Artigo

30/11/2005 - 12h

Saúde é cultura - Azeite: a dieta que prolonga a vida

Contribuição: Jorge Augusto Camoles

Eles vivem mais, e não importa a que classe social pertençam. Mesmo os de classes mais humildes, por vezes sem possibilidades de cuidar adequadamente da saúde, possuem expectativa de vida considerada uma das mais altas do mundo: 80 anos. E não é só: a população tem menores índices de doenças cardiovasculares e câncer.

Os gregos são assim. Mas o que explica essa capacidade de resistir e viver melhor? Para muitos a resposta sempre foi clara: a dieta mediterrânea, com base no consumo generoso de azeite extra virgem faz toda a diferença. Agora pesquisadores começam a dar razão ao que antes estimulava a admiração mas não passava de aparente folclore.

Não são apenas os gregos, no entanto, os privilegiados da badalada dieta. Espanhóis, franceses, italianos, egípcios, israelitas, marroquinos e líbios também pertencem à região. Há diferenças, contudo.

Um exemplo: na Ítala e Espanha o consumo de azeite pela população é de aproximadamente 15-20g por pessoa diariamente. Na Grécia o consumo é o dobro.

A avaliação destas peculiaridades indica que estas diferenças nos hábitos dietéticos dos povos do Mediterrâneo são coerentes com o fato de que os azeites parecem ter diferentes atributos dependendo da região de origem o que leva à suposição de que o consumo de qualquer azeite como elemento de prevenção não parece suficiente. Nem basta seguir a chamada "dieta mediterrânea". O azeite grego tem suas qualidades específicas.

O que há de especial?

Cientistas tentaram definir o que tem o azeite grego que o torna tão especial para a saúde. Informações foram reunidas, estudos e pesquisas realizados e as pessoas começaram a falar sobre o produto. Hipócrates,contudo, o pai da Medicina, repetidamente se havia referido em seus trabalhos aos atributos benéficos do azeite de oliva à saúde de modo geral.

Pesquisas científicas atuais sobre nutrição reconhecem que a dieta grega está entre as mais saudáveis do mundo. Azeite de oliva, rico em gorduras monoinsaturadas, é responsável por este excelente crédito de saúde. Em poucas palavras, o azeite de oliva reduz o risco de doenças cardíacas

por diminuir o colesterol HDL (mau colesterol) que contribui para o desenvolvimento de depósitos de gordura nas artérias. Por sua vez, ele permite que o HDL (bom colesterol) trabalhe para remover quaisquer depósitos que tenham ocorrido.

Comprovação de estudos

Estudos publicados também fazem ligação do uso criterioso do azeite de oliva com a redução do efeito de uma lista crescente de enfermidades.

Mulheres gregas, por exemplo, têm 42% menos incidência de câncer de seio que as americanas.

Azeite de oliva é reconhecido por sua importância na manutenção do metabolismo e contribuir para o desenvolvimento do cérebro e ossos das crianças. É ainda recomendado como fonte de vitamina E para idosos.

Antioxidante natural, o azeite retarda o processo de envelhecimento.

Retarda, também, a excessiva produção de ácido no sistema digestivo, diminuindo o potencial de úlceras e outros problemas gastrointestinais.

Estudo em 28 países

O azeite de oliva é, claramente, não apenas rico em suas miraculosas qualidades como não possui mais calorias que outros óleos. Novo estudo feito por pesquisadores da Universidade de Oxford e publicado recentemente acrescenta que o azeite de oliva, um dos esteios na dieta mediterrânea, é tão bom quanto frutas frescas e vegetais na prevenção do câncer.

O Dr. Michael Goldacre e equipe de pesquisadores do Instituto de Ciências da Saúde da Grã Bretanha comparou as médias de câncer, dietas e consumo de azeite de oliva em 28 países incluindo Europa, Inglaterra, Estados Unidos, Brasil, Colômbia, Canadá e China. Países com dieta rica em consumo de carnes e pobre no uso de vegetais tiveram as mais altas médias de enfermidades e o azeite de oliva foi associado com riscos decrescentes.

Influencia no metabolismo intestinal

"O azeite de oliva pode ter efeito protetor no desenvolvimento do câncer do cólon", disse Goldacre em material publicada na Revista de Epidemiologia e Saúde Comunitária. Carne, peixe e azeite de oliva foram elementos chave da dieta em termos de câncer. Carne e peixe combinados foram positivamente associados com a incidência de câncer, mas o azeite de oliva fez a diferença.

Pesquisadores suspeitam que azeite de oliva protege contra câncer do intestino ao influenciar o metabolismo naquele órgão. Eles julgam que o azeite corta a porção da substância chamada ácido deoxicíclico e regula a oxidase da enzima diamina que pode ser ligada à divisão celular no intestino.

"O azeite de oliva parece reduzir parte do ácido da bílis e aumentar os níveis da enzima que se acredita regula beneficamente a reposição das células no intestino", afirmou o Goldacre. A carne tem efeito contrário: ela tende a aumentar o ácido biliar. Estudos em animais primitivos têm mostrado benefícios do azeite de oliva sobre o óleo de girassol e óleo de peixe em células pré-cancerosas e no crescimento de tumores.

Efeitos também sobre pele

Cientistas japoneses também têm defendido o azeite de oliva virgem aplicado à pele como possível protetor solar contra câncer e retardo de seu crescimento. Câncer do cólon é o segundo tipo de câncer mais comum em países ocidentais, sendo muito mais freqüente no mundo industrializado do que em nações da Ásia e África. O tratamento mais utilizado é a cirurgia que remove a área afetada do intestino e quimioterapia quando a doença se espalha.

Estudo sobre hipertensão

Estudo publicado dia 27 de março de 2000 no jornal /Archives of Internal Medicin/ informa que pessoas com hipertensão podem ser capazes de reduzir a quantidade de medicamentos se substituírem outros tipos de gordura utilizada na dieta por azeite de oliva extra virgem.

"A mais importante descoberta neste estudo é que o uso diário de azeite de oliva, cerca de 40g diários, reduz admiravelmente a dose [/da medicação para pressão alta/] em cerca de 50% em pacientes com uso de dosagens de medicação de laboratório previamente estável", diz o doutor

L. Aldo Ferrara, professor associado de medicina na Universidade Frederico II, de Nápoles, na Itália, e principal autor do estudo. Quarenta gramas por dia de azeite de oliva extra virgem são equivalentes a quatro colheres de sopa.

Esta é a quantidade que os homens neste estudo consumiram; as mulheres consumiram cerca de três colheres de sopa. Cada participante do estudo tinha pressão sangüínea elevada e tomava remédio para fazer o controle.

Cada um deles usou uma dieta compreendida de 17% de proteínas, 57% de carboidrato, 35 gramas de fibras e 26% total de gorduras com 5,8% de gorduras saturadas por dia durante seis meses.

Os participantes recebiam a maior parte da gordura ingerida do azeite de oliva extra virgem ou óleo de girassol. Depois de seis meses o óleo que usavam era substituído e durante mais seis meses passaram a usar azeite de oliva ou óleo de girassol, substituindo a opção feita no início dos primeiros seis meses.

Controle até sem medicamentos

Durante os doze meses do estudo, foram medidas as pressões sangüíneas regularmente e quando esta caía, a dose dos medicamentos regulares era reduzida. "A dose diária [/de medicamento para hipertensão/] foi reduzida em 48% durante a dieta do azeite de oliva e 4% na dieta do óleo de girassol", relata Ferrara. "De modo especial, a hipertensão foi controlada sem qualquer medicamento em oito pacientes durante a dieta do azeite de oliva, mas ninguém da dieta do óleo de girassol teve esse controle".

Ferrara explica que somente o azeite de oliva contém anti-oxidantes chamados polifenóis, que ele e seus colegas pesquisadores pensam ser responsáveis pela queda da pressão sangüínea observada neste estudo..

Polifenóis estão completamente ausentes no óleo de girassol, segundo Ferrara e seus colaboradores.

Câncer

É crescente a evidência, também, de que o azeite de oliva protege contra câncer de intestinos. Pesquisa realizada por médicos na Universidade Oxford descobriu que o azeite de oliva tem efeitos protetores. Eles perceberam que o azeite reage com o ácido existente no estômago para prevenir aparecimento de câncer de intestino e reto.

Câncer de intestino é o segundo tipo de câncer no Reino Unido que mata cerca de vinte mil pessoas por ano. Se diagnosticado a tempo, contudo, pode ser facilmente tratado. Pesquisas realizadas na Espanha com ratos no ano passado também sugeriram que o óleo de oliva pode proteger contra a enfermidade.

Pesquisadores de Oxford que realizaram a pesquisa de hábitos alimentares em 28 países confirmaram que o consume de carne e vegetais também pode afetar fatores de risco. Eles descobriram que três fatores relacionados com a dieta podem afetar os riscos de alguém desenvolver a doença.

Segundo a pesquisa, consumidores de carne e peixe, ao contrário dos que consumiam predominantemente vegetais e cereais, corriam maior risco.

Descobriram, ainda, que uma dieta rica em azeite de oliva estava associada à redução dos riscos. A razão é que o alto consumo de carne aumentava a quantidade de ácido biliar chamado ácido deoxicíclico, que reduzia a atividade de uma enzima conhecida por diamina oxidase. Acredita-se que esta enzima regule a troca das células no tecido do intestino e os níveis reduzidos desta enzima poderiam ser responsáveis pela substituição anormal das células.

Confirmação

O Dr. Michael Goldacre, um dos autores da notícia, disse que suas pesquisas embasaram-se em estudos anteriores. "Uma parte dos efeitos mais evidentes que encontramos é confirmação do que já se conhece de longa data. O que nossas pesquisas sugerem é que países com elevado consumo de azeite de oliva têm relativamente menores índices de câncer colo-retal do que seria de esperar, considerando outros aspectos da dieta que utilizam. Sugerimos que o azeite de oliva faz proteção independentemente das circunstâncias".

Em entrevista à conhecida emissora BBC Online, de Londres, o pesquisador acrescentou que tem sugerido pesquisas sobre azeite de oliva para que as informações sejam testadas, confirmadas ou refutadas em outros estudos antes de serem aceitas.

Aumenta consumo

Porta-voz da Fundação Britânica para Nutrição disse que tem aumentado o número de pessoas que usam o azeite de oliva em razão de seus benefícios reais. "O benefício básico do azeite de oliva sempre esteve relacionado com doenças coronarianas. Penso que o consumo torna-se crescente. As mensagens de benefícios para a saúde certamente estão fazendo seus efeitos".

Azeite de oliva: anti-inflamatório natural

A notícia está revolucionando o universo da medicina e em especial da Medicina Complementar: mais do que saboroso tempero, azeite concorre com anti-inflamatórios bem conhecidos.

Cientistas do Monell Chemical Senses Center, na Filadélfia, instituição norte-americana não lucrativa, que há 35 anos pesquisa a área dos sentidos, informou ter descoberto um componente no óleo de oliva batizado de oleocantal pelos pesquisadores, que inibe a atividade de enzimas ciclo-oxigenase, uma ação farmacológica também presente em anti-inflamatórios, como o ibuprofen e aspirina.

Segundo o biólogo do Monell, Gary Beauchamp, a descoberta pode ser o caminho para revelar o segredo da dieta do mediterrâneo que beneficia habitantes daquela região geográfica.

Síntese tira a dúvida

Cientistas ficaram intrigados ao descobrir que o azeite de oliva extra-virgem irritava a garganta de maneira muito especial. "Tive considerável experiência engolindo ibuprofen anteriormente e sentindo a mesma irritação em estudo sobre suas propriedades sensoriais", explica Beauchamp. A partir daí as pesquisas de laboratório demonstraram a identidade dos produtos.

Para tirar qualquer dúvida os cientistas criaram uma forma sintética de oleocantal, idêntica sob todos os aspectos à encontrada naturalmente no azeite de oliva e demonstraram que ela produzia exatamente a mesma irritação na garganta. Co-autor da pesquisa, Amos Smith, explica que "somente pela síntese poderíamos ter certeza absoluta de que o ingrediente ativo era o oleocantal".

Benefícios reais

Paul Breslin, cientista que estuda os sentidos no Instituto Monell e que dirigiu a pesquisa juntamente com Beauchamp ressalta que "a dieta mediterrânea, na qual o azeite de oliva é o principal componente, de há muito é associada com os benefícios à saúde como a diminuição dos riscos de coágulos, doenças cardíacas, câncer do seio e do pulmão e algumas demências. Benefícios semelhantes estão associados a certas drogas como aspirina e ibuprofen. Agora que sabemos que o oleocantal possui propriedades anti-inflamatórias, parece admissível que o oleocantal desempenhe papel de relevância nos benefícios associados a dietas que encontram no azeite de oliva a principal fonte de gordura".

Segundo Breslin, "o estudo é o primeiro a levar em conta a atividade farmacológica baseada na irritação e confirma a idéia proposta originalmente por Fischer há décadas de que qualidades sensoriais de um composto podem refletir seu potencial farmacológico".

Mais que instinto

O azeite de oliva tem sido associado por terapeutas naturistas ao tratamento de várias doenças. Hoje a ciência comprova efeitos benéficos do consumo de azeite de oliva dando aval científico ao que ontem era apenas instintiva confiança.

Testes em laboratórios da Northwestern University de Chicago demonstraram os efeitos benéficos do azeite de oliva no combate ao câncer do seio. O responsável pela façanha é o ácido oléico que reduz a atividade do gene chamado Her-2/neu, que ocorre em elevados níveis em

25% das pacientes de câncer do seio e é normalmente encontrado em vítimas de tumores mais agressivos.

Outros bons efeitos

Apesar dos benefícios do azeite na prevenção de tumores do seio, cientistas advertem para o fato de que é preciso estar atento a dois grandes fatores: obesidade e consumo de álcool.

Ao ácido oléico também se atribui a capacidade de reforçar a eficiência da droga chamada herceptina, que ajuda a prolongar a vida de muitos pacientes com câncer.

Confirmando os bons efeitos da dieta mediterrânea, cientistas descobriram que o azeite de oliva extra virgem também retarda o envelhecimento.

Serviço

Vários órgãos de informação deram amplas notícias sobre os efeitos positivos do consumo de azeite de oliva. A Internet apresenta vários sites. Aqui apresentamos um deles:

http://www.elikioliveoil.com/healthbenefits.html/

Ibuprofen

É utilizado para aliviar dor, sensibilidade, inflamação, inchaço e contrações provocadas por artrite e gota. É utilizado também para reducir febre e aliviar dores de cabeça, musculares, cólicas menstruais, malestares que acompanham resfriados, dores nas costas, dores pós-cirúrgicas ou de dentes. No Brasil encontra-se em várias composições medicamentosas e é vendido em farmácias sob diversas marcas. Sua composição e efeitos são semelhantes aos da aspirina.

Publicado por: Vida Integral
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