renunciar ao posto de presidente se a
escolha fosse outra.
Na conversa com Lula, Virgílio também
garantiu que não deseja criar problemas ao partido, dizem
pessoas ligadas ao mineiro. Ele está convencido de que
seu nome é a melhor solução para o PT. Segundo amigos
do petista, ele acredita que poderá ser uma espécie de
Luizianne Lins, petista que contrariou a direção
nacional do partido e venceu a disputa pela Prefeitura de
Fortaleza. A lógica de Virgílio é de que sua
candidatura manteria a disputa nos limites do PT e
evitaria que o chamado baixo-clero (a maioria anônima de
deputados) depositasse os votos em outro candidato
dissidente da base aliada ou até da oposição.
Os incentivadores da candidatura do mineiro
depositam as esperanças em uma pesquisa do Instituto
Sensus, que deverá ser divulgada na próxima semana. Não
tanto para provar que Virgílio é o nome preferido da
maioria da Câmara. Mas principalmente para convencer o
Palácio do Planalto de que a candidatura de Greenhalgh é
inviável. Para eles, o paulista estará entre os últimos
colocados da consulta.
Amizade
O Palácio do Planalto, porém, pensa em direção contrária.
Auxiliares do presidente acreditam que Lula não pediu a
renúncia de Virgílio ainda pela amizade entre os dois.
Mas avaliam que este assunto estará liqüidado na próxima
semana. Para assessores palacianos, Virgílio abandonará
a candidatura quando perceber que está sozinho.
O presidente da Câmara, João Paulo Cunha
(PT-SP), já foi chamado para reforçar a articulação
pró-Greenhalgh.
Para auxiliares de Lula, ele é o grande incentivador da
ameaça do mineiro, a quem apoiou na disputa dentro da
bancada. A escolha de Greenhalgh é vista como uma derrota
do grupo político que comandou a Câmara até agora, do
qual faz parte ainda o líder do governo na Câmara,
Professor Luizinho (PT-SP). Lula também tem emitido
reiterados sinais de prestígio do ministro da Coordenação
Política, Aldo Rebelo, cargo ambicionado pelo PT.
Para assessores do presidente, a candidatura
de Virgílio é vista como uma estratégia de risco de João
Paulo: a de criar dificuldades com o objetivo de ganhar
espaço no governo. A tática não deverá funcionar.
Auxiliares de Lula acreditam que ele não irá compensar
nem o presidente da Câmara nem o deputado mineiro depois
que a eleição de Greenhalgh estiver garantida.
Ato público por Greenhalgh
Rudolfo Lago
Da equipe do Correio
A coordenação da campanha do
candidato oficial do PT e do governo à presidência da Câmara,
Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), planeja realizar um ato
de apoio à sua candidatura na segunda-feira. Seria uma
espécie de resposta ao almoço organizado pelos partidários
da candidatura de Virgílio Guimarães (PT-MG), que reuniu
26 parlamentares, quarta-feira, na casa do deputado João
Leão (PL-BA). A idéia é fazer uma reunião na própria
Câmara, com a presença de eleitores de Greenhalgh de
todos os partidos, numa demonstração de que sua
candidatura é viável, ao contrário do que dizem os
aliados de Virgílio.
A intenção de Greenhalgh é divulgar, após
a reunião, uma agenda de viagens de campanha, a exemplo
das que foram feitas há dois anos pelo atual presidente
da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), em seu esforço
para se eleger. Ontem pela manhã, Greenhalgh chegou a traçar
também, com os deputados petistas Paulo Delgado (MG), José
Eduardo Cardozo (SP) e Sigmaringa Seixas (DF), uma
plataforma de campanha. Algumas idéias foram alinhavadas
no sentido de conferir ao Congresso mais destaque com relação
ao Poder Executivo. Uma das idéias: toda vez que houver
um projeto de lei semelhante a alguma medida provisória
enviada pelo governo, se dará urgência ao projeto em
detrimento da MP.
Greenhalgh também trabalha apoios pontuais.
Com a bancada ruralista, comprometeu-se a colocar em votação
o projeto de biossegurança. A pedida da ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva, João Paulo retirou de pauta o
projeto, aprovado no Senado, nos últimos dias do ano
passado. Os ruralistas têm um pé atrás com Greenhalgh,
pelo fato de ele ter sido advogado do Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra (MST). Na próxima semana,
Greenhalgh deverá ter um encontro com a bancada
ruralista.
Ontem, o candidato do governo passou o dia
trancado em seu apartamento. ‘‘Gastando o dedo no
telefone’’, segundo ele mesmo. A intenção era reforçar
seus apoios e garantir presenças para a reunião que quer
fazer na segunda-feira.
Manifesto
Também no sentido de dar demonstrações de que a
candidatura Greenhalgh não está restrita ao governo e ao
PT, seus aliados adiaram o lançamento de um manifesto que
seria subscrito apenas por petistas que apóiam sua
candidatura. O que se pretende agora é ampliar para
outros partidos as assinaturas nesse manifesto.
‘‘Evoluímos na idéia da construção do manifesto e
pensamos em fazer um documento que incluísse não apenas
petistas, mas toda a Casa. Vamos ampliar as relações’’,
disse o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), em entrevista ao
site do PT na Internet.
Na outra ponta do movimento pró-Greenhalgh
está o governo. A começar por uma conversa na noite de
quarta-feira com Virgílio Guimarães, o próprio
presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma série
de movimentos. Lula voltou a conversar com o presidente do
PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ). O PTB é um dos
partidos da base, junto com o PL, que empresta maior número
de cabos eleitorais a Virgílio.
João Paulo Cunha e o líder do governo,
Professor Luizinho (PT-SP), também foram procurados. O
governo não tem elementos para afirmar que os dois possam
estar dando respaldo às pretensões de Virgílio. Mas
sabe que os três formam o time petista que saiu magoado
do processo de escolha do candidato à presidência da Câmara.
João Paulo não conseguiu ser o condutor da sua sucessão.
Seu candidato era Virgílio. E o veto do Palácio na
escolha do candidato não foi apenas a Virgílio. Luizinho
também foi vetado. Assim, na melhor das hipóteses, Lula
e seus assessores políticos observam que João Paulo e
Luizinho estão distantes da campanha na Câmara. Com as
conversas ocorridas quarta-feira e ontem, esperam vê-los
em Brasília na semana que vem, engajados na campanha de
Greenhalgh.
PTB
critica, mas apóia
O presidente nacional do
PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), declarou seu apoio
ao candidato oficial do PT a presidente da Câmara, Luiz
Eduardo Greenhalg (SP), mas fez duras críticas ao
petista. ‘‘O Greenhalgh é um homem honrado, mas não
dá bom dia, não dá boa tarde, tem essas coisas, essas
deficiências. Não tem traquejo social’’, afirmou
Jefferson.
Greenhalgh também foi criticado por
concentrar poder nos cargos que ocupa. ‘‘Quando ele
presidia a Comissão de Constituição e Justiça, avocava
os projetos de maior brilho. Ele concentrou prestígio e
poder e isso deixou sequelas. Agora tem que fazer a parte
social para superar as dificuldades’’, disse
Jefferson. Apesar das restrições que tem a Greenhalgh,
Jefferson afirmou que mantém o apoio ao petista por ser
‘‘disciplinado’’.
Jefferson também disse que uma possível
candidatura avulsa a presidente da Casa, como a que se
articula em torno do deputado Virgílio Guimarães
(PT-MG), dificulta o trabalho dos líderes dos partidos
aliados. ‘‘Espero que o PT não arrume problema para nós.
A candidatura do Virgílio é problema do PT’’,
acrescentou.
CorreioWEB
07/01/2005
- 13h50
Nova
Previdência do servidor
Palácio
do Planalto quer votar ainda este mês proposta que põe
fim à aposentadoria integral de quem ingressar no serviço
público
Depois de
ter aplicado os principais pontos da Reforma da Previdência,
o Governo agora está empenhado em aprovar o projeto de
lei que cria a previdência complementar dos servidores públicos.
O texto final da proposta está sendo analisado pela Casa
Civil e pelo Ministério do Planejamento, mas a
expectativa é que chegue ao Congresso para votação este
mês.
O
ministro da Previdência, Amir Lando, responsável pela
elaboração do projeto, antecipa que o fundo complementar
será opcional e virá agregado ao benefício que será
pago com base na tabela do INSS. “A previdência
complementar é um programa de valorização de recursos
humanos para dar dignidade às pessoas e um ganho relativo
à época em que trabalhavam”, afirmou o ministro.
A
proposta ainda não foi apresentada oficialmente, mas o
Ministério da Previdência esclarece alguns pontos do
futuro plano de previdência complementar. O projeto foi
elaborado com base nas regras já existentes nas Leis
Complementares 109 e 108, e define que a gestão dos
fundos terá representantes do Governo e dos servidores.
Isso, no entanto, não descarta a contratação de
empresas privadas já especializadas em oferecer o
produto. A gerência do fundo é que terá que ser
acompanhada pelo serviço público. Um dos autores do
projeto, Adacir Reis, secretário de Previdência
Complementar, revelou: “A proposta inova o menos possível”.
A criação dos fundos, porém, não deverá ser adotada
por todos. O ex-presidente do Rioprevidência, Flávio
Martins, hoje coordenador do programa de estudos em
Seguridade Social da Uerj, esclarece. “A médio e longo
prazos o fundo complementar é um bom negócio, mas, de
imediato, essa inovação pode ser muito cara para um
estado ou município”. Com o novo sistema, a contribuição
do servidor diminui – não será mais de 11% sobre o
total do vencimento, mas só até o teto do INSS, que hoje
é de R$ 2.508,72 – e o Governo terá de pagar a
contrapartida para o fundo complementar.
"Contribuirei
com o máximo possível"
“Quando
pensei em fazer concurso para virar uma servidora pública
o que me interessou mesmo foi a possibilidade de ter
estabilidade no emprego. Eu estou desempregada e sei como
é não ter uma garantia. Quando somos jovens não
pensamos em aposentadoria. Eu, agora, por exemplo, não
estou contribuindo para o INSS. No caso do serviço público,
a aposentadoria integral era o ideal, mas já que não
existe mais, se eu passar vou aderir ao plano de previdência
complementar para conseguir ter a melhor aposentadoria
possível. Mesmo assim, é um voto de confiança, porque
é impossível saber todas as mudanças que o Governo vai
fazer no sistema até o dia da minha aposentadoria.”
Aline
Costa Borges, estudante 24 anos
O Dia
07/01/2005
- 13h40
Poupança
fecha 2004 com captação líquida de R$ 4,5 bilhões
Brasília
- Graças
à recuperação da economia que levou as pessoas a terem
um pouco mais de dinheiro no final do ano, a caderneta de
poupança fechou 2004 com uma captação líquida positiva
de R$ 4,5 bilhões. A maior parte do dinheiro depositado
veio do 13º salário, o que fez com que dezembro fosse
disparado o melhor mês do ano, com captação líquida
positiva de R$ 3,548 bilhões. Na captação líquida da
poupança o Banco Central inclui os rendimentos creditados
às contas, além da diferença entre depósitos e saques.
Em 2003,
mesmo o bom desempenho de dezembro, que foi positivo em R$
2,378 bilhões, não foi suficiente para reverter os
saques superiores aos depósitos que ocorreram em todos os
meses do ano, exceto novembro e dezembro. A caderneta de
poupança fechou 2003 com uma captação líquida negativa
de R$ 10,427 bilhões.
No ano
passado o comportamento da caderneta foi um pouco melhor e
a captação líquida foi também positiva nos meses de
maio, junho e julho, além de novembro e dezembro.
Contando com o rendimento creditado às contas,
correspondente à Taxa Referencial de Juros (TR) mais 6%
ao ano, o saldo das cadernetas de poupança saltou de R$
143,056 bilhões em dezembro de 2003 para R$ 159,043 bilhões
em dezembro de 2004.
Estado de
São Paulo
07/01/2005
- 13h30
União
rompe tendência de desprestígio do Rio
Volume
de verba destinada ao estado é o maior dos últimos 5
anos
Maurício
Thuswohl
O fato de
ser o segundo estado mais rico do Brasil não impediu que,
nos últimos 15 anos, o Rio deixasse de ser prioridade a
cada vez que o governo federal e o Congresso estabeleciam
o Orçamento da União. A tendência histórica - que não
parece ter matiz ideológico, uma vez que as dificuldades
fluminenses em obter recursos existiram tanto no governo
Fernando Henrique Cardoso quanto nos dois primeiros anos
do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva - está prestes a
ser quebrada.
Até o
ano passado, o problema surgia não só no momento da dotação
orçamentária, mas também nas fases de empenho, liberação
e aplicação das verbas. A conclusão da votação do Orçamento
para 2005 no Congresso, contudo, abriu as portas para que
esse problema seja interrompido, uma vez que o volume de
verbas destinadas ao Rio em 2005 é o maior recebido pelo
estado nos últimos cinco anos.
O
otimismo é grande também porque o governo estadual
fechou acordo com o Ministério da Fazenda para receber
verba do fundo de privatização do Banerj. O montante a
ser recebido deverá ser utilizado para pagamento de
pessoal e outras despesas administrativas. A vontade de
recolocar o Rio nos trilhos do Orçamento é tão grande
que, para garantir a aplicação dos recursos acertados
para 2005, deputados federais e senadores fluminenses
acenam com a possibilidade de criar, em fevereiro, uma
frente parlamentar suprapartidária em defesa do Rio.
O
problema é que, se for tomado por base o ano de 2004, o
governo e os parlamentares fluminenses terão um árduo
trabalho pela frente. Levantamento feito pela deputada
federal Denise Frossard (PPS-RJ) no fim de dezembro, com
base nos dados oficiais do Sistema Integrado de
Acompanhamento Financeiro, mostra que o Rio foi um dos
estados mais afetados pelo contingenciamento orçamentário
federal no ano passado. Decorridos os 12 meses do ano, o
Rio só havia recebido cerca de R$ 15 milhões de um total
de R$ 194,5 milhões em verbas para investimentos. O
montante pago pelo governo federal representa 7,5% do
total previsto, o que coloca o Rio muito abaixo da média
nacional de pagamento no ano passado, que foi de 18,5%.
Mesmo o
empenho das emendas da bancada fluminense em 2004 - que
permitiria que os valores fossem quitados em 2005 como
restos a pagar - deixou a desejar. Em dezembro, segundo o
levantamento feito por Frossard, o Rio só havia
conseguido a assinatura de R$ 28 milhões, equivalentes a
14,2% dos empenhos, o que o colocava bem abaixo da média
nacional de 41,5%. De 21 emendas apresentadas pela bancada
fluminense, só seis tiveram verbas empenhadas. Em números
absolutos, o Rio só não teve desempenho pior do que
Alagoas, Sergipe e Amazonas.
O
levantamento feito pela deputada mostra que, no fim de
dezembro, São Paulo já havia recebido 27% de sua dotação
orçamentária (cerca de R$ 53 milhões) e Minas Gerais já
havia recebido 32% (cerca de R$ 114 milhões). Em 2004, o
prestígio orçamentário junto ao governo Lula não se
mediu apenas pela importância econômica de cada estado,
mas também pelo seu posicionamento no atual quadro político
nacional: o Acre, governado pelo petista Jorge Viana,
recebeu 31% de sua dotação orçamentária (cerca de R$
32 milhões), enquanto o Amapá por onde se elegeu o
senador José Sarney (PMDB) recebeu 23% das verbas (cerca
de R$ 34 milhões). Para Frossard, esses números
''demonstram que o Executivo não tem respeito'' pelo Rio:
- Estados
menores deixaram o Rio para trás. Isso mostra que o
governo federal não dá importância nenhuma ao Rio -
afirmou.
Jornal do
Brasil
07/01/2005
- 13h20
Governo
acredita que Guimarães fica isolado
A
coordenação da campanha do candidato do PT à presidência
da Câmara, deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (SP),
está revendo a estratégia para buscar apoio à
candidatura do parlamentar. Em entrevista ao portal do
partido na internet, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS)
disse que o novo plano tem como objetivo buscar apoio mais
abrangente dentro da própria Câmara, ampliando o
manifesto que estava sendo articulado e que antes
envolveria apenas o partido.
“Evoluímos na idéia da construção do manifesto e
pensamos em fazer um documento que incluísse não apenas
petistas, mas toda a Casa. Vamos ampliar as relações”,
comentou Pimenta, que participa da coordenação da
campanha do candidato.
Os coordenadores tentam demover o deputado Virgílio
Guimarães (PT-MG) da intenção de lançar uma
candidatura avulsa à presidência da Câmara. Ele tem o
apoio de alguns deputados de partidos da base aliada, como
o PTB e o PL, responsáveis pelo movimento Câmara Forte.
O governo aposta no isolamento de Guimarães e já acionou
ministros, lideranças e presidentes de partidos aliados
para fortalecer a candidatura de Greenhalgh.
De acordo com Pimenta, o documento está sendo escrito,
mas não há data prevista para o seu lançamento. Ele
acrescentou que as assinaturas de parlamentares ainda não
começaram a ser colhidas e que os novos passos na estratégia
de apoio a Greenhalgh serão decididos na próxima
segunda-feira, quando a coordenação da campanha deverá
fazer uma reunião envolvendo parlamentares petistas e de
outros partidos, além do atual presidente da Câmara, João
Paulo Cunha (PT-SP). “Escolhemos uma data para que o João
Paulo possa estar presente e participar do debate”,
observou Pimenta.
PTB apóia o candidato de Lula, garante Jefferson
O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson (RJ),
disse ontem que seu partido vai apoiar o petista Luiz
Eduardo Greenhalgh (SP) na disputa pela presidência da Câmara,
mas alertou que o PT precisa retirar a candidatura do também
petista Virgílio Guimarães (MG) para evitar o confronto
no plenário: “Espero que o PT não arrume problemas
para nós. O Virgílio é do PT e espero que não vá para
o plenário disputar com seu companheiro. O PT tem que
tirar a candidatura do Virgílio, porque o Aleluia (José
Carlos Aleluia, do PFL) não é problema. Candidato do PT
contra o PT é ruim para nós.”
Segundo o presidente do PTB, os deputados fazem restrições
ao comportamento social e político de Greenhalgh. Quando
foi presidente da CCJ, em 2003, na avaliação do
petebista, Greenhalgh concentrava poder e prestígio,
avocando para si a relatoria dos projetos “de mais
brilho”. Jefferson disse que Greenhalgh precisa resolver
“essas sequelas” antes da eleição. - Houve um erro
de articulação do PT, porque o presidente da Câmara não
é só do PT, mas da base e de toda a Câmara. Seria mais
fácil o Virgílio, que é da relação de todos. A
bancada indicou um nome que não tem relação com todos.
Greenhalgh é um homem honrado, mas não dá bom dia, não
dá boa tarde, tem essas deficiências, não tem traquejo
social. Virgílio é diferente, participa de almoços,
batendo papo, na brincadeira, jogando bola - argumentou.
Para Jefferson, Virgílio “é o candidato do afeto, do
coração e o outro é o candidato da lógica regimental e
da disciplina partidária”. Alguns deputados do PTB estão
defendendo a candidatura de Virgílio. A cúpula do
partido se reuniu com Lula dois dias seguidos (terça e
quarta) e o presidente pediu apoio do partido à
candidatura do Greenhalgh. Jefferson disse que relatou a
Lula as dificuldades em relação a Greenhalgh, mas
prometeu apoio do PTB. “Eu consigo conter a minha
hemorragia, mas o PT tem que tirar o Virgílio”, afirmou
Jeferson.
Temer nega articulação, mas não descarta candidatura
O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP),
não descarta a possibilidade de disputar a presidência
da Câmara dos Deputados, embora negue que esteja
articulando sua candidatura, ou que já tenha entrado em
campanha. “Depende das circunstâncias políticas. Se
300 deputados manifestarem desejo que eu presida a Câmara,
não há como não entrar na disputa”, disse sobre a
possibilidade de disputar o cargo. “Temos 40 dias pela
frente até decidir essa eleição.”
Temer afirmou que por causa da confusão provocada pelo PT
e a rivalidade entre os deputados Luiz Eduardo Greenhalgh
(SP) e Virgílio Guimarães (MG), muitos parlamentares o
procuraram para estimularem sua possível candidatura.
“Não vou mover uma palha. Se houver um movimento dos
parlamentares e minha candidatura for boa para manter a
unidade da Câmara, posso avaliar minha participação na
eleição”, desconversou.
O candidato do PFL à presidência da Câmara, José
Carlos Aleluia (BA), também teria aberto conversas com
Temer, segundo relata o próprio peemedebista, para
avaliar uma possível união de forças. “Ele (Aleluia)
abriu conversa comigo e garantiu que estaríamos juntos. Não
há nenhuma articulação em curso, embora nos demos muito
bem”, comentou.
Jornal do
Comércio
07/01/2005
- 13h10
OAB:
medida provisória do IR fere a Constituição
BRASÍLIA. A Ordem dos Advogados do Brasil, seção São
Paulo (OAB-SP), disse ontem que cabe uma ação direta de
inconstitucionalidade (Adin) contra a medida provisória
(MP) do IR que, entre outras alterações, proíbe em seu
artigo 10 que os contribuintes recorram ao Conselho de
Contribuintes (segunda instância) em disputas com o Fisco
inferiores a R$ 50 mil. Para o presidente da Comissão de
Assuntos Tributários da OAB-SP, Luiz Antônio Miretti,
com a medida o governo instituiu “a ditadura fiscal”.
Os recursos a processos administrativos cujo resultado
seja desfavorável ao contribuinte estão vetados quando
se tratar de compensação de impostos, restituição,
isenção e imunidade tributária. A OAB nacional também
disse que está estudando a possibilidade de entrar com ações
judiciais contra a decisão do governo.
— Não há dúvida de que cabe recurso ao Supremo. O
artigo 10 fere o princípio da isonomia e do direito da
ampla resposta — disse Miretti. — O governo vem
trabalhando para reduzir o alcance ao Conselho de
Contribuintes, limitando os recursos. Isto fere a ampla
defesa, à medida que não permite ao contribuinte
recorrer; e a isonomia, criando distinção entre os
contribuintes. Agora, ao contribuinte só resta pagar, sem
reclamar. Isto é ditadura fiscal e a sociedade precisa
reagir.
Secretário da Receita Federal contesta a OAB
O secretário da Receita, Jorge Rachid, disse não
considerar inconstitucional a proibição de que empresas
recorram ao Conselho de Contribuintes:
— Os contribuintes continuarão tendo a possibilidade de
recorrer à Justiça comum. A medida não fere a Constituição.
Para a OAB, a medida que elevou a contribuição do IRPJ e
da CSLL de 32% para 40% — neste último caso, a segunda
mexida em menos de 18 meses — também merece ser atacada
porque, diz a entidade, representa um confisco e uma invasão
de patrimônio. Ontem mesmo, a OAB começou a reunir apoio
de outros setores prestadores de serviço para pressionar
o Congresso a vetar a MP 232.
— Não é mais possível o contribuinte agüentar essa
voracidade que vem tomando conta do país. O impacto desse
aumento será brutal sobre as empresas. Não podemos ficar
calados diante desse fato, que vai desestabilizar muitas
pequenas empresas, que são as grandes geradoras de
empregos e das quais o Brasil precisa tanto — disse o
presidente nacional da OAB, Roberto Busato.
Medida pode incentivar o mercado informal
Rachid, novamente, rebateu:
— Os atos legais devem ser objeto de debate no
Congresso. Isso é um direito democrático. Mas estamos
seguros tecnicamente.
Busato disse que a intenção da OAB é mobilizar toda a
sociedade para barrar a MP no Congresso. Entre as estratégias
que estão sendo montadas pela OAB está acionar a Frente
Parlamentar de Advogados:
— Desta vez, vamos ter que movimentar toda a sociedade
brasileira no sentido de mostrar aos congressistas que
chegou a hora de dar uma basta a essa injustiça tributária.
O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso,
defendeu ainda que há muito tempo o cidadão não tem a
contrapartida do Estado, uma vez que somente 3% da
arrecadação tributária federal são empregados em
investimentos públicos. Os outros 97% são destinados ao
pagamento dos juros da dívida pública e para sustentar a
burocracia estatal.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também
criticou ontem a MP que aumentou os tributos de serviços.
Segundo ele, o assunto deve ser tratado com cuidado, já
que um dos grandes entraves da economia brasileira é a
informalidade.
— Quando você aumenta a carga tributária, empurra o
mercado para a informalidade.
O Globo
07/01/2005
- 13h
Jefferson:
Greenhalgh não tem traquejo social
BRASÍLIA
- O presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson
(RJ), disse ontem que o candidato oficial do PT a
presidente da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalg (SP),
enfrenta resistências na Casa porque não tem
"traquejo social" e demonstrou que "costuma
concentrar prestígio e poder".
"Quando
ele presidia a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça),
avocava os projetos de maior brilho", afirmou.
Jefferson falou ao chegar para uma audiência com o chefe
da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos
Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo.
Na avaliação
do presidente nacional do PTB, o PT cometeu um "erro
de articulação" ao escolher Greenhalg como
candidato a presidente da Câmara. "O Greenhalg é um
homem honrado, mas não dá bom-dia, boa-tarde e não tem
traquejo social", disse. Jefferson afirmou que,
apesar das restrições que tem a ele, apóia a
candidatura: "Eu sou disciplinado."
Sobre a
versão de que o PTB estaria empenhado em ampliar cargos
no governo por ocasião da reforma ministerial, o
presidente nacional petebista respondeu: "Não
reivindicamos nenhum ministério." Jefferson disse
que uma possível candidatura avulsa a presidente da Casa,
como a que pretende o lançar o deputado Virgílio Guimarães
(PT-MG), dificulta o trabalho dos líderes dos partidos
aliados. "Espero que o PT não arrume problema para nós.
A candidatura do Virgílio é problema do PT",
acrescentou.
Tribuna
da Imprensa
06/01/2005
- 14h
MP
investiga contas de Marta Suplicy
Ex-prefeitapode
ter desrespeitado Lei de Responsabilidade Fiscal
O Ministério
Público do Estado de São Paulo abriu ontem uma investigação
sobre a anulação, pela ex-prefeita Marta Suplicy (PT),
das despesas previstas no Orçamento para fechar o balanço
geral do município.
Por meio de um decreto publicado no último dia 30 no
"Diário Oficial do Município", Marta cancelou
todos os gastos autorizados (empenhados), mas que não
tiveram o pagamento oficialmente liberado (liquidação).
Na execução orçamentária, a administração autoriza a
contratação do serviço ao empenhar os recursos. Mas só
os paga depois que o serviço é medido. Aí, o crédito
é reconhecido (liquidado).
De acordo com a promotor Saad Mazloum, a investigação
será distribuída hoje e tem por objetivo "verificar
se esse comportamento gerou ou vai gerar algum dano ou
ofensa à Lei de Responsabilidade Fiscal".
O prazo da investigação é de 90 dias e pode ser
prorrogado. Caso o Ministério Público conclua que houve
irregularidade, poderá ser interposta uma ação civil pública
ou de improbidade administrativa. Se a investigação
verificar que o procedimento da prefeitura foi legal, ela
será arquivada.
O serviço mais afetado pela medida foi o de limpeza
urbana, com corte de R$ 226 milhões. O decreto, no
entanto, poupou de corte as despesas com finanças, gestão,
saúde e educação. Na ocasião, o PSDB, então na oposição,
calculou que o cancelamento tenha sido de R$ 600 milhões
a R$ 750 milhões.
No mesmo dia em que foi publicado o decreto, a prefeitura
divulgou uma nota na qual declarou que a medida
limitava-se aos empenhos não liquidados. Afirmou também
que "todas as despesas liquidadas terão seu
cronograma de pagamento respeitado".
falecimentoMorreu, na noite de terça-feira, Noêmia Smith
Vasconcelos, mãe da ex-prefeita de São Paulo Marta
Suplicy. O enterro estava previsto para as 17h30 de ontem,
no Cemitério do Morumbi, na zona sul da capital paulista.
Jornal de
Brasília
06/01/2005
- 13h50
DISPUTA
PSDB vai votar em Greenhalgh
Comando nacional dos tucanos se dispõe
a respaldar candidatura oficial petista à presidência da
Câmara dos Deputados, ameaçada por dissidência nas
bancadas do próprio PT e de outros partidos da base
governista
Sem
sucesso ainda na tentativa de unir o PT em torno da
candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh à presidência da
Câmara, o governo e o comando nacional do partido
obtiveram ontem a adesão de onde menos se esperava: do
principal partido de oposição. Depois de uma conversa
com o prefeito de São Paulo e presidente do PSDB, José
Serra, o vice-presidente tucano, Eduardo Azeredo (MG),
anunciou que o partido apoiará Greenhalgh, respeitando a
tradição legislativa de reconhecer à maior bancada a
prerrogativa de escolher o presidente da Casa.
Os tucanos chegaram a avisar que iriam
responder à derrota sofrida na Câmara Municipal de São
Paulo. O nome escolhido por Serra para presidir a Casa,
Ricardo Montoro, foi derrotado pelo tucano dissidente
Roberto Tripoli, com votos de vereadores do PT ligados à
ex-prefeita Marta Suplicy. Apesar do episódio, os tucanos
preferiram evitar uma guerra com o PT, preocupados com a
eleição para a Assembléia Legislativa e com a votação
do remanejamento de 15% das verbas do orçamento
municipal.
Se os tucanos abrirem fogo contra Greenhalgh,
candidato do Palácio do Planalto, os petistas podem
revidar, atrapalhando a eleição do nome preferido do
governador Geraldo Alckmin para presidir a Assembléia.
Poderá cair por terra também o acerto para que os
petistas aceitem manter a liberdade, concedida a Marta, de
utilizar livremente os 15% do orçamento do município. A
bancada petista planejava reduzir o percentual para 5%.
O acerto com o PSDB é um obstáculo a menos
no caminho de Greenhalgh até a presidência da Câmara.
Ontem, ele se encontrou com o vice-presidente e ministro
da Defesa, José Alencar, para buscar apoio do PL. Saiu do
gabinete no Palácio do Planalto com a promessa de ajuda.
‘‘Ele (Alencar) disse que vai conversar com o
presidene do PL, Valdemar Costa Neto, e que o PL não me
faltará’’, contou Greenhalgh.
Alencar também sugeriu ao paulista conversar com o
ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que é do PL
e tem influência sobre a bancada de deputados. Os
deputados João Caldas (PL-AL) e João Leão (PL-BA), por
exemplo, são coordenadores do Movimento Câmara Forte,
que defende a candidatura de Virgílio Guimarães.
O presidente do PL também será procurado por
Genoino na semana que vem. Ele terá encontros, nas próximas
duas semanas, com presidentes de partidos tanto aliados
como de oposição. Na próxima semana, o presidente do PT
também conversará com o presidente do PSB, Miguel
Arraes, e do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Os
pefelistas já lançaram o nome do deputado José Carlos
Aleluia (PFL-BA) para concorrer contra Greenhalgh.
A ofensiva para garantir a eleição de
Greenhalgh está sendo comandada pessoalmente pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ‘‘A candidatura
do Virgílio vai dividir o PT e criar um grande embaraço
ao partido’’, disse o presidente aos petebistas,
segundo relato de um dos participantes da reunião mantida
no fim da tarde de terça-feira, no Palácio do Planalto,
entre Lula, o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, o
líder do partido na Câmara, José Múcio Monteiro (PE),
o deputado Luiz Antônio Fleury (SP) e o presidente do
partido, Roberto Jefferson (RJ).
Um grupo de petistas também tenta evitar um
racha no partido. O projeto imediato é divulgar um
manifesto em defesa da unidade do PT. ‘‘É
absolutamente inaceitável qualquer desrespeito à decisão
da bancada’’, criticou o deputado Paulo Pimenta
(PT-RS).
CorreioWEB
06/01/2005
- 13h40
Expectativa
para 2005 é positiva, diz pesquisa do Sebrae-SP
São
Paulo - A
Pesquisa de Conjuntura do Sebrae-SP, divulgada hoje,
mostra que as micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas
começaram a sentir os efeitos positivos do crescimento
econômico apenas no segundo semestre de 2004. O
desempenho dos últimos meses do ano, no entanto, foi
insuficiente para anular os passivos do primeiro semestre,
quando as MPEs registraram quedas ou altas mínimas no
faturamento, nível de pessoal ocupado e na folha de
pagamento. "O ano de 2004 deve fechar com números
fracos, mas a expectativa para 2005 é positiva, sobretudo
por conta da inflação em queda e da manutenção da
retomada do mercado interno", disse o
diretor-superintendente do Sebrae-SP, José Luiz Ricca.
Os dados
da Pesquisa referentes a novembro mostram recuperação de
receita pelo sétimo mês consecutivo: alta de 1,7% no
faturamento real sobre outubro, para US$ 18,5 bilhões);
queda de 0,2% no nível de pessoal ocupado (11 mil
trabalhadores a menos) e alta de 40,1% nos gastos totais
com salários, um número que reflete o pagamento da
primeira parcela do 13º salário. Na comparação com
novembro de 2003, o faturamento real subiu 0,6%; o nível
de emprego, 3,9% e os gastos com salários, 8,1%. "Os
números confirmam a tendência de recuperação, depois
de um primeiro semestre fraco", ressaltou o
economista Pedro Gonçalves.
O Sebrae
ainda não fechou os números de dezembro, mas, segundo
Gonçalves, deve registrar a continuação da retomada do
crescimento. A indústria foi o setor que puxou o
crescimento das micro e pequenas empresas em São Paulo,
sobretudo as ligadas à atividade exportadora. Os
segmentos que vendem insumos e componentes para as grandes
empresas exportadoras foram as mais beneficiadas.
Estado
de São Paulo
06/01/2005
- 13h30
Ministro
quer recadastrar aposentados até julho
Governo
estuda locais alternativos para reduzir filas nos postos
do INSS
BRASÍLIA
- As longas filas nos postos do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS), freqüentes no fim de
2003, ameaçam reparecer este ano. O ministro da Previdência,
Amir Lando, promete recadastrar até julho os cerca de
20 milhões de aposentados e pensionistas do governo. O
objetivo do ministério é eliminar as fraudes que
envolvem os pagamentos feitos pelo INSS. Estimativas da
Previdência mostram que as irregularidades podem
atingir mais de 20% dos benefícios concedidos pelo
governo federal.
Em
2003, primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da
Silva, a Previdência chegou a fazer uma tentativa de
recadastramento, que acabou sendo um desastre. Na época,
o ministério cortou o benefício dos aposentados com
mais de 90 anos até que fosse feito o recadastramento,
o que gerou uma série de críticas de dentro e fora do
governo.
O PFL
chegou até mesmo a criar o Troféu Berzoini de
Crueldade em referência ao então ministro da Previdência,
Ricardo Berzoini, hoje titular da pasta do Trabalho. Após
a repercussão negativa, o governo recuou e suspendeu o
recadastramento.
Para
evitar novas críticas, a Previdência está buscando
agora o apoio das entidades de representação dos
aposentados para elaborar o novo plano de
recadastramento.
Entre
as idéias propostas nos últimos meses para atenuar a
reação negativa à medida, está a de recadastrar os
aposentados nas agências bancárias e nos sindicatos.
- O
aposentado vai todo mês ao banco receber seu benefício.
Podemos ir atrás dele nos bancos para fazer o
recadastramento - afirmou o presidente da Confederação
Brasileira de Aposentados (Cobap), João Rezende Lima.
O
Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical
fez outra proposta: pediu que o recadastramento seja
feito nas entidades filiadas à central sindical.
-
Podemos orientar os aposentados a fazer o
recadastramento nos sindicatos da Força, que estão
espalhados por todo o país - sugeriu o presidente da
entidade, João Inocentini.
Jornal
do Brasil
06/01/2005
- 13h20
Lula
estará
presente no
encontro em
Porto Alegre
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai participar no
final deste mês do Fórum Social Mundial (FSM), em Porto
Alegre, e do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
No FSM, Lula fará um pronunciamento durante o lançamento
de uma campanha mundial de combate à pobreza, que ocorrerá
no dia 27 de janeiro no Auditório Araújo Vianna. Esta
campanha pretende mobilizar a sociedade civil para cobrar
dos governos ações firmes e concretas no combate à
pobreza e na implementação dos compromissos assumidos
com as Metas do Milênio.
Lula participou das primeiras três edições do Fórum em
Porto Alegre. Em 2001 e 2002, veio ao evento como delegado
representando a organização não-governamental Instituto
Cidadania. Em 2003, foi convidado como chefe de Estado. No
ano passado, o FSM foi realizado em Mumbai, na Índia, e o
governo enviou uma delegação chefiada pelo ministro das
Cidades, Olívio Dutra. Desta vez, o presidente Lula vem a
Porto Alegre a convite de 70 entidades não-governamentais
que congregam o Global Call to Action Against Poverty
(GCAAP), criado no final do ano passado na África do Sul.
Este ano, o presidente vai apresentar em Davos as
propostas do Brasil para o cenário político, econômico
e social internacional no período 2005-2006. Também vai
comparecer a um encontro promovido pelo governo brasileiro
com investidores internacionais. O objetivo é apresentar
perspectivas de investimentos no Brasil.
Jornal do
Comércio
06/01/2005
- 13h10
Oito
dias à deriva no mar, agarrado a um tronco
KUALA LUMPUR. Mais de uma semana após as tsunamis
varrerem o sul e o sudeste da Ásia, sobreviventes ainda são
encontrados. Um indonésio foi resgatado por um navio
cargueiro após passar oito dias flutuando no Oceano Índico,
agarrado ao tronco de uma árvore que havia sido arrancada
pela força das águas.
Rizal Shahputra, de 23 anos, morava na devastada província
de Aceh, na Ilha de Sumatra, uma das mais afetadas pela
força das águas, e contou que sobreviveu bebendo água
da chuva e de cocos que encontrou flutuando. Apesar de
alguns cortes nas pernas, ele parecia estar bem ao chegar
ao Porto Klang, na Malásia.
— Quando eu o vi, fiquei muito surpreso. Ele acenou e
estava sobre algo que parecia ser uma árvore — disse
Huang Wen Feng, tripulante do cargueiro malásio que o
encontrou a cem milhas náuticas da costa.
Rizal contou que limpava uma mesquita quando as tsunamis
chegaram.
— Todos se afogaram. Membros da minha família se
afogaram. Havia corpos ao meu redor — contou o náufrago,
que foi levado de ambulância a um hospital para verificar
seu estado de saúde.
Ele é a segunda vítima das tsunamis resgatada por navios
malaios. Na sexta-feira, um barco pesqueiro de atum
encontrou uma mulher, também de Aceh, que flutuou por
cinco dias agarrada ao tronco de uma palmeira.
Mais de 94 mil indonésios morreram após um violento
terremoto de 9 graus na escala Richter, o mais forte em 40
anos, e ondas gigantes por ele formadas atingirem a região,
no dia 26 de dezembro.
O Globo
06/01/2005
- 13h
Lula
fecha acerto com o PTB para começar a reforma ministerial
BRASÍLIA
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou pelo
PTB o acerto de sua base aliada para fechar o xadrez da
reforma ministerial prevista para este mês. A cúpula
petebista decidiu facilitar a vida do presidente e abriu mão
de reivindicar mais espaço no primeiro escalão federal,
mantendo sob seu comando a pasta do Turismo, entregue ao
ex-deputado Walfrido Mares Guia (MG).
"Não
quero mais ministério. Prefiro ter poder nas
estatais", disse o presidente do partido, deputado
Roberto Jefferson (RJ) a Lula, em conversa no Palácio do
Planalto, segundo relato de outro petebista presente ao
encontro.
Jefferson
está convencido de que, uma vez nomeado, o ministro
torna-se um braço do governo dentro do partido, o que, em
vez de ajudar a consolidar a legenda, acaba dividindo. Com
isto, fica mais fácil compor com o PP, que tem 54
deputados e não se conforma de ainda estar fora da
Esplanada dos Ministérios.
O governo
prometeu que fará o líder pepista na Câmara, Pedro
Henry (MT), ministro e a hipótese mais provável é a de
que ele assuma os Esportes, embora nos últimos dias o
presidente não esteja dando sinal algum de que pretenda
demitir o deputado Agnelo Queiroz (PC do B-DF).
Segundo
um importante interlocutor de Lula, o presidente tem se
queixado do desempenho de outro ministro: o senador Amir
Lando (PMDB), da Previdência Social. As queixas têm
colaborado para embolar o jogo de poder interno no PMDB,
onde a bancada do Senado já identifica um movimento do líder
na Câmara, José Borba (PR), para ir para o ministério.
Mas o presidente também não avançou um milímetro na
negociação em torno do terceiro ministério do PMDB, que
comanda também as Comunicações, com o deputado Eunício
Oliveira (CE).
Em sua
passagem discreta por Brasília na terça-feira, apenas
para tratar de ministério, o líder do PMDB no Senado,
Renan Calheiros (AL), reuniu-se com o senador José Sarney
(PMDB-MA), a quem deve suceder na presidência do
Congresso a partir de fevereiro. A idéia dos dois era
fechar ontem mesmo o pacote de reivindicações do partido
e entregá-lo ao presidente da República.
Mas
depois de uma série de contatos pessoais e telefônicos
com ministros e articuladores políticos de Lula, ambos
concluíram que o "timing" presidencial é outro
e que ainda é cedo para colocar os pleitos do partido na
mesa de negociações. Antes será preciso que Lula avance
nos acertos globais com outros partidos da base e que
pacifique o PT e os aliados que andam às turras na sucessão
da Câmara.
Enquanto
não conclui os acertos políticos, o presidente vai
fechando a reforma mais estrutural do governo. Segundo um
de seus interlocutores, a idéia é "enxugar" um
pouco a máquina, retornando alguns ministérios à condição
de secretarias.
No caso
da Comunicação de Governo, o ministro Luiz Gushken mantém
o posto mas deverá ficar apenas com a gestão estratégica
do governo. Insatisfeito com a comunicação do governo,
Lula tem dito que pretende separar este setor da gestão
estratégica e indicar um secretário para informar melhor
ao cidadão comum as ações do Executivo federal.
Tribuna
da Imprensa
05/01/2005
- 14h
PT denuncia Serra ao MP
Às vésperas da decisão do PSDB
sobre a eleição para a presidência da Câmara dos
Deputados, petistas paulistanos pedem a indisponibilidade
dos bens do prefeito da cidade e presidente nacional dos
tucanos
A bancada do PT na Câmara dos
Vereadores de São Paulo entrou ontem com representação
no Ministério Público contra o prefeito José Serra
(PSDB), por improbidade administrativa e ato lesivo ao
patrimônio público e à moralidade administrativa. Os
vereadores avaliam que houve propaganda pessoal de Serra
no Diário Oficial do Município — datado de domingo e
distribuído ontem — e no site oficial da Prefeitura de
São Paulo.
No Diário Oficial — ao contrário do
habitual — houve a publicação de fotos do prefeito e
reportagens sobre a posse e as primeiras medidas no cargo.
Na página da prefeitura na internet, o texto da posse diz
que Serra ‘‘é reconhecido como o melhor ministro da
Saúde que o país já teve’’. Além disso, na legenda
da foto estava escrito ‘‘O que me move é o futuro, não
o passado’’ — trecho do discurso de posse de Serra.
A representação petista também menciona que
a então editora do portal da prefeitura na internet,
Juliana Bertolucci, pediu exoneração do cargo no dia
seguinte à publicação, por discordar das orientações
recebidas da agência responsável pelo site do PSDB
municipal. A ordem recebida por ela, segundo a representação,
foi de copiar o material da posse de Serra do site do
diretório municipal do PSDB na página da prefeitura.
De acordo com os vereadores, houve violação
da Constituição Federal, que estabelece que ‘‘a
publicidade dos atos, programas, obras, serviços e
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não
podendo constar nomes, símbolos ou imagens que
caracterizem promoção pessoal de autoridades ou
servidores públicos’’.
Na representação — assinada pelos
vereadores Chagas, Arselino Tatto, Beto Custódio, Antônio
Donato, Claudete Alves, Francisco Macena, João Antônio,
José Américo, Zelão, Paulo Fiorilo e Soninha — a
bancada afirma que não contesta as informações do Diário
Oficial e do site, mas sim a tentativa de Serra de buscar
‘‘dividendos políticos’’ com dinheiro público.
Prejuízo
‘‘O que (os autores) atacam é o fato de o
representado (Serra) utilizar-se de veículos custeados
pelos cofres municipais para veicular propaganda eivada de
vícios, buscando conquistar promoção pessoal e
dividendos políticos’’. De acordo com a representação,
‘‘o prejuízo imediato e direto ao erário se verifica
pela importância despendida pela prefeitura para fazer
publicar o suplemento do Diário Oficial do Município de
02 de janeiro de 2005 e manter, em páginas da Internet, o
seu sítio oficial, ambos os veículos apresentando
propaganda de caráter pessoal do representado’’.
Os vereadores pedem que sejam removidas do
site as fotografias de Serra, bem como a página com a sua
biografia e ‘‘referências e citações ao nome do
representado em todos os títulos existentes no referido sítio’’.
Além disso, pedem a indisponibilidade dos bens do
prefeito ‘‘até o completo ressarcimento aos cofres públicos
dos prejuízos causados pela publicação da propaganda
ilegal’’ no Diário Oficial e no site da prefeitura e
a condenação do prefeito ao ressarcimento dos valores
pagos com as publicações.
Sérgio Kobayashi, assessor especial de
Comunicação de Serra, alegou que as fotos são
documentos de um fato histórico. ‘‘Querem fazer
tempestade em copo d’água por falta de assunto melhor.
Não vamos abrir mão do direito de informar.’’
Alckmin condena briga
O governador de São
Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cobrou ontem o respeito dos
parlamentares à tradição legislativa na hora de eleger
os presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado e da
Assembléia estadual. Segundo Alckmin, a maior bancada,
pelo princípio da proporcionalidade, deve indicar o
comandante de cada Casa.
‘‘Vamos parar com essa disputa, que não
tem nenhum sentido, a não ser, às vezes, por questões
de natureza pessoal‘‘, afirmou Alckmin, após cerimônia
no Palácio dos Bandeirantes. Sobre o alerta acendido no
PSDB, que perdeu a presidência da Câmara Municipal
paulista e teme ser derrotado também na disputa pela
presidência da Assembléia, o governador foi evasivo:
‘‘Não devemos misturar as coisas. A luta política
deve ser no plenário’’.
Alckmin só não quis assumir, publicamente,
se recomendará aos deputados federais que votem no
candidato petista Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) para
presidir a Câmara dos Deputados.
Ontem o líder do PSDB na casa, Custódio
Mattos (MG), disse que o partido não deve retaliar o PT
por causa da eleição na Câmara de Vereadores de São
Paulo. ‘‘A situação deixou de ser de bancada e
passou a ser partidária. O partido vai analisar tudo com
muita prudência e acredito que não vamos reagir a uma
atitude infantil de maneira impensada. Continuaremos
fazendo oposição responsável’’, afirmou.
Segundo Custódio, em dezembro foi fechado um
acordo com os petistas para permitir a eleição do
candidato oficial do PT à presidência da Câmara. Em
troca desse apoio, os petistas garantiriam o aumento da
margem de remanejamento no orçamento municipal da capital
e a eleição do candidato do prefeito José Serra (PSDB)
no Legislativo. De acordo com o líder tucano, o
entendimento teve o aval da presidência nacional do PT.
‘‘Depois dessa molecagem, a nossa primeira reação
era a de retaliar também, mas os ânimos esfriaram e
vamos encarar a questão com maturidade e
responsabilidade‘‘, garantiu.
Reunião tucana
O líder tucano disse que vai conversar com o prefeito e
presidente nacional da legenda, José Serra, e que seu
partido deve se reunir na próxima semana para tomar uma
posição de consenso a respeito da sucessão à presidência
da Câmara dos Deputados.
Até o último sábado, o partido apoiaria
Greenhalgh na disputa que ocorrerá no dia 15 de
fevereiro. No entanto, como a bancada do PT na Câmara dos
Vereadores de SP apoiou a candidatura de oposição a
Serra na presidência da Casa, há a possibilidade de
retaliação em Brasília.
‘‘O PT cometeu uma traição. Em outros
tempos, teria retaliado e nem buscado diálogo. Mas o PSDB
é diferente e vai buscar o diálogo antes da retaliação’’,
disse ontem o deputado Leonel Pavan (SP), um dos
vice-presidentes tucanos.
O presidente nacional do PT, José Genoino,
afirmou que o episódio da eleição do novo presidente da
Câmara de São Paulo, Roberto Tripoli (PSDB), é um
assunto encerrado para o comando petista.
Segundo Genoino, a bancada petista na Câmara
Municipal tem total autonomia para tomar decisões. Ele
evitou falar de influências sobre a bancada, conforme foi
noticiado, entre elas, a da ex-prefeita Marta Suplicy
(PT). ‘‘Não sei de nada a esse respeito’’,
desconversou. Além de citar a liberdade da bancada
petista na Câmara paulistana, Genoino informou que não
houve resolução da direção nacional da legenda para
enquadrar esses vereadores, reiterando a independência
deles.
O presidente nacional do PT disse que o episódio
requer tranqüilidade para pôr em prática as conversações
sobre a sucessão na Câmara dos Deputados.
PMDB
deve confirmar Renan no Senado
A bancada do PMDB no Senado deve
se reunir no dia 1º de fevereiro para escolher
oficialmente o nome que o partido indicará para a sucessão
de José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa. A
informação é do líder peemedebista no Senado, Renan
Calheiros (AL), nome mais forte para receber a indicação
do partido e, até o momento, o único pré-candidato à
presidência.
Renan informou que líderes partidários no
Senado, com quem tem conversado, se posicionam
favoravelmente ao cumprimento da regra da
proporcionalidade das bancadas para a formação da Mesa
Diretora da Casa. Isso deixa naturalmente o PMDB com a
presidência do Senado, já que é o maior partido, com 22
senadores. O PFL, com 17 senadores, tem a segunda maior
bancada e o PT, com 13 integrantes, tem a terceira maior.
De acordo com as regras, cada partido, de acordo com a
proporcionalidade, pode escolher um cargo da Mesa a ocupar
formando uma chapa para ser eleita. Renan disse não estar
em campanha, mas adiantou que vai procurar todos os
partidos com representação no Senado para discutir a
proporcionalidade e a composição da Mesa.
Apesar de ressalvar que ainda não é o
candidato oficial do PMDB, ele confirma que ‘‘não há
dificuldades para a aceitação’’ do seu nome.
Calheiros não quis adiantar também seus
planos para a presidência do Senado. Ele confirmou, no
entanto, a intenção de criar uma comissão para
reavaliar a formulação e a tramitação do Orçamento.
‘‘Esta não é uma plataforma de campanha. É um
consenso entre todos os líderes. A reestruturação do Orçamento
é um desejo de todos os líderes. Temos de repensar o Orçamento
em todas as fases, desde sua elaboração até a execução’’.
Ele disse defender uma proposta intermediária
entre o Orçamento autorizativo (como é hoje, que somente
autoriza os gastos e não obriga a sua execução) e o
impositivo (o que obrigará o governo a cumprir o que foi
estabelecido na peça orçamentária). ‘‘Temos que
adotar uma fórmula de transição. O Orçamento deve ser
democrático, real, transparente. Tem que ter critério no
planejamento e um nível de execução maior’’,
avaliou.
RECLAMAÇÃO ARQUIVADA
O Supremo Tribunal Federal negou seguimento ontem à
reclamação proposta pelo PMDB contra decisão do
Superior Tribunal de Justiça, que suspendeu a realização
das convenções nacionais extraordinárias do partido. A
suspensão das convenções convocadas para o dia 12 de
dezembro de 2004 foi proposta pelo senador Ney Suassuna
(PMDB-PB) em ação cautelar, com pedido de liminar,
contra o PMDB. Na Reclamação ajuizada no Supremo, o PMDB
pediu a concessão de liminar para suspender a decisão do
STJ, viabilizando as convenções. De acordo com a
ministra Ellen Gracie, a reclamação não pode ser
utilizada como recurso contra decisão proferida pelo
presidente do STJ.
Correio
WEB
05/01/2005
- 13h50
Mordida
de R$ 2 bilhões
Governo
aumenta tributação de prestadoras de serviço para
compensar correção da tabela do IR
A Medida
Provisória 232, que corrigiu a tabela do Imposto de Renda
(IR) da Pessoa Física, reajustou o limite de deduções e
modificou o planejamento financeiro de trabalhadores
brasileiros deverá elevar o valor do IR pago pelas
empresas prestadoras de serviço em 25% e aumentar a
arrecadação do Governo em R$ 2 bilhões.
Segundo cálculos
do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT), a mudança também alterou a base de cálculo do
IR da pessoa jurídica (empresa) e da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de 32% para 40%, das
prestadoras de serviço que optam pelo lucro presumido
(exceto transportadoras e hospitais). O ajuste para as
empresas vale a partir de 1º de janeiro, no caso do IR, e
1º de abril, para a CSLL.
Carga
tributária média sobre receita sobe para 25,25%
Segundo o
presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, as mudanças
correspondem a um aumento de 25% nos tributos. “É de se
lembrar que as prestadoras de serviços já tiveram
majorada a base de cálculo da Contribuição Social, a
partir de setembro de 2003, que passou de 12% para 32%.
Assim, o atual Governo federal promoveu um aumento de 63%
no Imposto de Renda e CSLL das empresas prestadoras de
serviços”, explicou Amaral.
Ele
lembrou que, além do IR pessoa jurídica e da CSLL, as
empresas que prestam serviços pagam os seguintes
tributos: Programa de Integração Social (PIS) de 0,65%
sobre a receita; Contribuição para o Financiamento da
Seguridade Social (Cofins) de 3% sobre a receita; Imposto
Sobre Serviços (ISS) de até 5% sobre a receita, de
acordo com legislação de cada município; tributos sobre
a folha de salários (INSS, FGTS, contribuição para
terceiros); taxas; Imposto Predial e Territorial Urbano
(IPTU); Imposto sobre a Propriedade de Veículos
Automotores (IPVA); Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF); e Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF).
Depois da
medida do dia 30, a carga tributária média sobre o
faturamento passará a 25,25%, contra 20,08% pagos no início
do Governo Lula. “Com essas medidas o Governo vai
arrecadar cerca de R$ 2 bilhões a mais por ano”,
destacou Gilberto Amaral.
O Dia
05/01/2005
- 13h40
Lula
e PTB articulam candidatura de Greenhalgh
Brasília
- O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou pessoalmente
na operação política para tentar unir o PT e os
partidos da base aliada, em torno da candidatura do
deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), à presidência
da Câmara. A primeira ofensiva foi ontem, no final da
tarde, em uma conversa de uma hora e 40 minutos com a cúpula
do PTB, integrada pelo ministro do Turismo, Walfrido Mares
Guia, o líder do partido na Câmara, José Múcio
Monteiro (PE), o deputado Luiz Antonio Fleury (SP) e o
presidente nacional da legenda, Roberto Jefferson.
A
primeira hora de conversa, segundo um dos participantes,
foi sobre o sucesso da política econômica e as previsões
otimistas do governo, em que Lula derramou elogios ao
presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e ao
ministro da Fazenda, Antonio Palocci. O presidente também
discutiu com o ministro Walfrido as boas perspectivas na
área de turismo este ano. Mas os 40 minutos finais foram
dedicados à crise em torno da sucessão da presidência
da Câmara e, segundo um dos petebistas que participaram
da reunião, o presidente fez um apelo ao PTB para que o
ajude a superar as diferenças da base com o candidato
Greenhalgh, comprometendo-se a pedir o empenho do petista,
no trabalho de unificação do PT e aproximação dos
aliados.
"A
candidatura do Virgílio (Virgílio Guimarães PT-MG, que
quer lançar candidatura avulsa) vai dividir o PT e criar
um grande embaraço ao partido", disse Lula, segundo
relato de um dos participantes. Os petebistas explicaram
ao presidente que foram surpreendidos com a escolha de
Greenhalgh e que o PT precisa resolver a questão
internamente. A avaliação dos petebistas é de que Virgílio
Guimarães é unanimidade na base e que o PT tem de
segurar a sua candidatura, porque se o deputado sair
provocará estragos.
Tanto
Jefferson quanto o líder José Múcio e o deputado
Fleury, definiram Greenhalgh como "um homem difícil,
que não tem relação conosco, não sabe fazer o
social". "Mas me ajudem. Vamos ver se a gente
consegue superar isso, porque para mim é muito importante
a unidade do PT e da base", teria ponderado Lula.
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi bem sucedido em
seu apelos ao PTB. Depois do encontro com Lula, a cúpula
do partido se reuniu com Luiz Eduardo Greenhalgh, e com o
presidente do PT, José Genoino. O encontro se estendeu até
as 22h30. Roberto Jefferson disse a Greenhalgh que sua
candidatura é polêmica assim como seria uma candidatura
do petebista. "Eu respeito você porque tem posições
firmes e claras como eu. Mas eu como você, se me
candidatasse, enfrentaria objeções, porque sou visto
como homem da tropa de choque de Collor (ex-presidente
Fernando Collor), enquanto você é tido como advogado de
Rainha (José Rainha, líder do Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra)". Jefferson aconselhou
Greenhalgh a estreitar o contato com os deputados da base.
"Você vai ter 30 dias para fazer o social",
lembrou.
Os líderes
do PTB não se comprometeram, no entanto, em fechar o
apoio à candidatura de Greenhalgh, mas prometeram
trabalhar internamente para aparar as arestas, já que a
articulação rebelde batizada de Movimento Câmara Forte,
em favor da candidatura de Virgílio Guimarães, nasceu