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Concurso

SINASEMPU 10 ANOS

CONCURSO LITERÁRIO

TEMA – 2 – O DIREITO DE GREVE DO SERVIDOR PÚBLICO

 

Título do Trabalho:

GREVE: LUTA, ORGANIZAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO SERVIDOR

Nome do Servidor: MARIO FELIX DA SILVA

Endº. Res: Rua Urupiara nº.395

Telefone: 11-6861-3658

Pseudônimo: LIBERTÁRIO

  

GREVE: LUTA, ORGANIZAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO SERVIDOR

 

PSEUDÔNIMO: LIBERTÁRIO

 

      Foi nos idos de 1985. Minha primeira Greve. Grande novidade. Inesquecível mês de setembro. Era apenas mais um na multidão de bancários que lutavam contra o poder devastador do capital. Tantos anos depois que não se realizava greve de bancários. A última tinha sido realizada, com êxito, em 1951. Estava lá.  Fui para luta com homens e mulheres fechando as grandes agências. Posicionando-me como uma peça de xadrez para convencer os colegas a não entrarem  nos locais de trabalho. De repente me encontro na rua 24(vinte e quatro) de maio em São Paulo com uma faixa na mão escrita: Comissão de Esclarecimento - Estamos em Greve, e um megafone  para implorar aos colegas que não entrassem, nós iríamos conquistar as nossas reivindicações e a nossa dignidade. Tudo muito belo e pacífico, enquanto durou. Apenas dois dias: uma Quarta e Quinta-feira. Na Sexta-feira, estávamos de volta ao banco. Alegres e sorridentes pela conquista e prontos para outro movimento caso os patrões negassem o valor de nossa luta.

 

     Após 20(vinte) anos de banco, imaginei encontrar, em 2002, no serviço público a mesma vontade de tantos anos.  Fui eleito delegado de base para VIII - Assembléia Geral Ordinária/AGO em 2003. Após discussões e levantamento de propostas dos colegas, recolhi-as e levei-as para AGO na cidade de João Pessoa - PB. Participei da I - Plenária Nacional como observador da Tese: Por Uma Alternativa de Luta na cidade de  Brasília -DF em 2004. Fui candidato pela chapa Consciência Viva em 2005. Participei e fiz parte integrante do SINASEMPU, sempre acreditando e lutando por  mudanças. Mas devido ao excesso de burocracia na elaboração de pautas e minutas do nosso Plano de Cargos e Salários - PCS, que, também, tive a oportunidade de participar,  em maio de 2005, a impressão que obtive é que  estávamos fazendo uma “colcha de retalhos” que não cobriria nenhum “santo”, onde todos davam sua opinião, concentrando as discussões  numa só pessoa ou num pequeno grupo. A falta de sintonia em cada segmento no MPU é muito grande. Analistas, Técnicos, Motoristas e quem tem e quem não tem FC criam um divisor de águas e uma barreira intransponível. Cada um defendendo seu próprio interesse. Enquanto não for criada uma política sindical voltada para cada segmento não conseguiremos unificar a nossa luta.

 

    Também faltou uma sistematização de trabalho para obtermos uma melhor organização em nosso PCS. A sistematização se daria com eleições de pessoas representativas(delegados) em cada estado, os quais levariam as propostas específicas. E, no final, após vários trabalhos em grupos, chegaríamos a uma conclusão do que é prioritário para Unificação da Luta Nacional. Sei que não estou ensinando “o pai nosso” a ninguém, mas essas providências são essenciais para um melhor entendimento entre o Sindicato e sua base.

 

    Outra dificuldade que vejo é a interação do Sindicato com seus filiados que clamam por uma melhor informação do que se passa em Brasília. Falta um liame entre o Sindicato e seus filiados ativistas. Conheço a dificuldade do SINASEMPU para liberação de Diretores e delegados  devido a 8112. Contudo, temos que conquistar saídas para desenvolver o trabalho de atuação sindical. No último caso, até mesmo, questionar a Chefia ou Procurador - Chefe na liberação do representante.

    Qual é o nosso norte? Eis a grande pergunta para o Servidor Público. A Greve, antes, era considerada ilegal.  Mesmo assim a fazíamos sem medo. Hoje, abusiva. Sabemos que o patrão e o governo sempre dirão que é “caso de polícia”.  Devemos inovar a linguagem do sindicalismo com uma nova “Tomada de Consciência” para lutas futuras. Interagir e fazer intercâmbios com sindicatos combativos para unificarmos Campanhas Salariais. Convencer o servidor que a Greve é um Símbolo de Liberdade do trabalhador, a única arma que ele tem para derrotar o patrão - governo, contra os péssimos Salários(Neste momento que escrevo está ocorrendo a Greve dos professores municipais por aumento salarial. E pasmem!!! Eles reivindicam um salário de R$960,00, hoje é R$600,00.), péssimas Condições de Trabalho( Acabei de ler no e-mail  que os colegas da PR-Rondônia estão em Greve por estarem trabalhando espremidos e sem espaço vital  para desenvolverem seu labor. Com sobrecarga de serviço por falta de pessoal. Fato isolado mas de muita coragem. Torço por eles.), contra o ponto eletrônico e horas extenuantes[Pelas 6(seis) horas já!!!] de trabalho no deslocamento “in itinere” e contra as doenças originadas do trabalho como as Lesões por Esforços Repetitivos-LER, Assédio Moral, doenças mentais e várias outras que nos afetam. Isso que temos de refletir  para construirmos uma nova Alternativa de Luta no Serviço Público para que o direito de Greve deixe de ser um direito e passe a ser a Liberdade do trabalhador, acabando de uma vez por todas com a “Servidão Voluntária” como dizia o grande filósofo francês do século XVIII:  Étienne de la Boétie.

 

    Espero, um dia, poder enaltecer o SINASEMPU e cantar parabéns com voz embargada, tirando meu chapéu à Entidade que expandiu seus horizontes, uniu seus filiados e, com a Greve, lutou para Conquistar uma grande Vitória e Por uma Vida Melhor para o Servidor Público.