A “organização que
aprende”, modelo revolucionário concebido por Peter
Senge1
o best seller “A Quinta Disciplina”, adotado em
empresas como Ford, HP, Intel e Shell, apresenta-se como
possibilidade de análise comparativa ao atual modelo
gerencial implantado no Ministério Público da União, que
tem no Grifo a tradução de seus pilares.
Segundo Senge, a
única fonte sustentável de vantagem competitiva em uma
organização residiria em as pessoas expandirem
continuamente suas capacidades de construir resultados –
desejados e esperados por todos, ou seja, funcionar
coletivamente como um organismo que aprende. A premissa
maior do modelo proposto passa, necessariamente, pela
ruptura com uma visão organizacional de pessoas enquanto
“insumos” da produção ou “recursos humanos”, vez que o
discurso subjacente aos termos é o de estar disponível
para ser usado e seria essa orientação o grande
obstáculo para o desenvolvimento de empresas de sucesso.
A construção da
proposta está centrada no desenvolvimento de cinco
disciplinas. Ressalta o autor que o termo disciplina é
utilizado no sentido de demonstrar que o foco deve ser o
comportamento e não o desenvolver de tecnologias ou
ferramentas de gestão, pois contar com um aparato
tecnológico e de informação – realidade concreta do MPU
– à disposição, não se traduz, necessariamente, em
resultados.
Essas disciplinas
seriam programas permanentes de estudo e prática que
levam ao aprendizado organizacional, ou seja, todos
seriam aprendizes e estariam empenhados em complementar
suas forças e compensar suas limitações em busca de um
objetivo comum: a excelência nos resultados.
A primeira disciplina
seria o domínio pessoal, aprender a expandir as
capacidades pessoais para obter os resultados desejados
e criar um ambiente estimulante e motivador para que
todos busquem as metas definidas. A segunda disciplina,
modelos mentais, são idéias profundamente
arraigadas, generalizações ou mesmo imagens que
influenciam nosso modo de perceber a realidade e nossas
atitudes. A terceira disciplina, visão compartilhada,
é estimular o engajamento do grupo em relação ao futuro
que se procura criar e elaborar os princípios e as
diretrizes que permitirão que esse futuro seja alcançado
(sentimento de coletividade). A quarta disciplina,
aprendizado em equipe, está em transformar as
aptidões coletivas ligadas a pensamento e comunicação,
de maneira que grupos de pessoas possam desenvolver
inteligência e capacidades maiores do que a soma dos
talentos individuais.
E finalmente a quinta
disciplina, pensamento sistêmico, foco da análise
comparativa aqui proposta, por expressar a sensibilidade
que integra todas as outras, possibilitando a mudança
dos sistemas de gestão de forma mais eficaz e que
segundo Peter Senge é assim definida: “é
uma estrutura conceitual, um conjunto de conhecimentos e
instrumentos desenvolvidos, que tem por objetivo tornar
mais claro todo o conjunto e nos mostrar as modificações
a serem feitas a fim de melhorá-lo”.
Nesse
momento, talvez algum membro da alta cúpula do MPU, se
disponibilizando a ler nossas considerações, levante a
seguinte indagação: “não seriam essas idéias apropriadas
para a iniciativa privada? Não temos concorrentes, não
objetivamos lucro, não estamos inseridos num contexto de
competitividade. Bem, podemos ilustrar por meio de uma
metáfora que se não fosse trágica seria cômica: Trabalho
Escravo S.A., Evasão de Divisas Inc, Devasta Mata e Cia
Ltda, Fraudadores Previdenciários Associados,
Improbidade & Impunidade S/C,
www.pedofilia.com.br
e tantas outras tristes possibilidades, cuja capacidade
de organização e de assimilação das modernas teorias da
administração não podem ser desprezadas.
De
acordo com Peter Senge as idéias contidas em a “A Quinta
Disciplina” são aplicáveis em qualquer espécie de
organização, com ou sem fins lucrativos, públicas ou
privadas, vez que cada uma dessas disciplinas representa
um corpo significativo de teoria e de métodos de gestão,
alguns dos quais remontam a centenas de anos. As teorias
que fundamentam estas disciplinas são muito profundas.
Por exemplo, a disciplina do domínio pessoal - tem as
suas raízes na orientação para a criatividade que o
Homem desenvolveu ao longo de milênios, a ideia básica
da aprendizagem em grupo envolve a prática do diálogo,
que tem o seu berço no dia logos grego, que
significa literalmente corrente de ideias, ou seja
aquilo que se cria quando um grupo de pessoas fala entre
si de tal modo que há um fluxo de ideias entre elas.
Portanto, “a organização que aprende” é um modelo que
transcende a natureza ou objetivo da empresa na qual se
pretende iniciá-lo.
Nesse ponto, voltaremos o
olhar ao modelo gerencial de nossa Instituição. E aqui
surge a primeira reflexão acerca da ausência de
pensamento sistêmico, quantos servidores tem o
sentimento de pertencer ao MPU? Quantos verbalizariam
interna ou externamente o termo acima: “nossa
Instituição”? Sem receio de ser hiperbólico, essa
estatística é muita próxima de zero, pouquíssimos
servidores detém essa visão sistêmica e se assim o fazem
é graças a uma sensibilidade própria ou de lideranças
locais, distantes geográfica e ideologicamente da
administração central.