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05/05/2009

 

O Grifo e a Quinta Disciplina

 

A “organização que aprende”, modelo revolucionário concebido por Peter Senge1 o best seller “A Quinta Disciplina”, adotado em empresas como Ford, HP, Intel e Shell, apresenta-se como possibilidade de análise comparativa ao atual modelo gerencial implantado no Ministério Público da União, que tem no Grifo a tradução de seus pilares.

Segundo Senge, a única fonte sustentável de vantagem competitiva em uma organização residiria em as pessoas expandirem continuamente suas capacidades de construir resultados – desejados e esperados por todos, ou seja, funcionar coletivamente como um organismo que aprende. A premissa maior do modelo proposto passa, necessariamente, pela ruptura com uma visão organizacional de pessoas enquanto “insumos” da produção ou “recursos humanos”, vez que o discurso subjacente aos termos é o de estar disponível para ser usado e seria essa orientação o grande obstáculo para o desenvolvimento de empresas de sucesso.

A construção da proposta está centrada no desenvolvimento de cinco disciplinas. Ressalta o autor que o termo disciplina é utilizado no sentido de demonstrar que o foco deve ser o comportamento e não o desenvolver de tecnologias ou ferramentas de gestão, pois contar com um aparato tecnológico e de informação – realidade concreta do MPU – à disposição, não se traduz, necessariamente, em resultados.

Essas disciplinas seriam programas permanentes de estudo e prática que levam ao aprendizado organizacional, ou seja, todos seriam aprendizes e estariam empenhados em complementar suas forças e compensar suas limitações em busca de um objetivo comum: a excelência nos resultados.

A primeira disciplina seria o domínio pessoal, aprender a expandir as capacidades pessoais para obter os resultados desejados e criar um ambiente estimulante e motivador para que todos busquem as metas definidas. A segunda disciplina, modelos mentais, são idéias profundamente arraigadas, generalizações ou mesmo imagens que influenciam nosso modo de perceber a realidade e nossas atitudes. A terceira disciplina, visão compartilhada, é estimular o engajamento do grupo em relação ao futuro que se procura criar e elaborar os princípios e as diretrizes que permitirão que esse futuro seja alcançado (sentimento de coletividade). A quarta disciplina, aprendizado em equipe, está em transformar as aptidões coletivas ligadas a pensamento e comunicação, de maneira que grupos de pessoas possam desenvolver inteligência e capacidades maiores do que a soma dos talentos individuais.

E finalmente a quinta disciplina, pensamento sistêmico, foco da análise comparativa aqui proposta, por expressar a sensibilidade que integra todas as outras, possibilitando a mudança dos sistemas de gestão de forma mais eficaz e que segundo Peter Senge é assim definida: “é uma estrutura conceitual, um conjunto de conhecimentos e instrumentos desenvolvidos, que tem por objetivo tornar mais claro todo o conjunto e nos mostrar as modificações a serem feitas a fim de melhorá-lo”.

Nesse momento, talvez algum membro da alta cúpula do MPU, se disponibilizando a ler nossas considerações, levante a seguinte indagação: “não seriam essas idéias apropriadas para a iniciativa privada? Não temos concorrentes, não objetivamos lucro, não estamos inseridos num contexto de competitividade. Bem, podemos ilustrar por meio de uma metáfora que se não fosse trágica seria cômica: Trabalho Escravo S.A., Evasão de Divisas Inc, Devasta Mata e Cia Ltda, Fraudadores Previdenciários Associados, Improbidade & Impunidade S/C, www.pedofilia.com.br e tantas outras tristes possibilidades, cuja capacidade de organização e de assimilação das modernas teorias da administração não podem ser desprezadas.

De acordo com Peter Senge as idéias contidas em a “A Quinta Disciplina” são aplicáveis em qualquer espécie de organização, com ou sem fins lucrativos, públicas ou privadas, vez que cada uma dessas disciplinas representa um corpo significativo de teoria e de métodos de gestão, alguns dos quais remontam a centenas de anos. As teorias que fundamentam estas disciplinas são muito profundas. Por exemplo, a disciplina do domínio pessoal - tem as suas raízes na orientação para a criatividade que o Homem desenvolveu ao longo de milênios, a ideia básica da aprendizagem em grupo envolve a prática do diálogo, que tem o seu berço no dia logos grego, que significa literalmente corrente de ideias, ou seja aquilo que se cria quando um grupo de pessoas fala entre si de tal modo que há um fluxo de ideias entre elas. Portanto, “a organização que aprende” é um modelo que transcende a natureza ou objetivo da empresa na qual se pretende iniciá-lo.

Nesse ponto, voltaremos o olhar ao modelo gerencial de nossa Instituição. E aqui surge a primeira reflexão acerca da ausência de pensamento sistêmico, quantos servidores tem o sentimento de pertencer ao MPU? Quantos verbalizariam interna ou externamente o termo acima: “nossa Instituição”? Sem receio de ser hiperbólico, essa estatística é muita próxima de zero, pouquíssimos servidores detém essa visão sistêmica e se assim o fazem é graças a uma sensibilidade própria ou de lideranças locais, distantes geográfica e ideologicamente da administração central.
 

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