ARTIGOS

 
     

 

 

6/9/2006

 

As lágrimas de um amigo

EDSON AIRTON DE OLIVEIRA / Servidor lotado na PR/Paraíba

 

Hoje eu vi um amigo chorar! E só quem sabe a dor que eu senti, é aquele que tem um amigo.

Mas as lágrimas de um amigo doem, e doem porque são o afogar de um coração que, de tão triste que está, se sufoca num desfazer de seu ser.

O lamento pelo não reconhecimento dos esforços, pela miopia de quem deveria enxergar para guiar; lamento pela fraca personalidade de tantos, quando no uso de suas atribuições ou funções. Como é triste tentar ensinar o caminho das pedras aos que vêem prazer no morrer e no matar afogado o futuro e a dignidade, em nome da conveniência necessária, alicerçados na indiferença de gabinete, de outra carreira, de outro Estado, de outra cidade, de outra casa.

Senhores, a mudança dos termos do Plano de Cargos e Salários não foi uma derrota para os servidores ou uma traição da Administração Geral do Ministério Público da União, foi a maior derrota moral que uma instituição já teve nos últimos 20 anos. Mas falar de moral, neste momento, para estas pessoas tão próximas, seria no mínimo aumento de dor.

Pedir profissionalismo ao casuísmo, seria assinar um atestado de infantilidade, que me permito fazer apenas para ser LIVRE. Liberdade infantil, despreocupada, mas não irresponsável.

Muitos dos nossos colegas estão voltando para casa neste momento, cansados, emocionalmente desgastados, frustrados até. Mas, levam no brilho dos olhos a certeza que foram HOMENS e MULHERES, que foram PROFISSIONAIS compromissados com um ideal coletivo e não de gabinete, pois somos mais do que uma sala, que viram uma instituição fluir a partir do que ela tem de mais precioso, o ser que a faz.

Partem. Colegas que chegarão em suas casas e ouvirão de seus filhos a primeira palavra que aprenderam: “PAPAI”, ou que quando esfregando os olhos com medo do desconhecido gritaram: “Eu quero a minha MÃE!”, aqueles estão dando a estes  o direito de olharem para os outros colegas, tantos desconhecidos, com dignidade, dizendo: “Uma pessoa de quem me orgulhar?? Claro que tenho!!! Meu pai, minha mãe.”Por sua história e princípios.

A todos os que lutaram, quer sejam das Associações, quer sejam dos Sindicatos, quer sejam anônimos, todos os que buscaram o melhor para o outro, que não  estava distante dos olhos, mas era o objeto direto de suas ações, para os que ainda sonham com um setor público profissional, o meu respeito, o meu carinho e a minha alegria por sua existência. E aos outros, bem... dentro da minha fé eu peço a Deus misericórdia por vossas casas, afinal de contas eles têm a você.

Parabéns pela luta, foi uma ótima batalha. Melhoraremos na próxima.