|
11/07/2008
A
CLT está velha: flexibilizar para 30 horas
A Consolidação das Leis
do Trabalho - CLT está velha. Ela é de 1º de maio de 1943 e completou
seus 65 anos. Precisamos flexibilizá-la e adequá-la à atualidade.
Tudo bem que o Código Comercial dos Empresários é da época do Império
(1850, mas isto não vem ao caso).
É hora de jogar na lata
do lixo o artigo 58 da CLT e flexibilizar de 8 horas diárias de
trabalho, para 6 horas, com uma carga horária semanal de 30 horas e sem
redução de salários.
Precisamos também
flexibilizar a Constituição Federal que já está completando 20 anos.
Flexibilizar o Art. 7º da CF, Inciso XIII, pois neste inciso se
estabelece a duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias
e quarenta e quatro semanais.
No início da
industrialização no Brasil era comum trabalhar 15 horas semanais.
Ainda no início do século XX, os trabalhadores trabalhavam de 12 a 15
horas semanais. A primeira greve a reivindicar 8 horas semanais no
Brasil ocorreu em 1907 e portanto quase trinta anos antes da edição da
CLT. Portanto, a CLT já nasceu defasada no tocante à carga horária diária
de trabalho.
No entanto quase todo
mundo acha que a CLT é que introduziu as 8 horas diárias. Não foi. Na
Constituição Federal de 1934 foi fixada a jornada de trabalho em 8
horas diárias, e um máximo de 48 horas semanais.
Mas lembrando que temos várias
categorias de trabalhadores que trabalham 30 horas semanais no setor
privado e/ou público há muito tempo. Aliás, muitos trabalham até
menos de 30 horas semanais. Não sabia? Vamos lá:
a) 30 horas semanais:
Auxiliar de Laboratório, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Laboratorista,
Odontólogo e Terapeuta ocupacional, entre outros;
b) 25 horas semanais:
Jornalista, entre outros e
c) 20 horas semanais:
Professores, Médicos e Médico Veterinário, entre outros.
Portanto não é nenhum
bicho de sete cabeças e nem tão estranho assim falar de 30 horas
semanais de trabalho.
O trabalhador vende a sua
força de trabalho. Quanto mais tempo fica à disposição do patrão
maior o lucro do patrão e menor a sua saúde, menor a sua energia.
No Serviço Público os
trabalhadores do Brasil trabalham quarenta horas semanais, trinta e
cinco horas e trinta horas semanais, dependendo do órgão
administrativo.
A pergunta básica é: um
indivíduo que corta árvores para vender e lucrar, defenderá o fim do
desmatamento? Evidente que não.
Alguém que lucra com a
força do trabalho do trabalhador defenderá uma redução da carga horária
de trabalho? Não. Ele tentará de todas as maneiras aumentar a carga
horária de trabalho, aumentando os seus lucros.
A quem cabe controlar o
semáforo nos cruzamentos das ruas? Ao motorista do trator de esteira?
Ao motorista do caminhão? Ao mais forte? Não. O semáforo tem que ser
controlado pelos mais fracos, que tem menos poder, pois se o semáforo
ficar nas mãos dos motoristas de trator e caminhão não sobrará
nenhum motorista de carro pequeno, não sobrará um pedestre, não
sobrará um ciclista.
Portanto, cabe aos
trabalhadores que são a classe produtiva do país, o poder de alterar a
sua carga de trabalho e não aos patrões, pois estes nunca mudarão por
espontânea vontade.
Nenhum país vai funcionar
com menos de 40 horas semanais? Será? E por que na Finlândia os
trabalhadores trabalham 31 horas semanais?
Além do mais, em 1943 não
havia computadores, não havia máquinas de produção em série como
hoje, não havia correio eletrônico, não havia fax, não havia banco
automatizado, não havia encomenda de sedex que, atualmente, chega no
mesmo dia, não havia celular, não havia 3G.
Para onde foi o lucro do
menor tempo gasto para lucrar? Para onde foi o lucro do menor tempo que
a informática deu para as empresas e para onde foi a eficiência que o
Estado ganhou com isto? Certamente não foi para o bolso dos
trabalhadores. Alguém comeu o tempo excedente e lucrou com isto.
Uma tarefa que gastava 08
horas, hoje se faz, dependendo da atividade, em 15 minutos ou até
segundos. Já viu como se imprime um jornal ou uma revista? Sabe quanto
se imprime por segundo? Sabe quanto se gastava há sessenta anos para
imprimir uma revista?
E o lucro foi para quem,
se o trabalhador trabalha cada vez mais e ganha cada vez menos?
É hora de flexibilizar a
velha CLT e atualizá-la como convém a modernidade.
O trabalhador chega ao
final da jornada de trabalho diária e se coloca como uma bateria
recarregável na tomada. Chega à noite em casa, cansado, e quer só
descansar (colocar a bateria na tomada), para que acorde no outro dia e
comece a trabalhar novamente. No final de semana ele quer descansar para
que se possa trabalhar, de novo, na segunda-feira.
Afeta o seu relacionamento
familiar, seu relacionamento pessoal, seu relacionamento sexual, seu
prazer de viver.
Enquanto isto perdurar, os
trabalhadores na área pública e privada adoecerão e em vez de dar
lucro ao setor privado e melhores desempenhos no setor público, darão
prejuízos e péssimos desempenhos já que estarão estressados,
deprimidos, com LER, com dores e tudo o mais.
Além disto, todos sabem
como estão os números de alcoólatras, dependentes químicos dentro
das empresas e da Administração Pública e a maioria gerado pela
infelicidade no trabalho.
Seis horas de trabalho é
mais saúde, mais felicidade, maior lucro para as empresas e melhor
atendimento e eficiência na Administração Pública.
Tanto os trabalhadores na
área pública como na privada devem ter uma carga horária de 6 horas
semanais, com carga horária semanal máxima de 30 horas.
Afinal, devemos trabalhar
para viver e não viver para trabalhar. Atualmente, estamos vivendo para
trabalhar e, portanto, não estamos vivendo. Enquanto isto alguém está
vivendo em dobro com o lucro gerado por quem trabalha em dobro.
Pedro
Aparecido de Souza é Especialista em Direito Público e
Colunista da Revista Jurídica Netlegis = www.revistajuridica.netlegis.com.br
pedroaparecido@pedroaparecido.com.br
|