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11/12/2006
Os
servidores e o segundo governo Lula
Antônio
Augusto de Queiroz *
A máxima de que “gato escaldado tem medo de água fria” se encaixa
como uma luva na relação do servidor público com o segundo governo
Lula. Depois da reforma da Previdência e, dentro dela, a taxação dos
aposentados, a confiança dos servidores nas promessas do governo é
praticamente zero.
O presidente Lula, em
seu primeiro mandato, reestruturou carreiras, promoveu concursos públicos
e contratou novos servidores, não privatizou grandes empresas estatais,
criou instâncias de negociação, recuperou salários e, segundo o
Ministério do Planejamento, ninguém recebeu menos que a inflação do
período. Mas os servidores, em razão da reforma da Previdência e dos
reajustes diferenciados, que prejudicam os aposentados e pensionistas,
avaliam muito mal o governo.
Por mais que o
presidente, durante a campanha, tenha dito que não fará nova reforma
da Previdência e – diante da inexistência de acordo com o FMI
obrigando-o a fazê-la – tenha condições efetivas de cumprir a
palavra empenhada, os servidores não se sentem seguros. Essa desconfiança,
associada à escassez de recursos para gastos com pessoal, especialmente
no primeiro ano do segundo mandato, pioram a relação entre os
servidores e o governo.
Apesar da disposição
e boa vontade da equipe do Ministério do Planejamento em buscar soluções
negociadas, a tendência é de crescimento do número e da duração das
greves no Serviço Público. As carreiras do Poder Executivo Federal,
tanto as de nível médio quanto de formação superior, inclusive as
que passaram por reestruturação, estão com suas remunerações
profundamente defasadas, tendo como parâmetro as carreiras dos Poderes
Legislativo e Judiciário, o que servirá de combustível para os
movimentos paredistas em favor da equiparação.
Como não existe política
salarial permanente, não há plano de carreira que permita a progressão
e ascensão funcional – por concursos internos, respeitados os critérios
de interstício e qualificação – nem disposição política para
tanto, a tendência será um segundo mandato mais conflituoso que o
primeiro, apesar da ausência de ameaça à supressão de direitos.
* Antônio Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e
diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar (Diap).
Fonte:http://congressoemfoco.ig.com.br/Noticia.aspx?id=13086
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